Notas iniciais
Oi amores, desculpem a demora pra postar... Minha vida está uma corrida só rsrs Espero que não tenham desanimado, nosso casal está apenas começando o romance. Lembrando que será uma short fic então não estranhe se as coisas se resolverem rapido, ok? Beijos e boa leitura...

Já estava entardecendo, o sol se punha ao longe, escondendo-se atrás dos morros. Por mais que eu tentasse obrigar minhas pernas a se manterem firmes, simplesmente não conseguia. Meu coração ainda batia num ritmo desenfreado desde o momento em que descobri que Edward era o judeu. Infelizmente não pudemos conversar direito já que meu horário já estava encerrado e Charlie era muito exigente em relação a isso. Como eu não queria dar motivos para que tomasse meu emprego, obedecia veemente. Portanto Edward e eu nos despedimos rapidamente e segui para casa.

Resolvi que precisava de uma boa caminhada para acalmar meu espirito empolgado, por isso dispensei o motorista e resolvir ir caminhando. Como minha casa ficava próxima ao campo não havia problema em vagar pela estrada. A paisagem não era das mais bonitas, ainda mais naquela estação do ano em que as folhas ficavam secas e não havia flores, mas mesmo assim, de repente aquele lugar que me era tão pavoroso passou a ser muito mais agradável e eu conseguia ver beleza em tudo... Até mesmo na morta vegetação.

–Hei – Ouvi alguém gritando atrás de mim e parei de andar imediatamente. Olhei por sobre o ombro e vi um soldado correndo em minha direção... Ótimo, por um instante realmente pensei que pudesse ficar sozinha com meus pensamentos.

Suspirei pesadamente e o esperei se aproximar. Quando me alcançou o soldado, até então desconhecido, sorriu largamente me olhando dos pés à cabeça.

–James? – Murmurei surpresa encarando-o – O que está fazendo aqui?

–Olá Bella, tudo bem? – Respondeu ignorando a pergunta.

–Tudo – Retruquei de má vontade recomeçando a andar.

–Por que está andando sozinha pela estrada? É perigoso – Disse caminhando ao meu lado.

–Todos sabem que sou filha do comandante Charlie Müller. Ninguém ousaria me tocar.

James gargalhou jogando a cabeça para trás.

–Ah, Bella. Sempre tão segura de si.

Como viu que eu não voltaria a lhe dirigir a palavra, resolveu ele mesmo falar.

–Respondendo sua pergunta anterior, vim a chamado de seu pai. Ele solicitou minha transferência.

Aquilo era estranho. Meu pai tinha mesmo um apreço por James, mas tirá-lo da Alemanha e trazê-lo à Polônia era um exagero.

–Ah...

–Espero que esse seus olhos arregalados sejam de espantosa felicidade.

–Você não imagina o quanto... – Murmurei irônica e aproveitando a presença indesejável de James, mas que podia ser tornar tanto mais suportável, perguntei – Você tem alguma noticia de Rose? A viu antes de vir para a Polônia?

–Eu sabia que ia me perguntar isso – Ele riu – Por isso fiz questão de procurá-la antes de viajar... Ela te mandou uma carta.

Parei de andar abruptamente.

–Onde está?

–Calminha ai – Ele disse se aproximando de mim, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.

Dei um tapa em sua mão e o encarei com raiva.

–Quando eu disse que por ser filha de Charlie Müller ninguém toca em mim, você também está incluído.

–Tudo bem – Ele ergueu as mãos – Não tocarei... Ainda.

–Me dê logo a carta, James – Pedi sem paciência.

–Certo – Colocou a mão no bolso do casaco, tirou um envelope e me entregou.

Voltei a andar depressa segurando a carta junto ao peito.

–Não vai nem agradecer sua mal educada – Ele gritou atrás de mim – Tudo bem, eu adoro esse seu jeito de gata selvagem. Nos vemos no jantar.


Era só o que me faltava ter que suportá-lo na hora da refeição, o que Charlie pretendia, afinal? O aparecimento de James poderia ser o suficiente para estragar completamente o meu dia, entretanto a felicidade de encontrar o judeu e receber uma carta da minha melhor amiga impedia que isso acontecesse.

Quando cheguei em casa meus pais não estavam. Encontrei apenas Oliver e Natalie estudando na sala, dei um beijo em meu irmão caçula, ignorei o azedume costumeiro de minha irmã do meio e corri para o quarto, louca para ler o que Rose escrevera.

Sentei-me na cama e rasguei o envelope tirando a carta lá de dentro. Ao ver a letra bem feita de Rosalie, meus olhos se encheram de lágrimas... Como eu sentia saudade.


“Querida Bella, como você está? Estou sentindo tanto a sua falta, você nem imagina! Os dias estão sendo muito chatos sem você! É simplesmente horrivel não ter com quem conversar ou contar meus segredos. Maldita hora em que seu pai recebeu o comando desse lugar... Queria poder trazê-la de volta para a Alemanha. Desculpe ter demorado responder suas cartas, minha mãe me colocou de castigo, mandei essa escondida quando James veio me visitar, alias achei muito esquisito ele me procurar, mas é claro que foi apenas por sua causa, mas eu não deixaria de tirar proveito, certo? Esse cara é doido por você, mas pelo que percebo não é o tipo certo de paixão... O jeito como ele falou de você me deixou com medo, tome cuidado com ele. Agora vou explicar o motivo de meu castigo. Finalmente tomei coragem e conversei com Tyler e adivinha? Ele disse que também gosta de mim! Não sei porque não fiz isso antes! Nós marcamos de nos encontrar, no começo apenas para conversar, mas acabamos nos beijando e de repente tudo esquentou e aconteceu... Acabei passando a noite fora e na manhã seguinte minha mãe estava uma fera comigo. Como ela sabia que cortar minha comunicação com você seria terrivel para mim, ela decidiu que era o castigo perfeito. Não posso responder suas cartas por enquanto, mas pode continuar me enviando, adoro ter noticias suas.

Beijos Bella, eu amo você.

Rose.”


Meus olhos estavam embaçados pelas lágrimas acumuladas quando terminei de ler. A saudade que eu sentia de Rose era massacrante. Abracei a carta e sorri. Estava imensamente feliz por ela e Tyler. Mesmo tendo o desgosto de saber por uma carta que minha melhor amiga havia perdido a virgindade.

Aproveitei que ainda era cedo e após tomar banho resolvi dormir um pouco. Se James fosse mesmo jantar conosco eu precisaria de todas as minhas energias para me esquivar de suas vãs tentativas de me conquistar. Acabei sonhando com o judeu e quando acordei – assustada com minha mãe que me balançava – Tive de reunir toda a força de vontade que tinha para abrir os olhos e me sentar na cama. Bocejei longamente e pisquei algumas vezes antes de encará-la.

–Que horas são? – Perguntei ainda grogue.

–Tarde – Ela disse simplesmente, parecia estar de mau humor – Preciso de sua ajuda com o jantar.

–Trabalhei o dia inteiro, mãe. Natalie não poderia ajudar? E a Miriam?

Reneé suspirou esfregando as têmporas.

–Minha cota de paciência com sua irmã já se esgotou. Não sei mais o que faço com aquela garota, parece uma versão jovem e feminina de seu pai.

Sorri e assenti. Se brincar, Natalie tinha um gênio pior que o comandante Charlie Müller, além de ser a sua preferida.

–E Miriam hoje está se sentindo muito mal para cozinhar – Completou – Temo que ela vomite na comida.

–Tudo bem – Bocejei mais uma vez e me levantei – Vou ajudá-la.

–Ótimo – Minha mãe sorriu parecendo mais aliviada – Que bom que tenho você.

Quando saimos do quarto escuro e fomos para a cozinha pude enxergá-la com clareze e constatei que tinha algo errado com Reneé. Eu já havia visto minha mãe irritada, mas nunca triste. Pelo menos não daquele jeito. Havia uma melancolia tão profunda em seu rosto que me deixou incomodada.

–Aconteceu alguma coisa, mãe? – Perguntei me sentando à mesa para cortar alguns legumes e fazer uma salada.

–Não – Ela respondeu sem me olhar, mexendo nas panelas que já estavam no fogo.

–A senhora parece triste – Insisti.

Para minha surpresa minha mãe – Bastante conhecida por seu temperamento pacífico – Bateu com força a tampa na panela e me olhou com raiva.

–Eu já disse que não é nada, Isabella! – Gritou.

Meu susto fora tão grande que até perdi as palavras. Tudo que eu conseguia fazer era encará-la perplexa.

–Me desculpe – Ela disse se recuperando, esfregando as têmporas e suspirando – Estou apenas nervosa... Coisas de mulher, você sabe como é.

–S-Sim, eu sei – Respondi ainda horrorizada. Eu sabia que havia sim algo errado, mas resolvi deixar de lado. Se o assunto a perturbava tanto a ponto de gritar comigo, era melhor não insistir. O melhor que eu podia fazer era voltar minha atenção à salada que eu preparava.

Reneé e eu terminamos o jantar em silêncio. Ela parecia perdida em seus pensamentos enquanto eu tinha os meus próprios para pensar. O rosto do judeu não me saia da mente e eu contava as horas para o dia seguinte, na esperança de vê-lo novamente.

Para minha infelicidade James realmente aparecera no jantar. Ele chegara com Charlie justamente na hora em que minha mãe e eu terminávamos de organizar a mesa na sala de jantar. Ainda estavam fardados.

–Boa noite senhora Müller, senhorita Isabella – Ele nos cumprimentou numa formalidade bastante ensaiada, nada parecida com o que me tratara mais cedo.

–Boa noite – Reneé respondeu-lhe com um fraco sorriso.

Charlie pigarreou quando percebeu que eu não iria responder. Suspirei e sorri falsamente.

–Boa noite, James.

–Bom, já que chegaram podemos começar a jantar.

–Onde estão Natalie e Oliver? – Charlie perguntou e como se tivessem previsto o dois entraram na sala do jantar. Natalie abriu um sorriso enorme ao vê-los. Meu irmão caçula – que odiava soldados – Se agarrou a mim.

–Olá, boa noite – Natalie disse toda educada, nada típico dela – Seja bem vindo à nossa casa.

–Obrigado – James agradeceu lhe dando um sorriso.

–Como você está, querida? Conseguiu fazer a sua tarefa? – Charlie perguntou à Natalie enquanto nos sentávamos à mesa e Miriam – que parecia mesmo doente- nos servia.

–Sim – Ela respondeu parecendo constrangida. – Está tudo pronto.

–Que ótimo. Aprecio esse seu interesse pelos estudos. Terá um futuro brilhante no curso de direito.

–Ah – James disse arqueando uma sobrancelha – Pretende ser advogada? Que ótima escolha.

–Pretendo – Respondeu toda orgulhosa de si – Foi a profissão que papai escolheu para mim.

Revirei os olhos sentindo meu estômago embrulhar diante de tanta pieguice.

–E o que ele vai escolher depois disso? – Perguntei espetando com um garfo um pedaço de cenoura em meu prato — Seu marido? Parece até que estamos no século XIII.

–Isabella! – Reneé ralhou me repreendendo com o olhar. Bufei e comi minha cenoura.

–Deixa mamãe –Natálie retrucou com a cara emburrada – Não me importo com as coisas que ela diz. A única opinião que me importa nessa casa é a do meu pai.

Pequena e irritante bajuladora. Revirei os olhos novamente me concentrando apenas em meu prato enquanto o restante dos ocupantes da mesa seguiam numa conversa banal. Apesar de não vê-los eu podia sentir os olhos de James em mim e aquilo já estava me irritando, mas não quis ser mal educada e mandá-lo para o quinto dos infernos na frente de Charlie. Agora mais do que nunca eu queria preservar meu emprego e só conseguiria isso se não o desafiasse mais.

–Acho muita gentileza de sua parte se voluntariar para trabalhar no campo de concentração, Bella – James comentou tentando puxar conversa comigo.

Desviei meus olhos do prato e o encarei.

–Sério? Pensei que com o tipo de trabalho que vocês fazem não reconhecessem gestos altruístas. Então vocês sabem o que é gentileza?

–Basta! – Charlie disse com a voz fria e autoritária- Isabella, você está passando dos limites como sempre. Já não basta ignorar sua familia durante o jantar inteiro?

–Desculpe, não vai acontecer de novo – Afirmei e ele assentiu voltando a conversar com James que vez ou outra me olhava de um jeito muito estranho, estranho até mesmo para ele.

O restante do jantar fora enfadonho. Charlie, James e até mesmo Natalie embarcaram numa conversa nada interessante sobre a guerra. Minha mãe e eu permanecemos caladas. A única diferença é que eu me ocupava da comida deliciosa, enquanto ela mal havia tocado na dela. Afinal, o que estava acontecendo?

Quando o jantar terminou pedi licença a todos dispensando a sobremesa e rumei em direção ao meu quarto. Somente na proteção das quatro paredes de meu único refúgio foi que me senti um pouco menos tensa. Pedi a Deus que aquelas visitas de James não se tornassem frequentes, pois caso contrário eu iria comer na cozinha com Miriam. Após fazer minha higiene bucal e vestir minha camisola me deitei na cama e fechei os olhos obrigando minha mente a sucumbir ao sono, pois não via a hora de voltar a Auschwitz e rever o Edward... O judeu.

Na manhã seguinte acordei mais cedo do que de costume. Após minha higiene matinal troquei de roupa, tive uma ideia maluca, catei tudo que precisava para colocá-lo em prática e saí às pressas para ir ao campo. Encontrei o motorista já a minha espera, dessa vez aceitei ir com ele, pois estava louca para chegar logo. Durante o trajeto fiquei sorrindo comigo mesma, pensando na dualidade dos meus sentimentos, eu odiava Auschwitz, se não fosse minha vontade de ajudar os judeus nem pisaria lá... Muitas vezes ao longo dos dias eu ia até lá quase arrastada, mas então de repente do dia para a noite eu passara a ansiar por minha ida.

Eu tentava encontrar dentro da minha cabeça uma explicação lógica para sentir tanto afeto por aquele homem que não fizera nada além de me carregar nos braços quando estive debilitada. É certo que eu lhe devia agradecimentos, mas não parecia ser só isso. Desde que olhei nos olhos dele senti uma coisa estranha... Era como se tivessemos uma ligação. Sorrindo largamente respirei fundo, sentindo meu coração bater mais rápido quando chegamos ao campo de concentração.

...



O tempo passava e eu não via sinal do judeu. Já estava entardecendo e ele ainda não havia aparecido, comecei a temer o pior. Principalmente quando olhei pela janela e vi a fumaça preta saindo das chaminés dos fornos. Só de pensar na possibilidade de ele estar morto meu ventre se contraia de agonia. Até mesmo Anitara notara minha inquietação.

–O que foi, Bella? Você está agitada. Nossa enfermaria já é pequena e você andando de um lado para o outro desse jeito a faz parecer menor.

–Desculpe – Falei parando de caminha e me sentando numa cadeira – Estou com problemas em casa – Menti. Ela me deu um sorriso confortador.

–Entendo perfeitamente. Vou ter que ir embora mais cedo hoje de novo, não se importa não é?

–Não. Pode ir, eu cuido dos pacientes que vierem.

–Você está ficando boa nisso, seu talento nato para a medicina é impressionante – Ela se levantou da cadeira em que estava, pegou a bolsa e me olhou – Já pensou em ser médica sem fronteira? Se estudasse mais a medicina e mesclasse a esse seu instinto humanitário poderia ajudar muitas pessoas ao redor do mundo.

–Esse é meu maior sonho.

–Então corra atrás dele – Ela piscou para mim e rumou para fora da nossa pequena e modesta enfermaria – Até amanhã.

–Até amanhã, Anita.

Suspirei desanimada ao ficar sozinha. Comecei a pensar no que Anita falara e imaginei como seria se se tornasse realidade. Eu amava curar as feridas dos judeus machucados, adorava aliviar suas dores, ficava maravilhada com seus olhares de agradecimento. Não existe preço para o sentimento de ajudar as pessoas que precisam. Sorri contente ao perceber que, de certa forma, eu estava numa causa humanitária.



Como não apareceram pacientes ao longo do dia resolvi reler um pouco meu livro de poesias. Enquanto lia aquelas belas palavras lembrei-me de meu poeta anônimo e um sentimento esquisito me abateu. Eu sentia como se o tivesse traído, porque ao pensar nele meu coração não batia mais tão acelerado, como quando eu pensava em Edward, o judeu. Parecia bobagem, mas eu realmente tinha um encantamento sobrenatural pelo homem que escrevera aquele poema, ele tinha não só o meu respeito e admiração como também meu afeto e encantamento. Entretanto depois de estar – mesmo que numa situação muito indelicada – nos braços de Edward, depois de ouvir sua voz sussurrada, olhar em seus olhos verdes e limpidos, me contagiar com seu belo sorriso, o meu poeta havia perdido seu lugar no pódio. Eu queria tanto rever o judeu que devo ter transferido esse desejo para ele, pois ele aparecera em meu consultório algumas horas antes de eu fechá-lo.

–Olá – Ele disse com metade do corpo para dentro – O guarda não está aqui na porta então eu...

–Entre – Falei rapidamente interrompendo-o. Ele sorriu e entrou – Tudo bem com você? Falei olhando-o de baixo a cima. Se machucou de novo?

–Não. Eu apenas... Apenas fiquei de olho aqui o dia todo – Ele passou a mão na cabeça, onde um dia esteve seus cabelos... Comecei a divagar sobre como seria o cabelo dele, seria liso? Ondulado? Macio? Negros, ou castanhos? – Eu estava trabalhando ali do outro lado... Fiquei observando quem entrava e quem saia, então o guarda se afastou e eu me aproveitei.

Se fosse outro qualquer eu teria gritado por socorro achando que era algum maluco tarado, mas Edward dizia aquilo de uma forma que me passava uma segurança que jamais senti antes. Ouvi-lo dizer que esperou o dia todo por uma oportunidade para me ver não me deixava com medo, mas sim animada.

–E por que queria me ver? – Perguntei mordendo o lábio, sentindo meu coração bater desenfreado diante de seus olhos tão lindos.

–Não consigo parar de pensar em você nem um segundo... Desde que a vi pela primeira vez – Ele riu – Parece loucura, mas eu me encantei por você desde o momento em que se colocou entre aquele garotinho e o soldado.

–Era uma criança, eu não deixaria ninguém fazer mal a ele.

–Isso me surpreendeu muito, principalmente quando soube que você é filha do comandante deste lugar. Quando eles te bateram... Nossa, minha vontade era de massacrá-los com minhas próprias mãos, aqueles covardes! Só não fiz isso porque meu tio me segurou.

–Se tivesse feito isso teria morrido – Só de dizer aquilo senti um arrepio me subindo pela espinha.

–Pois é – Ele suspirou – Meu tio me disse isso.

–Ainda bem que você o ouviu – Sorri – Me lembre de agradecê-lo depois.

Edward trincou o maxilar e apertou as mãos em punhos. Encarou o chão e voltou a suspirar.

–Meu tio morreu ainda naquele dia.

–Oh meu Deus, sinto muito... Mas, por que?

Ele deu de ombros.

–Eles matam todos os idosos e crianças. Disseram que iam dar banho neles, mas eu nunca mais voltei a vê-lo e depois soube que desse chuveiro só sai gás.

Instintivamente dei um passo na direção dele. A expressão sofrida em seu rosto me partia o coração, eu queria abraçá-lo e confortá-lo, mas resolvi continuar onde estava.

–Realmente sinto muito.

–Tudo bem. Não foi culpa sua.

–Mas meu pai...

–Você não é seu pai e como eu disse depois daquele dia que você se colocou na frente daquele menino eu...

–Você...?

–Eu passei a admirá-la.

–Ah... – Murmurei decepcionada, o que eu esperava? Uma declaração de amor? Nós mal nos conhecíamos.

Um silencio constangedor começou a surgir foi então que me lembrei do meu plano. Eu estava apreensiva em relação àquilo, mas não custava nada tentar. Pigarreei e respirei fundo antes de criar coragem para começar a falar.

–Bom... Edward, eu... Eu queria te perguntar algo.

–Pode perguntar.

–Há quanto tempo você não toma banho?

Ele me olhou chocado e disfarçadamente se cheirou.

–Estou fedendo tanto assim?

–Não – Sorri balançando a cabeça – Não é isso... É que eu... Eu pensei que se... Se você quisesse tomar um banho, escovar os dentes e fazer toda a higiene pessoal que uma pessoa precisa eu... Eu poderia ajudar...

–Está me oferecendo uma limpeza geral? – Ele disse sorrindo cruzando os braços.

–Se você desejar, é claro – Falei mordendo o lábio e encarando o chão, totalmente constrangida.

–Não há nada no mundo que eu gostaria mais.

Olhei para ele e ao contrário do que pensei nao vi ultraje nem constrangimento. Havia apenas surpresa e gratidão. Respirei aliviada.

Mostrei a Edward o pequeno banheiro que havia na enfermaria. Entreguei a ele uma toalha, o sabonete, o creme dental, uma escova de dentes e uma roupa de prisioneiro limpa que eu havia pegado escondida no depósito assim que cheguei ao campo. Enquanto ele se banhava fiquei o tempo todo na porta vigiando-a e pedindo aos céus que ninguém aparecesse. Felizmente minhas preces foram ouvidas e quando Edward saiu do banho devidamete limpo com um sorriso enorme no rosto me senti a pessoa mais realizada do mundo.

–Isso foi demais – Ele disse – Muito obrigado... Nem sei como agradecer, senti tanta falta disso.

–Não precisa agradecer. Eu realmente fico feliz por ter ajudado.



Tomando coragem me aproximei dele devagar, sentindo meu coração pular com a possibilidade de tocá-lo, nem que fosse por simples um aperto de mão. Edward também parecia tenso. Quando estava bem próxima a ele estendi minha mão e ele lentamente estendeu a dele. Quando apertamos senti como se um choque elétrico percorresse meu corpo. Minha respiração se acelerou imediatamente, principalmente quando olhei nos olhos dele e me perdi naquele mar verde. Ficamos nos olhando por um longo minuto, como se sem palavras dissemos um para o outro tudo que estávamos sentindo no momento. Não sei quem deu o passo que faltava primeiro, só sei que em poucos segundos eu estava nos braços dele. Edward me segurava pela cintura enquanto continuava a prender meus olhos com os seus, lentamente ele foi se abaixando, tombando a cabeça de lado e aproximando o rosto do meu. O cheiro de sabonete recém usado foi a primeira coisa que senti vindo dele, em seguida foi seu hálito morno. Fechei os olhos e engoli em seco com aquela espera lascinante e então quando os lábios dele tocaram os meus bem de leve senti meu corpo inteiro estremecer. Entretanto nosso beijo não passou disso, um leve tocar de lábios pois assim que nossas bocas se encostaram ele se afastou de mim, soltando minha cintura e dando alguns passos para trás colocando um espaço entre nós.

–Desculpe-me por isso – Ele disse – Você é boa comigo... Me ajuda e eu faço isso... Realmente sinto muito.

Eu ainda estava em transe pelo nosso quase beijo glorioso, por isso não respondi nada. Fiquei apenas parada encarando-o e sentindo meu coração sair do peito.

Edward pigarreou e desviou os olhos do meu, olhando para a maca onde eu estava sentada quando ele chegou.

–Você gosta de poesia – Perguntou apontando o livro pousado sobre ela.

–S-Sim – Respondi assentindo e recuperando os sentidos – Eu amo poesia.

–Eu também, posso? – Perguntou gesticulando para o livro.

–Sim, claro.

Ele pegou o livro e folheou algumas páginas.

– Mulher Silenciosa – Ele disse sorrindo – É um dos meu favoritos.

–Dos meus também.

–É bastante ousadia carregar um dos proibidos consigo sendo filha de um comandante nazista.

–É o meu tesouro – Sorri.

–Tenho saudades de escrever as minhas.

–Você faz poesia?

–Sim... Já fiz algumas.

–Será que... – Perguntei receosa – Em troca pelo banho, poderia me recitar alguma das suas criações?

Ele passou a mão pelo maxilar.

–Não sei...

–Por favor...

–Tudo bem... Esse será o nosso segredo. Vou te recitar a minha mais famosa.

–Certo – Afirmei animada – Sou toda ouvidos.

Edward respirou fundo e me olhou nos olhos.

– Acordei e os dias são cinza, nublado segue meu coração. Olho ao redor a grande mancha vermelha, está impressa em mim, marcada feito brasa...

Tapei a boca devido ao susto. Conforme Edward ia recitando o poema eu ia perdendo o fôlego, minhas pernas ficando molengas. Ele não chegou a terminar de recitar, pois o soldado – que era meu motorista – chegou batendo na porta me dizendo que já era hora de irmos. Edward parou de falar imediatamente, me agradeceu ao passar por mim, saindo da enfermaria às pressas. Não tive voz para chamá-lo de volta, tampouco forças para ir atrás dele. Nem sequer sua voz eu havia escutado com clareza, tudo que eu conseguia pensar naquele momento era em minha recente descoberta: Edward além de ser o judeu – meu judeu – Era também o meu poeta... E o meu poeta havia me beijado.

Notas finais
O que acharam? Me contem. Beijos até o próximo.

Ps: Não estranhe Rosalie e Tyler... Tenham paciencia rsrs