De joelhos, ao seus pés.

Durante uma semana longe, eu evitei o máximo possível os Quileutes, sabendo bem que eles defenderiam Jacob a qualquer custo, eles também defenderiam meu filho a qualquer custo e por isso não estavam insistindo muito desde que eu ameacei de ir embora na frente da Claire. Eu não iria, não estando grávida. E mesmo se não estivesse, para onde eu iria? Denver não era mais meu lar em um ano tanta coisa mudou que o que eu vivi lá parecia outra vida, aquela Renesmee se perdeu, não existe mais. Dormir com frio era uma das piores partes do dia, eu estava acostumada a ter o calor do corpo dele envolvendo o meu. Mesmo com o aquecedor ligado, não era a mesma coisa. Meu corpo sentia falta do dele.

Eu precisei ir a escola algumas vezes na semana para finalizar algumas pendencias antes de finalmente me formar, e na última vez que estive lá esbarrei com Lucien que sabendo de tudo o que havia acontecido na semana anterior se sentiu a vontade de deixar claro que era apaixonado por mim. Obviamente que era unilateral, nunca dei esperanças para isso, mesmo assim ele continuou a falar.

-... Eu percebi que gostava de caras mais velhos quando ficou primeiro com o Clearwater, e depois com o Black. Mas, se você me der uma chance eu posso te mostrar que sou melhor – eu o interrompi, já me sentindo mal por toda essa situação.

— Para Lucien, não faz sentindo você se declarar assim pra mim. Somos amigos. Você é um cara legal, mas eu nunca te vi de outra forma.

— Então, me deixa te fazer me enxergar de outra forma.

— Lucien, eu estou grávida. A última coisa que quero agora é me envolver com alguém.

— Já ouviu falar que pai é quem cria? – ele diz rindo e eu acabo batendo de leve em seu braço. — Tudo bem, quando estiver pronta eu vou estar aqui esperando por você.

(...)

Quase desmaiar na formatura fez com que Charlie me levasse para casa mais cedo. Lena havia ido a Seattle, ela havia começado a faculdade – era um ano mais velha que eu – e se lamentava por não poder ficar mais tanto comigo agora que eu precisava, mas prometeu voltar aos finais de semana e feriados.

— Descanse um pouco – Disse Charlie ao conferir se eu havia seguido sua orientação e me deitado. – Vou pedir a Sue que prepare um lanche pra você

— Não precisa tio, eu vou para a casa da Liz já já.

— Ela vem te buscar? – eu assenti — Gosto de ver que estão se tornando amigas. – Charlie amava a neta, e amava saber que a filha não havia realmente morrido mas estava odiando o fato de que Renée estava se preparando para vir a Forks em outubro para a missa de quinze anos do falecimento de Bella. Ele odiava ter que continuar mentindo nas poucas vezes em que falava com a ex-mulher e isso acarretou em uma discussão calorosa entre pai, filha e neta.

Quando eu desci para beber um pouco de água, vi Billy Black na sala de Charlie acompanhado por Solomon e Paul, seus genros. Solomon não me olhou, mas Paul me analisou de cima abaixo como alguém que se certificava que estava tudo bem comigo.

— Nessie, Billy veio te ver. Sei que não quer contato com eles, mas Billy não tem nada haver com o que o filho aprontou.

-Tudo bem tio, Billy pode vir me ver sempre que quiser. O mesmo vale para Rachel e Rebecca. – respondi – Não foram eles que me enganaram.

— Primeiro quero saber como você está, me disseram que teve tonturas hoje – em outras palavras, Jake o mandou aqui para verificar após ser expulso por Charlie da formatura.

Billy me explicou tudo, me disse o que de fato tinha acontecido e o motivo de Jacob não ter me dito antes. E eu não sabia se sentia alívio ou mais raiva ainda. No fim, ele disse que a casa dele sempre estaria aberta pra mim independente da minha relação com Jacob. Billy também tinha medo que eu fugisse de Forks com o seu neto.

Meia hora depois eu estava na Ferrari vermelha de Elizabeth, a caminho da casa dos vampiros. Dormiria lá essa noite, era mais uma lua cheia e embora eu já soubesse que não me transformaria, preferia mesmo ficar longe de qualquer humano nessa noite. A sala da casa estava toda decorada para uma noite de filmes, incluindo colchões, travesseiros e cobertas grossas para nos manter aquecidas naquela noite. Várias guloseimas foram colocadas encima do centro de vidro, e eu já estava me servindo de morangos com calda de chocolate.

Me acomodei perfeitamente entre alguns travesseiros, e comia pipoca amanteigado quando a porta da sala foi escancarada segundos depois que Liz disse que iria no próprio quarto um instante. Se eu não soubesse exatamente quem era a figura misteriosa me encarando do escuro, eu estaria com medo. A figura alta estava vestindo apenas uma bermuda jeans, totalmente molhado pela chuva grossa que caia lá fora ele deu alguns passos para frente em minha direção. Levantei-me rapidamente e corri pra cima, me trancando no primeiro quarto que encontrei. Não queria ver ele, não queria falar com ele.

Ouvi as primeiras duas batidas na porta antes dele falar

— Amor, abre a porta, precisamos conversar. – sua voz era sôfrega

— Não! O tempo de falar alguma coisa já passou, não tenho nada pra falar com você. Some daqui. – esbravejei

— Por favor, Renesmee, eu não aguento mais. – ele mexia na maçaneta tentando ver se estava destrancada.- Abre a porta, sunshine.

— Sai daqui, sai daqui! – implorei já sentindo uma cólicas estranhas.- Aí!! – gemi de dor e me encolhi. No segundo seguinte a porta do quarto foi abaixo e Jake já me colocava no colo e me colocava já cama. – Aí!! – novamente a dor.

— O que você fez? – Liz deu um soco no braço de Jacob e o empurrou. – Vai embora, depois vocês conversam.

Abri meus olhos a tempo se ver o olhar devastado de Jacob.

— Nessie fica calma, vou ligar para Carlisle e logo ele chega. – Liz já pegava o celular.

Jacob se ajoelhou ao meu lado da cama, se desmanchando em lágrimas.

— Desculpa meu amor, desculpa. Fica calma por favor. Eu vou embora, eu prometo que nunca mais chego perto de você. Só fica calma, nosso filho precisa que você fique calma.- Percebi que ele tremia, não o tremor da transformação e sim um tremor de medo. Ele estava com tanto medo quanto eu.- Eu prometo meu amor, nunca mais chego perto só fica calma. Eu sou um idiota mesmo!

Ele ficava repetindo aquilo por horas, seus olhos vermelhos demonstravam o seu pavor.

— Carlisle chega em vinte minutos, eu fico com ela agora Jacob. Foi uma péssima ideia você ter vindo – ela lamentou, se sentando na cama ao meu lado e me puxando para ficar mais acomodada entre os travesseiros, ela tinha um pano nas mãos e passava no meu rosto, secando meu suor e lágrimas.

— Não, fica. – pedi apertando a mão de Jacob. Eu também estava com medo e a presença dele me acalmava um pouco.

— Claro que sim. – ele beijou minha mão sobre a dele.

Carlisle me deu uma bronca daquelas, eu já tinha sido alertada sobre nervosismo e também esforços físico, e hoje eu tive muito das duas coisas. Jake ouvia tudo o que o médico falava com atenção.

— Se seguir essas orientações vai ficar tudo bem, agora você não pode ficar brincando com algo sério assim. Você ainda corre sério risco de perder esse bebê. – automaticamente minhas mãos foram para a minha barriga.

— Não, isso nunca. Eu vou me comportar agora.

— Ah, com certeza vai – Jacob fala com a voz rouca. Deu alguns passos em minha direção e literalmente caiu de joelhos a minha frente, com as mãos na minha cintura. – Por favor, volta pra casa. Eu faço qualquer coisa pra você me perdoar. Me deixa cuidar de você, de vocês. Não estou pedindo que volte pra mim como mulher, só me deixa cuidar de vocês dois ao menos até o fim da gestação. Não quero perder vocês.

Olhei para baixo e me perdi em seus olhos. Toquei seu rosto delicadamente e o vi fechar os olhos ao sentir meu toque.

— Jake eu não sei. Não é uma boa ideia. – minha voz não soou tão firme como eu gostaria.

— Ness, eu durmo no sofá. Prometo não encostar em você, respeitar sua privacidade. Só quero cuidar de você e desse bebê, por favor. Estou literalmente de joelhos te implorando. – seus braços envolveram a minha cintura e sua cabeça encostou na minha barriga.

Todos na casa nos olhavam, expressão diferentes. Liz, Emmett e Jasper comprimiam os lábios contendo uma risada. Carlisle e Edward estavam neutros. Alice, Bella e Esme soltaram alguns suspiros. Já a loira nos encarava sacudindo a cabeça de um lado para o outro, ela detestava Jacob e devia estar odiando ter ele aqui dentro.

— Sua mulher pode não gostar. – retruquei

— Meu divórcio saiu antes de ontem. – ele fala. – Se for comigo eu te mostro os papéis.

— Se eu for, vai ter que me prometer que não vai nem entrar no meu quarto sem permissão.

— Eu sou capaz de dormir em uma barraca no quintal se você me pedir. Só quero que volte pra casa, pra nossa casa.

— Tudo bem, amanhã eu volto a morar na reserva.

Ele tinha acabado de me prometer que não tocaria em mim, que não faria nada sem a minha permissão mas foi só saber que eu voltaria que beijou minha barriga, por impulso.

— Você prometeu! – eu rosnei me desvencilhando dele.

— Claro, claro . – ele se levanta, se recompondo. – Amanhã cedo venho te buscar, apenas descanse.

Antes de deixar o quarto ele ainda selou os lábios na minha testa. Todos me deixariam sozinha naquele quarto junto a Liz.

— Sabe que a parte de não te tocar dificilmente ele vai cumprir, não é ?! — minha prima foi direta, esbocei um meio sorriso pra ela.

— Jake merece um castigo, mas eu também não consigo mais ficar longe dele. Então, talvez eu queira que ele não cumpra essa última promessa.

— Então, vai ser como antes?

— Não, ele ainda vai ter que se esforçar bastante.