O juiz de vidas
4 Terceira Alma: Wesley Tomps
Notas iniciais
Kin, Lúcia, Rashid e eu decidimos ir ao enterro de Tristana, não para checar se estava mesmo morta, mas sim como um sinal de respeito. O enterro dela estava sendo num pequeno cemitério perto de uma igreja, lá era bem longe da cidade, um lugar calmo para os mortos descansarem, Tristana estava num caixão lindo de madeira, ela parecia tão viva que parecia que a qualquer momento ela ia sair do caixão. No enterro estava Jasmine, Josh, vários alunos da classe dela, uns góticos e incrivelmente Stephany também estava lá, consolando sua mãe, nenhum de nós comentou, sobre isso, como respeito a aquele ambiente triste, ou talvez só por não se importar.
— Bem, vamos começar. – Um padre chegou e com uma convidada incrível, a cantora do Dreamwish, Flor de Jasmim. – Isso não é muito comum, mas se isso é algo que a Tristana iria querer e a família não se importa vou deixar que isso.
— Obrigado padre. – Agradeceu a cantora.
O padre começou a falar sobre Tristana e fazer os rituais necessários todos estavam sentados, mas por sorte tinham bem mais bancos do que convidados, então sentamos no fundo, onde só havia nós e alguns góticos no fundo, esses só deveriam estar no fundo, pois não estavam com uma roupa decente para um funeral.
— Realmente parece que essa menina vez muitos amigos. – Lúcia parou de respeitar o silêncio que todos tinham feito para ouvir o padre, mesmo que isso não importasse para nós. – Ben você acha que vez o julgamento certo? Quero dizer, ela não era um demônio, mas também não pode se dizer que era uma santa.
— Bom, acredito que eu julguei certo. – Comecei a falar lentamente. – Quero dizer, a própria irmã gêmea a odiava por ter conquistado o Josh com seu estilo musical, Stephany teve inveja por ter ficado tão amiga dele que fez que a inveja a consumisse tanto que matou sua irmã, é uma história triste, mas não algo que eu posso culpá-la.
— Você está errado! – Lúcia falou alto, se ela não fosse uma juíza até a Tristana ia ter ouvido. – Na verdade se você parar para pensar talvez ela não seja uma total santa, você podia notar que ela era muito amiga do seu pai, talvez isso tenha separado as gêmeas, elas também não estudavam juntas na mesma escola, a separando, talvez se ela tentasse ficar mais perto da irmã, ela poderia ter tentado ficar mais amiga da irmã, a falta de esforço dela fez elas se odiarem.
— Bom. – Falei. – Talvez você esteja...
— Não ouça ela. – Rashid falou olhando para mim. – Não se deve julgar um humano só por um pequeno erro ou pecado, é o conjunto deles que determinam o ser. – Ele ficou quieto por um instante. – Você julgou bem.
— Sim, mas eu acho que eu poderia ter julgado melhor se...
— Parem de falar sobre isso! – Kin gritou em voz alta, começando a chorar. – Como podem falar sobre isso assim tão pacificamente? Ela é um ser humano, um ser complexo, como nós podemos julgar assim tão simplesmente?
— Você só sabe chorar? – Lúcia perguntou para Kin, depois de ouvir isso Kin fez uma cara de nojo, parecendo que ela estava tentando parar de chorar.
— Kin. – Rashid falou com uma voz séria. – É necessário julgar os humanos, nós só vemos lembranças dos momentos mais importantes deles, não cada detalhe da vida. Realmente não é o melhor método, mas o mais prático. – Kin voltou a chorar.
Voltamos a observar o enterro, eles já tinham começado a enterrar o caixão, depois de alguns punhados de terra a cantora do Dreamwish, Flor de Jasmim, começou a cantar uma música, não era rock, e sim uma ópera melancólica.
Fomos para um hotel ali perto, minha cabeça estava confusa se eu julguei certo ou errado, talvez eu estivesse certo, mas talvez estivesse pensando demais nisso, Rashid disse que eu não posso pensar tanto nisso, se não vou ficar com medo de julgar. O hotel era meio fuleira, mas o necessário para nós, dormimos rápido, mesmo ainda sendo muito cedo.
Acordamos antes de o sol nascer, não estávamos dispostos, mas nada como um café para acordar. Fomos para uma cafeteria, já que estávamos um pouco longe do centro da cidade, Rashid falou que já que não tem muitas pessoas e coisas acontecendo provavelmente não precisaríamos nos preocupar de alguém morrendo, fomos atendidos por um homem que como sempre não nos notou de primeira.
— Então vamos ficar aqui por quanto tempo? – Lúcia perguntou olhando para mim e para Kin.
— Talvez fosse bom ficar um ou dois dias aqui para acalmar. – Kin respondeu, olhando fixamente para seu café.
— Temos algumas coisas para resolver hoje. – Rashid falou para Lúcia, depois levantou. – Vamos Lúcia.
— Ok. – Ela simplesmente respondeu isso deixando dinheiro na mesa, Kin e eu também levantamos.
— Vocês podem ficar aqui, é algo que só entre eu e a Lúcia. – Rashid falou com calma, mas deu para sentir a dureza nas suas palavras. – Nos vemos a noite, no mesmo hotel.
Rashid e Lúcia logo saíram pela porta, despercebidos, como sempre. Kin tentou puxar conversa comigo, mas o único assunto que tínhamos em comum era discutir sobre Tristana, e ela evitava isso, até tentei achar algo em comum entre nós, mas não conseguíamos manter uma conversa por um minuto sequer, ficamos quietos por mais alguns minutos, quando uma garçonete veio falar conosco.
— Querem algo mais? – Perguntou a garçonete.
— Queria mais um café, se puder. – Kin respondeu olhando para seu copo vazio.
— E você? – Ela apontou para mim.
— Nada, obrigado. – Respondi.
— Ok, já trago o pedido. – Ela foi saindo rebolando de leve, seus cabelos loiros eram longos e cacheados, refletindo a cor da lâmpada em suas mechas.
— Ela é muito bonita. – Falei sem pensar...
— Gostou dela? – Kin olhou para mim.
— Bom... – Me constrangi e depois de alguns segundos quietos veio uma dúvida. – Foi ela que nos atendeu?
— Como assim? Ela veio até aqui e anotou nossos pedidos.
— Não é isso que quero dizer, quando chegamos foi um garçom que veio aqui.
— Talvez tenha acabado o expediente dele.
— E como ela nos viu? Ela veio diretamente para nós, sem nem piscar ou se assustar por estarmos aqui.
— Talvez aquele cara tenha nos mostrado para ela.
— Isso é realmente estranho. – Kin e eu paramos de falar, no final esse pequeno assunto só foi um modo de quebrar o gelo, ficamos por lá por mais dez minutos, depois saímos de lá, com essa pequena dúvida.
Começamos a andar na cidade, já que não era um centro não tinha muita coisa, vimos pequenos comércios locais, lojas de roupas, um parque público, algumas casas antigas e até um pequeno shopping, fomos para uma lanchonete, dificilmente íamos para outro lugar além de uma cafeteria, mas estávamos com fome. A lanchonete tinha alguns hambúrgueres, sanduíche batatas fritas, alguns refrigerantes e até uma salada. Kin pediu um sanduíche de peru, eu simplesmente pedi batatas fritas. Ficamos lá por quase uma hora, não tínhamos mais nada o que fazer, ou era sair caminhando por ai ou ficar sentado, para puxar conversa comecei a olhar para os lados, Kin notou o que estava fazendo e me questionou.
— O que você está fazendo?
— Ali! – Eu apontei para um idoso que estava comendo uma salada algumas mesas atrás, ele era alto, negro, usava um moletom e um chapéu, estava com uma bola azul enorme no seu coração, provavelmente ele só tinha um ou dois dias de vida, era um assunto bem delicado, inclusive para Kin, mas era melhor do que ficar quieto por horas – Vamos julgar aquele cara!
— Sem o Rashid e a Lúcia? – Kin estava receosa.
— Esse cara já está com um pé na cova, vai terminar rápido, e vai ser uma boa experiência para nós.
Kin assentiu com a cabeça, nós levantamos e fomos para uma mesa ao lado dele, ele comia lentamente, era chato ficar olhando, mas não tinha nada melhor para fazer, depois de um tempo comecei a olhar para os lados, além de nós tinha duas mesas perto da dele, em uma havia duas garotas, uma de morena e a outra ruiva, estavam falando sobre compras e dividindo uma porção de batatas fritas; do outro lado havia um homem loiro bebendo soda e olhando para a rua. Cinco minutos depois o homem não tinha acabado de comer a salada, demorava uma eternidade para dar cada garfada e levar até a boca, Kin começou a tentar puxar assunto.
— Ei viu aquele cara lá atrás? – Kin apontou com o dedão para as costas dela, era o loiro que bebia soda. – Ele é bem bonito, não é?
— Bem... – Não sabia o que dizer, mesmo sendo só para puxar assunto, imaginar um humano e uma juíza, um ser que já morreu saírem juntos, olhei alguns segundos para ele e disse. – Não acha que a roupa dele chama atenção demais? – Ele usava um casaco vermelho com detalhes em preto e uma gola com pelos brancos e uma calça jeans com correntes, mesmo o dia não estando tão quente não era necessário toda aquela roupa, ela estava me sufocando só de olhar.
— Bom pra mim, já que ninguém me nota. – Kin deu um sorriso forçado, fechando os olhos para não chorar.
Sem nada melhor para fazer começamos a olhar para o loiro, ele era bem mais interessante que o velho pronto para morrer, olhamos para ele por mais de um minuto até que ele olhou para nossa direção e acenou com a mão, sorrindo. Kin e eu ficamos assustados, logo o loiro se levantou e andou em direção a nossa mesa, pegou uma cadeira do nosso lado e sentou, ficamos em silêncio por um segundo, até que ele começou a falar.
— Olá!
— Ahh! – Gritou Kin. – Você... Você consegue nos ver?
— Vocês são novatos não são? – O loiro perguntou para nós.
— Novatos? – Perguntei.
— Sim, é notável que vocês sejam juízes novatos, só pelo modo que se vestem. – Ele estava muito calmo, depois de um tempo quietos notamos, ele também era um juiz.
— Como assim, pelo modo que nos vestimos? – Eu me acalmei e perguntei, Kin também tinha se acalmado, já estávamos nos acostumando com sustos assim.
— Muitos juízes se vestem de modo chamativo, com roupas espalhafatosas e cores vibrantes, outros até usam roupas mais normais, mas sempre com suas peculiaridades. Mas essa camisa branca masculina que a velha dá, é um clássico.
— Por que se vestir assim? É ridículo! – Exclamou Kin.
— Normalmente é só para chamar atenção, já que ninguém te vê. – Ele deu uma pausa e olhou para o velho. – O nome dele é Wesley Tomps, estou seguindo ele há quase uma semana, ele é um bom homem, mas estou louco para acabar com isso, ele é muito monótono.
— E qual é o seu nome? – Eu estava esperando que ele se apresentasse, mas parecia que ele tinha esquecido isso.
— É mesmo! Desculpem-me pelos maus modos. – Ele deu um pequeno sorriso. – Sou Leonard B. Henry, mas podem me chamar de Leo, e vocês?
— Sou Kin Matsumoto e este é Benjamim Martin. – Kin falou rapidamente, deu para notar felicidade no seu tom de voz, acho que as esperanças de achar um amor existe mesmo depois da morte.
— É um prazer conhecê-los. – Leonard olhou para os lados e viu Wesley saindo da lanchonete. – Ele está saindo cedo demais hoje!
— Cedo? Uma lesma comeria mais rápido do que ele. – Comentou Kin.
Logo Leonard se levantou, deixou um pouco de dinheiro na mesa junto com a conta dele e saiu atrás de Wesley, nós fizemos a mesma coisa, só que com menos pressa, pois aquele velho andava bem lento.
Alcançamos Leonard e Wesley entrando numa casa, saudamos o Leo e entramos na casa. A casa inteira estava escura, não dava para ver nada lá dentro, Wesley acendeu a luz e sua sala de estar tomou forma, todas as paredes eram brancas, ele tinha um sofá quase esfarelado, uma teve tão antiga que podia até ser em preto e branco, uma pequena mesa com algumas cadeiras, e em uma delas estava sentada uma mulher, por volta de seus trinta anos, ela usava uma jaqueta preta, uma blusa branca, um jeans também preto e uma botina preta, seu cabelo era curto e preto, não usava maquiagem, brincos ou qualquer outro acessório, se não fosse pela pequena elevação do seu busto até acharia que era um homem, ela estava com um frasco com um líquido azul na mão. Wesley se aproximou e sentou numa das cadeiras.
— Há quanto tempo Elizabeth. – Wesley olhou para todo o corpo dela. – Vejo que o tempo à vez bem.
— Você sabe o motivo de eu estar aqui certo? – Elizabeth colocou o frasco com líquido azul na mesa.
— Chegou a hora... – Wesley olhou para o frasco, eles ficaram em silêncio por quase um minuto. – Você não acha que está sendo muito gentil?
— Eu confio em você, não preciso ser sorrateira e colocar na sua comida como na maioria das vezes. – Elisabeth olhava fixamente para o frasco.
— Quem diria... Você confiando num homem. – Wesley soltou um sorriso.
— Você é exceção. – Ela se levantou. – Confiaria minha vida a você sem pensar duas vezes.
Wesley olhou para trás, normalmente ele estaria olhando para a porta, mesmo eu estando na frente dela, mas por algum motivo senti que o olhar dele foi para mim.
— Minha melhor aluna, adeus. – Ele pegou o frasco e abriu.
— Foi uma honra trabalhar com o senhor. – Ela faz uma saudação, colocando a mão no peito.
— Digo o mesmo. – Ele bebeu o líquido azul, ele se apoiou na mesa e em alguns segundos já estava no chão, a bola em seu peito ficará laranja, Leonard correu e esfaqueou Wesley.
Logo começou tudo novamente, tudo começou a ficar preto, mas desta vez nem eu nem Kin caímos, comecei a ver uma feira, havia várias frutas e legumes a serem vendidos, fiquei espantado, onde estava Wesley? No mesmo segundo vi um garoto negro, de olhos e cabelos escuros estava correndo com um rabanete em sua mão e atrás um vendedor com pedaço de madeira na mão gritando “Volta aqui Marui!”, o garoto iria virar na esquina, mas um policial o pegou pela roupa, que por sinal era bem fuleira, rapidamente pegou o rabanete da mão do garoto:
— Marui, já é a segunda vez esse mês! – Fala o policial suspirando.
— Policial Jones! Prenda esse moleque! – O comerciante começa a gritar apontando para o Marui. – Ele não pode se livrar dessa vez!
— Se acalme Kappua. – O policial Jones olha para o Marui. – Rabanetes? Como é que você vai comer isso Marui? Nem teve capacidade de pegar um pão?
— Policial Jones! Repreenda-o! – O vendedor olhará para Marui com raiva.
— Ok, ok, Marui, devolva o rabanete. – O policial dá um cutucão em Marui, em um movimento ele pegou o rabanete das mãos do policial Marui e esticou o braço para o vendedor. – Peça desculpas!
— Desculpe... – As palavras se espremeram para sair de sua boca, o vendedor pegou o rabanete e saiu resmungando “esse policial de coração mole! Não faz nada com esse pestinha”.
— Marui você tem que parar de roubar comida, se um dia você tiver o azar de eu não estar aqui, você pode ir preso. – Falou o policial Jones soltando Marui.
— Nunca vou parar com isso... – Marui resmungou essas palavras enquanto chutava uma pedra.
— Ora? Por que não Marui?
— Como se sobrevive sem comida? – Com essas palavras Marui deixou o policial Jones perplexo, ele não sabia o que dizer.
Enquanto os dois estavam ali começou a escurecer, os dois simplesmente desapareceram, logo ficou noite, vi o Marui correndo em minha direção, ele estava um pouco mais velho, diria até adolescente, atrás dele estavam vários homens com facas e porretes, Marui passou por mim, eu fui correndo atrás dele, seu rosto estava assustado e em suas mãos uma sacola com frutas, um homem tacou um facão de longe, passou do raspando do meu lado, mas Marui não teve a mesma sorte, o facão acertou no seu braço, seu sangue começou a escorrer, ele foi perdendo a velocidade, até que os homens alcançaram ele, todos se colocaram a bater em Marui, chamando-o de ladrão, a cena durou uns quinze minutos, até que todos se afastaram, deixando Marui só com as roupas do corpo, tão socadas e cortadas que pareciam farrapos, levara vários cortes de facas, a maioria foi superficial, mas também tinha aqueles mais profundos, que chegavam até a carne, sangue escorria entre as feridas, mal conseguia ficar de pé, se apoiou na parede, foi rastejando lentamente, pintando a parede em vermelho, só conseguiu aguentar mais alguns passos até cair no chão, sua vida estava esvaindo-se no ar, o máximo que ele conseguiu fazer foi encostar na parede e sentar, naquele momento vi algo assustador, nos olhos deles dava para ver que ele desistiu de sua vida, esperando os últimos momentos chegarem, pouco antes de dar seus últimos suspiros de vida uma mulher alta apareceu, mesmo no escuro dava para ver que ela tinha uma cabeleira ruiva, como chamas, ela era alta e estava toda suada, talvez pelas bolsa que ela carregava, que parecia muito pesada, ela se aproximou de Marui e chamou a atenção dele.
— Ei moleque, você está bem?
Marui deu umas piscadas, talvez não acreditando que tinha alguém ali, ele se esforçou para levantar um pouco seu braço, para tentar sinalizar que estava vivo, também soltou alguns barulhos incompreensíveis pela boca, a mulher logo se abaixou e começou a cavoucar sua bolsa.
— Espere! Devo ter algo aqui para te ajudar... – Ela procurou por uns instantes e tirou duas camisas e água oxigenada. – Resista mais um pouco! – Ela rasgou uma das camisas, seu rosto estava até calmo demais para a situação, mostrando apenas um pouco de preocupação, ela rasgou o ultimo pedaço de roupa e encharcou todos os pedaços em água oxigenada, depois cobriu a pele de Marui com os pedaços, esperava um grito de dor, mas nem para isso Marui tinha mais força, a mulher olhou para ele. – Se acalme, vou te carregar até um local seguro...
Antes que a mulher colocasse Marui entre os braços um homem chegou correndo com uma arma em mãos.
— Parada! – Era policial Jones, ele apontou a arma para a mulher. – Mãos para cima!
A mulher rapidamente se levantou, dava para sentir que sua personalidade mudara repentinamente, estava séria e focada, ela colocou a mão em sua bolsa e em um vulto ela tirou uma pistola de lá, os dois estavam apontando suas armas um para o outro, policial Jones gritou para ela abaixar a arma, mas pela cara de medo dele, sabíamos quem que deveria abaixar a arma e se render, ele olhou para Marui, fez uma cara de assustado e depois de raiva.
— O que você fez com Marui?! – Ele finalmente parecia que estava segurando a arma, e ameaçando atirar.
— Oh, então o nome desse garoto é Marui? Que nome estranho. – Ela deu uma olhada para Marui, que estava lutando para ficar consciente. – Desculpe desapontá-lo policial Jones, mas eu não fiz nada com esse garoto, eu o achei assim, até cuidei um pouco dele.
— Isso só pode ser mentira! – Policial Jones balançou a cabeça e seu rosto mostrava a fúria dele, quase ficando vermelho de raiva. – Eu já te persegui antes! Eu sei que você é capaz de matar um garoto por nada!
— Ora Jones, se você me conhece tão bem deveria saber que eu não uso facas. – Ela apontou para os ferimentos de Marui, vários cortes de faca. – E eu também não teria tempo para fazer tudo isso. – Enquanto policial Jones se distraia com esse fato, ela começou a recuar, lentamente.
— Pare ai mesmo! – Ele voltou a olhar para ela. – Mesmo não tento machucado Marui você ainda é uma criminosa! – Ele pegou as algemas que estavam em seu cinto. – Linem Del Varra você está presa!
— Você está me deixando entediada policial Jones...
— Você não entende? – Ele estava enfurecido. – Esse é o seu fim!
— Não policial Jones. – Ela soltou uma pequena risada. – Este é o seu fim! – Ela puxou a gatilho e num instante ele caiu no chão, com seu sangue espirrando em todas as direções. – Adeus policial Wesley M. Jones, lembrarei de enviar flores para sua família.
Naquele momento Marui voltou a sua consciência, ele ficou enfurecido morte do policial Jones, adrenalina que ainda restava em seu corpo foi usada para se levantar.
— Ei garoto, é melhor você ficar sentado. – Marui jogou seu corpo encima dela, tentando machucá-la, mas tudo em vão, logo ele ficou inconsciente.
Depois de uma breve escuridão me vi numa sala, provavelmente uma enfermaria, pois tinha alguns itens hospitalares, remédios, e principalmente o Marui todo enfaixado encima de uma cama. Marui acordou, ele parecia muito assustado, começou a olhar para os lados para achar alguma referência de onde ele estava. Depois de um minuto pensando ele se levantou, estava mais calmo, começou a procurar alguma indicação do local onde estava, desistiu rápido, sua cara mostrava dor, seus passos lentos o fizeram demorar para chegar na porta, colocou a mão na maçaneta, girou e abriu a porta e viu um corredor branco, olhando para lá pensei que era um hospital, mas dava para notar que não era, pois não tinha ninguém no corredor, Marui caminhou pelo corredor, depois de uns poucos passos viu uma mulher saindo de uma sala, ela estava vestindo uma roupa de enfermeira, ela foi até o Marui e falou:
— Olá, você está bem? – A mulher perguntou calmamente, Marui simplesmente assentiu com a cabeça. – Venha, vou te levar de volta para o seu quarto. – Ela tocou no ombro dele, levou de volta para o quarto.
Ele ficou dez minutos sentado na sua cama até que a porta do quarto abriu novamente, era a mesma mulher ruiva que encontrou Marui na rua e matou o policial Jones.
— Olá, tudo bem? – A mulher se aproximou dele, ele olhou para ela, ele não sabia reagir, a mulher que salvou ele, mas matou o policial Jones. – Eu sou Linem, se não me engano seu nome é Marui, não é mesmo? – Linem esticou a mão, Marui não apertou.
— Você... Você... – Dava para sentir que Marui não sabia o que falar ele não poderia jogar na cara que ela matou o único homem que se importava com ele, pois Linem salvou sua vida, ele pegou fôlego e falou. – Você matou o policial Jones! A única pessoa que se importava comigo! Ele era meu melhor amigo! Meu único amigo! Pai! Marido! Policial! Você destruiu tudo o que a família dele tinha! – Ok, Marui pode realmente jogar na cara a verdade, fiquei boquiaberto, mas a mulher nem se abalou.
— Se acalme garoto. – Ela passou a mão na cabeça de Marui. – Tudo vai ficar bem.
— Não! – Marui gritou e olhou para ela, ele estava pálido, chorando, e desferindo palavras de ódio contra Linem. – Por que você fez isso? Sua monstra!
Linem estava recebendo todo o ódio dele com calma, ela sabia que tudo o que ele dizia era verdade, ficou assim por uns cinco minutos, até que a mesma enfermeira que achou Marui para no corredor entrou no quarto e chamou Linem.
— Senhora Del Varra, os outros dois já estão na sua sala.
— Já? – Linem fez uma pergunta retórica, mas ficou calada por alguns segundos esperando uma resposta. – Eu só vou terminar de falar com esse aqui e já vou.
Ela olhou para Marui e segurou as mãos dele, ela nem precisou dizer um “já chega”, Marui se calou no mesmo instante, deixando a última lagrima cair.
— Marui, me escute, sim, eu matei o Jones, o conhecia, conhecia a família dele, mas foi necessário, nós éramos de lados diferentes, não ouve outra escolha, mas agora você tem uma escolha, voltar para a rua e não saber se vai comer no dia seguinte, ter que correr para se proteger na chuva, achar um canto frio para dormir, ou, pode ficar aqui, trabalhar aqui, ter companheiros, amigos, um teto para dormir e um prato quente para comer.
— Qual... – Marui olhou fixamente para ela e perguntou. – Qual o trabalho?
— Falarei sobre isso se você me seguir. – Linem levantou e saiu da sala, Marui a seguiu.
Marui a seguiu pelo corredor, no começo achava que estávamos num hospital, mas olhando entre algumas portas que tinham pequenas janelas, vi que eram quartos, um mais diferente do que o outro, alguns tinham pôsteres de bandas, outros tinham livros, televisões, jornais, bonecos, e outras coisas, o corredor era grande, então deu para ver como era variável, Marui estava seguindo Linem sem falar nada, quando estávamos chegando numa curva a porta de um quarto se abriu, saiu um homem de lá, que deveria ter por volta de seus vinte anos, careca e um pequeno corte na testa, ele foi até a Linem e falou:
— Bom dia senhora Del Varra, como vai?
— Bem, e você? – Linem parou de andar, Marui também. – Espere, você acabou de acordar?
— Hoje já que não tinha nada o que fazer me deram um dia de folga. – O homem sorriu.
— De qualquer modo já é tarde, não tem mais ninguém nos quartos. – Ela não estava falando com raiva, mas só pelo modo que ela falava parecia que era uma bronca.
— Bom, realmente está tarde, vou ver se consigo falar com Alexandra para darmos uma volta por ai. – Ele trancou o quarto que ele acabará de sair com uma chave.
— Tome cuidado com que fala perto dela, você sempre se enrola todo. – Linem lançou um sorriso. – Até mais, garanhão.
— Tchau. – Ele lançou uma risada e saiu correndo pelo corredor.
Depois de um labirinto de corredores percebi uma coisa, encima de cada porta tinha um número, de plástico branco, que se camuflava com a parede branca, também tinha alguns quartos que por dentro eram totalmente brancos, sem nada lá.
Depois de mais alguns corredores fomos parar num lugar com salas maiores e mais diferenciadas, Linem girou a maçaneta e deu uma olhada para Marui, talvez só para checar se ele ainda estava a seguindo. Linem e Marui foram entrando na sala, ela tinha paredes de madeira e chão de azulejo, na parede havia muitos retratos de homens fardados, militares e até pessoas normais, tinha uma mesa no centro e um armário atrás da mesa, na sala também havia duas pessoas, adolescentes, um garoto e uma garota, provavelmente tinham a mesma idade de Marui, o garoto era alto, era loiro e seus olhos eram castanhos, estava usando uma camisa escura e uma calça jeans, ele lançou um sorriso simpático quando viu Marui entrando, a garota era ruiva, mas o cabelo dela era bem escuro, tão escuro que de longe não parece ruivo, mas de perto é notável, tinha olhos escuros e tinha seus longos cabelos presos.
— Entre logo, garoto. – Linem empurrou Marui e fechou a porta, ela foi até a mesa, puxou a cadeira e se sentou. – Bom, primeiramente deixe-me fazer as apresentações, esse garoto novo é Marui. – Lin apontou para Marui. – Esse é Hélio – Linem apontou para o garoto loiro. – E essa é Karen. – Ela apontou para a ruiva, Marui não estava conseguindo entender direito, talvez estivessem explicando rápido demais.
— Ei, Marui, está bem? – A garota, Karen perguntou.
— É que não estou entendendo tudo. – Marui soltou um sorriso depois de ficar um bom tempo com uma cara triste.
— Aposto que a Linem não te explicou nada, não é mesmo? – Karen perguntou e Marui assentiu, Karen olhou para Linem. – Explique direito para ele senhora Del Varra, Aposto que você também não explicou para o loirinho também.
— Realmente Karen, você não me dá nenhum descanso, finalmente consegui um grupo para você e já quer tudo esteja pronto. – Linem falou calmamente, mas deu para sentir um pouco de sarcasmo.
— Então notou Karen? – Linem pegou uma caneta e começou a escrever em alguns papéis. – Mas deveria estar agradecida, eu finalmente achei parceiros para você.
— Chama esses caras de parceiros? – Karen apontou para Marui e Hélio. – Eu perguntei para o loirinho algumas coisas e descobri que você o tirou do lixo – Ela deu uma olhada para Marui, que, por sua vez, se corou. – E este outro está metade enfaixado, eu mereço algo melhor do que isso!
A sala ficou em silêncio por alguns segundos, Karen estava esperando uma resposta, Linem escreveu em mais alguns papéis e depois parou.
— Karen, você tem sorte de ainda não ter sido expulsa daqui, depois do que você fez com seus últimos companheiros deveria estar agradecendo por mais uma chance. – Depois do pequeno sermão de Linem Karen parou de reclamar, Linem voltou seus olhos para Marui e Hélio. – Eu devo explicação para vocês dois, aposto que vocês devem já ter ouvido falar dos “Ajudantes” nos jornais.
— Bom eu nunca fui muito fã de jornais. – Falou Hélio, ele soltou um riso.
— Eu já li uma matéria relacionada a esse nome. – Marui fez uma cara séria, respirou por um segundo e continuou. – A matéria era sobre uma suposta empresa de assassinos de aluguel que ricos contratavam.
— Hum, então você é bem informado? Normalmente sem tetos dormem no jornal. – Linem fixou seus olhos em Marui, os dois estavam se encarando, só faltava um pouco para um pular encima do outro. – Sim, essa empresa existe, e vocês estão dentro da sede dela, venho aqui para oferecer aqui um emprego para vocês, acredito que já podem imaginar sobre o que é.
A sala ficou em silêncio, Marui continuou encarando Linem com mais força, talvez pensando se o policial Jones estava na lista deles, ele simplesmente não respondeu nada, Karen se mostrava entediada, ela já era daqui, mesmo que tão jovem era notável que ela já tinha visto muita coisa na vida, Hélio não demonstrava medo, na verdade ele não demonstrava sentimento algum, parecia estar calmo com o que ele acabara de ouvir, só esperando pelo o que Marui ia dizer, Marui finalmente abriu a boca.
— O policial Jones, foi mandado ser assassinado?
— Não, eu o matei porque ele estava em meu caminho. – Linem puxou o gatilho, as encaradas viraram um sinal de guerra. – O que você vai fazer? Bater-me? Espancar-me? Amaldiçoar-me? – Linem lançou um sorriso. – Faça isso! Deixe minha cara com tumores roxos! Faça o que fizeram a ti! Blasfeme meu nome aos céus! Mas isso não irá mudar a realidade, policial Jones continuará morto, você estará sozinho, lutará para viver cada dia, sofrerá cada segundo.
Marui ficou quieto, pois sabia que era verdade, policial Jones, seu único amigo, a única chance que ele tinha estava na sua frente, ficar lá, se tornar um assassino ou voltar a ser um sem teto.
— Ok, eu aceito. – Falou Marui.
A sala foi lentamente escurecendo, até se tornar tudo preto, comecei a ver pequenas luzes, eu estava na ponta de um prédio, olhando toda a cidade de cima dele, aquela visão foi linda, mais não durou muito tempo, ouvi um grito, olhei para trás, vi Marui, Hélio e Karen matando um homem, a visão da morte já se tornará costumeira para mim, o que me assustou foi como Marui e colegas logo após isso começaram falar sobre uma festa que ia acontecer em algum lugar, eles estavam mais velhos, provavelmente Marui tinha quase vinte anos, já se tornará um adulto, o que para ele foi uma grande parte de sua vida, para mim só foram alguns minutos, ele pegou o corpo.
— Bom, o pedido diz que não é para deixar provas, certo? – Pergunta Marui.
— Sim, sem corpo, sem provas. – Respondeu Karen lendo um papel. – Ei, Hélio.
— O que foi Karen? Fiz algo de errado? – Hélio estava terminando de limpar o sangue que havia derramado do cadáver.
— Não é isso, eu queria perguntar se você... – Karen ficou corada. – Gostaria de sair para algum lugar, tipo, o cinema, ou talvez qualquer outra coisa, é, sei que você não gosta de pipoca, amanhã?
— Obrigado pelo convite. – Hélio lançou um sorriso. – Mas eu que cuido da papelada desse caso, isso deve demorar um bom tempo.
— Uh! Levou um fora! – Marui disse isso e deu uma risadinha, Karen ficou envergonhada.
— Marui seu maldito! Cala a sua boca! – Karen gritou com todas as forças do seu pulmão.
— Ei calada! – Marui chamou atenção de Karen.
— Veio de lá de cima! – Ouviu-se alguém dizer isso do andar de baixo, logo deu para ouvir alguém dizendo isso do andar de baixo.
Em menos de um minuto um homem apareceu, apontando uma arma para Marui, todos ficaram com medo, os dedos do homem estavam no gatilho, Marui lentamente colocou a mão no bolso de sua calça, ele ia tirar algo de lá, mas antes disso o homem disparou, ele fechou os olhos, a bala vinha em sua direção, depois de uns segundos Marui estranhou de bala não ter doido, abriu os olhos e viu Karen matando o homem que tinha atirado, e seu amigo, Hélio, caído na sua frente, perdendo sangue, tudo ficou preto novamente.
Logo vi um quarto branco, Marui estava sentado numa cadeira ao lado de uma cama, na cama estava Hélio, com seu braço e parte do peito enfaixado.
— Obrigado mesmo Hélio, você salvou minha vida! – Marui estava triste, não a ponto de chorar.
— Toda a vez que vem aqui você precisa me agradecer. – Hélio se arrastou um pouco na cama e se sentou nela. – Só foi um tiro no ombro, o médico disse que daqui a duas semanas já vou poder voltar ao trabalho.
— Você deu sorte, imagina se o tiro tivesse pegado em algum ponto vital?
— Ah, não vamos pensar em suposições, isso só vai nos deixar triste. – Hélio olhou para Marui e soltou um sorriso. – Não importa o que aconteça, sempre seremos amigos e amigos se fazem qualquer coisa pro bem estar do outro.
Marui e Hélio ficaram em silêncio, se ouvia o relógio contando os segundos.
— Ei Marui. – Falou Hélio.
— O que foi? Quer alguma coisa? – Marui agradeceu por o silêncio ter sido quebrado.
— Venha mais perto. – Hélio sinalizou para Marui se aproximar. – Quero te contar uma coisa.
Marui se aproximou de Hélio, que por sua vez começou a cochichar no ouvido de Marui, durou pouco mais de algum minuto, quando Hélio fechou sua boca Marui empurrou ele, Hélio foi para o outro lado da cama, o rosto de Marui estava assustado, ele se levantou brutalmente, a cadeira sofreu do impulso do Marui e caiu, ele balbuciou algumas palavras.
— Desculpe... Não! Desculpe! – Marui saiu correndo da sala, tudo ficou preto novamente.
Depois de um segundo já me via num corredor, com várias portas e uma das portas tinha o nome de Hélio, vindo em direção a ela estavam Linem, Karen e Marui, Karen e Marui não mudaram nada, provavelmente essa era uma lembrança poucos dias no futuro, mas Linem começara a apresentar os sinais da idade, seu cabelo que antes era vibrante como labaredas, agora pareciam mais carvões e pequenas rugas brotavam em seu rosto.
— Vamos lá Marui, hoje é o dia que Hélio vai ter alta, temos que ficar felizes por isso. – Karen falou isso com um sorriso no rosto, Marui estava com cara triste, sua fase revelava seu aborrecimento.
— Não sei qual é o problema Marui, mas não fique assim na frente dele. – Linem começou a encarar Marui. – Ele levou um tiro por você, isso seria algo que nem eu faria, demonstre respeito por isso.
Marui não falou nada, os três chegaram perto da porta do quarto de Hélio, encostaram-se à parede e esperaram.
— Ei Linem, quando vai acontecer a mudança da chefia? – Perguntou Karen.
— Isso provavelmente vai acontecer mês que vem, o chefe Loppe está cansado depois de trinta anos trabalhando aqui, ele merece uma boa aposentadoria. – Linem começou a olhar para o chão. – Pessoalmente não gosto da pessoa que vai assumir, a filha dele é uma mulher muito estranha, com certeza haverá mudanças drásticas por aqui.
— Ah, aposto que você só não deve gostar dela, pois para mim ela parece ser tão boa quando seu pai, ela até propôs aquele sistema de ter pessoas especializadas para levar o corpo, isso vai nos poupar um grande trabalho. – Comentou Karen.
Antes que Linem pudesse falar mais alguma coisa, Hélio saiu daquele quarto junto a um médico, falando alguma coisa sobre remédios.
— Bom, eu deixo ele aos seus cuidados. – Falou o médico.
— Obrigado, ele vai pegar trabalhos mais leves por um tempo. – Retrucou Linem, o médico soltou um sorriso e entrou em outro quarto.
Karen fez questão de dar um abraço no Hélio, seus braços estavam em volta do pescoço dele, estava se pendurando nele, por pouco não o derrubava.
— Tome cuidado Karen, ele precisa respirar. – Linem tirou Karen dos pescoços do Hélio, então ela tocou no seu ombro. – Você fez algo honrável, salvou um amigo.
— Obrigado, Sra. Del Varra. – Hélio voltou seus olhos para Marui. – Olá Marui, bom a coisa ficou difícil depois daquele dia, gostaria de pedir desculpas, o que eu disse foi realmente algo que não devia, espero que possamos ser amigos depois disso. – Hélio esticou a mão para Marui.
— Amigos. – Respondeu Marui.
Tudo ficou preto, esperei alguns segundos até começar a ver alguma coisa, eu estava numa casa velha, lá tinha várias fotos de pessoas diferentes, havia cheiro de mofo, tinha vários enfeites, lembranças de viagens e entre eles havia uma mulher sentada numa poltrona, velha, decrépita, poucos cabelos brancos em sua cabeça e uma boca com dentes amarelos. Uma porta se abriu em meio das decorações, vestindo uma jaqueta preta, Marui chega na sala, ele estava mais velho, talvez na casa dos quarenta, o tempo passou, ele olhou para a velha e disse.
— Há quanto tempo Sra. Linem Del Varra.
— Eu não uso mais esse nome a um tempo, troquei depois de me aposentar. – Falou Linem.
— Nunca vou te chamar pelo seu nome atual, Yuukia, todo mundo percebe que você não é asiática para ter um nome desses. – Respondeu Marui.
— Todos temos que mudar de nome quando nos aposentamos, aproveitei que sempre quis ser um pouco asiática e dei esse pequeno toque em minha pessoa...
— Se você não tivesse uma cara de européia poderia enganar alguém com esse nome.
— Chegou o dia, não é? – Linem tentou levantar, mas não conseguiu. – Sabia que era você que iria vir, é bem a cara da chefia fazer isso.
— Foi uma honra ter trabalhado com você, entretanto como o destino de todos os ajudantes, a morte. – Marui retirou do bolso um frasco azul e deu na mão dela.
— Eu esperei muito esse dia Marui, pode parecer estranho, mas depois que parei de trabalhar, a única coisa que pude fazer foi esperar.
— Linem, antes de te matar quero entender uma coisa, por que você saiu logo após a entrada da Sra. Naice Loppe como chefe. – Marui esperou uma resposta, mas só obteve o silêncio. – Eu sei que não foi por estar cansada, você mudou o modo de agir, por favor, fale.
— A verdade é algo horrendo. – Linem olhou para Marui. – Tem certeza que quer ouvir?
— Sim. – Respondeu Marui, sem recuar.
— Bom, a Sra. Naice odeia desperdício, então ela achou um modo de comerciar... corpos.
— O que? – Marui começou a achar que Linem já estava louca de velhice.
— Orgãos, cabelos, sangue, hoje em dia tudo faz dinheiro. – Linem fez uma pausa. – E Naice acha que isso é o futuro, por isso que agora tem até outras pessoas para pegar o corpo, é algo muito lucrativo para a empresa.
— Então qual o problema? É estranho, mas eles já estão mortos.
— Deixe eu te explicar uma coisa Marui, ultimamente você só tem matado os velhos ricos e metidos de sempre?
— Bom... – Marui pensou por um segundo. – Ultimamente a idade dos assassinatos tem diminuído muito...
— Sim Marui, tem diminuído, pois essas pessoas são mais saudáveis, valem mais no mercado negro. – Ela tirou um papel de um pequeno armário perto dela, lá tinha nomes de jovens para matar, todos estavam carimbados, consigo pensar o que eles significam, significam a morte. – Estamos matando inocentes, com sonhos e futuros promissores, não velhos ricos que tem suas mãos suja.
Marui e Linem ficaram em silêncio, isso afetou Marui, ele estava a se lembrar dos jovens que matou.
— Então Marui, o que você tem feito? – Linem quebrou o clima que tinha se formado.
— Bom, eu comecei a treinar uma nova recruta, o engraçado que ela se veste com uma roupa militar, ela sempre diz que queria ser do exercito. – Marui se sentiu aliviado.
— E por que ela não entrou no exército? Ser uma assassina de aluguel não é muito parecido?
— Ah isso, é porque ela é Elizabeth Loppe, a filha mais nova da Sra. Loppe. – O clima voltou a ficar tenso, parece que ninguém queria falar sobre a Naice Loppe naquele momento.
— Então, e Karen e Hélio? Como eles vão? – Linem puxou conversa novamente.
— Bom, a Karen foi mandada para um assassinato recentemente que deu problemas, ela está tendo que cuidar desses problemas e não vejo Hélio já algum tempo.
— Por que não tem visto o Hélio? – Perguntou Linem mostrando interesse.
— Bom, nunca fomos muito amigos.
— Isso é mentira, e eu sei disso. – Linem falou isso alto, mas não ao ponto de ser um grito. – Sempre tive curiosidade numa coisa, depois do dia em que Hélio saiu do hospital vocês começaram a se distanciar um do outro, antes eram grandes amigos, então me responda o que houve com vocês dois?
— Não foi nada demais, só que nós tomamos rumos diferentes.
— Por favor, Marui, não minta para uma velha prestes a morrer.
— É que pouco antes dele sair do hospital ele me falou uma coisa. – Marui fez uma pausa. – Ele disse que gostava de mim, quero dizer, no sentido sexual da palavra.
— Hum, então o Hélio era um pederasta? – Linem pareceu chateada de ser só isso. – Ele era um pouco afeminado mesmo, mas só isso não era motivo para não serem mais amigos.
Linem deixou Marui sem palavras novamente.
— Marui. – Falou Linem. – Me faça um favor, não quero morrer bebendo isso, por favor, atire em mim, quero sentir o que eu fiz pessoas sentirem, por favor, essa é a última coisa que te peço.
Marui tirou uma arma de sua cintura, mirou bem na cabeça de Linem, ele sabia que ela queria morrer assim, provavelmente ela estava com essa ideia bem antes da chegada de Marui, então ele puxou o gatilho, a bala saiu e tudo ficou preto novamente.
Vi-me na sala de Marui, Elizabeth, a mulher estava bebendo um conhaque enquanto olhava para o corpo de Marui, ou melhor, Wesley, Kin já estava levantada e Leonard segurando sua faca, sem meche-la, até a aura alaranjada sair, então ele disse:
— Wesley Tomps, julgado.
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