O lugar onde o vento dança
1 Único
Os pés descalços batiam contra a terra vermelha, levantando poeira sobre a grama seca. Os gritos eram levados pelo vento, entrelaçados aos pios das gralhas e ao balanço das árvores.
— Quero vê a hora que cê voltá, neguinha! — A postura da senhora era tão intimidante quanto a vara de marmelo na mão. — Hoje ocê não me escapa!
Mas, em vez de voltar, a menina apoiou os pés na cerca de madeira, saltando com a destreza de uma onça, as mãos ainda cheirando a sabão de soda.
Talvez, quando retornasse, a mãe enfim cumprisse a promessa repetida há doze anos e suas canelas finas seriam beijadas pelas folhas amargas.
Mas, naquele momento, Alzira não se importava. Os olhos ainda estavam marejados, o coração apertado com as palavras ásperas, os dedos doloridos depois de horas sobre a bica.
O vento a levava para longe, deixando para trás a casa amarela, as trouxas de roupas sujas e as responsabilidades que pesavam no peito de uma menina.
Pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que podia respirar. A risada nasceu em seu peito, explodindo em lágrimas enquanto corria sobre os pastos.
Perdia-se. Pulava galhos, nascentes e pedras. Desprendia-se de cercas de arame farpado, o vestido amarelado puído com novas marcas, a pele negra com novos arranhões, a memória com novas histórias.
Saltou mais uma vez sobre uma velha cerca abandonada. Quando pousou, sentiu o peito queimando, as pernas doloridas, as pedras pontiagudas sob os pés. Olhou em volta: o sol dourado castigando o mato, o ruído do riacho não muito longe dali, o lugar ao mesmo tempo familiar e desconhecido. Quem poderia dizer há quanto tempo corria? Todo o peso no coração já se transformava em leveza, a raiva derretida em um suor pegajoso.
Os olhos de jabuticaba pousaram em uma goiabeira com um certo brilho. Sem pensar duas vezes, logo os pezinhos se apoiavam nos galhos escorregadios, subindo com agilidade até o topo do arvoredo, onde as frutas suculentas estavam.
Ali ficou, pelo tempo de uma borboleta. O corpo recostado na parte mais alta, o vestido ainda úmido e preguento, os cabelos escapando do lenço e dançando com o vento. Apenas o silêncio do mundo como companhia.
E, então, ela ouviu.
Primeiro, a ventania, balançando a folhagem e assustando os pássaros. Depois, um arfar. E, por fim, o praguejar: uma voz fina, feminina, infantil.
Curiosa, Alzira se equilibrou na ponta do galho, buscando na imensidão verde a origem do som.
Ali havia uma garota. O chapéu de palha grande demais, uma peneira maior ainda, correndo de um lado para o outro, percorrendo o vento sem cessar.
Não era familiar — e Alzira orgulhava-se de conhecer qualquer peão ou senhora daquelas redondezas. Nunca a tinha visto.
Como um arapaçu, observava.
A menina parecia perseguir alguma coisa que só ela enxergava. Corria alguns passos, esticava a peneira para o alto e prendia a respiração. Então mudava de direção de repente, como se a aragem lhe cochichasse outro caminho. Às vezes parava por um instante, os olhos passeando entre as folhas, depois recomeçava a corrida, resmungando baixinho para ninguém.
O que quer que fosse, era ligeiro.
Com um passo em falso, ela foi ao chão. Tombou com os joelhos para a frente, as mãos raspando na terra, chapéu e peneira cada qual para um lado.
Alzira prendeu a respiração e sequer pensou: deslizou pelos galhos com rapidez. Quando pousou no solo, pronta para ajudar, a garotinha já estava de pé, cada coisa em seu devido lugar, correndo novamente. Como se nada tivesse acontecido, como se não doesse.
Era curioso, muito curioso.
— O que cê tá fazendo? — As palavras saltaram dos lábios de Alzira.
A menina soltou um grito assustado, quase caindo outra vez, finalmente percebendo que tinha companhia.
Alzira continuava a encará-la, como se observasse um pássaro novo.
Eram da mesma espécie, isso era claro, mas, ainda assim… muito diferentes. A garota tinha cabelos lisos e finos escapando do chapéu, a pele avermelhada de sol e olhos puxados nas laterais, miúdos como os de um peixinho. Havia um certo ar de atrevimento em seu nariz arrebitado, principalmente quando inclinou a cabeça e respondeu, como se dissesse a coisa mais óbvia do mundo:
— Procurando o Saci.
Alzira conhecia o famoso Saci-Pererê, é claro. Há não muito tempo, passou a tarde procurando junto com o Velho do Rio. Não achou o menino de uma perna só e nem seu gorro. Sua única recompensa foi o joelho no milho, enquanto a mãe dizia que não devia acreditar em qualquer coisa, que nem Saci nem Curupira existiam.
Era o que Alzira deveria dizer.
Mas… quando viu os olhos daquela menina, não conseguiu mais acreditar nisso.
— E cadê a garrafa?
— Garrafa? — A menina piscou lentamente.
— É, ué! Não te ensinaram? Precisa de garrafa pra botar o Saci!
Os lábios rosados fizeram um beicinho, o queixo inclinado para o chão enquanto olhava em volta:
— Não sabia. Deve ser por isso que não funcionou.
O silêncio as preencheu por alguns segundos. Depois, a menina levantou a cabeça, um novo brilho nos olhos:
— Me ajuda a pegar o Saci? Você parece ter experiência!
O convite assim, feito de surpresa, não poderia ser mais bem aproveitado. Alzira espelhou o sorriso, assentindo:
— Mas onde vamos achar garrafa? Sua casa é perto?
A menina negou, novamente amuada:
— Eu já andei um muitão até aqui. E sua casa? É perto?
Alzira deu de ombros, sem ter certeza sobre a resposta. De qualquer forma, em sua casa não conseguiria nenhuma garrafa — não sem estar acompanhada de bucha e sabão.
Ela olhou em volta, tentando se localizar. Por fim, seus olhos tocaram o topo das árvores, sorrindo em seguida:
— Fica aqui, vou descobrir um lugar.
Sem perder tempo, subiu novamente na goiabeira, o mais alto que podia. As mãozinhas calejadas cobriram os olhos enquanto buscava em todas as direções. Então, seu sorriso se alargou ao reconhecer a casinha branca bem perto dali.
— Vamo na Dona Dita, ela deve de ter garrafa!
Logo as duas crianças corriam pelo pasto novamente. Alzira um passo à frente, decisiva, apontando para aqui e ali, nomeando animais e lugares:
— Pra lá é a escolinha. A mãe manda eu ir andando todo dia, graças a Deus hoje num tem aula.
Passaram pela cerca, Alzira indo primeiro e segurando os arames lisos com cuidado, esperando que o vestidinho florido da nova amiga não estragasse. Pularam por cima do formigueiro e seguiram adiante, até o cheiro do café tomar o ar e o casebre brilhar com o sol forte.
Do lado de fora estava uma senhora sentada em um banquinho verde de madeira, um cigarro de palha na mão. Olhou as duas meninas por um segundo e soltou uma baforada, tranquila.
— Dona Dita! A senhora tem garrafa? — Alzira foi logo ao assunto, sem tempo a perder.
— Isso são modos, Zirinha?! — Dita logo a corrigiu, ajustando os óculos de tartaruga sobre o nariz fino. — E pra modequê ocês quer garrafa?
— Pra pegar o Saci! — A amiguinha respondeu, um tom mais alto e fino.
— Pegá Saci, minina?! — Dita franziu a testa, a pele enrugada pela vida bem marcada. — Pra quê?
— Ele pegou minha boneca.
— Oxi! — A voz de Alzira cresceu. — Desde quando Saci brinca de boneca?!
— Ih, Zirinha. Saci não pega boneca pra brincá. Ele gosta é de azucrinar. Antionti zedou meu arroiz. Onti, escondeu minha Nossinhora, fui achar pra mais de dinoite, quase na hora da reza. Saci num dá paz pra ninguém não.
— Eu só quero minha boneca de volta — A menina choramingou, o beicinho retornando.
— Se eu fosse ocês, num mexia com isso não. Depois que ocês pega Saci, ele num vai mais deixá ocês em paiz.
— Era minha boneca favorita. Minha vó trouxe da Coreia, não tem outra igual.
— Ih, onde é isso?! — Alzira novamente estranhou. — Nunca ouvi falar.
— Ah, Coreia? — A menininha colocou o dedo sobre o queixo, pensando. — Minha mãe é de lá, diz que é bem longe. Eu nunca fui.
— Mais longe que a igreja do Padre Cícero?
— Não sei onde é isso, mas tenho certeza que muuuuuuito mais. É noutro país.
— Então é longe mesmo.
— Esse mundão é grande mesmo, Zirinha. Cê não tem ideia — Dona Dita concordou, finalizando a discussão. Depois olhou para a menininha estranha, como se desse conta de que algo faltava em sua memória: — E quem é ocê?
Alzira piscou. Na pressa, percebeu que nem o nome sabiam.
— Eu sou a Mináh.
— E cê é fia de quem?
A menina coçou a cabeça, refletindo um pouco:
— Do Zé Reinaldo e da Da-ya.
— Conheço não, seu pai mexe com o quê?
— Ele é professor.
— Ah! Então cê é fia do novo fessor? Cês que tão mudando pra Fazenda das Gamelas?
A menina assentiu, olhando um pouco impaciente para a amiga recém-feita. Alzira não precisou de palavras ou de um segundo olhar, também impaciente:
— E tem a garrafa, Dona Dita?
A senhora olhou um tanto irritada para as crianças, mas suspirou:
— Cês espera aqui que eu vô pegar procês.
Dois pedaços de bolo e meia dúzia de perguntas depois, as meninas partiram, munidas de planos, garrafa e peneira. Alzira liderou o caminho, escolhendo a dedo onde poderiam encontrar o Saci.
Era, porventura, um dia de muito vento. Não tardaram as meninas a começar sua correria, perseguindo as folhas que voavam, ouvidos aguçados para encontrar o caminho do ar.
Inebriaram-se nessa dança, os corpos pequeninos flutuando, pés descalços beijando o chão.
Por vezes praguejavam, quando a terra adentrava os olhos ou tombavam no chão. Porém, em outros momentos, o olhar se encaixava. Sorriam, mostrando covinhas e dentes tortos, um brilho de intimidade que nasce entre almas que se reconhecem como iguais.
Enquanto brincavam, a sombra da goiabeira se deitava.
— Não tá dando muito certo — Mináh resmungou, o corpo tombando contra o tronco.
— Já sei! Meu padrinho, quando vai caçar, sempre coloca uma isca. Acho que tá faltando é isso!
— E o que é isca de Saci?
— Não sei. O Velho do Rio colocou café, mas não quero voltar na casa da Dona Dita. Minha orelha já dói.
— E se colocarmos uma fruta?
— Que diferença faz? Saci pode pegar a fruta que quiser.
— Será? Meu pai disse que ele é baixinho. E tem uma perna só. Deve ser difícil pegar as lá do alto.
Alzira ponderou, coçando o queixo:
— As do alto são as mais doces. Ele deve gostar.
— Vamos pegar então?
— Aham, acho que ele gosta de goiaba.
— Goiaba não, jabuticaba.
— Jabuticaba? Dionde tirou isso?!
— Ora, você disse que ele gosta de café! Café é preto! Jabuticaba também!
…
— Olha… — Alzira começou. — Você tem razão. Mas não tem jabuticaba, num tá na época.
— Então como fazemos?
— Goiaba, ué. Ele também gosta de goiaba.
Mináh olhou em volta, analisando cada árvore frutífera ao redor. Por fim, sorriu e apontou para uma goiaba suculenta, no galho mais alto de uma das galhadas.
— Ali, tenho certeza que ele vai gostar!
— Vamo! — Sem esperar por resposta, Alzira já colocava novamente os pezinhos na árvore, içando o corpo para cima. Quando já estava a uns bons palmos do chão, olhou para baixo, apenas para encontrar os olhos de peixinho a observando. — Num vai subir?
— Num dou conta.
A frase se repetiu na mente de Alzira. Foi por conta daquelas mesmas palavras que sua mãe a fez lavar cinco vezes o mesmo pano de prato encardido. Na sexta, fugiu.
Sua mãe sempre dizia que para o trabalho aquilo não existia: "vai dar conta sim, não tem nem que querer".
Mas aquelas palavras eram duras demais para serem ditas para uma menina com olhos de peixinho.
Alzira desceu alguns galhos e estendeu a mão:
— Eu te ajudo.
Mináh sorriu de orelha a orelha. As mãozinhas se tocaram: um par áspero como a casca de uma árvore vivida contra um par macio e suave como manga verde. Úmidas, cobertas de suor e, sobretudo, firmes.
Não havia galho alto o suficiente para impedi-las.
A brincadeira não era mais caçar o Saci, nem apenas encontrar a copa mais alta e subir até as estrelas. A brincadeira era apenas… brincar.
Se jogaram sobre a grama verde, a sombra da goiabeira as cobrindo. Respiravam ofegantes, braços e pernas ralados, olhos fixos na imensidão azul.
Apontavam para as nuvens e a metamorfose começava: um cavalo, uma folha, uma fada. Bastava um olhar e tudo se transformava.
E, então, houve um assovio.
Alto, retumbante, diferente de qualquer coisa que já tinham ouvido.
Os pássaros se aquietaram. As folhas permaneceram imóveis. Por um segundo, a natureza parou de respirar.
— O que…? — A voz de Mináh foi quebrada pelo relinchar de um cavalo. Distante e assustado.
Mináh se encolheu, os olhos percorrendo o lugar.
Mais um assovio foi ouvido, ainda mais alto e tenebroso. E com ele veio o vento.
Olhos arregalados e vozes se encontrando:
— É o Saci!
E, enquanto as árvores dançavam, as aventureiras se armaram: Mináh com a peneira na mão, Alzira com a garrafa pronta.
Quando o pequeno redemoinho começou, seus coraçõezinhos saltaram. Pés ágeis perseguiram o ar, mãozinhas jogaram a peneira, olhos apertados contra a poeira.
Lentamente o redemoinho se desfez. A peneira desceu em seu centro, contendo o ar e o que mais pudesse haver ali embaixo.
As meninas se ajoelharam ao redor da peneira, as mãos firmes segurando as bordas, como se a qualquer momento algo pudesse escapar.
Olhos atentos, lábios apertados, sem conseguir respirar. Até mesmo os pássaros pararam, quietos, à espreita.
— É isso…? — Mináh sussurrou, num fio de voz que pareceu ecoar. — Nós… pegamos o Saci?
Alzira não sabia dizer.
Por um momento, as palavras de Dona Dita pesaram. Uma vez que pegassem o Saci, jamais teriam sossego. Lembrou-se do Velho do Rio, sempre afoito, como se fosse perseguido por algo.
Certa vez, ele capturou o Saci. Talvez fosse por isso que era uma pessoa tão diferente; talvez o motivo pelo qual sempre olhava por cima dos ombros fosse a desconfiança de que o Saci estivesse ali.
— E se a Dona Dita tiver certa? — começou com a voz baixinha, quase como se falasse para si mesma. O aperto na borda da peneira se afrouxou, a ponta dos dedos em leve relance. — O Saci é custoso. E se escapar? O que vai fazer com a gente?
Mináh franziu a testa, o nariz contorcido.
— Se você tá com medo, pode deixar. Eu consigo fazer isso sozinha.
— Não tô com medo! — A voz saiu um pouco mais alta, magoada, com um quê de valentia. — Eu não tenho medo de nada!
— Então vamos pegar o Saci, ué! Quero ver ele devolver minha boneca!
Não havia mais discussão.
Alzira apertou a ponta dos dedos sobre a peneira. Com a mão direita, segurou o frasco de vidro, mordendo a rolha e puxando-a de uma vez, abrindo-o.
O olhar firme encontrou o de Mináh, que assentiu com a cabeça.
— No três eu vou soltar e a gente enfia as mãos debaixo da peneira — Mináh instruiu. — Você enfia daí, eu enfio de cá.
Alzira assentiu, preparando-se mentalmente.
— Um…
A garrafa já estava aberta, os dentes de Alzira soltando a rolha enquanto a mão firme segurava o vidro.
— Dois…
O coração bateu mais alto, a palma de sua mão suou. Os olhos estavam vidrados na peneira, a respiração suspensa.
— Três!
Duas mãozinhas esquerdas se enfiaram sob a peneira, agarrando algo que os olhos não podiam ver, uma emoção que o coração não conseguia sentir por completo.
— Peguei ele! — Mináh gritou, a outra mão ainda segurando firme a peneira.
— Eu também!
— A garrafa, rápido! Não vamos deixar ele escapar!
Sob o comando, Alzira avançou com o vidro, pronta para capturar o diabinho. Mináh levantou a peneira com rapidez. No entanto, os movimentos pararam no ar, os olhos fixos naquilo que agarravam com tanta força.
Ali, sobre o pó vermelho da terra, não havia gorro nem Saci. Havia apenas suas mãozinhas, apertadas, entrelaçadas, prendendo um tesouro precioso.
Alzira sentiu seu pequenino coração saltar. As bochechas tomaram um tom vermelho e bolhas subiram pelo estômago. Lentamente olhou para Mináh, ainda mais vermelha.
Seus olhos se encontraram.
As bolhas estouraram, resquícios de um medo confuso com algo em que não queria pensar.
E, então, Mináh riu.
Um riso gostoso, daqueles que aquecem como o sol numa manhã fria.
Alzira piscou lentamente.
E riu.
Qualquer que fosse o sentimento frio, dissolveu-se naquele momento.
Como se destrançassem os cabelos, soltaram as mãos. Alzira ainda podia sentir o calor e a maciez, como uma marca que ia para além da carne.
Mináh balançou a cabeça e deitou-se novamente na grama, ainda rindo:
— Mais uma vez não pegamos o Saci.
— Ele é muito rápido — Alzira se atirou ao seu lado, olhos novamente no céu. — Deve de ter escapulido antes da peneira.
— A gente tinha que ter usado a isca.
— Acho que dava certo — Alzira concordou, olhando pelo canto do olho de forma cúmplice. — Com jabuticaba.
Mináh riu, concordando:
— Ou goiaba.
— Logo, logo as jabuticaba começa. Aí vamo pegar um monte docinha e pegar o Saci.
— E pegar minha boneca!
Alzira riu, pegando o recipiente jogado e rodando-o nas mãos:
— Fomos na Dona Dita à toa.
— À toa não, ganhamos bolo! E tava bom!
— Espera… o que é isso dentro da garrafa?
Alzira apertou os olhos, girando o vidro nas mãos.
Dentro havia um pequeno dente-de-leão, como um relicário protegendo as pluminhas intocadas.
— Nossa! Nunca vi nada assim!
— Será que foi o Saci?!
— Do jeito que é custoso, não duvido nada!
Alzira concordou, rindo, ainda intrigada.
Um pensamento rápido passou por sua mente, quase como um sopro de vento: e se fosse o Saci que a levou até ali? Quase como uma estripulia, uma nova tramóia…
Mas se fosse… Ah, tinha valido a pena.
— Olha, o sol tá se pondo! — Mináh apontou para o céu, sua animação dispersando qualquer pensamento. — Vamos ver!
— Vem, eu conheço um lugar! Você vai amar!
Alzira se pôs de pé num salto, estendendo a mão para a nova amiguinha.
Não sabia o que a aguardava ao chegar em casa depois do anoitecer: uma mãe furiosa, joelhos no milho ou vara de marmelo.
Mas, quando Mináh segurou sua mão, impregnada com cheiro de goiaba e terra, Alzira sorria. Pela primeira vez naquele dia, o coração pesava menos que os pés.
Fale com o autor