O susto a meia noite

A casa de Charlie estava bem silenciosa quando entrei, verifiquei o horário era quase dez horas da noite. Ele e Sue tinham ido se deitar antes que eu chegasse ali. Subi as escadas direto pro meu quarto onde comecei a me despir. Não havia mais ninguém acordado na casa então não vi problema em ir até o banheiro apenas com a calça moletom e sutiã.

Tomei um banho um tanto demorado e voltei para o meu quarto, não estava com sono então continuei conversando com meus amigos de Denver pelo celular. Ouvi passos no corredor, automaticamente olhei para o relógio que marcava meia noite.

Meu lado racional me mandava ficar quieta na minha cama, meu lado curioso me fez levantar e ir ver quem estava acordado, até porque poderia ser a Sue passando mal.

Abri a porta do meu quarto, não havia ninguém ali e a janela no fim do corredor estava aberta, mesmo eu tendo certeza que estava fechada quando entrei em casa. A cortina branca se movimentava com intensidade devido ao vento lá fora, cheguei a tremer novamente de frio enquanto me aproximava da janela para fechar. E quando eu a estava fechando, olhei para baixo a tempo de visualizar a silhueta de um bicho enorme. Me sentindo segura por estar em um local alto, me arrisquei a tentar ver melhor o que era aquilo, tive alguma dificuldade até ver que não era apenas um porém três lobos do tamanho de cavalos.

— Que merda é essa?! – praguejei baixo demais, mesmo assim os três pares de olhos se viraram em minha direção.

Paralisei onde estava, encarando as figuras horripilantes que me encaravam e rosnavam em minha direção. Um deles, o castanho avermelhado deu um salto que me fez dar vários passos para trás.

Fechei a janela e saí quase correndo em direção ao meu quarto, na minha cama eu tentava recuperar o ritmo normal do meu coração e da minha respiração, quando ouvi novamente passos no corredor e minha porta foi escancarada.

Era o Seth.

— Você está bem? – ele perguntou, se aproximando rapidamente

— O que tá fazendo aqui? – questionei- Se o Charlie te pega no meu quarto...

— Não me importo com o que Charlie acha ou deixa de achar. – ele grunhiu. – Você está bem? – voltou a perguntar com certa urgência na voz. – Renesmee, presta atenção, me responde logo você está bem?

— Estou! – grunhi – Eu estou bem! – me desvencilhei de suas mãos , ele respirou aliviado

— Sei que não é justo o que vou te pedir agora, mas, será que posso dormir aqui ao seu lado? Prometo que vou embora antes do Charlie acordar. Não quero te causar problemas, só quero te proteger

— Proteger ? Você também viu aqueles bichos lá fora, não viu?

— Isso, eu vi os lobos lá fora. – ele parecia conter uma risada.

— Tudo bem. – respondi dando de ombros, sem querer demonstrar que queria muito dormir abraçada a ele.

Ele pegou um travesseiro e o colocou no chão, deitando bem ao lado da minha cama sussurrou algo como “ Boa noite” e se virou pro outro lado.

Dormi com muita raiva e ainda mais confusa com as atitudes dele. Em algum momento durante a noite, eu tive sonhos estranhos envolvendo o pai de Harry.

Eu estou fazendo o que você me pediu!— Seth rosnava para a figura morena escondida na escuridão do quarto próximo a minha janela, que deveria estar trancada mas devido a movimentação das cortinas eu constatei que estava aberta. – Mas não é justo, nem com ela, nem comigo e muito menos com você.

A figura masculina abaixa a cabeça, da alguns passos para frente e então fala.

Renesmee perdeu toda a família, você estava lá com ela, você é o apoio emocional dela no momento. Eu não posso tirar você dela agora, não posso deixar ela ainda mais triste.— Jacob rebate

Você tem noção que eu estou apaixonado por ela e eu não posso estar. Ela não nasceu pra mim.— Seth deixa claro sua raiva – Não posso continuar com isso, Jake.

Sinto muito Seth, mas você sabe tão bem quanto qualquer outro que ela é minha prioridade. E ela precisa de você agora, por mais que me esteja doendo em mim, é de você que ela precisa agora.

— É uma ordem do meu alfa?

Sim. – respondeu firme – Fique próximo, ela precisa se apoiar em alguém e você é esse alguém no momento , deixe que eu entre na vida dela aos poucos também.

Quando voltei a abrir os olhos, o Sol invadia meu quarto. Demorei alguns segundos para entender o motivo de ter um travesseiro e edredom o chão, e então me lembrei que Seth havia dormido ali.

— Bom dia – Sue falou, já se passava das nove da manhã e ela já começava a preparar o almoço que costumava sair cedo nessa casa. Ouvi sons de riso do lado de fora Harry brincava com Jacob.

— Bom dia Sue – respondi, pegando uma banana no cesto de frutas e indo para a parte de trás da casa para assistir a brincadeira, me fazia lembrar do meu pai e irmão.

Me escorei no pilar, e observei aqueles dois enquanto ia comendo a banana. Jacob deixava Harry ganhar no futebol improvisado, o sorriso do menino era contagiante. Harry sorriu ainda mais quando me viu e jogou a bola em mim.

— Vem brincar, Nessie. – Harry não sabia pronunciar direito o meu nome e por isso me presenteou com esse apelido.

— Melhor não, não consigo correr – apontei pra bota no meu pé, ele pareceu entender e ficou desapontado. – Sua jaqueta está no meu quarto. – disse a Jacob.

— Tudo bem, eu pego quando for embora depois do almoço

— Vai ficar pra almoçar?

— Sue esta preparando salpicão, não perderia isso por nada.

— Já volto papai – o menino fala e corre pra dentro, deveria estar indo tomar água. Quase me derruba ao passar por mim, mas sou amparada por Jacob

— Cuidado filho – ele pede. — Não queremos que a Nessie se machuque. — a forma como ele pronunciou meu apelido que o filho tinha me dado foi diferente.

De repente me lembrei do sonho estranho onde ele e Seth discutiam no meu quarto. Ele me soltou e voltou a se afastar.

— Então, sua namorada conheceu a minha prima. Chegou a conhecer ela também? Como ela era? Tipo, como pessoa?

Sempre tive vontade de saber mais sobre a única prima que tive. Bella era um tipo de assunto proibido na família, já que Charlie ficava bem mal sempre que alguém tocava no nome dela perto dele.

— Primeiro, Grace não é minha namorada.

— Tá bom – dei de ombros.

— Segundo sim, Grace a conhecia e eu também. Embora elas não fossem amigas, elas estudaram juntas. Bella foi a minha melhor amiga por algum tempo – seu olhar ficou distante – Ela fez escolhas erradas, era esperado que acontecesse isso

— Escolhas erradas? Tipo drogas?

— Não. Tipo, companhia. Os Cullen não eram a companhia adequada pra ela.

— Pelo pouco que sei, ela amava o tal de Edward e ele a ela. Minha mãe me falou uma vez que ele ficou devastado com a morte dela, que o pai ,Doutor Cullen, precisou sedar ele, e ele nem se quer esteve presente no enterro e velório. Não conseguiu. Nenhum deles esteve presente para dar apoio a ele, tinham medo de deixar Edward sozinho.

Jacob baixou a cabeça, respirando fundo parecendo estar ficando irritado

— Aquilo não era amor – ele falou com a voz muito mais rouca do que o comum, e isso me assustou. Quando voltou a me olhar, seus olhos pareciam muito mais negros do que o comum.

Me assustei quando percebi que alguém saia da floresta de trás da casa de Charlie, era Embry Call. Jacob se quer se virou para ver.

— O que você quer, Embry? – girou seu pescoço em direção ao amigo após falar

— Leah me convidou para um almoço em família.

— Era só o que me faltava! – ele resmunga, jogando as mãos pro ar – Estão saindo mesno? – o foco da conversa muda, Embry passa as mãos pelos fios negros, com um sorriso que o entrega. – Vou deixar avisado, Leah é a mãe do meu filho, aí de você se ela sair magoada nessa história.

— Qual é Jake, sabe bem que eu estou realmente afim dela.

Harry voltou, os três começaram a jogar basquete enquanto eu os observava. Gostaria de entender o motivo de Embry ter chegado aqui pela floresta, não fazia sentido algum mas não perguntei, talvez ele já estivesse aqui antes e tenha só se afastado um pouco procurando por algo na floresta. Será que eles sabiam sobre os lobos enormes que eu tinha visto ontem?

Notas finais
Que Confusão! Já vimos que alguém esteve na casa, resta saber quem.