O lobo e a raposa
29 Vingança pela família
Capítulo 29: Vingança pela família
Embora estivesse preocupado com a segurança de Kakashi, sabia que ele era muito forte e se ele tinha coragem para enfrentar os Namikaze, era porque tinha alguma confiança de que poderia lhes derrotar.
Linda e Sakumo pensavam o mesmo que eu e tinham confiança em seu filho, mas para a minha surpresa, eles também tinham seus pensamentos. Ambos queriam acompanhar Kakashi como uma garantia de que ele ficaria bem, o que surpreendeu meu lobo.
Durante essa conversa deles, foi a primeira vez que vi Kakashi sem ter como reagir. Diante dos dois mais velhos que surpreendentemente estavam unidos em manter suas opiniões, não havia nada que ele pudesse fazer ou dizer que lhes impedisse. Ver isso foi bastante divertido.
O homem impotente diante do pai e da mãe, não se parecia em nada com Kakashi que decretou guerra aos Namikaze. Mas esse Kakashi também era muito legal. E muito fofo!
— Então vou com você e seu pai fica para cuidar de Naruto — propôs Linda.
— Por que eu não posso ir e você fica? — questionou Sakumo sentado ao lado dela, não parecendo aceitar esse arranjo.
— Você pode usar armas de exterminadores? — Ela perguntou de volta e ele ficou em silêncio. Kakashi que estava sentado no sofá em frente a eles e ao meu lado, sorriu discretamente. Já eu sorri abertamente, não conseguindo esconder o quão engraçado era aquela cena.
Linda e Sakumo não estavam mais juntos, mas por alguma razão, os dois sentados juntos eram muito harmoniosos, mesmo quando estavam brigando.
— Eu fico — O lobo mais velho concordou e eles mudaram o assunto para quando atacariam. Depois de debater um pouco sobre essa questão, ficou marcado para o dia seguinte ao amanhecer. Sakumo disse que os Namikaze já haviam conseguido pistas sobre a direção da nossa viagem e havia pessoas vindo atrás de nós, mas que o ideal era atacar o clã, onde poderíamos matar mais deles e causar um problema maior.
Assim, eles descansaram bem essa noite e na manhã seguinte, os dois saíram. Estávamos muito longe de Konoha e mesmo uma viagem sem paradas e na velocidade mais rápida de um demônio, levaria umas duas semanas, então ainda tínhamos muito o que esperar.
Durante esse tempo em que Linda não estava presente, vi poucos membros do seu clã e Sakumo ficou em casa o tempo todo, não querendo causar problemas. Eu também fiquei a maior parte do tempo em casa, então muitas vezes ia conversar com ele.
No início estava preocupado com Linda, afinal não sabia muito sobre as fadas. Mas enquanto conversava com ele, ouvi muitas histórias, entendendo assim que ela não era nada inferior a um demônio. Pelo contrário, em algumas questões ela era até superior à raça demoníaca. Foi também durante essas conversas que percebi que Sakumo sabia muito sobre sua mulher, ou ex-mulher, não parecia que ele não se importava.
Dia após dia esperei e logo o tempo esperado se passou. Naquele dia subi ao telhado e olhei para longe, como se pudesse ver Konoha se subisse mais alto. O dia se passou e a noite chegou, assim como um sentimento desconfortável. Eu me sentia inquieto e era como se o cheiro de sangue estivesse perto do meu nariz. Não foi uma ou duas vezes que olhei ao redor, tentando encontrar a fonte do cheiro, mas nada encontrei.
Quando ficou mais forte, de repente era como se eu conhecesse esse cheiro. Sim, eu o havia sentido antes, naquela caverna. Lá passei muitos anos com Kakashi e quando nos conhecemos, ele estava ferido e rodeado por esse cheiro.
— Estou enlouquecendo — disse para mim mesmo com um sorriso zombeteiro. Mesmo se Kakashi estivesse realmente ferido nesse momento, com toda essa distância entre nós, eu certamente não poderia sentir. Ri de mim mesmo, mas de repente esse sorriso desapareceu.
A sensação de desconforto aumentou e pouco a pouco, sentia como se estivesse ficando inconsciente. Não podia mais escutar o vento ou os animais ao redor da mansão, tudo o que estava em meus ouvidos era o bater de meu coração.
"tum tum, tum tum, tum tum..."
O som era como um eco em meus ouvidos.
Senti meu corpo se mexer e de repente alguém tocou meu ombro. Nesse momento estava em frente da barreira e Sakumo me impedia de sair. Ele estava falando alguma coisa? O que era?
"Você deve esperar aqui", parece que era isso o que ele dizia, mas não podia fazer isso. Olhei para a outra direção, para onde estava Konoha e novamente tive aquele sentimento desconfortável, assim como outro sentimento que agora ficava mais forte. Era como uma voz que me dizia:
"Vá até lá."
Seguindo essa voz, dei um passo a frente, outro passo e de repente a paisagem ao meu redor começou a mudar de um segundo para outro, como se eu estivesse correndo, mas, ao mesmo tempo, não correndo. Só me lembro que quanto mais avançava, mais calmo meu coração estava e havia um grande poder surgindo em meu corpo…
Um poder, que estava escondido lá esse tempo todo.
(Narração do ponto de vista de Kakashi.)
Já havíamos alcançado Konoha e paramos um dia para descansar. Durante essa pausa, minha mãe aproveitou para fazer algumas perguntas sobre esse tempo em que fiquei afastado dela.
— E quanto a essa cicatriz no seu olho? Quando a conseguiu? Vai afetar sua segunda habilidade? — Fez uma pergunta após a outra.
— Já faz alguns anos que eu a tenho. Não testei minha habilidade após adquirir essa cicatriz, mas não senti nem uma mudança, então não deve ser um problema — respondi brevemente, não dizendo como havia conseguido o ferimento. Depois disso falamos sobre meus adversários e ela fez questão de perguntar mais de uma vez se eu realmente estava bem para lutar e se ainda havia algum ferimento remanescente.
Foi só ao anoitecer que o assunto acabou e decidimos iniciar o ataque. Pois quanto mais cedo eu começasse essa luta, mas cedo terminaria e mais rápido poderia voltar para a minha raposa.
Ao pôr do sol foi quando os atacamos. Eu que havia morado naquela floresta por muitos anos e a conhecia bem, consegui invadir seu atual território com muita facilidade. Em minha forma de lobo e com as garras de exterminador, matei os inimigos que encontrei com um único golpe. Quanto àqueles que não consegui matar de surpresa, eles não fugiram uma segunda vez.
Minha segunda habilidade era pouco usada, porque usava muita energia e não podia durar muito tempo, mas o que ela tinha de perigoso para mim, também tinha de perigoso para os inimigos. Aquele olho vermelho possuía uma capacidade única, a capacidade de paralisar o inimigo através do medo. Se os lobos em minha frente, me temessem mesmo que apenas um pouco, esse medo os faria ficar paralisados no momento em que meu olho vermelho se fixasse neles. E nesses mais de trezentos anos, nunca encontrei um inimigo que é capaz de não ter medo algum, mesmo nas profundezas de seu coração. Nessa noite, foi igual.
Os Namikaze foram pegos de surpresa pelo ataque, assim como as Kitsune foram pegas tantos anos atrás. Eu possuía dois raros poderes únicos e minha mãe era uma excelente fada e uma exterminadora melhor ainda, sob o cerco de nós dois, dezenas de lobos com pelos dourados deixaram de respirar.
Claro, não foi tão fácil quanto apenas querer que eles morressem e ele morreriam. Na maioria das vezes havia algum confronto e eu havia recebido alguns cortes. Felizmente não eram cortes profundos e não representavam perigo, nada comparado com meus ferimentos antigos, aqueles que deixaram as cicatrizes que carregarei no corpo para toda a vida.
— Você vai se arrepender disso! — Um dos muito Namikaze me ameaçou. Haviam apenas duas ou três dúzias deles e agora estavam todos reunidos. Com eles juntos, era mais fácil matá-los, mas também era mais fácil morrer.
Depois de atacar um deles e não ter sucesso em tirar sua vida, fui acertado por outro lobo ao seu lado, desviando por muito pouco do que poderia ser um grave ferimento no pescoço. Estava pensando em um modo de invadir esse cerco e pensei em ir me juntar a minha mãe, mas antes que eu pudesse formar um plano, senti a sua presença.
Com choque e medo, olhei nessa direção, assim como quase todos os lobos que pareciam perceber que havia uma nova presença no nosso campo de batalha.
Ali, parado entre alguns corpos, estava Naruto. Sua expressão era calma e até um pouco confiante, diferente do Naruto que conhecia. Ver essa aparência, me fez franzir as sobrancelhas em preocupação.
— Naruto — chamei e ele olhou em minha direção. Seus olhos não eram os azuis com os quais estava tão acostumado a ver naquela forma. Era um amarelo dourado como o da sua forma animal. Ele olhou para mim e quando seus olhos viram meu corpo, o amarelo dourado tornou-se vermelho.
Uma expressão de raiva apareceu em seus rosto e ele olhou para os lobos de pelo dourado que ainda viviam. Uma aura hostil saiu de seu corpo e mesmo que fosse por apenas um segundo, até eu senti um pouco de medo.
— Namikaze — Ele disse, mas sua voz estava um pouco estranha. Era Naruto falando e, ao mesmo tempo, não parecia ser.
— Vocês derramaram o sangue da minha família no passado e derramaram o sangue da minha família no presente. O velho ódio e o novo ódio devem ser cobrado juntos. Como uma Kitsune, irei cobrar essa dívida — Quando essas palavras se encerraram, ele se transformou e em alguns segundos uma raposa apareceu…
Uma grande, grande raposa.
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