Notas iniciais
Oiee pessoas,

Essa fanfic era para ser em comemoração ao aniversário do Ciel porém, não consegui escrevê-la a tempo.
Eu espero que vocês gostem, eu me inspirei no conto do Rei da Neve, aquele especial que veio depois do Book of Murder, tentei fazer algo perto de um conto de fadas e me inspirei também num certo mito grego, vamos ver se vocês percebem ao longo da fic. :v
Vai ser curtinha, só três capítulos.

Bem, acho que é isso.

Divirtam-se

Há muito, muito tempo atrás, havia um reino perdido, talvez nem pertencesse realmente à esse mundo.

Diferente do outros reinos que eram verdejantes e ensolarados, este era um reino frio, feito de gelo e neve, mas, ao contrário do que se pode pensar, este reino não era menos belo e encantador que os outros. Na verdade, era lindo na sua brancura imaculada e cintilante. E igualmente perigoso, pois todos sabem que o gelo é traiçoeiro, escorregadio e quebradiço.

Diziam os mais antigos que esse reino já havia sido quente e reconfortante, mas isso foi há muito tempo atrás e só os mais velhos dos mais anciãos ainda conseguiam lembrar dos dias ensolarados que um dia houveram naquele lugar.

Mesmo sendo frio, e tendo todo o clima alterado, o reino não era um lugar ruim de se viver. Era apenas frio e nada mais. E ao longo das gerações, as pessoas foram se acostumando a isso.

Como todo reino, havia um rei que o governava, Sebastian era o seu nome, porém todos o chamavam de Rei das Neves. Era um rei recluso, incomunicável, anti-social com os seus súditos que apenas viam os funcionários do palácio e o porta-voz real que aparecia esporadicamente para anunciar os decretos reais em praça pública.

O rei também não era de todo ruim, era apenas ausente e ninguém podia falar, com certeza absoluta como eram as feições dele. As mães e avós, muitas vezes, amedrontavam as crianças malcriadas dizendo que o Rei das Neves era um monstro horroroso que viria pegá-las por terem respondido mal ou desobedecido os mais velhos; as moças mais jovens suspiravam, imaginando um rei lindo e solitário, um coração vazio à procura de um amor. Mas na verdade, ninguém sabia qual era a aparência desse rei.

Havia nesse reino, entre os súditos do Rei das Neves, um jovem, que chamava-se Ciel, filho único de uma família bem conceituada, a família Phantomhive. Era um garoto de treze anos, feliz e amoroso que vivia numa mansão ampla e confortável, ricamente decorada e sempre aquecida por conta das lareiras permanentemente acesas. Sua única tristeza era o fato de ser órfão. Seus pais haviam morrido num incêndio alguns anos antes, vítimas de um acidente infelizmente comum num lugar onde todas as casas tinham inúmeras lareiras acesas permanentemente. Era um jovem solitário tendo como companhia esporádica, sua amiga Elizabeth. Apesar disso, Ciel crescia sendo cuidado com zelo pelos criados amorosos da mansão.

É aí que começa a nossa história.

Era quase noite, Ciel estava deitado de bruços sobre o tapete fofo de pele de carneiro, a lareira permanecia acesa, lançando sua luminosidade alaranjada sobre o livro que o garoto lia com tanto interesse. Esse era o hobbie favorito dele, Ciel era capaz de passar o dia inteiro lendo seus livros de mistérios, suspense e aventura. Estava tão absorto na leitura que não percebeu de pronto quando as labaredas da lareira bruxulearam e adquiriram momentaneamente a cor negra para, no segundo seguinte, voltarem ao seu alaranjado normal.

Ciel seguia lendo, por vezes balançava displicente os pés no ar enquanto virava as páginas amarelada já lidas.

Ergueu a cabeça em determinado momento, apurando os ouvidos acreditando ter ouvido algo, segundos depois novo ruído. Ciel agora tinha certeza, era um miado fraco que mal dava para se ouvir em meio à tempestade de neve que varria o reino. Levantou-se rápido, indo até a janela e passando a mão sobre o vidro embaçado pela diferença de temperatura entre o ambiente interno e externo. Nada se via lá fora, apenas a neve sendo lançada em redemoinhos pela força do vento cortante.

“Ele vai congelar!” — pensou preocupado, ouvindo ainda o miado fraco e insistente como se fosse um pedido desesperado por ajuda. Ciel não perdeu tempo, pegou o seu manto de lã grossa que repousava sobre uma poltrona, prendeu-o no pescoço e puxou o capuz com orla de pele de coelho enquanto saía rapidamente da biblioteca e ia em direção à porta de entrada.

Os criados tentaram impedi-lo, dizendo que fatalmente um garoto pequeno como ele, iria morrer naquele frio, mas Ciel não deu ouvidos, contornou cada empregado que tentou se pôr no seu caminho e foi até a porta, colocando as luvas de pele. Não adiantou nem mesmo os rogos da governanta que praticamente havia assumido as funções de mãe tentando dissuadi-lo da ideia louca de procurar um gato que provavelmente já estaria congelado quando e se o encontrasse. Porém, a possibilidade deixar uma vida se perder no frio congelante era algo inaceitável para um coração puro e bondoso como o do garoto de grandes e brilhantes olhos azuis.

_Eu tenho que achá-lo. Ele está pedindo ajuda, a senhora não percebe? — falou, destrancando a porta.

Não, a criada não percebia. Nem ela e nem nenhum outro empregado da casa, apenas pelo fato que eles não conseguiam ouvir os miados do felino. Parecia até que o gato miava apenas e unicamente para o garoto que abriu a porta, decidido.

Houve um momento em que o vento empurrou a neve para dentro do hall de entrada da mansão, mas logo Ciel deu passos firmes porta à fora e ganhou a imensidão branca e gelada. Caminhou com passos vacilantes na neve fofa, protegendo com a mão a neve que era soprada no seu rosto. Mesmo bem agasalhado, sentia o frio entrar entre as tramas do tecido, se infiltrando em cada fresta para finalmente atingir a pele quente do garoto, roubando migalhas do seu calor.

Procurou por toda parte ao redor da casa, se afastando da residência sem perceber, absorto que estava nos miados, aproveitando o tempo entre as lufadas de vento para tentar identificar a direção que vinha o barulho.

Foi se aproximando do bosque de pinheiros, estes com as copas cobertas por uma grossa camada de neve, dando um aspecto pesado à elas e diminuindo ainda mais a claridade dentro do bosque. Ciel tinha quase certeza que havia ouvido o miado vindo dali. Se embrenhou entre as árvores de casca escura, entrando na parte sombreada onde quase não passava luz, ouviu novo miado, virou-se para o lado e viu um montinho negro se destacando na neve cinza do local escuro. Caminhou até lá com maior facilidade já que a maior parte da neve ficava presa na copa das árvore, o frio ali já não era tão cortante assim pois pelo menos, os pinheiros serviam para aparar o vento que açoitava tudo fora.

Aproximou-se devagar, o montinho negro mexeu-se, virando o focinho para o rapaz, a pelagem longa e negra pontilhada pelos flocos de neve chacoalhou-se e Ciel pôde ver o grande gato virar seus olhos castanho avermelhados para ele e miar mais uma vez. Ciel se aproximou do gato que tentou andar, mas não chegou a sair do lugar, estendeu os dedos e acariciou de leve entre as orelhas do felino que se moveram um pouco. O gato ronronou e andou até o garoto, esfregando-se na mão que o acariciava. O garoto sorriu e pegou o gato no colo.

_Está perdido? Vamos, vou te levar para casa antes que congele — falou abraçando o felino, envolvendo o animal no casaco, pouco se importando se a neve do pelo iria molhá-lo.

Ninguém viu quando os olhos do gato brilharam fugazes para logo depois voltarem à cor normal.

Ciel saiu do bosque, enfrentando novamente os ventos e a neve que o empurravam para trás, deu um impulso e correu para dentro de casa, um dos criados fechou a porta rapidamente enquanto Ciel pedia que trouxessem uma toalha seca para enxugar o gato que tremia, subiu até o quarto, agradavelmente aquecido e sentou-se no chão, em frente à lareira, só então soltou o gato no chão. Este olhou para tudo, com a curiosidade natural da espécie, sentou de frente ao garoto, olhando-o. Ciel sorriu e pegou a toalha que era estendida para ele por uma das criadas.

_Vou te secar, então você ficará aquecido e depois irei procurar algo para você comer. Está com fome? — falou com o animal, que prestava atenção no garoto que o secava delicadamente, como se estivesse realmente entendendo o que o humano dizia.

Ciel conversava com o animal enquanto secava o pelo sedoso, por vezes parava o trabalho e acariciava o pelo ainda úmido que ia secando rápido por conta do calorzinho de perto da lareira, e o gato ficava lá, paradinho, recebendo a atenção e o carinho que seu novo dono se dispunha a dar somente para ele.

_Ah! O que é isto? — perguntou ao encontrar uma corrente em torno do pescoço do gato, era prateada e tinha um pingente em forma de floco de neve feito de espelho. Ciel poliu a peça, ciente de que aquilo não era algo sem valor, era uma verdadeira jóia. O espelho refletiu o brilho azulado e amedrontado dos olhos do menino.

Aquilo era sinal de que o gato tinha um dono, e o coração afetuoso do garoto se apertou em angústia, pois já havia se apegado ao animal e não queria vê-lo partir. Tomou a decisão de que manteria o gato sempre dentro do seu quarto.

E foi exatamente assim que fez. O gato, que ele passou a chamar de Dunkel, dormia com ele na mesma cama, enrodilhado no pescoço do garoto, e o acompanhava em todos os lugares, sempre nos seus pés e quando Ciel se sentava, Dunkel rapidamente pulava no seu colo, se transformando numa bola de pêlos ronronante. E ai de quem tentasse afastá-lo do seu humano, o gato sempre tão calmo e elegante nos seus movimentos, se transformava num pequeno monstrinho enfurecido. Não foram poucas as vezes que os empregados saíram com as mãos e rostos arranhados pelas garras afiadíssimas do felino.

Ciel cada vez mais se apegava ao bicho, ele se tornara seu fiel companheiro e confidente, passando as tardes enrodilhados no sofá da biblioteca ou na cama.

Por vezes, Ciel ficava admirando o pingente no pescoço de Dunkel, quase hipnotizado pelo brilho gélido e prismático do espelho que não se parecia com nenhum outro que ele já houvesse visto. Ficava sempre tão absorto que não percebia o brilho dos olhos do felino presos nos dele.

_Você é o meu único amigo, Dunkel. Não quero que nos separemos jamais — falou certa vez para o gato. Já haviam se passado alguns meses desde aquela tarde gelada. Não era a primeira vez que ele dizia isso ao animal. E mesmo que Ciel fosse uma pessoa feliz, ele sentia que sua felicidade era mais completa ao lado de Dunkel. O gato ronronou e esfregou a cabeça no pescoço do seu humano.

“Mas um dia iremos nos separar” — Ciel ouviu como se fosse na sua mente, olhou para os lados, sem saber de onde vinha o som. Quem afinal teria falado aquilo, já que estavam somente o gato e ele no quarto? Olhou em torno de tudo e é claro que não encontrou ninguém além deles, voltou os olhos para o gato que miou.

“Sim, sou eu mesmo” — novamente a voz se fez presente e Ciel virou os olhos para o gato que o olhava com uma expressão travessa.

_Você fala! — exclamou sorrindo e abraçou o gato, para logo em seguida olhá-lo tristemente.

_Mas o que quer dizer com nos separarmos? Você vai embora? Não gosta daqui? — perguntou com a preocupação transparecendo na voz.

“Algum dia esse momento chegará, mas não hoje” — Ciel ouviu a resposta na cabeça e então o gato se calou, voltando a ser um gato normal novamente.

Na verdade, tudo o que Dunkel, que na verdade nem se chamava Dunkel, não era: era ser um gato normal. Afinal qual gato sobrevive àquela nevasca? Qual gato carrega uma jóia no pescoço? Qual gato sempre busca os lugares mais frios da casa para se deitar? E principalmente, qual gato consegue falar a língua dos humanos?

Porém, Ciel nunca havia parado para pensar à fundo sobre isso. Para ele, bastava que tivesse seu gato para lhe fazer companhia durante o dia, e para dormir abraçado à noite.

Nos meses seguintes, todas as vezes em que Ciel comentava sobre o fato de não querer se distanciar do gato preto, Dunkel dizia a mesma coisa: que um dia eles iriam se separar. Ciel insistia para que o gato explicasse o porquê de falar isso mas sempre o gato voltava à sua vida felina de miados e nunca explicava.

E foi assim que o tempo passou. Pouco a pouco os empregados percebiam que o garoto mudava o comportamento, continuava alegre e amoroso com todos, mas por vezes, o encontravam agarrado ao gato nos cômodos menos aquecidos, ambos passaram a dar passeios na neve fresca com Ciel vestindo poucos agasalhos. Isso quando não surpreendiam a janela do quarto do pequeno mestre aberta durando as noites de nevasca. Sempre quando questionavam o rapaz, Ciel respondia que estava tudo bem, que já não sentia tanto frio assim, sapecava um beijo na face de quem estivesse perguntando e saía sorrindo, com o gato à tiracolo.

E então, veio o dia fatídico. Era final do inverno, o que significava que o frio ficaria menos frio porque, claro, o reino jamais era quente. Dunkel acordou Ciel com um toque da patinha no rosto. O garoto resmungou e virou-se para o lado e o gato teve que lamber-lhe a face com a língua áspera.

_Hm? — Ciel coçou os olhos, sonolento

“Hoje é o dia” — anunciou o gato, seu olhar estava mais apagado, e diria-se que estava triste.

Ciel sentou-se na cama, subitamente desperto.

_Dia do quê? — perguntou, intimamente suspeitava do que o gato falava, mas negava-se acreditar, sentiu o coração apertar-se.

“Tenho que ir embora. Adeus, Ciel.” — anunciou o gato e virou-se caminhando sobre o colchão para a borda da cama.

_Dunkel! — Ciel lançou-se para frente agarrando o corpo delgado do gato, chorando. _ Não vá, por que quer ir embora?

“Não posso ficar, é quente demais para mim” — respondeu o gato, contorcendo o corpo maleável, escapando do abraço, sem machucar o jovem.

_Mas continua frio. Aqui sempre é gelado!

“Para o seu corpo. Para o meu, é quente como o fogo. Não tente me impedir, Ciel. Adeus”

Mas Ciel não se convenceu, e no seu desespero de ver seu único amigo partir agarrou o gato antes que esse descesse da cama, apertou o corpo esguio, machucando-o sem querer. O gato retorceu-se tentando escapar sem ter que unhar o garoto, e quando mais ele deslizava para fora dos braços do menino, mais Ciel o apertava, tentando segurar o bicho junto de si. O gato miava e num último impulso pulou para fora dos braços, Ciel então, ainda tentando segurar, no último segundo agarrou o pingente de espelhado, ouviu-se um clique e um barulho de algo partindo-se e então Ciel gritou, levando a mão ao olho esquerdo.

Dunkel olhou angustiado, ainda quis voltar. Tudo havia saído errado, nunca havia sido o seu plano ferir aquele a quem amava tanto, mas o que estava feito não podia ser desfeito. Seu pingente mágico havia sido quebrado e uma farpa do material espelhado acabou fincando-se no olho do garoto.

“Virei te buscar!” — foi a única coisa que disse.

Saiu correndo dali, pulando a janela de uma altura que, se fosse um gato normal, resultaria na morte do bicho, mas ao contrário, caiu suave no chão de neve fofa e correu, logo sumindo de vista na imensidão nevada.

Os criados correram para o quarto, todos alarmados pelo grito de dor do rapaz. O médico foi chamado e a farpa foi retirada, sangrou um pouco e uma faixa de gaze foi enrolada em torno da cabeça, tampando o olho.

No dia seguinte, Ciel chorou pela partida de Dunkel, o olho mesmo, nem doía e logo ele arrancou a bandagem, criando coragem para se olhar no espelho. Acreditava que iria ver seu olho naquela brancura leitosa de um olho cego, mas o que encontrou foi um intrincado desenho na íris e, para surpresa dele, ainda funcionava. Ciel não estava cego.

Ao contrário do que seria o normal, Ciel não se alegrou com a descoberta. Não sentiu nada além da surpresa, achou que talvez estivesse cansado por chorar tanto, pensou que talvez a tristeza que tomava conta do seu coração e que o fazia pesado, era devido à partida de Dunkel.

Passou o dia triste e desanimado na cama, e a cada dia que passava, a tristeza apenas aumentava, engolfando a personalidade alegre do rapaz, transformando-o numa pessoa depressiva, apática e triste.

Nem mesmo a visita de sua amiga de infância, Elizabeth, adiantou para alegrá-lo. Nem os doces que a cozinheira preparou. Nada mais fazia o coração de Ciel bater descompassado, nada fazia ele sorrir animado nem olhar esperançoso para o futuro.

Passou o resto da semana na cama, olhando a tempestade de neve que despencava do céu continuamente.

Na quarta noite, a tempestade aumentou e Ciel suava na cama, achando o ambiente quente demais, desceu da cama apenas para apagar a lareira e voltou para cama, enrolando-se no cobertor leve, seu último pensamento foi para o gato perdido, finalmente adormecendo num sono sem sonhos.

Notas finais
Dunkel é escuro em alemão, e bem, não preciso dizer o porquê do nome né? kkkk
Irei postar o conto traduzido no final da fanfic, na minha página do face.

Quem quiser conversar comigo, podem vir, adoro conversar. ^^
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Deixa ver se eu esqueci de algo....
Acho que é só :3
Comentários são muito bem vindos

Beijos beijos e Feliz Ano Novo pra todo mundo
Que 2016 tenha muito yaoi e lemons pra gente ver ♥