O garoto do armário 118
7 Declaração
Notas iniciais
Cá estou eu para lhes contar o desfecho em relação a minha paixão platônica do Ensino Médio.
Pretendia entregar uma carta no último dia de aula, apesar de eu ter tido uma grande oportunidade de colocar na bolsa dele no dia anterior.
Eu quase morri quando percebi que perdi a chance, vocês não imaginam...
O envelope era fofinho, pequeno e verde. Eu escolhi.
Alice me ajudou e escreveu por fora "Leia quando estiver sozinho".
Passei o dia com vergonha! Não conseguia, sequer, pensar direito! OK, eu exagerei, mas eu ficava nervosa toda vez que pensava no assunto.
O dia passou correndo e não obtive nenhuma chance de entregar, porque nunca o via sozinho e não queria ser vista pelos amigos dele, além do mais, eu fingiria que tinham pedido para entregar a ele.
Ideia imbecil, eu sei.
Sou uma covarde, não é? Já me acostumei.
A cartinha:
“Oi, tudo bem?
Creio que você deve ter achado estranho ter recebido esta carta. Desculpe, tive de mentir falando que tinham pedido para entregá-la a você, sei que não conseguiria olhá-lo nos olhos.
Acho que já deve saber o assunto desta carta, ou, no mínimo, imagina qual seja. Meio clichê, não? Mas alguns são fofos e eu sou apaixonada por eles.
Não tardarei.
Imagino que você apenas me conheça como uma das garotas da sala ao lado, porém, eu sei da sua há muito tempo, sempre estou observando-te de longe.
Espero que não conte sobre esta carta a ninguém.
Eu comecei a gostar de você sem motivo, sem mesmo lhe conhecer. Não entendo como isso aconteceu nem como resistiu tanto tempo.
Fazer isso no último dia foi a única maneira que encontrei para contar sem sentir tanta vergonha, pois não saberia como encará-lo depois.
Espero que entenda.
Beijos, até algum dia.”
E, finalmente, o último dia de aula acabou e minha missão havia falhado.
Eu não ia desistir tão fácil! Eu tinha prometido a meus amigos e a mim que daquele dia não passaria.
Utilizei meu recurso final: internet!
Escrevi uma nova carta para ele.
Agora, por onde eu enviaria? Facebook? Snapchat? Whatsapp — mentira, eu não tinha o número dele.
Comecei a "chorar" para os meus amigos, todos me deram apoio para enviar.
Depois de quase uma hora e meia, mandei a mensagem. Minhas mãos tremiam de nervosismo e ansiosidade.
"Oi, tudo bem com você?
Eu só estou mandando esta mensagem porque meu plano fracassou e eu já esperava por isso.
Então, serei bem breve.
Durante três anos, desde que lhe vi pela primeira vez, comecei a prestar muita atenção em você, mesmo que sem querer. No inicio, era pelo fato de você ser diferente, mas, depois, meus olhos passaram a procurá-lo sem minha permissão. E disso, não sei como, pouco a pouco comecei a gostar de você. Tentei lutar muito tempo contra isso, afinal, mal falava com você, mas nunca consegui superar. Então, por meio deste texto venho finalmente contar.
Meio covarde ser pela internet, não? Desculpe, não consegui me aproximar de você em um momento oportuno, ir-lhe-ia entregar uma pequenina carta falando isso. Tive uma grande oportunidade na saída ontem (2), porém não tive coragem o suficiente. Queria muito ter-lhe entrego a carta física.
Espero que entenda.
Obrigada, até algum dia."
Sabia que não vivia em um universo de mangá shoujo, o qual mesmo sem se conhecer, os dois protagonistas se gostavam, então esperaria por alguma resposta negativa.
Adivinhem qual eu recebi?
Uma positiva?
Quem dera.
Uma negativa?
Muito menos.
Ele leu e não respondeu.
Minha amiga já tinha ficado em um vácuo e conversou comigo sobre isso, mas não achei que seria tão ruim.
Decidi não ficar com raiva dele e pensei:
“Ah, talvez ele fale comigo no dia da colação de grau...”
Passaram-se quatro semanas. Quatro! E, no final, o Kazuhiro sequer olhou na minha cara!
Arg! Que raiva! Será que a mão dele cairia ou ele ficaria mudo se falasse comigo? Se me respondesse?!
Sabe de uma coisa?
Não vale a pena.
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