O lado escuro da lua
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Olhos amarelos
Nossa viagem a Nova Iorque foi prolongada por mais dois dias, durante o dia eu saia com Brooke e conhecia vários pontos turísticos da cidade, a noite saíamos os quatro pata jantar e curtir música ao vivo. Dormia acolhida próximo a Jacob, minha mão sobre seu abdômen e minha cabeça encostada em seu peito. O calor de seu corpo impossibilitava que eu sentisse o frio. Mas eu não conseguia dormir, mesmo depois das promessas dele que eu ficaria bem, mesmo depois de dizer que confiava nele para a minha segurança, eu não conseguia parar de pensar naqueles que estavam à espreita.
Movi delicadamente meu corpo, jogando minhas pernas para fora da cama. O quarto na casa dos Clearwater era bem confortável, e eles faziam de tudo para que eu me sentisse em casa ali. Mas, algo me incomodava seriamente. Peguei meu robe vermelho, o amarrei na cintura e caminhei até a janela, afastando um pouco a cortina da janela. Novamente, havia alguém ali e parecia estar mesmo me esperando pois assim que percebeu que eu o havia visto ele acenou, me convidando a ir até ele. Olhei para trás só para garantir que Jake dormia, e o som que ele fazia me confirmaram que ele não acordaria tão fácil. Vesti uma calça, uma camiseta e um sobretudo. Calcei um all star e abri a porta tomando cuidado para não ser notada eu sai do apartamento deixando um bilhete para Jacob contando brevemente o que eu vai feito, cruzando os dedos para que a minha intuição não esteja errada.
— Olá Renesmee – a voz vinha de trás de mim – Me siga, eu posso esclarecer as coisas para você.
O homem passou a minha frente com passos largos, quase tive que correr para conseguir acompanhar seu ritmo. Andamos por quase uma hora até entrarmos em uma casa, que parecia estar vazia.
— Quem é você? – perguntei antes de adentrar a casa. Apenas lá dentro foi que eu percebi que o lugar não estava abandonado. Haviam mulheres e homens ali dentro. Todos pareciam aliviados ao me ver ali.
— Você conseguiu! – a mulher mais velha falou, seus olhos e sorriso extenso deixavam claro sua alegria ao me ver naquele lugar. Ela deu alguns passos em minha direção, encostando sua mão em meu rosto. – Muito parecida com a sua mãe. Eu sinto muito pelo que aconteceu com a Esme e sua familia, não conseguimos chegar a tempo para evitar. Teríamos feito de tudo para proteger a sua família, acredite.
— Do que você está falando? Quem é você? – questionei
— Ela não sabe, não contou a ela ? – a mulher questionava o homem que havia me guiado até ali.
— O lobo não me deixou aproximar dela, foi ela quem se aproximou e eu preferi trazer logo ela aqui antes que ele pudesse interferir.
— Do que estão falando? Quem são vocês? – voltei a perguntar.
— Me chamo Eleanor Truman, esse é meu filho Julius Truman- apontou para o homem que me trouxe. – Essas são Lilian McCall e seu marido Thomas McCall. A pequena é Ellen McCall, primogênita de Lillian e Thomas. – eles balançavam a cabeça em um aceno ao terem seus nomes pronunciados por a senhora Truman. – Esses são Agustín Ferrer e Caleb Donavan. – Aqui, exceto por mim, todos são como você querida ou como partes de você. – todos piscaram rapidamente, e olhos amarelos me encararam e assustaram, me fazendo recuar até encostar na porta.
— Ninguém vai te fazer mal. – disse Julius. – Conhecemos sua família, seu pai muito antes de você nascer. Fomos nós que apresentamos ele a sua mãe.
— Se é verdade, então porque não faço a menor ideia de quem são?
— Sua mãe, ela era muito boa no que fazia. Por décadas ela nos ajudou e também modificou suas lembranças e do seu irmão, melhor dizendo, ela apagava parte da memória de vocês sempre que era necessário – foi a vez de Lilian falar. – Esme nos ajudou a ficarmos escondidos, a viver. Assim como outros de sua família fizeram antes dela. Nenhum de nós pediu para nascer assim, para ser essa fera incontrolável em noites de lua cheia, mas nenhum de nós merece a pena de morte que os seres de pedra nos condenaram.
— O que são seres de pedra?
— Vampiros, sangue frio, Sanguessugas... Deixe-me te contar a nossa história. A história da nossa espécie, os verdadeiros filhos da lua, lobisomens ou licantropos, você decide como quer chamar.
“ Estamos no mundo muito antes dos seres de pedra, existem muitos boatos sobre a nossa origem, a verdade é que fomos amaldiçoados. Uma maldição que se prolonga até hoje, passando de geração a geração. Alguns de nós, como eu, tiveram sorte eu acho pois não ativamos. É preciso algo muito sério para nos fazer ativar, no seu caso, foi a morte dos seus pais. No caso do meu filho, foi a morte do pai dele pelas mãos de um ser de pedra. Thomas e Lilian viram seu segundo menino ser arrancado de seus braços antes de se quer ter a chance de começar a falar. Ellen foi atacada por um também. Agustín e Caleb passaram muito tempo fugindo junto a família biológica de cada um. Eu não ativei, mas junto com a sua mãe eu encontrei novos membros e formamos esse clã, sua mãe evitou múltiplas vezes que eles perdessem o controle na lua cheia. Depois que sua mãe se foi, eu tenho que acorrenta-los e amordaçar cada um deles em cada nova lua. A milênios, nosso povo...seu povo, vive em segredo, se escondendo nas florestas mais isoladas, fugindo e temendo os seres de pedra. Mas, agora, agora é eles quem nos temem. Eles temem aquela que carrega o nosso sangue e o sangue das servas da natureza também. Você minha querida, é a mistura impecável, dos filhos da lua com as filhas da servas da natureza. Seus olhos azuis, sua racionalidade em noites de lua cheia, até mesmo o dom da cura que você já conhece são apenas uma pequena parte do ser fantástico que você é. Você nasceu para liderar o nosso povo. Sua mãe te escondeu o quanto ela pode, mas alguém te descobriu. Os Volturi vieram e provocaram o acidente que vitimou sua família. Quem provocou o acidente, foi embora acreditando que seu irmão era o primeiro filho, ele ou ela não te viu, eles acreditam que destruíram a única ameaça a existência deles, só que a única coisa que fizeram foi te despertar. Te fazer ativar”
Me senti tonta naquele momento, Julius me segurou e me ajudou a me sentar no sofá marrom. Demorei a perceber que eu estava chorando.
— Eles sabem quem eu sou?
— Não. Mas não tardará para que descubram, e quando isso acontecer estaremos ao seu lado. Você só precisa aceitar, aceitar ser a nossa alfa. – Disse Julius. – Logo você terá domínio dos seus dons como serva da natureza, e então poderá nos tornar seres racionais na lua cheia como a sua mãe fazia. Em troca, te serviremos, seremos seus guardas, daremos nossas vidas em troca da sua.
Precisava pensar, não era uma decisão fácil de se tomar. Olhei cada um deles atentamente, olhando a pequena Ellen que não devia ter mais do que quatorze anos e já vivia nesse inferno. Julius me levou de volta, eu prometi que lhe daria uma resposta até antes de retornar a Forks, antes de sair eu vi o vizinho dos Clearwater entrando na casa, mas ele não parecia ser um deles também. Ele era algo diferente, e eu iria descobrir.
Quando estávamos quase chegando no prédio dos amigos de Jacob, ele saia do prédio junto com Levi, parecia furioso ao avançar em nossa direção. Ele tentou me tirar da frente, enquanto encarava Julius.
— Não, Jake. Eles não querem me fazer mal. – falei, minhas mãos espalmadas em seu peito.
— Eles te tiraram do apartamento – ele rosnou
— não, eu sai. Eu fui a procura deles.
Jacob parou de encarar Julius e baixou seu olhar procurando pelo meu. Ergui minhas mãos, segurando seu rosto entre elas.
— Não são inimigos, são amigos. Amigos da minha família. Eles querem que eu seja a alfa deles. Querem me proteger, em troca de proteção também.
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