O guarda-chuva

Certo dia, conheci um indivíduo portador de uma ilustre inteligência e perspicácia. Esta pessoa garantiu-me de que todos os humanos possuem uma vulnerabilidade — um ponto de pressão — que poderia facilmente ser manejado contra elas. Algo pelo qual elas morreriam, pretendendo proteger a qualquer preço. E que, até mesmo um sujeito como eu, lamentavelmente, não estaria poupado deste paradigma.

— Pois bem, qual seria o meu ponto de pressão? — indaguei-lhe.

O homem ajeitou os seus óculos minuciosamente e encarou-me por alguns instantes, aparentando ler as entranhas de minha mente. Por fim, disse:

— Hmm... Alguém que constantemente ocupa a sua mente, enchendo-a de preocupações. Você sente-se responsável por protegê-la, mas esta pessoa não... Oh, ela não gosta de você! Talvez — disse ele com aquele sorriso cínico maçante —, um irmãozinho drogado, infantil e irresponsável, que o enxerga, não como um aliado, mas como um arqui-inimigo. Este é o seu ponto de pressão, a sua fraqueza.

Enquanto eu recordava-me das palavras de Mr. Charles Augustus Magnussen, lá estava eu, adentrando um de meus carros, carregando junto à mim um corpo inconsciente. Segurava-o com firmeza para que não caísse abruptamente e, após dispor o meu guarda-chuva sobre um dos assentos, ajeitei-o no banco de trás do automóvel.

— Qual o endereço, Mr. Mycroft Holmes? — O motorista virou-se para trás, inquirindo-me e, neste instante, pude perceber o seu olhar interrogativo voltado ao desmorecido homem no banco de trás: pálido, gélido, sujo e exalando um odor desagradável pelo automóvel.

— 221B Baker Street — respondi.
Lanabel

Sinopse

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Escrito por
Lanabel


Classificação 16+
Livro concluído
Publicado em 1 de ago. de 2016 16:17
Atualizado em 1 de ago. de 2016 16:17
3660 palavras

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