O lobo e a raposa

22 Algumas dúvidas esclarecidas


Capítulo 22: Algumas dúvidas esclarecidas


Passamos mais uma semana no vale. Originalmente Kakashi pretendia já ter seguido viagem, mas uma forte tempestade com chuvas e ventos fortes surgiu e ele preferiu ficar mais alguns dias para esperar o tempo melhorar.

Durante esses dias, devido à chuva, nossa mobilidade ficou confinada na pequena caverna lateral onde estávamos residindo. Kakashi dormia quase o dia todo e quanto a mim, estudei alguns livros que ele havia comprado.

Quando ao motivo pelo qual estava estudando, obviamente não era por desejo meu. Kakashi queria que eu soubesse mais sobre o mundo humano, então me fez estudar o que ainda não havia aprendido na escola, que era quase tudo com exceção de ler, escrever e fazer contas.

Na escola, minha situação era especial e Tsunade já havia falado com os professores, então eles me ensinaram pouco a pouco e pode-se dizer que meu avanço era especial. Mesmo na mesma sala que outros da minha idade, o que eu estudava era o equivalente às crianças que haviam acabado de começar a estudar, esse foi um dos motivos pelo qual não tinha muitos amigos.

Agora que havia deixado a escola, pensei que não precisaria mais estudar. Porém, não esperava que Kakashi realmente me compraria alguns livros de atividades e me faria estudá-los sempre que tivesse tempo livre.

Tentei protestar e dizer que era inútil, mas Kakashi insistiu, dizendo que nem sempre iríamos fugir e que um dia, quando estivéssemos dentre os humanos, meus conhecimentos seriam úteis. Queria retrucar e dizer que ele não estudou, então eu não precisava estudar, mas para a minha surpresa, ele realmente estudou.

Eu havia pensado que por passar sua infância nesse vale isolado, Kakashi não havia estudado entre os humanos. De fato, acertei nesta questão e ele não estudou nessa época, mas estudou depois disso, quando estava naquela floresta perto de Konoha. Lhe testei algumas vezes para ver se era verdade que ele havia estudado ou se estava tentando me enganar e foi então que vi o que os humanos chamam de gênio.

Já faz no mínimo algumas dezenas de anos que ele estudou e ainda assim, não importa qual seja a pergunta que eu faça, ele sempre tem a resposta. Chega a ser assustador.

— Já é a terceira vez que você está suspirando — comentou meu companheiro. Ah, não. Nesse momento ele deveria ser chamado de meu professor.

— Estou cansado de estudar, me deixe fazer uma pausa pelo resto do dia — pedi diretamente, parando de escrever e olhando para a cama de pedra onde ele estava sentado, escorado na parede e lendo um livro.

— Você fez isso ontem — Me lembrou que a desculpa já foi usada. Fiquei em silêncio por um tempo e depois levantei do chão onde estava sentado para fazer as atividades sobre a mesa baixa, simples e rústica de madeira. Caminhei até a cama e subi nela, me jogando sobre ele e vendo-o desviar o livro para o lado e usar seu outro braço para me segurar.

— O que você está lendo? — perguntei curioso. Ele pegou esse livro de capa toda laranja já faz um tempo e sempre que não estava ocupado, o lia, mas parecia não terminar nunca.

— Um livro de curiosidades — respondeu, fechando-o e o colocando de lado, antes de abaixar seu rosto e olhar para mim.

— Terminou as atividades?

— Fiz metade…

— E a outra metade? — continuou a questionar calmamente.

— Estou sem forças para terminar. Se você me beijar por alguns minutos, talvez eu possa continuar — tentei tirar vantagem da situação.

— Não — recusou diretamente.

— Por que não? São só alguns beijos — reclamei.

— Alguns segundos é o meu limite, mais do que isso e não será apenas um beijo — respondeu seriamente, me surpreendendo. Me sentei entre suas pernas e não fiquei mais deitado sobre seu corpo, deixando meu rosto quase da altura do seu para que pudéssemos conversar melhor.

— Pensei que você tivesse um bom controle sobre si.

— Eu também pensei. Mas imaginação e realidade são diferentes — explicou.

— Então… Devemos fazer? — perguntei com um pouco de hesitação.

— Você está pronto? — perguntou em resposta e me senti um pouco envergonhado.

Eu já havia aceitado-o como meu companheiro e a ideia de fazer sexo não era ruim, mas aceitação e ação também eram diferentes. Tinha pouca experiência em relacionamentos e não sabia dizer se estava pronto ou não.

— Como vou saber se estou pronto? — Com dúvidas, só podia perguntar a ele, afinal, não havia mais ninguém com quem eu me sentisse a vontade para falar sobre esse tipo de assunto, mesmo se fossem meus bons amigos Sasuke e Sakura.

— Para começar, você precisa querer. Se não há desejo, então você não está pronto. Se falar sobre sexo ou acasalamento te causar medo, ou desconforto, então também não é a hora — falou seriamente e ouvi seriamente.

— Para estar pronto fisicamente, você precisa reagir a mim, ter confiança e não se pressionar. Para estar pronto mentalmente, não deve haver hesitação, dúvidas sobre sua escolha e não se arrepender desse relacionamento. Se qualquer uma dessas questões não estiver bem, então não é hora — encerrou e pensei sobre o assunto.

— De maneira geral, não há problema, mas…

— Mas? — perguntou quando parei a frase pela metade.

— Eu queria um lugar um pouco mais seguro para esse tipo de relacionamento físico — falei sobre o único desconforto que tinha quando esse assunto era mencionado.

— Quando você diz "seguro", quer dizer uma casa na cidade ao invés de uma caverna ou fala sobre ter um lar fixo, diferente das paradas temporárias?

— Acho que é a última — disse e pensei sobre o sentimento que sentia falta. — Considero a caverna onde vivemos naqueles trinta anos, como segura. Então acho que "seguro" não é bem a palavra, seria algo como "confortável" — dei um pouco mais de detalhes.

— Então podemos tentar quando chegar ao destino que tenho em mente. Espero que possamos nos estabelecer por lá, devendo se encaixar no seu requisito — falou e concordei em tentar quando o momento chegasse. Se não desse certo por algum motivo, ainda poderíamos tentar uma segunda vez, terceira vez e assim por diante.

— Então, sem beijos demorados? — voltei ao assunto original e outra vez reclamei.

— Sem muitos beijos, mas também vou deixar passar a outra metade das atividades — decretou por fim e me deu um selar de lábios.

— Você vai deixar passar hoje, mas amanhã vai me fazer estudar outra vez — acusei enquanto lhe abraçava pelo pescoço e via um pequeno sorriso no canto dos seus lábios, pouco antes dele dizer:

— Hoje é hoje. Amanhã é amanhã.