O legado dos heróis
3 Romantismo não é uma das minhas qualidades
Notas iniciais
É muito estranho uma deusa do olimpo se preocupar com o casamento de semideuses, principalmente sendo a deusa da sabedoria por mais que ela seja minha mãe foi muito estranho. Aproveitei que não precisava me preocupar com nada e usei os três dias para estudar a profecia com meus filhos e treinarmos. Com estudos descobrimos que provavelmente quem estava por trás dessa profecia era Érebo a personificação da escuridão e o criador das trevas irmão e marido de Nix a noite. Ele foi jogado no rio Aqueronte, que fica na fronteira dos dois mundos, por Zeus e Hades quando desceu ao Tártaro para ajudar os gigantes. Não tínhamos conseguido falar com Nico então não sabíamos nada sobre o mundo inferior, mas sabíamos que a noite se havia se tornado muito mais perigosa para semideuses e humanos, os casos que a polícia não sabia explicar e desaparecimentos aumentaram drasticamente.
Os treinamentos viravam espetáculos para quem apreciava bons duelos, os gêmeos mostravam serem praticamente imbatíveis com espadas que por sinal a suas eram pequenos cadernos que cabiam no bolso e se transformavam ao serem abertos, não perguntei, mas acredito que foi presente de Poseidon pensando em minha mãe. Nossos duelos duravam horas e geralmente acabavam em empates, Percy e eu só ganhávamos quando percebíamos alguma falha, mas a maioria das vezes que não era empate eram eles que ganhavam. Quando usavam seus poderes se transformavam, seus olhos ganhavam brilho e o poder os dominavam, nessas lutas meu único objetivo era continuar inteira para o casamento, Percy usando a água e as experiências que tinha vivido não conseguia os derrotar. O mais assustador foi quando Percy se desequilibrou dentro de um rodamoinho e Zöe o acertou um jato de água de alta pressão o fazendo voar para fora e batendo com força na parede de pedra que havia perto da praia, ela começou a caminhar lentamente em direção de Percy mantendo um jato de agua continuo em seu peito, era tão forte que ele próprio não conseguia desviar a direção da água, os olhos dela estavam completamente obscuros por um brilho cinza e ela não controlava a água do mar ou de algum lugar próximo, a água saia de sua mão. Só havia saído do transe quando a empurrei pelas costas e Damásen jogou um jato de água em sua cara, a água nela não fez nenhum efeito, mas como ela caiu no chão pelo empurrão o jato de água formou barro com a terra que envolveu todo seu cabelo. Ela gastou metade de meu xampu lavando a cabeça nesse dia.
O grande dia havia chagado junto com várias preocupações. Em meios a estudos e treinos tinha esquecido que no dia seguinte teria que voltar para escola, esse ano eu e Percy estudaríamos no mesmo colégio. Não tinha contado para ninguém ainda, mas meu pai me havia me dado um apartamento de dois quartos, dois banheiros, sala e cozinha, perto da casa da mãe de Percy, pelo menos não precisava me preocupar aonde iria morar, mas sim como íamos nos sustentar, incluindo as crianças que também iam para escola conosco, tinha que me lembrar de comunicar isso a eles.
Piper tinha ido me arrumar no meu chalé, mas não chegou nem perto da maquiagem, Atena apareceu e com um sopro fiquei pronta. Quando me olhei no espelho tinha uma coroa de louros de ouro em minha cabeça, meu cabelo estava com a frente presa atrás da cabeça caindo em formas cachos, estava com um vestido branco de seda com o caimento leve, usava um cinto dourado, estava com uma sapatilha de corda que combinava com o cinto e a maquiagem estava leve, mas me transformava em outra garota, uma garota lindíssima.
– já esta na hora querida – disse Atena – como seu pai não está nem sabendo Poseidon entrará com você, e a mãe do Percy também não está sabendo então entrarei com ele.
– Oi? – disse de boca aberta – você com Percy e Poseidon comigo?
– Você não é lenta Annabeth, você me entendeu.
– Mas..
– Sem, mas e nem por que – disse ela com autoridade – já são onze horas da manhã, vamos agora – Atena desaparece do quarto só sobrando eu e Piper.
– Vai dar tudo certo – Piper me falou com charme me encorajando.
Escutei uma batida na porta e vi Poseidon, não com barba branca e camisa havaiana, mas como um homem de aparência de 30 anos vestindo uma túnica grega branca, coroa de louros na cabeça e tridente na mão.
– Lá vamos nós... – disse me preparando.
Não prestei atenção em nada o que aconteceu, só conseguia olhar para os olhos do Percy, estavam radiantes transbordavam alegria e amor, aqueles olhos verdes me cativavam e me fazia apaixonar cada vez mais a cada instante em que os olhava. Quíron precisou tossir algumas vezes para eu prestar atenção na pergunta que ele me fazia. Quando aqueles olhos se aproximaram de mim e se fecharam senti os lábios de Percy, fechei meus olhos e me entreguei a sua boca, só paramos quando escutamos Clarice gritar que iria lá nos separar a força.
Os gêmeos estavam chorando abraçados a Atena, quando a cerimonia terminou a maioria dos campistas correram para as mesas de salgados e doces e eles correram para nos abraçar, realmente pareciam serem crianças de 10 anos, estavam chorando de soluçar. Piper foi nos abraçar e se desculpar por ninguém do acampamento Júpiter ter ido, eles estavam enfrentando vários problemas por lá.
Na festa não pude controlar meus pensamentos eles não paravam de analisar a profecia e no que estávamos acabando de entrar, se realmente fosse Érebo, e se ele estava nas profundezas do Aqueronte, uma hora ou outra eu teria que voltar para o mundo inferior, não só eu, como a minha família que tinha acabado de se formar. Deram-me um microfone e me mandaram fazer um discurso no palco onde filhos de Apolo estavam tocando as músicas da festa, sem nem pensar se era ou não o momento certo, informei a todos os campistas sobre a profecia, sobre o gêmeos, contei tudo a eles. Todos me encaravam de bocas abertas, depois entreguei o microfone a Percy para ele fizesse seu discurso.
– Sensível como sempre – Percy brinca se referindo a mim que estava a caminho do chalé de Atena para começar a passar para o papel todas as possibilidades que passavam em minha cabeça.
Era a festa do meu casamento, mas não estava tão encantada como acho que deveria ficar, fui obrigada a me casar indiretamente, estávamos em outra profecia caminhando outra vez em direção à morte e agora estava levando meus filhos junto. O glamour de me casar acabou quando deixei de fazer aquilo pelo meu amor, mas sim por dever. Os deuses sempre interviriam em nas nossas vidas estragando todos nossos momentos importantes.
Uma pessoa se sentou ao meu lado no chalé de Atena, só percebi pelo movimento da cama que estava, era Percy.
– Nossos pais querem falar conosco – disse ele com a voz carinhosa, os deuses apareceram no chalé ficaram em nossa frente parados em pé.
– Annabeth este talão de cheque poderá ser preenchido com qualquer valor e suas folhas nunca acabarão até o último prédio que você projetou ainda esteja de pé no Olimpo – disse Atena – é o acesso a uma conta infinita no mundo dos mortais.
– Meu filho, o seu é uma carteira que sempre quando abrir haverá a quantia que você precisar – diz Poseidon entregando a carteira para Percy – dura até você morrer eu acho – diz o deus meio confuso.
Atena deu uma tosse visivelmente forçada e Poseidon pareceu lembrar-se de algo.
– Sugiro que deem um mergulho no lago que fica a 3 milhas daqui ao sul – ele acrescentou olhando pra mim – casar-se com um filho de Poseidon lhe da algumas vantagens sobre a água, como respirar normalmente em baixo dela...
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