O lado escuro da lua.
1 Speak to me / Breathe
Notas iniciais
O barulho dos táxis nas ruas, das caixas registradoras nos bancos, as construções e confusões de Nova York. Onde gritos de socorro e risadas descontroladas se misturam em meio ao caos completo e na multidão. Por onde se olha se vê os engravatados atrasados com suas maletas, checando seus pagers e celulares de cinco em cinco segundos, enquanto o café respinga para todos os lados. Afinal, tempo é dinheiro, porém se tempo é uma ilusão o dinheiro não passa de um mero ilusionismo monetário?
A confusão piorou depois de uns dos marcos mais exuberantes da paisagem Nova yorkina ser apagada após, supostos, ataques terroristas, onde dois aviões sequestrados pousaram dentro das torres gêmeas, dando inicio a uma nova guerra proclamada pelo então presidente Jorge W. Bush.
Apesar de todo caos infernal o tenente piloto Syd Waters, se sentia sereno e calmo na cidade que nunca dorme. Syd era um homem de feições duras, para todos os efeitos SYd era um homem de meia-idade, cabelos castanho ao qual as mechas brancas o acusara sobre a idade, a barba recém feita, afinal, teria apenas dois na cidade antes de ser designado na maldita guerrilha do Afeganistão, onde interesses como poder eram mais importantes do que a ética e paz propriamente dita.
Syd tinha dois filhos ao qual moravam com a mãe depois de um divórcio complicado. Após voltar da guerra do Iraque no ano de 1991 ele voltou depressivo, não era a mesma pessoa que Maryanne se casara. O dinheiro que tinha para a hipoteca e contas da casa SYd gastou no poker onde virava a noite bebendo tudo que o fígado podia aguentar. Quando Anne passava a noite no plantão do hospital onde trabalhava, Syd não pensava duas vezes em contratar prostitutas na própria casa. Depois que a esposa o expulsou de casa Syd tentou se endireitar. Começou a frequentar o alcoolicos anônimos, e conseguiu comprar um apartamento no brooklyn. Após 11 de setembro iniciava-se uma nova guerra, que Syd temia acontecer, temia o combate que o aguardava.
Naquela manhã, acordou assustado em um sobressalto, tivera um pesadelo ao qual não lembrava. Depois de perceber que era apenas um sonho deitou-se novamente e permitiu-se mais alguns minutos na cama. O sol batia em seu rosto, abriu os olhos devagar e permaneceu assim por algum tempo, observando o barulho dos pássaros mixados nas freadas bruscas e buzinas do trafego pesado. Levantou sereno, devagar, fez um curto alongamento em frente à janela do apartamento, foi até a cozinha onde colocou o café da noite anterior para esquentar, sentou a mesa observando tudo como se fosse algo novo. Vestiu a farda que há tanto tempo guardava, abotoou a medalha que o fazia sentir-se desprezível, e encaminhou-se a porta da frente. Pegou um taxi onde o motorista de clara origem do oriente médio, olhava nervoso pelo retrovisor e parecia suar frio, com medo da descriminação que provavelmente recebera o dia todo. SYd mal o notou, só conseguia pensar no rosto dos filhos. Tremia só de pensar que aquela poderia ser a última vez que estava indo os ver, e tinha uma sensação estranha que seria mesmo. Decidiu afastar o pensamento de sua mente e se concentrou na cidade que o rodeava, observou-a como se fosse pela ultima vez.
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