O lado escuro da lua
1 Prologo
Notas iniciais
14 anos após casamento de Bella e Edward
POV Jacob
Com as chaves do meu Audi A7 na mão, fechei a porta da cobertura em Seattle. Estava pronto para pegar a estrada em direção a Forks. Era final de semana, meu tempo com Harry. Meu filho.
Harry Black — nome que Leah escolheu em homenagem ao pai — tinha cinco anos. Foi o resultado de uma única noite entre nós, naquela época em que ainda acreditávamos que ela era estéril. Um ledo engano. Para Leah, a gravidez foi um milagre inesperado. Desde então, ela nunca mais se transformou. Nunca quis de verdade ser uma de nós. E sinceramente? Eu entendia. Ela sempre foi forte demais para se dobrar a qualquer maldição.
Minha melhor amiga. Mãe do meu herdeiro.
Grace tinha saído do meu apartamento minutos antes. Convidei-a para ir comigo, mais uma vez. E, mais uma vez, ela recusou — alegou plantão no hospital. Era sempre o trabalho. Sempre a desculpa certa.
A viagem até Forks levou duas horas e meia. Silêncio absoluto. Do jeito que eu precisava. Durante a semana, eu era o CEO da Black Motors, uma das maiores montadoras do país. Aos fins de semana... bom, eu voltava às origens: lobo, alfa, líder da matilha de La Push.
Estacionei em frente à casa de Charlie Swan. Leah costumava deixar Harry com ele quando tinha plantão, e pelo horário, era exatamente onde ele deveria estar. Respirei fundo, buscando o cheiro familiar — e logo o encontrei, suave e quente como sempre.
Segui pela lateral da casa, onde o jardim de Sue florescia. Encontrei meu filho ajoelhado no canteiro de rosas, cavando a terra com as mãos pequenas e sujas.
— Veja quem chegou, Harry — disse Sue com um sorriso gentil.
Harry se virou rapidamente. Quando me viu, seus olhos se iluminaram. Me abaixei, os braços abertos para recebê-lo. Ele correu até mim e o ergui no ar, girando-o, sentindo o riso puro dele vibrar no meu peito.
— Estava com saudades, campeão — murmurei, bagunçando seus cabelos.
Foi então que senti. Um cheiro. Um cheiro diferente. Quente, doce, impossível de ignorar. Como se o ar tivesse mudado, como se cada célula do meu corpo de repente acordasse. O instinto de lobo rugiu dentro de mim, em alerta. Em reverência.
Levantei os olhos e, ali, na janela do andar de cima — a janela do quarto que um dia foi de Bella —, uma garota observava a cena. Pele clara, cabelos castanhos escuros, olhos castanho-claros. Ela parecia... triste. Por um breve instante, tive a impressão de que enxugava uma lágrima.
Sue percebeu meu olhar e disse, com uma expressão neutra, mas curiosa:
— É a sobrinha de Charlie. A menina do acidente... chegou hoje.
Assenti, mas minha mente já estava longe. A voz dela parecia distante, como se fosse uma interferência na frequência que meu corpo agora ouvia: a dela.
Eu. Que passei anos tentando esquecer Bella Swan. Eu, que me destruí procurando o imprinting como um maldito vício, buscando qualquer desculpa para apagar a dor que ela deixou. Eu, que deixei cicatrizar um coração que quase virou pedra.
Agora ali estava ela. Meu imprinting.
Sem anúncio. Sem aviso. Sem a menor chance de defesa.
Ela era o motivo. O propósito. O elo que faltava.
O mundo parou.
— Aquela é Renesmee Swan — completou Sue, com um leve pesar na voz.
Renesmee. O nome ecoou como uma sentença.
E, naquele instante, soube. Minha vida jamais seria a mesma.
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