O garoto do armário 118
5 Sonhos
Notas iniciais
Ah! Não creio que contarei isso a vocês. Fique apenas entre nós, sim?
Relatarei alguns sonhos, serão 5.
Contarei na ordem em que os tive, começarei com o do avião.
No primeiro ano, eu era muito ruim em Química e estava querendo alguém para me ensinar.
Adivinhem quem foi?
Odeio meu subconsciente e não sei se ele é bom nessa matéria...
Fui para o local marcado, o qual aparentava ser uma lanchonete e o garoto de cabelos e olhos negros estudando.
Aproximei-me e percebi que não havia um local para eu sentar... Pois é... Acho que entenderam...
Depois de acordar, contei o sonho à uma amiga e ela lançou a bomba:
“E o avião, levantou?”
Quis muito me enterrar.
Pois bem, vamos ao próximo sonho, antes que eu morra de vergonha aqui. Pois bem, o próximo foi no início do segundo ano e é bem curto.
Eu estava em um vácuo, o local era branco, as únicas coisas que havia de diferente eram o sofá vinho, o qual eu estava sentada, e uma escada com uma porta, ambas negras.
Olhei para a escada e o vi. Abaixei a cabeça, não queria vê-lo, não sei o porquê.
Ouvi seus passos e notei sua presença a minha frente, ele abaixou-se e olhou-me. Virei o rosto. Passaram-se alguns segundos e abraçou-me. Terminou ali.
Quando contei às meninas, elas começaram a falar “Awn! Que fofo!” ou “Você queria isso, né?!”
Ah, minhas amigas! Com elas quem precisa de inimigas?!
Os próximos foram todos este ano, no terceiro.
Vamos ao antepenúltimo:
O mundo era repleto de fantasmas, mas apenas algumas pessoas conseguiam vê-los e eu era uma delas.
Um desses bichos estava atacando a escola e eu tinha de encontrar uma arma ou, no caso, alguém que se transformasse.
Desci a escadaria correndo, vi Lisa e Alice, mas nada da aura azul.
— Vocês são inúteis! — gritei e voltei a procurar.
Corri e ouvi os gritos da criatura. Outras pessoas estavam combatendo-a.
Passei por um extenso corredor e vi alguns alunos fugindo. Localizei uma aura azul entre eles. O nome da pessoa veio-me a mente.
— Por que mundo?! Por quê?! — reclamei.
Tinha de fazê-lo ou adeus a escola que tanto amo.
— Kazuhiro Sakai! — chamei pela arma.
Vi-lo desaparecer e duas pistolas prateadas surgiram em minhas mãos.
Encontrava-me próxima de onde estava o monstro. Assim que cheguei, vi outras pessoas tentando matá-lo, juntei-me a elas e, logo, conseguimos derrotá-lo.
Kazuhiro voltou ao normal e não se lembrava do que tinha acontecido. Ótimo.
E foi isso. Bem emocionante, não?
Ainda temos dois, vamos lá.
Era dia do abraço na escola e nós estávamos abraçando o pessoal do 3ºC. Eu abraçava todos bem de leve, apenas por obrigação.
Chegou a vez de abraçá-lo. Ia fazer como os anteriores, apesar do enorme nervosismo.
Abracei-o como os outros, mas ele me segurou forte, não pude sair — nem queria —, ouvi um gritinho de Alice, que estava atrás de mim.
Senti-me bem, admito. Quem não se sentiria assim, abraçando a pessoa que você gosta?
Ao soltá-lo e por ser o último da fila, corri para a sala. Todos da sala começaram zoar, porque eles sabem da minha paixão platônica.
Queria ser um coelho para poder me esconder em um buraco! Droga...
Vamos ao último e com o tema comum dos meus sonhos: zumbis!
Encontrava-me próxima a uma praça, acontecia uma confusão. Lá dentro, havia um zumbi e muitos civis, as pessoas queriam abrir os portões para salvá-los.
As grades do portão estavam sendo forçadas. Afastei-me e corri para longe. Vi Kazuhiro dirigir-se a uma casa, segui descendo a rua. Uma espécie de holograma estava no caminho e segurou-me. Olhei-a, a pessoa não me era estranha.
— Vá por ali se quiser sobreviver!
Ela apontou para onde Sakai tinha ido.
Encarei-a apreensiva.
— Vá logo! — exclamou e eu obedeci.
Dirigi-me para lá e quando fechei o portão, escutei gritos. Apressei-me. Segui por um extenso corredor e cheguei em uma escada. Subi alguns degraus com cuidado para não cair e ouvi um barulho vindo do topo.
Assustei-me ao ver um cano de uma arma próximo ao meu rosto.
— Ah, é só você... — era Kazuhiro.
Ele virou-se e entrou na casa. Segui-o. O local era grande, entramos pela sala, pude ver um corredor com três portas e uma cozinha do outro lado.
— Pode ficar com aquele. — apontou para o último quarto. — Ficarei com o outro.
Apenas assenti e dirigi-me para lá.
Depois de um tempo, fui à cozinha e encontrei-o olhando para uma porta de vidro. Havia uma zumbi gótica presa. Ele não parecia muito confortável com a situação, olhava para a criatura de uma forma que eu não sabia descrever. Seria uma conhecida?
Ele afastou-se e eu peguei um cutelo ali próximo. Abri a porta e recuei um pouco, ela avançou em mim. Desviei e cortei-lhe a cabeça.
A cena mudou e eu estava em uma sala escura. Retirei um óculos e deixei-o em baixo de uma televisão a qual transmitia tudo o que eu via.
Tudo não se passava de um de realidade virtual. Todos estávamos jogando. Olhei ao redor, procurando-o. Nada.
Ai, eu acordei.
Só tenho sonhos malucos, não é? Esses são os únicos em que ele aparece, juro.
Espero que nunca contem isso a ele ou irei puxar o pé de vocês à noite.
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