O lobo e a raposa
21 Você me molestou
Capítulo 21: Você me molestou
Obito e Kakashi estavam lutando outra vez, algo que haviam feito muito nessa semana em que estivemos no Vale das sombras. Felizmente as lutas eram na forma humana e eles não se machucavam muito, pois, com a intensidade dessas lutas, se fosse a forma animal, certamente causariam grande dano um ao outro.
— Obito parece estar se divertindo. Faz tempo que não o vejo sorrir tanto — Rin comentou, se sentando ao meu lado e olhando para os dois assim como eu.
— Kakashi também está se divertindo. Já faz uma semana que estamos descansando e ele não está dormindo o dia inteiro, o que é muito raro — expressei minha opinião e ela riu.
— Vocês dois parecem ter um bom relacionamento, isso é raro para demônios de diferentes espécies — falou sobre algo diferente.
— Bem, Kakashi é especial para mim. Sem ele, eu não estaria mais vivo. Então não me importo com sua forma animal, pelo contrário, gosto muito do lobo, seu pelo é muito fofo — admiti honestamente e ela riu.
— Kakashi também disse que você era especial e que sem você, ele não estaria vivo. Parece que vocês estão destinados — comentou a primeira parte de minha resposta.
— Parece que sim — concordei e sorri, lembrando de como o conheci. Se eu tivesse tomado qualquer outro rumo naquele momento desnorteado, talvez tivesse acabado bem longe daquela caverna, portanto, era realmente o destino. Ao menos eu acreditava nisso.
— Naruto, vem comigo! — chamou Kakashi de longe. Parece que a luta deles já havia acabado.
— Já vou! — respondi enquanto me levantava e me despedia de Rin, seguindo na direção de onde sua voz vinha e passando por Obito que estava deitado no chão. O homem de cabelos pretos não parecia ferido, mas estava visivelmente cansado.
Quando alcancei Kakashi, ele estava sentado em uma pedra na beira de um lago. O tempo estava ótimo e havia sol, então a água refletia os raios solares, iluminando seu rosto e evidenciando suas belas características. Suspirei ao ver tamanha beleza e disse a mim mesmo para cuidar bem do meu companheiro para que ninguém tentasse lhe roubar.
— Esse rio vem de uma cachoeira. Atrás da cachoeira há uma caverna onde costumava ficar na minha infância. Achei que você gostaria de ver — Apontou para cima na direção de onde vinha o rio e explicou o motivo pelo qual me chamou. Quando ouvi suas palavras, sorri e imediatamente confirmei que queria ir ver, então seguimos juntos, caminhando ao lado da água.
— Quanto tempo você viveu nessa Vale? — perguntei curioso, já vendo a cachoeira que não estava muito longe, mas não aumentando o ritmo dos passos e aproveitando o tempo ao seu lado.
— Pouco mais de cem anos.
— Por que seu clã foi embora?
— Havia poucos recursos aqui, não era o suficiente para todos — explicou e entendi. De fato, a maior parte do vale das sombras eram rochas, pedras e areia. O solo não parecia ser bom para plantar e a floresta tinha poucas árvores e poucos animais. Para uma ou duas pessoas viverem aqui, como Obito e Rin, não havia problemas, mas quando há dezenas ou centenas de bocas para alimentar, esse lugar realmente não era adequado.
— Sente falta daqui?
— … Não muito — respondeu, mas havia um pouco de hesitação em sua voz. Ao notar essa hesitação, lhe olhei de modo interrogativo. Ao notar minha dúvida, ele explicou sua resposta.
— Não sinto falta desse lugar em específico, mas sinto falta da época em que vivia aqui. A vida era mais adequada para relaxar.
— Mais adequada para relaxar ou dormir? — questionei em tom de brincadeira e ele riu, não confirmando, porém, também não negando.
Chegamos até a cachoeira e vi a caverna atrás dela que não ficava muito escondida. Tomei a liberdade de ir primeiro e vi que o espaço não era muito grande, apenas o suficiente para dois ou três adultos.
— Parecia maior antigamente — comentou após me seguir, me fazendo rir.
— Você devia ser menor antigamente — comentei rindo e ele também riu.
Me escorei no fundo da caverna, cerca de três passos da entrada e olhei para a água que caiu lá fora. Imaginei um pequeno lobo sentado ali e olhando para água, se escondendo dos adultos para poder ficar um pouco sozinho, dormindo profundamente em um dia de verão enquanto aproveitava a brisa fresca que vinha através da água…
— O que é engraçado? — perguntou e apareceu em minha frente, bloqueando minha visão e me fazendo olhar para cima para ver seu rosto.
— Estava imaginando você quando criança. Queria ter visto o pequeno lobo, é um tamanho bom para segurar no colo — disse meus pensamentos.
— Já não basta assediar minha versão adulta? Quer fazer o mesmo com a versão infantil? Que pervertido — acusou, abaixando seu rosto para ficar ao lado do meu e praticamente sussurrando essa última palavra.
Sabia que ele estava apenas me provocando, mas me senti envergonhado ao lembrar das muitas vezes em que usei diferentes desculpas para lhe tocar.
— O que foi? Finalmente aprendeu a sentir vergonha? — Riu e essa risada perto de meu ouvido, soou diferente do normal. Talvez fosse o eco da caverna ou apenas impressão minha, mas ele parecia estar me atraindo propositadamente.
— Por que devo me envergonhar? Estava apenas te tocando! — respondi, não cedendo.
— Apenas me tocando? — Ele repetiu minhas palavras e riu. — Acho que essa resposta era de se esperar de uma pessoa que me molestou mais de uma vez — falou e se afastou um pouco, deixando seus olhos em frente ao meu.
— Quando eu te molestei?! — perguntei estupefato.
— Não vamos falar sobre "tocar" meu pelo de maneira tão desavergonhada. Mas ainda há a questão de você ter segurada minha cauda.
— Eu não fiz isso! — retruquei imediatamente, pois não tinha memória disso. Como se lesse meus pensamentos, ele também retrucou.
— Não é porque você não lembra, que não aconteceu. Você estava quase inconsciente, mas ainda era você e foi mais de uma vez — Foi a primeira vez que ouvi sobre isso, mas sabia que Kakashi não mentiria, além disso, realmente houve ocasiões em que fiquei inconsciente enquanto estava com ele na caverna.
Isso me fez lembrar das vezes em que ele me jogava para fora da caverna assim que acordava. Sorri rigidamente e não pude deixar de lembrar da reação dele naqueles momentos, entendendo finalmente o motivo da raiva.
— Não importa mais. Se peguei sua cauda ou te toquei, então assumirei a responsabilidade. Somos companheiros agora — lembrei-o e sorri.
— Sim, somos companheiros — concordou e aproximou seu rosto do meu, assim como havia feito uma vez, tocando nossos lábios.
Ao sentir esse toque raro, fechei meus olhos e me concentrei em aproveitar o momento, pois, naquele dia no quarto, quase não havia sentido. Ele pressionou seus lábios nos meus por alguns segundos e depois os moveu levemente, me surpreendendo por não cessar imediatamente como antes.
Resolvi tomar a iniciativa de também mover meus lábios, mas não fiz muito, apenas imitei seus movimentos. Depois disso ele se afastou, encerrando o beijo e me deixando com a sensação de querer mais.
— Vamos voltar — sugeriu e se virou, saindo da caverna sem me esperar e me deixando para trás.
Sorri com raiva e não pude deixar de pensar na possibilidade dele ter feito de propósito. Um beijo depois de tanto tempo, um bom clima e ele sai depois de alguns segundos, não parece uma provocação?
Nesse momento meu coração estava gritando.
"Kakashi, você é muito malvado. Lobo mau! Lobo mau!!
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