Homem × Lobisomem

Eu já havia aceitado quem eles eram, ou melhor dizendo o que eles eram. O que não significava que eu estava ok com tudo isso. Todos eram gentis, cautelosos ao extremo comigo e eu sabia que isso tinha haver com o que eu representava para o alfa deles, e enquanto eles estavam em forma humana era super de boa estar perto deles, mas eu estava longe de querer chegar deles em suas formas de lobo. Como ele havia dito, todos as noites eu escutava o barulho que vinha da floresta, e todas as noites eu verificava se todas as janelas da casa estavam trancadas.

Na escola, estava cada vez mais difícil evitar Elizabeth, mas ao menos aqui eu sabia que ela não podia me machucar.

Enquanto recolhia meu material, agindo rápido para não ter que ser a última a sair da sala, eu sinto a mão da professora Cullen no meu ombro.

— Não me toca – falei sacudindo o ombro para retirar a mão dela dali.

— Só quero conversar com você.

— Não tenho nada para conversar com você – retruquei, jogando minha mochila nas costas. – Me deixa passar.

Eu estava com medo até o último fio do meu cabelo, mas não queria demonstrar. Minha voz é que não me ajudava nesse sentido, pois saia baixa e falha.

— A versão do Black não é realmente fiel a verdade, minha mãe só quer que você escute o lado dela. Você mora com Charlie, sabe quem é o que nos somos. Então entende o risco que meu avô está correndo.

— Vou deixar claro uma coisa aqui, eu não pedi pra saber disso. A presença de vocês aqui atraiu novos de vocês e um deles veio atrás de mim. Eu não pedi pra fazer parte disso, me inseriram sem que eu tivesse qualquer escolha. Eu não quero nenhum contato com você ou a sua família, não tenho interesse nenhum em ser a prima humana da híbrida Cullen.

— Humana ? – ela bufou – Você está longe de ser apenas uma humana garota. – rebateu – Acha mesmo que teria sobrevivido aquele acidente se fosse apenas uma humana?

— Renesmee! – a voz rouca vinda do corredor me chamou atenção. Jacob estava ali, junto com Paul e Jared. – Vem – ele estendeu a mão para que eu fosse até ele e o fiz. Ele entrelaçou a mão na minha e só então percebi que os corredores da escola estavam quase vazios.

A Cullen jogou a cabeça para trás dando risada, cruzou os braços no peito, os encarando com deboche.

— O que vai fazer, Black? Vai quebrar o tratado e me atacar aqui, na escola na frente de tantos humanos? – provocou

— Sua sorte é que é o imprinting de um dos nossos, caso contrário não teria tratado que me fizesse deixar você continuar viva. – ele a respondeu e eu tremi, soltando sua mão de imediato.

A cena dele arrancando a cabeça do vampiro me assombrava.

— Jake – repreendeu Jared, olhando sugestivamente pra mim. – Vamos embora – ele sugeriu, os dois morenos concordaram.

— Fique longe dela – Jacob rosnou para a Cullen antes de sair quase me arrastando. Do lado de fora o estacionamento estava deserto. – Confia em mim? – ele perguntou, logo toda a tensão de alguns minutos havia passado e ele parecia bem mais leve.

— Sim – respondi

— Então, dá as chaves pro Paul. Vamos dar um passeio.

Paul dirigiu até certa altura da rodovia que liga Forks a praia de La Push, estacionou e Jared e Jacob desceram, esse último me ajudou a descer do carro.

— Onde está me levando? – questionei curiosa.

— Aguarde e verá. – sorriu diabolicamente pra mim. – Deixe o carro em frente a casa do meu pai, ela vai precisar pra voltar pra cidade — ele orientou ao Paul.

Com a mão presa na minha, ele me guiou para dentro da floresta, Jared vinha logo atrás como um segurança. Ele não exagerou quando disse que colocaria todos na minha cola.

— Já pode ir Jared. – ele disse quando estávamos muito entre as árvores.

Eu o vi correr e desaparecer. Era surreal como homens tão grandes se moviam com tanta rapidez.

Jacob começou a tirar a própria roupa, bem na minha frente. Eu tentei protestar, mas dá minha boca não saia som algum. Quando as mãos dele retiraram o cinto da sua bermuda, ele parou.

— Fique de costas. Eu vou precisar tirar toda a roupa – ordenou, e eu prontamente obedeci, meus joelhos ameaçavam ceder a qualquer momento.

Enquanto isso, eu contava os segundos e minutos mentalmente, quando cheguei a três minutos eu escutei o som de algo grande pisando sobre folhas secas. Engoli em seco quando finalmente entendi o que ele tinha feito. Lentamente me virei, encarando o lobo castanho avermelhado que estava deitado sobre as patas dianteiras. Imóvel, com olhos dóceis, não me parecia a fera da qual eu tinha recordações traumáticas.

Não se mexia, e eu demorei a entender que ele queria que eu me aproximasse. Cheguei perto, ousei tocar em seus pelos sentindo a maciez. Um barulho semelhante a uma risada brotou do fundo de sua garganta, eu acabei me assustando e dando um passo para trás e o barulho acabou.

— Você é...hmm...macio – murmurei, e novamente o barulho estava lá. Devia mesmo estar rindo das minhas reações. – Pode voltar a forma humana? – Ele se levantou tão rápido, agora rosnava em direção a floresta e seu corpo enorme tampada minha visão, ele tentava me esconder de seja lá quem estivesse se aproximando.

Meu coração disparou, a fera da qual eu tinha medo estava ali novamente.

— Sou eu, Jake. – Era a Claire, logo atrás dela vinha Quil, em forma humana.

— Ela insistiu que tinha que ver isso – ele disse divertindo-se

— Ver o que? – interroguei

— Sua primeira vez correndo nas costas de um lobo. – Claire tinha os olhos brilhando. – Foi pra isso que ele te trouxe.

— De jeito nenhum! – falei bem mais alto do que deveria. – Eu não vou subir nas suas costas. – um som parecido com um protesto saiu da boca do lobo a minha frente.

— Não seja medrosa, é divertido. Eu faço isso desde meus cinco anos. – Claire falava como se fosse algo a Sá vangloriar, e no ponto de vista dela devia ser mesmo. – Tia Emily também morria de medo quando o tio Sam ainda se transformava, mas até ela dizia que era divertido esses passeios.

— Se acha tão divertido, então vai você. – grunhi – Aproveita que ele já está deitado novamente e fica mais fácil assim.

Ela fez uma cara de nojo pra mim.

— Argh, não! Nessie, montar em um lobo não é algo pra qualquer uma e principalmente não é algo que possamos fazer com qualquer um.

— O que Claire quer dizer é que normalmente só permitimos isso as nossas escolhidas, não somos cavalos e nem meios de transporte. – Quil explicou, puxando Claire para um abraço firme.

— Jake vai ser bonzinho, ele não vai correr com você. – ela insistia – Eu e o Quil podemos acompanhar vocês também.

Passamos mais uns quinze minutos nessa discussão até que eu cedi, vencida pelo cansaço. Tive um pouco de dificuldade para subir, mesmo ele estando deitado sobre as patas dianteiras. Quil me ajudou, eu me acomodei e me segurei com força em seus pelos.

— Se quiser que ele pare, é só falar. – Quil orientou – Segure firme, mesmo indo devagar é arriscado se você se desequilibrar.

— Isso é loucura! – resmunguei.

— A loucura mais divertida que você fará na vida, sem dúvidas. – Claire comemora.

Tive medo quando ele se levantou e começou a se movimentar. Logo o medo deu lugar ao adrenalina que tomou conta do meu corpo. Ele parou próximo a um penhasco, tinha uma muda de roupas e tênis colocados sobre uma rocha, ele abocanhou as roupas e se escondeu na floresta, retornando minutos depois vestindo uma camiseta branca. Sentou-se na rocha e calçou o tênis.

— O que achou do passeio?

— Diferente – comprimi os lábios. – Esse lugar é lindo. – mudei de assunto, sem saber direito o que responder. Não ousei chegar muito perto da borda do penhasco.

— Quero saber se gostou- ele corrigiu a própria pergunta.

— Sim. – ele se levanta e percebo uma cesta de piquenique pendurava em um galho de árvore, ele a pegou e trouxe para nós. – Você planejou tudo?

— Só não a parte que você demorou para sair da escola. O que a híbrida queria com você?

— Conversar, ela falou algo sobre querer proteger Charlie, eu acho. Ela sugeriu que eu não era humana. – me recordei, percebi o espanto no rosto de Jake. – O que ela quis dizer com isso?

— Ela só deveria estar querendo te confundir, sanguessugas gostam de brincar com nossa mente as vezes, nos deixar desequilibrados.

— Não me pareceu que era essa a intenção dela.

— Sunshine, você se sente diferente? – fiz que não com a cabeça- Então não precisa ficar remoendo as palavras da híbrida, ela só queria desestabilizar você. Se não fosse humana, seria a primeira a perceber, não acha?! – não foi uma pergunta.

Sunshine. Era a segunda vez que ele me chamava de luz de sol. Ele estendeu o tecido quadriculado no chão, se sentou nela e me chamou com gestos para que me juntasse a ele, me colocando delicadamente escorada em seu peito.

A brisa fria vinda do mar não fazia diferença nenhuma com o calor da pele dele envolta do meu corpo.

Kwop kilawtley – tinha uma vaga lembrança dele já ter me falado isso antes. Ergui meu rosto em direção ao seu na intenção de perguntar o significado e fui interrompida quando seus lábios se chocaram contra os meus em um beijo suave, romântico.

Não podia, e não queria resistir ao beijo. Pelo contrário, eu começava a perceber que havia sentimentos surgindo em mim por ele.

— Eu amo você, pequena. – ele disse em um sussurro. – E vou fazer de tudo para ser digno do seu amor. – dessa vez, foi minha a iniciativa do beijo.

Notas finais
Jake não dá brecha para os Cullen, o que acham que Elizabeth quis dizer sobre ela não ser humana? O primeiro beijo em um lugar com uma linda vista, bem romântico ❤