Um homem misterioso aproximou-se do território dos Gorma. Observou as esferas flutuantes no céu. Vestia um terno preto, botas e capa e segurava um buquê de flores. Caminhou em direção ao Palácio.

Os Gorma conversavam no hall, e podia-se ouvir apenas um burburinho. O rapaz entrou naquele ambiente com um olhar altivo e desafiador, surpreendendo-os. Os membros do Triunvirato levantaram-se de suas cadeiras. Shadam aproximou-se dele e o encarou.

“Não recebemos estranhos aqui tão fácil. Melhor se apresentar e dizer a que veio”, sorriu, com desprezo.

O homem lançou-lhe lasers, que o derrubaram. Gara e Zydos vieram em seu auxílio e o ajudaram a levantar-se.

“O que você pensa que está fazendo?” Shadam gritou, furioso.

“Cala a boca, Shadam!” Tenpou gritou. “Diga: quem é você?”

“Meu nome é Kaito, e eu venho de uma tribo desconhecida, mas poderosa, chamada Ryuma. Eles me enviaram pra propor uma união entre as tribos.”

“E como vamos saber se você é confiável?” Gara respondeu-lhe.

“É por isso que eu te trouxe essas flores.” Ele mostrou o buquê. “Essa aliança deve ser feita por meio de um casamento. E seria um prazer te propor isso, senhorita.”

“Espera.” Shadam interrompeu-o e colocou-se à frente de Gara. “Não estou muito confiante. Por que um casamento?”

“São regras dos Ryuma. Precisamos de um rei e de uma rainha para selar essa aliança. Eu fui escolhido pelo imperador, que já tem idade avançada. Ele precisa de um sucessor.”

“E por que a gente se uniria a vocês?” Zydos perguntou.

“Para sermos as tribos mais poderosas e conquistarmos a Terra. Não é óbvio?”

Shadam pensou por alguns segundos. Aceitou, relutantemente.

“Certo. Pode escolher quem quiser, menos Gara. Ela não é pra você.”

Ela olhou para ele, perplexa.

“Desculpe, senhor, mas eu posso muito bem escolher minha esposa.”

“Ok, mas essa é nossa regra, você não pode escolhê-la–”

Gara agarrou-o pelo braço e virou-o para si. “Shadam!”, ela disse em voz baixa, “para de ser teimoso!”.

Ele olhou para ela e depois para Kaito, com desprezo. “Conversamos depois.” Saiu do hall. Os Gorma olharam-se, confusos.

Shadam isolou-se numa sala e repousou em uma cadeira. Parecia sério e talvez temesse o que os outros pensariam. Gara entrou naquele cômodo.

“O que você pensa que está fazendo? Estamos quase fazendo um acordo, e você–”

Ele levantou-se da cadeira e respondeu. “Por que ele te escolheu?”

“Será que é porque ele quis?”

“Deve ser uma armadilha.”

“Você não me engana…” Aproximou-se dele e o encarou. “Está com…”

“O quê?” Ele perguntou, nervoso.

“...ciúmes… Não acredito, Shadam.” Ela riu.

“Ciúmes?” Perguntou, ansioso. “O que você está pensando? Eu não estou–”

“Você parece estar com ciúmes.” Sorriu para ele.

“Não pense besteira.” Respondeu. “Somos só amigos, digo, colegas de luta. Nem–”

“Entendi. Precisa dizer mais nada.” Ela saiu da sala. Ele sentou-se novamente na cadeira, com ar de cansaço.

De volta ao hall, ouviam-se as vozes dos Gorma. Alguns perguntavam a Kaito sobre sua origem, sua tribo e outras coisas. Gara retornou ao hall, e o rapaz perguntou-lhe:

“Então, minha cara, qual é a sua decisão?”

“Eu gostaria de conhecer sua tribo primeiro.”

“Por quê? Não precisa. Tenho certeza de que eles vão confiar na minha noiva.”

“Prove que eu posso confiar em você.”

Ele ficou em silêncio por um tempo.

Shadam entrou correndo no hall. “Gara, você–”

“Vou ficar com os Gorma por um tempo”, disse Kaito.

“O quê?” O coronel exclamou.

“Ótimo”, respondeu Gara, “vou te dar uma chance. Pode começar hoje mesmo.” Ela foi para seu quarto e Shadam a seguiu.

Já no quarto:

“O que você quer comigo, Shadam?” ela perguntou, enquanto arrumava o travesseiro.

“Você não vai dormir com ele, vai?”

“Não. Mas se eu fosse, qual seria o problema?” Ela virou-se para ele.

“Você não precisa fazer isso.”

“Sério? O que você tem em mente, então? É a nossa chance de ter mais poder.”

“Vamos esquecer isso e pensar em outro plano. Você nem sabe se essa tribo é real.”

“Vamos dar-lhe uma chance e observá-lo.” Ela se aproximou dele. “Pare com os ciúmes. Achei fofo no começo, mas já está irritante agora.”

“Não estou com ciúmes. Você está entendendo errado.”

“Tá, que seja.” Ela segurou-lhe o rosto e continuou. “Esse casamento não é de verdade. Eu não estou gostando dele. Entendeu?”

Ele abaixou a cabeça. “Acho que sim.”

“Vá dormir.” Estava um pouco perturbada. Caminhou em direção à cama e deitou-se. Shadam apagou a luz e saiu do quarto dela.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.