O garoto da foto
4 O encontro de Marina. // Terceiro capítulo parte 1
Notas iniciais
*Diário de Marina*
Recentemente ando muito ocupada com afazeres da escola e eu comecei a trabalhar. Ou seja: não tenho tempo para fazer as minhas pesquisas no lugar abandonado. Embora eu esteja morrendo de curiosidade para saber mais do que já sei. Quer dizer, eu não sei de quase nada. Só vi fotos e tentei procurar na Internet jornais da época, mas sem sucesso. Estava pensando em ir à uma biblioteca, mas estou sem tempo, sobrecarregada. É meu emprego novo, é os trabalhos escolares e minha mãe gostaria que eu fizesse algum curso, que eu aprendesse uma nova língua. Acho que ela quer me sufocar.
Bom, como hoje é sábado resolvi ir para a biblioteca. Eu estava vendo jornais que falavam sobre aquele lugar abandonado, tirei fotos com meu celular dos jornais para em casa analisar melhor. Estava doida pra ir para a casa, as pessoas estavam me olhando estranho na biblioteca, pelo que eu li na pressa, não tinha nenhuma notícia suspeita, mas isso verei em casa.
Eu sai meio correndo e acabei esbarrando com Gustavo que acabou caindo, ele é um garoto da minha escola. Ele tem cabelos pretos, é bonitinho, olhos castanho claro, alto e inteligente. Vejo muitas garotas da minha escola comentando do quão acham ele um gato. Embora eu ache um exagero os elogios que as meninas fazem, vou ter que confessar: ele é muito bonito — além de ser um fofo e ser muito gentil.
— Sinto muito, Gustavo. Você está bem? — Perguntei, meio nervosa, como se tivesse com vergonha, pelo que dizem ser vergonha, acho que estava com isso, até corei. Blé. Não sou de emoções, já disse.
— Eu estou sim. — ele ficou me analisando — É Marina, né?
— Sim, é.
— O que faz aqui, Marina? Pensei que não gostasse de bibliotecas. Quer dizer, sinceramente não tenho muita idéia do que você gosta. Mas não te vejo muito por aqui, quer dizer, é a primeira vez que eu te vejo aqui. Então deduzo que você não gosta muito de ler.
— O que? Não, eu gosto de ler. Mas não gosto muito de bibliotecas, tem um cheiro estranho, talvez seja o cheiro de livros velhos empoeirados.
— Hum... Acho que você tem um olfato muito mais... " avançado" que o meu.
— Talvez eu sinta um cheiro estranho por sentar nos cantos, perto das prateleiras. Nesse momento a única coisa que consigo sentir é o seu perfume. As meninas estão certas: de fato, você é muito cheiroso.
Ele riu.
— Que tal sentarmos, conversar um pouco. O que acha, Marina?
— Pode ser. E pode me chamar de Mari, se quiser.
— Ok, "Marizinha" — ele fez o sinal de aspas com os dedos.
— Que apelido brega.
— Pensando bem, é mesmo. Muito brega.
— Ridículo.
— Detestável.
— Horrível.
Caímos na gargalhada.
— Acho que você é o primeiro garoto que conseguiu me fazer rir... desse jeito...
— Sou mais útil que isso. — Ele me encarou maliciosamente.
— Credo — Ri de novo — Pode ir tirando essa idéia da mente.
— UE! Não gosta?
— Do que exatamente?
— Hum... Poderíamos ficar.
— Acho que não.
— Ué, não vai me dizer que não gosta, é lésbica por acaso? Isso explicaria o fato de eu não ouvir " A Marina tá namorando " ou " A Marina está gostando do Gustavo " — Ele imitou voz de menina. Eu ri, nós dois caímos na gargalhada.
— E não, eu não sou lésbica. Ou não me descobri ainda. Não acho que eu sinta atração por ninguém, ou pelo menos, nunca percebi.
— Jura? Uma garota tão bonita...
— Está dando em cima de mim?
— Talvez, Marina, talvez...
— É difícil, quase impossível, me conquistar, já vou avisando.
— Se fazendo de difícil? Vamos ver quem vence.
— Que fofo, um garoto super mala vai querer ficar atrás de mim. Vou chamar a polícia, hein?
— Qual é! As garotas me adoram. Me adore também, estou implorando por atenção.
— Quanto drama.
Caímos novamente na gargalhada.
Ficamos bastante tempo conversando que me esqueci completamente da hora — e do lugar abandonado. Mas isso eu só lembrei quando cheguei em casa depois do jantar, fiquei pensando no Gustavo.
— Que horas são, Mari?
— 4 e... — Fiquei surpresa com o horário — Preciso ir.
— Nos poderíamos nos encontrar amanhã.
— Tipo um encontro?
— Se você quiser...
— Blé. Podemos nos encontrar, mas essa de encontro... não.
— Por que não?
— E por que eu?
— Que mesmo saber?
— Gostaria, sim.
— Porque você é linda, Marina. E não só por causa disso, eu tenho uma queda por você já faz um bom tempo.
— Bom, então. Por que não? Um encontro não pode ser ruim.
— É, não pode, nem vai ser. Te busco na sua casa?
— Pode ser. Te mando o endereço por Facebook.
— Vou cobrar.
— Ok.
— Hum... Tchau. — Ele me segurou pelo braço.
— Por que não um abraço de despedida?
— Tá bom.
Ele me abraçou e logo depois fui embora.
Foi isso diário.
Boa noite e até amanhã, com uma explicação de como foi o encontro.
Fale com o autor