O melhor dia ruim das nossas vidas

1 Capítulo único - O melhor dia ruim das nossas vidas


O melhor dia ruim das nossas vidas

“Você teve um dia ruim

Você está pra baixo

Você canta uma canção triste apenas para contornar isso

Você diz que não sabe

Você me fala pra não mentir

Você força um sorriso e sai para um passeio

Você teve um dia ruim

A câmera não mente

Você está desabando e você realmente não se importa

Você teve um dia ruim

Você teve um dia ruim”

– Estava tocando essa no rádio no dia em que nos conhecemos – ela falou sorrindo ao fitar o celular em cima da mesa da cozinha, conectado a alguma estação de rádio.

Sentiu mãos fortes a abraçarem por trás e a barba por fazer arranhar seu pescoço quando ele a beijou ali.

– Foi o melhor dia ruim da minha vida – Sherlock sussurrou em seu ouvido e sorriu.

– Sim, foram três dias péssimos pra nós dois – Joan respondeu, virando-se para ele e enlaçando-o pelo pescoço – Mas aquele último foi o melhor dia ruim das nossas vidas.

Sherlock a puxou mais apertado pela cintura, quase erguendo-a do chão, beijando-a profundamente nos lábios e a arrastando para o primeiro andar da casa.

******

A bela asiática voltava do mercado algumas horas depois, parando brevemente em frente a sua casa. Ela e Sherlock haviam se casado alguns anos depois de se conhecerem naquela noite chuvosa ao final do turno do trabalho. Tinham deixado para trás seus apartamentos solitários e comprado outro lugar. Era um tríplex nas redondezas de seus antigos lares. Não era um lugar gigantesco, mas ainda assim bem maior do que parecia ser por fora e com um acesso para a cobertura do último andar. Tinha um ar antigo, que se mesclava bem à modernidade que ambos mantinham. Era um lugar aconchegante para se viver.

Acordando de suas lembranças, ela subiu os poucos degraus até a porta de entrada e adentrou a casa com os dois sacos do mercado, seguindo pelo pequeno corredor da entrada, se deparando com uma cena que a fez rir. Sherlock, sentado em uma das cadeiras da sala de estar, tinha um grande sorriso estampado no rosto, observando Kitty, sua filha de nove anos pulando loucamente no sofá e morrendo de rir, enquanto Alistair, de oito anos, brincava no chão com Clyde e Sadie, o casal de tartarugas de estimação.

Kitty pouco se parecia com Joan à primeira vista, havia puxado bastante à família de Sherlock. Tinha cabelos ruivos alaranjados, e olhos cinza claro. Era atrevida, às vezes rebelde, e muitas vezes tinha ideias excêntricas como o pai, também era protetora como ele, mas era tão amorosa quanto a mãe. Allistar, apesar de muito parecido com Sherlock, tinha muitos traços de Joan. Cabelos castanho escuros, olhos puxados, azulados como os de Sherlock, e sardas.

– Mamãe!! – As duas crianças quase gritaram de alegria ao vê-la.

Joan sorriu e entregou os dois pacotes a Sherlock, que viera em seu socorro, em seguida abraçando os dois filhos.

– Eu amo tanto vocês! – Ela os ergueu em seu abraço, fazendo os irmãos rirem.

Quando os soltou, ambos correram para pular no sofá vermelho. Sherlock deixou as compras na cozinha e juntou-se a ela para observar.

– O cabelo dela não estava trançado quando a mandamos pra escola.

– Eu trancei.

– Está parecendo a princesa Anna.

– Essa é a intenção.

Joan riu diante de mais uma das malandragens dos dois.

– Você deu doce pra eles de novo?

– Não dessa vez. Mas como acha que eles iriam ficar no último dia de aula antes das férias?

– Então deixe-os aproveitar e venha me ajudar com o almoço, Sir Sherlock de Arendelle – ela brincou e puxou o marido para a cozinha – Não vão cair daí nem destruir o sofá – falou de longe para as crianças – Não me diga que está pensando em manda-los numa colônia de férias...

– Eu não faria isso com nossos mais preciosos tesouros quando finalmente podemos passar mais tempo com eles. Especialmente porque também estamos de férias. E agora o negócio é nosso, podíamos ficar de férias pra sempre.

– Não podíamos não.

– Se alguém for a algum lugar, iremos os quatro juntos. E se pudermos, levamos até Clyde e Sadie. Mas não posso negar que a senhora Hudson terá mais trabalho cuidando de nossos pequenos agora. Precisamos dos nossos momentos a sós.

Ela sorriu e deixou de lado o que fazia para beijá-lo.

– Eu te amo, Sherlock – sussurrou.

– Amo você, Joan, cada dia mais – a retribuiu intensamente.

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