O melhor sorriso
1 Avante! Você é capaz.
Notas iniciais
Há três meses estava me sentindo solitária isso desde que eles se foram. É como se ao partirem levaram meu coração consigo e deixaram apenas uma casca ambulante aqui. Tentei por muito tempo não ficar imaginando o acontecido, porém minha mente ficou perdida em pensamentos do que acontecera aquele dia.
Meus pais faleceram em um acidente de carro, no dia do meu aniversário, quando foram buscar meu presente que eu tanto insistira em ganhar, um carro. Esse era meu presente de vinte e um anos, já que esperei desde os dezesseis para tê-lo, e também a forma de me parabenizar pela minha nova conquista, entrei para Universidade de Ringon, onde no início do próximo semestre eu estaria cursando jornalismo.
Porém desde o acidente minha vida mudou drasticamente, me sentia sozinha todos os dias, mesmo se alguém vinha me visitar. Não saía de casa desde então, nem mesmo para ir à loja em que estava trabalhando há dez meses, minha chefe era amiga da minha mãe, então não deu problemas em relação à minha saída inesperada.
Com o passar das semanas tive que me acostumar a viver sozinha em minha casa, não tendo ninguém para dizer “bom dia” ou comer torrada com manteiga sentada na mesa onde nós três sorríamos aos fazer brincadeiras de família.
Decidi enfim, depois desses três meses de solidão, levantar a cabeça e seguir. Como diz minha amiga Jane, “como você vai achar um namorado dentro de casa e ainda por cima usando esse pijama de bolinha? Levanta essa cabeça e vai se arrumar!”, eu tinha que “levantar a cabeça e me arrumar”, já que a parte de namorado não estava em meus planos até o término da faculdade ao menos.
Levantei-me da cama e deixei ali mesmo meu pijama verde de bolinhas brancas, que tinha ganhado de presente da minha mãe no último natal. Enchi a banheira de água e espuma, peguei os produtos que precisava para o banho e entrei. Senti um alívio percorrendo meu corpo, todo o estresse e as preocupações sumiram naquele instante em que afundei meu corpo na água coberta de espuma perfumada. Fiquei relaxando por aproximadamente uma hora, até que o telefone tocou.
Era Jane, ligando como todos os dias, querendo me tirar de casa e me levar em festas para me distrair.
-Olá, Kate! Como você está hoje? — perguntou divertida.
-Estou bem, Jane. E você? Alguma novidade para mim? — respondi calmamente.
-Eu estou ótima! Tenho!! Hoje, à noite temos uma festa para ir. Na casa do Jack, lembra-se dele, não é? — disse.
-O nosso antigo vizinho, certo? — eu falei.
-Sim. Ele está um gato! Haha! E mandou convite para nós duas. Hoje às vinte e três horas, traje informal e levar roupa de banho, ou não, se é que me entende... — soou com uma voz sedutora.
-Entendo Jane... Mas não estou afim de sair, sabe como é... – comecei a dar desculpas, como sempre.
-Ei, hoje não! Para de desculpas! Hoje você vai comigo, tenho planos feitos para nós. Passo aí às nove horas, vamos nos arrumar juntas. – falou determinante.
-Por favor, deixe-me ficar sossegada em casa. – pedi, fazendo voz chorosa.
-Kate! Para, sério. Vou terminar de fazer as coisas por aqui e ir ao shopping. Daqui umas horas estarei aí. Tchau, beijos. – se despediu confiante que eu iria.
Desliguei o telefone e fui vestir uma calça moletom preta e uma regata branca. Não posso fingir que não fiquei curiosa e ansiosa para saber o que acontecerá de tão importante nessa festa e quais eram esses planos para hoje à noite.
Como prometido, nove horas Jane chegou com várias bolsas e sacolas de compras. Ela estava bem motivada à me arrumar para sairmos.
-Temos que aproveitar garota! Sua primeira noite de diversão depois desse tempo todo aqui presa! – mostrou seu sorriso lindo para mim e foi para o banheiro.
Dez horas estávamos preparadas para sair. Fomos para a festa mais cedo.
Chegamos à casa de Jack mais cedo que o esperado, então ajudamos a arrumar os últimos preparativos até às onze horas, que era a hora combinada para o início da festa.
Jack estava terminando de limpar a piscina quando me chamou e me apresentou para Billy, um amigo dele. Billy era alto, rosto bonito, com grandes olhos castanhos e uma boca que guardava um dos sorrisos mais lindos que já vira, cabelos castanhos escuro, braços fortes e definidos em parte escondidos pela manga de sua camiseta laranja, estava usando também uma bermuda bege xadrez e chinelos pretos.
-Kate! Esse é meu amigo Billy ou para os íntimos Bil. Ei cara, esta é Katheryne, se ela deixar, podes chamar ela de Kate. Foi dela que te falei... – falou dando um sorriso malicioso e saiu de perto.
-Olá, Katheryne... – disse Billy envergonhado.
-Oi Bil, posso chamá-lo assim? Ah! E podes me chamar de Kate, eu prefiro assim. – falei com a voz baixa olhando em seus olhos.
-Claro que pode... Você é muito linda. – disse ele direto, olhando em meus olhos também e em seguida ficou com as bochechas ruborizadas e abaixou a cabeça.
-Obrigada! Mas não fique envergonhado, está bem? – falei sorrindo para ele.
- Tudo bem... Eu não queria ser inconveniente nem apressado, só isso. – Bil me olhou com cara de dúvida.
-Não! Não se preocupe. Você só está sendo gentil, admiro isso. – sorri.
-Quer alguma coisa para beber? Podemos ir à cozinha buscar algo, a maioria das pessoas demoram para chegar. – ficou me olhando quase implorando para eu não recusar seu convite.
-Boa ideia, estou com sede. – falei e segui atrás dele em direção à cozinha.
Estávamos a sós na cozinha há algum tempo, bebendo algo que ele preparara para nós, quando ele se aproximou mais de mim e perguntou se eu havia gostado dele, disse que sim, que ele era uma pessoa legal, então se aproximou mais ainda de mim, sentia sua respiração no meu rosto, deu um sorriso, seu hálito estava com cheiro de bala de menta, se abaixou e aproximou a boca do meu ouvido e falou:
-Você me disse que está sozinha, eu também, sabe... – voltou a olhar em meus olhos e depois para minha boca – Gostei de você, o Jack me fala muito de você há tempo, estava ansioso para conhecê-la, e você é como ele sempre descreveu, uma menina um pouco tímida, assim como eu, linda, com esse sorriso encantador, que me conquistou assim que disse “oi”, esses olhos que me deixaram fixados com esse brilho maravilhoso... Eu esperei tanto tempo para conhecer alguém como você. Eu sei que estou parecendo meio clichê ou que estou só querendo seduzi-la para conseguir um beijo, ou até mesmo um tanto desesperado para conseguir uma garota, não sei e nem tenho como saber o que estás pensando, porém é realmente sério, esse teu jeito me deixou... Não sei... Te conheço pouquíssimo, mas é como se fossemos próximos há anos. Sabe? – falou rapidamente, meio nervoso e envergonhado, mas confiante do que falava.
Tomou ar e ia começar a falar novamente, mas o interrompi antes de começar.
-Olha Bil, como te falei, estou sozinha, sim, porém vou começar a fazer faculdade e não quero me envolver com ninguém até terminar isso. Gostei mesmo de você, mas não estou afim. Não sou desse tipo de garota que “fica” com um garoto agora e depois já está com outro. Me entende? – disse meio nervosa.
Na realidade nunca estive em um relacionamento sério, só havia beijado poucos garotos até hoje. Mas assim que eu os beijei, na maioria deles, me apaixonava e no final acabava me magoando, pois eles só queriam “ficar”. Mas nunca fui além disso. Talvez para as outras pessoas eu seja considerada careta, mas não me vejo assim. Sempre fui ensinada pelos meus pais a guardar esses momentos para quando eu estivesse pronta e esse momento eu saberia quando chegaria.
-Não estou forçando você para nada, mesmo que você diga que não queira que eu a beije agora, eu vou esperar você para quando quiser, a não ser que não queira realmente... aí eu terei que respeitá-la. – disse com voz triste.
-Calma, não é isso. É só que você está indo muito rápido, acabamos de nos conhecer. Entende? – falei.
-Entendo. Vou respeitá-la, com certeza. Se você mudar de ideia, estarei por aí na festa, você decide. Sabes que quero beijá-la desde que começamos a nos conhecer. – disse e se afastou um pouco.
-Bil... Não quero que pense que estou me fazendo de difícil, sabe? Eu realmente me interessei por você, mas não sei se quero isso, tipo, “ficar” com você. E eu sei que quando te beijar, provavelmente vou acabar me apaixonando, assim como já aconteceu outras vezes. E não quero isso, não por enquanto. – falei para ele olhando para o chão.
-Kate, tudo bem, eu já entendi, você já me falou de você, falou da sua história e tudo o mais, isso não mudou nada do meu conceito sobre você, pelo contrário me chamou mais atenção ainda, pelo fato de estar sozinha ainda e por sermos parecidos até nisso. – Bil falou com as mãos em meus ombros.
-Obrigada por entender, você é muito bacana. E sim, se eu por um acaso decidir algo, te procuro. – disse sorrindo para ele.
As pessoas começaram a chegar à casa de Jack, na qual ficou cheia de pessoas que nunca havia visto. Mas tudo bem, Jane estaria lá para me fazer companhia, aliás onde será que ela estava? Não a via desde que Jack me chamou na piscina. Provavelmente ela está metida em algum canto com um garoto.
Fui ao banheiro verificar como eu estava e em seguida procurar algo para comer. Vi que Bil me observava de longe com o rosto cheio de esperança. Me vi perdida em meus pensamentos logo em seguida.
“Será? Vale a pena fazer isso? Mas e se me apaixonar?! Não, não Kate. Chega de se apaixonar e depois acabar trancada no quarto chorando. Mas ele é diferente, tão carinhoso, disse que gostou de mim... O que é um beijo, não é? Vamos! Vá atrás dele, ele está esperando você! OK, não custa tentar, não é?”
Adoraria dizer que segui em passos firmes em direção à Bil, mas não foi bem assim. Eu estava tão nervosa e perdida em meus pensamentos que não prestei atenção aonde eu estava prestes a “pisar”.
-KATE!!! – Bil saiu correndo e gritando em direção à piscina. -O que aconteceu? Como você conseguiu fazer isso?? – disse com uma voz preocupada, mas ao mesmo tempo divertida, segurando o riso.
Sim, eu escorreguei no piso molhado, e caí de bunda no chão alguns metros antes de Bil. Não prestei atenção na água que as pessoas jogavam fora da piscina ao pularem.
“Que vergonha! A maioria das pessoas me olhava com cara de vexame. Deveriam estar pensando que eu sou uma idiota.”
Mas eu comecei a rir quando Bil me olhou com preocupação e ao mesmo tempo rindo. Pediu se estava tudo bem e me levou para dentro da casa. Sentamos no sofá da sala de estar e ele ficou me olhando.
-Obrigada, sabe, por me ajudar... – falei.
-Por nada. Impressão minha ou você estava vindo falar comigo? – disse sorrindo.
-Estava... eu queria dizer que... Eu aceito. Quero te beijar também. – fiquei com vergonha, mas me senti bem.
Ele deu um sorriso enorme e se aproximou de mim. Olhando nos meus olhos começou a se aproximar, eu fiz a mesma coisa. Então colocou suas mãos em minha cintura e me puxou para bem perto dele, nos beijamos, um beijo bom, acendeu um fogo dentro de mim, mas controlei a chama. Ele tentou se controlar, não ficar passando a mão em mim, então pressionava as mãos na minha cintura, o que me fazia não ter muito controle da chama dentro de mim. Empurrei-o contra o sofá e fui junto, beijávamos cada vez mais calorosamente e ele desceu as mãos para minha bunda, por cima da roupa.
Então me afastei dele ofegante.
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