O mais feliz da vida
4 Memória
Notas iniciais
— Papai, o que é isso? — um menininho de cabelos loiros, segurando um caderno preto perguntou a Akashi.
O homem pegou o objeto e o abriu, folheando-o.
— Onde encontrou isso, Daichi?
O garotinho sentou-se ao lado do pai e o olhou seriamente.
— No seu quarto. Quem achou foi o Taki e a Ame-chan — Daichi respondeu e olhou para trás, mirando a escada.
Uma garotinha de cabelos ruivos e olhos rosa estava sentada na escada ao lado de um garotinho de pele morena e cabelos negros.
— Venham aqui — o garotinho chamou.
Os dois correram até o sofá e se sentaram ao lado de Daichi.
— Esse caderno era meu diário na época em que estava no colégio. Comecei a escrevê-lo depois da morte da minha mãe. Parei por um tempo, mas depois voltei a escrever outra vez.
— E o que tem aí? — Ame perguntou. — Minha mãe tem um diário também. Uma vez, eu li nele que ela era apaixonada pelo tio Tetsu. Mas ainda bem que ela conheceu o papai.
— Vamos ver o que tem de interessante aqui. — Seijuro folheou o caderno. — Vejam isso. — Colocou a página em questão na frente das crianças. — Foi quando eu conheci o seu pai, Daichi. Estudávamos na Teiko, e ele era um jogador bem interessante. — Virou algumas páginas. — Taki, aqui também tem sobre quando o seu pai entrou para o clube de basquete.
— Ele me contou que se interessou quando viu o papai Daiki jogando. E falou da época em que eles se afastaram por conta do orgulho dos dois.
— Todos nos afastamos e foi o Tetsuya quem nos juntou. Se hoje estamos sentados aqui falando disso é por causa dele. — Virou mais algumas páginas até que Daichi tirou o caderno das suas mãos.
— Kuroko — leu em voz alta. — Você chamava o papai pelo sobrenome? Que esquisito. — Riu-se. — Eu acho que estou apaixonado por você e estou horrorizado.
— E-eh? — Taki interrompeu. — Por que estava horrorizado? Não era uma coisa boa?
Akashi riu.
— Ele achava que eu gostava de outra pessoa. E ainda tinham os problemas com o pai dele — Kuroko disse, aparecendo atrás do sofá.
Todos se assustaram com a aparição repentina do homem e depois caíram na risada.
— Oh, bem-vindo de volta, Tetsuya. — Akashi se virou para olhar Kuroko que se inclinou e depositou um beijo carinhoso nos lábios do marido.
Kuroko sorriu e deu a volta no sofá. Abraçou Daichi, dando-lhe um beijo na testa e fez o mesmo com outras duas crianças.
— Quando resolveu dizer o que sentia? — Taki perguntou.
— Quem tomou a iniciativa foi o Tetsuya. E aquele dia foi o primeiro de muitos outros em que eu fui verdadeiramente feliz.
Kuroko sorriu e se sentou ao lado do marido.
Durante toda a tarde ficaram contando sobre o passado, relembrando os momentos mais felizes que viveram juntos até que as crianças cederam ao sono.
— Se ainda escrevesse o diário, tenho certeza que esse dia ficaria marcado numa daquelas páginas — Kuroko disse após colocar as crianças na cama.
— Só preciso guardá-lo na memória.
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