O lado escuro da lua
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Nosso filho
Claire se ofereceu para ir até a cidade comprar os tais testes de farmácia que confirmariam ou não uma gravidez. Com tanta coisa acontecendo e principalmente com a aproximação do primeiro ano de morte da minha família, eu não conseguia pensar em muita coisa além disso e uma questão tão automática como meu ciclo me passou completamente despercebido.
Eu estava deitada com a cabeça no colo de Lena, que acariciava meus fios. Brincadeiras do tipo “ eu quero ser a madrinha” já tinham escapulido de seus lábios várias vezes. Liz e Claire também fizeram a mesma “brincadeira”. Harry que havia vindo passar uns dias já reserva, estava comigo enquanto Rachel e Rebecca trabalhavam, e Jacob estava fora da cidade assim como Leah que teve uma conferência em Vancouver e só voltaria em dois dias, o menino muito parecido com o pai brincava alheio a todos com seus carrinhos e lego bem no meio da sala, construindo uma espécie de pista de corrida com as pecinhas. Eu o observava e a minha mente já trabalhava com a imagem de outro mini Jacob brincando naquela sala também.
Eu não queria acreditar que podia estar grávida. Só que eu também não podia negar que tudo apontava pra isso. Não foi apenas uma ou duas vezes que vacilamos nessa questão, especialmente quando estávamos em Las Vegas.
— Não é o fim do mundo, muitas engravidam com a sua idade e não tem um marido devoto como Jacob é pra você. – Elizabeth tentava me agradar e acalmar, eu lhe lancei um olhar de advertência e ela fingiu passa ro zíper na boca.
— Já imaginou? Daqui a alguns meses essa casa com um recém-nascido, vai ser tão lindo — Lena ditou toda emocionada. – Esme deve estar dando pulos de alegria lá de onde esteja. Ela não escondia pra ninguém que não via a hora de te ver casada e com filhos, pra desgosto do seu pai que odiava esse assunto alegando que você era nova demais pra pensar nisso. Vai ser um lindo bebê. – ela esticou seu braço colocando a mão na minha barriga.
Lembrar da minha mãe e do meu pai não me alegrou, pelo contrário, fez meu coração apertar em saudades.
— Que bebê? – Rachel entrava na casa e pegava o final da conversa. Minha cunhada recebeu Harry em seus braços quando o mesmo correu até ela. Paul vinha logo atrás com Elliot que se soltou do pai e correu para pegar os brinquedos do primo.
— Tia Nessie vai ter um bebê- Harry me entregou. Ele ate podia não entender muito sobre bebes por conta da idade, mas sabia prestar atenção na conversa ao seu redor – Será que o papai vai ter o bebê também? – aquilo fez Liz e Lena darem risada.
— Achei que você fosse trabalhar hoje- falei tentando mudar de assunto enquanto me levantava do sofá. Lena e Liz ficaram caladas e tensas.
— Você está mesmo grávida? – foi Paul que perguntou, aparentemente minha cunhada estava em choque para perguntar.
— Vamos descobrir. – Claire chegava com uma sacolinha da farmácia, pela logo na sacola eu pude perceber que ela tinha ido justamente para a farmácia mais próxima a casa de Charlie.
— Tinha mesmo que ir nessa farmácia? – questionei
— Relaxa, para todos os efeitos eu deixei claro que o teste era pra tia Emily. – ela fala rolando os olhos. – Vai logo – ela ordena
— Não sei se tenho coragem!
— Ah, mas coragem pra não se prevenir a senhorita teve não é? Então vai logo pro banheiro e faz esse teste porque eu já estou ficando nervosa. – Rachel falava em tom de repreensão – Se der positivo, eu mesma vou matar meu irmão.
— Calma, Rachel. Eles são casados, era esperaod que acontecesse cedo ou tarde – advertiu Paul, acariciando os braços da mulher.
— Ela é uma menina ainda, Paul. Está passando por coisas demais, um bebê só vai piorar essa situação. Um bebê não é bem vindo nesse momento
O modo como Rachel falou, de modo negativo sobre um possível bebê meu me fez sentir raiva dela como nunca antes. Eu rosnei, e Paul a jogou para trás dele imediatamente.
— Calma, Nessie. – pediu ele – Ela não falou por mal.
— Renesmee, para com isso! – repreendeu Liz puxando meu braço com força e me trazendo de volta a realidade.
Eu nem tinha certeza se estava grávida, e já agia automaticamente em defesa desse possível bebê.
— Desculpe – pedi balançando a cabeça de um lado para o outro, caminhando em direção ao banheiro com os testes na mão.
Tranquei a porta na chave, mesmo sabendo que Liz ou Paul derrubariam aquela porta facilmente e coloquei os testes no balcão Sá pia. Fiquei longos minutos encarando meu reflexo no espelho e me convencendo de que aquele teste deveria ser feito. Só consegui relaxar quando ouvi a brincadeira que Liz sugeriu a Claire.
— Deveria ter dito que os testes eram pra você, ou não ter dito nada. O atendente daquela farmácia é primo do Quil, e logo ele saberia e como não estão juntos, teríamos o primeiro lobo enfartando. – a risada maldosa dela preencheu o ambiente e logo ouvi um baque surdo que deveria ter sido feito por um tapa da Claire nela. – Sabe que só doeu em você né? – isso confirma a minha suspeita.
— Não brinca com isso, posso não estar com ele, mas o amo demais para brincar com algo sério.
— Devia então largar de ser orgulhosa e voltar pra ele, ninguém aguenta mais as lamurias dele.- reclamou Paul.
Voltei a me concentrar no que estava a fazer dentro daquele banheiro. Retirei os testes das embalagens, três ao todo por garantia. Segui as instruções ao pé da letra, e esperei lá dentro pelo tempo necessário até que em todos os três testes surgiu o nome grávida e a suposta quantidade de semanas, de acordo com aquilo eu devia estar com umas oito semanas de gestação.
Comecei a tremer ali dentro, minha visão escureceu a última coisa que me lembro é de ter gritado por ajuda e ter sido amparada por braços quentes antes de desmaiar completamente.
Eu estava em minha cama quando despertei com alguém passando um algodão com um líquido fedorento em frente ao meu nariz. Minha cabeça doía. Paul estava ali de braços cruzados me encarando, Carlisle também estava e parecia estar só esperando que eu acordasse. Minha mente começou a clarear e instantaneamente eu levei minha mão a minha barriga.
— Estou grávida- era uma afirmação
— Não tenho dúvidas quanto a isso. – o doutor presas sorria pra mim. – Consigo ouvir perfeitamente os batimentos do seu bebê, o coração bate perfeitamente.
Claro que ele conseguiria ouvir, além da audição dos vampiros ser excelente, ele ainda tinha muita experiência para distinguir todos os sons sem precisar de qualquer aparelho.
— Jake, eu preciso contar...- Rebecca cortou minha fala, eu nem tinha percebido que ela estava ali também.
— Meu irmão já foi avisado, logo ele vai chegar. Parabéns, Renesmee.- Rebecca se debruçou em minha direção sendo a primeira a me abraçar. – Quero que saiba que pode contar comigo pra tudo.
Me concentrei um pouco e percebi que minha casa estava cheia. A notícia já havia se espalhado enquanto eu estava apagada.
— Nessie, eu deixei uma receita prescrita com Liz e ela já foi comprar tudo, especialmente vitaminas pré-natais. Vou lhe recomendar também uma ótima obstetra, a melhor da região, para que seja feito o pre-natal. Vamos cuidar bem desse bebê e da mamãe, ele ou ela já é um grande milagre considerando tudo. – ele piscou sugestivamente pra mim, pela primeira vez eu me senti totalmente segura perto de um vampiro que estava literalmente com uma de suas mãos em mim.
Jacob estava a quinze dias longe de casa. Todas as noites nos falávamos por chamada de vídeo, ele estava tao frustrado quanto eu por não poder vir a Forks, mas também não me deixou ir até Seattle nenhuma vez dizendo que não era seguro. E sendo mais precisa, tirando as idas a escola que já estavam chegando ao fim, eu nem saia mais da reserva. Estava sempre sendo vigiada e sabia que agora tudo ficaria ainda pior.
Todos saíram do meu quarto, me dando espaço para assimilar o que estava acontecendo. Me levantei da cama, indo até o espelho que tomava metade da parede esquerda do meu quarto. Fiquei de lado, abri o zíper e botão do meu short, levantei minha regata deixando ela dobrada sobre meus seios. Não havia qualquer sinal externo de gravidez, tudo parecia no lugar como sempre. Arrisquei tocar minha barriga bem abaixo do umbigo, nesse momento senti um tipo de conexão diferente de qualquer coisa que senti antes era como se meu cérebro estivesse processando a informação que eu não estava sozinha no momento em que toquei minha barriga.
Eu me senti estranhamente feliz com aquilo.
Fiquei tão concentrada no que fazia que não percebi que estava sendo observada até ouvir o som da mão dele batendo suavemente na porta afim de chamar minha atenção.
— Posso entrar? – Phil me observava igualmente atento. Uma expressão neutra, mas havia um brilho diferente em seu olhar.
— Claro – respondi – Deixe a porta aberta – adverti, sabendo bem que meu marido não confiava nele tanto quanto eu aprendi a confiar.
Phil veio até a poltrona, sentando-se e cruzando as pernas me olhou de cima abaixo.
— O que você quer? – quis saber.
— Estou tentando entender como não notei os sinais antes. Já vi centenas de mulheres grávidas, e todas sempre apresentam os mesmo sinais no início, mas você não...você encobre tudo perfeitamente inclusive o seu cheiro, que agora percebo que realmente está diferentemente.
— Como assim?
— Seu cheiro está totalmente misturado com o cheiro daqueles semelhantes do seu marido. Esse bebê que você gera será o mais forte entre os quileutes, sem sombra de dúvidas. Sugiro que faça compras logo, pois logo sua barriga vai crescer e suas roupas não caberão mais.
— Como se meu marido fosse me deixar sair da reserva, ele me trata como uma boneca de porcelana.
— Não vejo motivos para isso, em especial agora. Seu filho ou filha despertou em você algo novo, o instinto de proteção materna. Você nem tinha certeza e já o defendeu das palavras da sua cunhada, que aliás, está com medo de você agora. – ele achava graça daquilo.
— Não tem graça! – repreendi. – Não foi intencional.
— claro que não. Mas isso só prova minha teoria de que a maternidade é tudo o que você precisava para se tornar exatamente quem devia ser. Você vai ser o que precisa ser, o que nasceu pra ser, não para se proteger mas para proteger a pessoa mais importante da sua vida. – ele apontou pra minha barriga. – Saiba que não vai faltar pessoas querendo tirar ele ou ela de você.
— Mato qualquer um que tentar! – rosnei em resposta e ele aplaudiu
— Isso! É exatamente isso que precisamos, que você seja feroz.
~~☆~~
Não tive ânimo algum para sair do meu quarto, ainda estava processando todas as informações que Phil havia me passado até agora. Estava sentada a beira da minha janela, olhando o quintal da frente, esperando ansiosa pela chegada de Jacob, que já estava atrasado a uma hora e começava a me preocupar.
O cheiro de algo delicioso invadiu meu quarto quando Lena abriu a porta.
— O jantar está pronto. – o dia tinha passado muito rápido hoje.
— Jake não chegou ainda.
— Deixamos comida pra ele, não se preocupe. Você precisa comer e alimentar meu afilhado. – ela insisti e segura a minha mão me levando para baixo, onde a família Black quase toda estava reunida em torno da mesa, so faltava a família de Rebecca. Charlie tinha acabado de chegar e já me envolvia em seus braços.
— Nem acredito que já está grávida. – ele fala com dificuldade. – Eu vou ser tio-avô, da pra acreditar?! – ele beija a minha testa.
— Logo logo será bisavô, Charlie. – Billy zomba, fazendo com que Charlie lance um olhar nada amigável para Seth.
— Nem pense nisso garoto.
— Não se preocupe, vovô, eu não posso engravidar. – ela fala cheia de si e beija a bochecha de Charlie.
— Isso não é verdade. O imprinting existe para que uma geração mais forte surja, e só questão de tempo pra que você também gere um filho. – alertou Rachel.
Me sentei a mesa e comecei a me servir da lasanha que tinham preparado, eu já estava salivando louca para experimentar.
— Jake chegou – Seth falou ao ouvirmos um carro estacionando em frente a casa, me levantei para ir receber e tive a deliciosa surpresa de o ver entrar em casa com um urso quase do meu tamanho e uma caixa de joias .
— Pra você meu amor. – ele solta o urso no sofá, Harry e Elliot se aproximavam curiosos com a pelúcia gigante e ele me entrega a sacolinha com a joia. Um lindo conjunto de colar e pulseira.
— É lindo, Jake. – agradeci com um selinho. As mãos grandes e quentes foram para a minha barriga, me tocando por baixo da blusa sem restrições e sem se importar com os olhares de todos encima dele, eu o vi chorar pelo nosso bebê.
— Obrigado, Nessie. Obrigado por me permitir sentir isso novamente.
Jacob estava ainda mais emocionado que eu mesma. Mesmo durante o jantar, não me deixou mais do que um metro longe dele. Depois do jantar, ficamos todos na sala um pouco conversando e também ele precisava desse tempo junto ao Harry, já que ele também não via o primeiro filho a quinze dias.
Quando todos saíram, incluindo Harry que ia para a casa de Sue essa noite, Lena que era nossa hóspede bocejos e disse que estava muito cansada, eu sabia que ela só estava nos dando privacidade.
— Vamos pro nosso quarto, quero te ver melhor.
Ele me pegou nos braços e me levou para cima, me colocando delicadamente no chão ele trancou a porta e volta para a minha frente, retirando toda a minha roupa, me deixando só de sutiã e calcinha. Ele levou sua mão até meu baixo ventre de forma delicada, visivelmente emocionado.
— Já não está tão plana. – ele constatou ao ver a suave ondulação. – Você não imagina o quanto eu estou feliz, sei que é cedo, que você não queria. Mas saiba que eu vou estar do seu lado pra tudo, não vou deixar nada faltar pra vocês, nem no setor financeiro muito menos no emocional
— Eu sei que não , amor. – levei meus braços ao seu pescoço, ficando na ponta dos pés para alcançar sua boca.
— Te amo tanto – falou roçando sua boca na minha – Estava com tanta saudades.
Quando ele me deitou suavemente na cama, tomando todo o cuidado para que seu peso corporal não ficasse sobre mim, eu vi uma marca pequena como um arranhão em seu pescoço .
— O que foi isso? – questionei passando meus dedos por cima do arranhão.
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