O mais feliz da vida
3 Apenas o real
Notas iniciais
— Papai, deixa eu colocar a estrela — uma garotinha de cachos negros, segurando uma estrela dourada, pediu ao homem de óculos.
Shintaro a pegou no colo, levando-a até o topo da árvore.
A menina arrumou o enfeite e depois voltou-se para o pai, sorrindo e com os olhinhos castanhos brilhando. Midorima a colocou no chão e ambos foram guardar as caixas onde, antes, encontravam-se os enfeites natalinos.
Depois de tudo guardado, ela foi encontrar Kazunari, que preparava o jantar.
— Asuna, sei muito bem o que a senhorita está querendo aqui na cozinha antes do jantar — Takao disse, sem desviar os olhos da cebola que picava. — Não vai comer a sobremesa antes.
Ela inflou as bochechas, aproximando-se do pai.
— Papai, quando vai fazer as pazes com o outro papai? Ele tá triste de verdade.
Kazunari arregalou os olhos diante daquela pergunta. As crianças eram mais espertas do que adultos supunham. Desde a discussão do dia anterior, Kazunari e Shintaro tentavam não demonstrar nada na frente da filha, apesar de ainda estarem de “cara virada” um para outro, mas, ainda assim, ela tinha percebido algo de errado entre os pais.
Olhou para a filha e sorriu.
— Não deve demorar. Não consigo ficar muito tempo bravo com ele.
E era verdade. Mas, daquela vez, Takao esperaria o marido pedir desculpas pelo dia anterior.
— Eu vi o jeito que você olha pra mim quando você acha que eu não noto — Takao gritava com Midorima. — Não acha que está na hora de parar de me tratar como criança? Eu entendo bem a minha doença, entendo que ela me deixa perdido, fora da realidade às vezes, mas desde daquele incidente no parque dois anos atrás, tenho controlado tudo.
Shintaro suspirou. Ele dava razão ao marido, mas isso não anulava sua preocupação.
— Sabe que não é nenhum trabalho cuidar de você, Kazu.
Takao bufou irritado.
— Não estou falando de dar trabalho. Estou falando de você achar que eu sou uma criança. Eu preciso do meu marido e não de uma babá! Não confunda as coisas.
Irritado, Kazunari saiu do quarto batendo a porta. Foi quando se lembrou que a filha poderia ter ouvido a briga, mas suspirou de alívio ao olhar para o relógio.
— Ela ainda está na casa do Kise, ainda bem.
***
— Asu, por que não toma banho antes do jantar? — Midorima apareceu na cozinha.
Sem demora, a menina correu para o banheiro, obedecendo ao pai.
— Kazu — ele chamou, deixando o orgulho bobo de lado. — Você estava certo ontem. Fui idiota e o tratei como uma criança dependente. Prometo que não voltarei a fazer isso. Me perdoa?
Takao passou a manga da camisa sobre os olhos para tentar se livrar do ardor causado pela cebola e virou-se para Midorima.
— Pensei que fosse demorar pelo menos mais um dia. — Ele riu-se, limpando as mãos no avental. — Eu o perdoo se você prometer que vai se ater apenas à promessa daquele dia. Nada de ser minha babá. Seja apenas o meu real. Só isso basta pra sermos felizes.
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