O lado escuro da lua
21 19
Me promete, Paul
Abri meus olhos ao ser despertada pelo som que Jacob fazia ao dormir pesadamente ao meu lado. Tive dificuldade para me lembrar como havia vindo chegar aqui, minha última memória era de me meter entre Seth e Jacob. O braço de Jacob estava sobre a minha barriga e delicadamente tirei, me erguendo da cama notei que eu estava de pijama e volta ao quarto/garagem de Jacob. Dei uma olhada ao meu redor e lá estava minha roupa sobre uma cadeira. A jaqueta e regata estavam ok, mas a minha calça tinha vários rasgos em todo comprimento, havia manchas de sangue também.
— Você está bem? – a voz rouca de Jacob me pegou desprevenida e me fez dar um pequeno passo a frente. Ele se levantou, colocando suas mãos em minha cintura. Me abraçou com estranha delicadeza. – Não faz ideia do alívio que eu sinto por ver você de olhos abertos, com a cor original deles. – com a mão direita ele acariciou meu rosto.
— Jake, o que aconteceu ontem? Você e o Seth brigaram? – ele se mostrou confuso com a minha pergunta.
— Você nos derrubou com um só golpe, Nessie. Não se lembra disso?
Balancei a cabeça negativamente, mas as palavras dele fizeram algum efeito pois logo comecei a recuperar as memórias da noite de ontem, até o momento em que desmaiei em seus braços após tanta dor.
— Jake, o que eu sou? – perguntei atordoada.
— A última filha da lua ativa, muito mais forte ou poderosa do que qualquer outro ser que já tenha pisado na terra.
— Não quero, não quero passar por isso novamente. – choraminguei, deixando algumas lágrimas rolarem no meu rosto e molharam o peito desnudo dele.
— Eu vou te ajudar meu amor, vamos fazer de tudo para ajudar você. Mas, essa noite você vai passar pela mesma coisa.
— Não! NÃO! – Ele me apertava com força contra o seu corpo, me segurando ali quando a minha vontade era de sumir. – Me solta, Jake. Me solta, eu quero ir embora
— De jeito nenhum. Vamos pra cama, ainda são cinco da manhã e você precisa descansar. – ele insistia
— Jake, o Charlie deve estar voltando, eu, eu...- não sabia o que eu dizer para que ele me deixasse ir.
— Sue e Leah vão cuidar disso, para todos os efeitos você vai passar a semana com a Claire porque ela e o Quil terminaram e ela tá precisando da amiga. Charlie gosta e confia muito no Sam, não vai se importar de você dormir essa semana na casa dele. Ao menos é essa a versão que Charlie vai saber.
Jacob me puxou para a cama, me aconchegando em seu peito.
— Eu estou com medo.
— Também estou, nunca tive tanto medo antes. Foi horrível ver você sofrendo sem poder fazer nada para te livrar da dor. Vamos superar, vamos dar um jeito.
As 6h30min Rachel entrou no quarto pela porta que dava acesso à casa, tinha nas mãos uma bandeja de café da manhã e nas costas uma mochila pendurada que eu reconheci como minha.
— Bom dia. Espero que esteja se sentindo melhor hoje. – ela abre um largo sorriso ao perceber que estávamos trocando algumas carícias — Pelo visto, está realmente bem. – ela brincou, colocando a bandeja aos meus pés.
— Deixa de ser enxerida Rachel – Jacob reclama usando um tom de brincadeira. A irmã finge passar o zíper na boca – Trouxe roupas para ela também?
— Sim, Sue mandou tudo pelo Embry agora a pouco.
— Não precisava disso tudo. – murmurei constrangida ao perceber que todos estavam se mobilizando por minha causa. Jake segurou meu queixo me fazendo olhar diretamente pra ele.
— Você é uma de nós agora, não há nada que não estejamos dispostos a fazer por você. – ele começou a me beijar novamente, ouvi o som dos passos de Rachel se afastando e da porta sendo fechada. Ele desceu seus lábios para o meu pescoço e depois de distribuir alguns beijos na região ergueu seu rosto. – Tome café pequena, depois pode tomar um banho no meu banheiro. – ele apontou para uma terceira porta que até então eu não havia notado por estar escondida ao lado do pequeno guarda-roupas. – Eu vou esclarecer uma coisas com a mente poluída da minha irmã.
— Como assim?
— Billy acaba de perguntar por nós dois e a resposta foi “ curtindo uma prévia da lua de mel”.
Tenho certeza que estava parecendo um tomate madura nesse momento. Sabia que esse negócio dele falar que eu era sua mulher ia causar confusões como essa.
— Não fica assim, depois dessa noite ele deve é estar aliviado demais para questionar ou fazer qualquer comentário sobre nós dois.
— Pare de dizer que eu sou sua mulher.- reclamei, e isso o fez rir alto. – Estou falando sério! Charlie não vai gostar se acabar ouvindo isso.
Ele me encarou por alguns instantes, e então assentiu concordando.
— Tem razão, mas logo mudaremos isso. – ele saiu e me deixou sem entender o que ele quis dizer.
~~☆~~
Durante essa semana de lua cheia, Jacob se revezaria entre Seattle pela manhã e início da tarde, e sairia de lá sempre as 3h30 para dar tempo de chegar aqui antes da lua cheia. Sam e os outros haviam também marcado uma reunião com os Cullen, da qual inicialmente nem eu e nem ele participaríamos. Sam queria ter certeza de que as informações passadas por aquele clã não faria com que Jacob perdesse o controle novamente e consequentemente eu perdesse o meu como aconteceu na reunião do conselho.
O dia inteiro foi de chuva, eu não tive aula de química hoje então não vi a Cullen e estava grata por isso. Não sei se realmente quero ver um deles, não nessa semana especificamente. Quando finalmente o sinal da última aula tocou eu agradeci mentalmente e caminhei até a minha picape, tive a ligeira impressão de estar sendo seguida e se confirmou quando Elizabeth tocou no meu braço.
— Usa isso essa noite. – ela me entregava uns comprimidos em cápsulas.
— O que é isso?
— São calmantes, Carlisle fez uma pequena alteração e isso deve ser o suficiente para te apagar e evitar de você passar por aquilo de novo.
— Seth contou a você?
— Não há nada que ele esconda de mim. Acho que diante de tudo, você já deve confiar na gente, ou não?
— Vocês podem estar tentando me matar – balbucie, ela revirou os olhos.
— Se eu quisesse te matar, você estaria morta a meses. Acredite.
Peguei as cápsulas que ela me entregava e coloquei no bolso lateral da bolsa, discutiria com os outros se valeria a pena ou não arriscar ingerir aquilo.
— Precisa tomar todas, amanhã eu trago mais. Eu realmente sinto muito por tudo o que você passou ontem, sendo sincera, eu não aguentaria a dor que você deve ter sentido. — ela parecia quase humana nesse momento, uma expressão piedosa e amigável que não durou muito. – Não se preocupa, lobinho, eu não estou me alimentando da protegida de vocês. – e lá estava o olhar superior e a cara de nojo que ela sustentava sempre que algum Quileute aparecia, dessa vez seu olhar estava sobre Paul.
— Entra, Renesmee. – ele mandou apontando pra picape, sem tirar os olhos da híbrida. – Fica longe, ela ja tem problemas demais.
Me sentei no banco do motorista e Paul entrou também.
— Não confiamos neles ainda – Paul respondeu minha pergunta silenciosa. – E você não vai tomar isso aí. – ele gesticulou para a minha mochila. – Não vai tomar nada sem que a Leah autorize. Entre todos, ela é a que mais entende e vai saber se é seguro ou não.
— Paul, eu machuquei alguém ontem? Eu lembro da gritaria, do pânico... Se eu machuquei, por favor me fala.
— Nós nos preparamos para o pior quando vimos seus olhos ficando azuis. Mas não, você não machucou ninguém. – ele garantiu
— Eu não posso pedir isso pro Jake, mas posso pedir a você. Se eu me transformar, se eu perder o controle, por favor, me mata. – ele me olhou aterrorizado – Não pensa em mim ou na dor que vai causar pro Jacob, pensa no seu filho e na sua mulher, seu imprinting. Não deixa que eu machuque ninguém. Me promete isso, Paul?
— Prometo, mas não vamos pensar nisso agora. Vamos pensar em evitar isso.
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