Notas iniciais
Foi a primeira vez escrevendo um romance BL então me desculpem se parecer meio... Desconexo, talvez?


O rapaz loiro caminhava pelo parque de seu bairro perdido em seus próprios pensamentos. Com o frio que estava naquele dia, ele vestia um casaco e calças grossas e um cachecol laranja fluorescente escondia os traços tão bem feitos de seu rosto de modelo, expondo apenas seus olhos cor de mel tão felinamente sensuais, que faziam as garotas que passavam ao seu lado na rua tentarem chamar sua atenção. Porém, tão envolto em suas próprias ideias, ele as ignorava sem querer e continuava andando a passos tranquilos por toda a rua.
Chegou numa rua onde havia um prédio branco, de formas quadradas, onde via-se escrito Academia Teiko, ele parou. Estava no outro lado da rua e Kise encarou a construção com expressão nostálgica e um sorriso fraco que era coberto por seu cachecol fofo.
Tinha sido ali onde tudo começara.
Decidido, cruzou a rua e adentrou os portões de ferro, vendo alguns estudantes andarem rápido ao seu lado, por causa do frio que fazia e ele mesmo acelerou o passo, guardando as mãos nos bolsos, tentando aquecê-las com o calor de suas coxas. Ele ultrapassou os corredores brancos até chegar às quadras internas, onde o time de basquete da Teiko jogava animadamente. Se encostou no batente que dava acesso à quadra e observou o andar do jogo com olhos perdidos num passado não tão distante assim.
Se não fosse por ele, não teria entrado naquele mundo. Afinal, o copiadorjá tinha desistido de outros esportes. Mal começava e já superava seus competidores, imitando-os e aperfeiçoando as performances que lhe ensinavam. Não bastava muito e o gosto do desafio se extinguia, restando apenas o tédio de vencer sempre. Mas, tudo mudou quando um dia passara por aquela quadra e um jogador moreno parecia dançar em toda a área, guiando a enorme bola laranja com precisão inexplicável. E então, o sorriso de dentes absurdamente brancos se fazia contra a pele morena, fazendo Kise parar, observando-o enterrar a bola na cesta. Tudo parecia ter sido feito em câmera lenta, arrancando pouco a pouco o fôlego do loiro. Sem perceber, Kise havia entrado na quadra a passos lentos chamando atenção do moreno que desfez o sorriso e o questionou sem dizer palavra alguma.
— Me ensine. — murmurou o loiro, dando um passo a frente.
— Uh?! — a voz grave bradou e Kise umedeceu os lábios antes de tentar novamente.
— Me ensine a jogar basquete. — o moreno deu de ombros e voltou ao seu jogo. Mas, antes de fazer mais uma cesta genial, ele sorriu abertamente ao loiro e este, por sua vez, entendeu o que estava sendo dito: bem-vindo.
O modelo suspirou contra o tecido macio e laranja e não pôde conter um sorriso, enquanto fechava seus olhos lembrando daquele dia. E dos dias que se seguiram, quando conheceu o restante da equipe e começou a interagir com eles. Conseguiu se lembrar até da sensação do primeiro jogo e o prazer da vitória. E ele estava sempre lá, com seus passes magníficos e seu sorriso sádico. Estava com sua voz grave e seus olhos embotados de tédio e sensualidade. Pensar em Daiki Aominesempre trazia um arrepio que percorria sua espinha.
Kise não soube quando começou a ser interessar mais a fundo pelo moreno. Ele tinha tido algumas namoradas e as experiências sempre foram muito boas, fisicamente falando, porém ele não conseguia se apegar a nenhuma delas. Então, de início, não entendeu o que se passava, mas a cada treino, desejava ficar mais perto de Aomine. Só que isso não era certo e, se o outro descobrisse, era capaz de estraçalhar Kise com o mínimo de força. Por isso, ao invés de alguma aproximação emocional, o loiro passou a se apegar cada vez mais ao basquete e tentar melhorar. Alcançaria Aomine e, quando o fizesse, seria forte o suficiente para ter coragem de dizer o que se acumulava em seu peito.
Pensando naquele momento, porém, Kise percebeu que aquela sua expectativa jamais se cumpriria. Aominecchi era insuperável e, pelas palavras do próprio, só ele poderia se derrotar. Ele suspirou com pensamento e, lançando um último olhar ao time, que agorava estava em intervalo, ajeitou seu cachecol perfumado contra o rosto e deixou a quadra e a escola.
Encolhendo-se sob o casaco espesso e quente, voltou a caminhar sentindo o vento fustigar contra o pouco de pele exposta e queimar seu belo rosto, todavia, não se incomodou pois o frio era bem vindo para congelar aquele sentimento quente que tomava seu peito a cada lembrança dos cabelos curtos azulados e da expressão de tédio. Para esfriar aquela coisa que surgia quando ligava para o celular do rapaz e a voz arrastada soava no outro lado da linha. Mesmo que fosse um xingamento; mesmo que mal falasse duas palavras: era suficiente para fazer Kise explodir em alegria por alguns segundos antes de cair em total miséria por ser tão covarde em não conseguir dizer nada que realmente passava pela sua mente.
Ele levantou o rosto e percebeu que passava pela loja de doces onde costumava se reunir com o pessoal da Teiko. Lembrou que não havia comido nada desde o pequeno lanche no intervalo que tivera durante a sessão de fotos e resolveu entrar. Assim que abriu a porta, porém, ficou preso no mesmo lugar.
Seus olhos bonitos se prenderam a uma figura alta, de porte largo e cabelos curtos azuis. Ele não precisava virar para que Kise fosse capaz de reconhecê-lo, pois seu coração já fazia esse trabalho, batendo rápido contra sua caixa torácica. Se obrigou a respirar direito e acertou sua postura para a casual que sempre mantinha antes de adentrar a loja, fazendo o sininho na porta soar. Ele cutucou Aomine e, quando este se virou, ele ofereceu seu sorriso amigável.
— Aominecchi. — o moreno ergueu uma de suas sobrancelhas.
— Kise. — arrastou a voz que continha ligeira raiva. não gostava do sufixo —chi em seu nome, mas Kise fazia somente para provocá-lo. E para demonstrar seu enorme respeito por ele.

O loiro não fez mais nada. Apenas piscou e, depois de pegar algumas coisas para si, pagou a jovem atendente e deixou a loja silenciosamente. Era diferente do que costumava fazer e, com absoluta certeza, era diferente de seu jeito divertido e extrovertido de agir, pensou Aomine. O moreno o acompanhava com o olhar até ele ir embora, fazendo-o estranhar a situação ao ponto de segui-lo. Ele não tinha se importado de ir a poucos minutos da sua casa com o moletom leve, mas agora se arrependia, pois percebeu como estava frio e estava mal vestido para o tempo. Esperava que o loiro não andasse muito e asism ele o fez, parando numa praça.
Kise escolheu um dos balanços e sentou, indo um pouco para frente e para trás, enquanto olhava o céu. Quando baixou o olhar e encontrou Aomine, seu coração já se encontrava mais calmo e ele pôde sorrir verdadeiramente.
— O que houve, Kise? — questionou, fingindo suas maneiras despreocupadas, mas realmente preocupado.
— Nada. — ele replicou paciente, como se faz com uma criança de cinco anos. — Por que deveria ter algo errado?
— Uh? — bufou o moreno. — Idiota. — e, mexendo em sua própria sacola, jogou um pacote de amendoim para o loiro. Kise agradeceu e abriu o pacote, levando alguns amendoins a boca. Enquanto mastigava, analisou o rosto másculo de Aomine e percebeu que as bochechas morenas estavam ligeiramente avermelhadas e os lábios vermelhos pareciam ressecados. Kise arregalou os olhos.
— Não está com frio, Aominecchi? — ele deu os ombros.
— Tanto faz. — Kise deixou o balanço e caminhou até o moreno que estava parado. Com seus dedos finos, desfez o nó de seu cachecol laranja e com destreza, amarrou no pescoço de Aomine, que rapidamente empurrou sua mão.
— Sua pele está congelando, idiota. — replicou o loiro, que forçou um pouco a barra e conseguiu ajeitar o pano laranja no pescoço de Aomine. — Melhor assim, não? — ele não respondeu, encarando Kise com olhos despidos de qualquer tédio e sim, contendo surpresa. Kise fechou fechou o casaco sobre o rosto corado de frio e vergonha. Era seu antigo companheiro de jogo, um dos caras que mais admirava e, indubitavelmente, estava apaixonadopor ele.
Daiki, por sua vez, encarou o rosto delicado do amigo e os olhos cor de mel. Parecia que havia algo neles que precisava ser dito e, sem perceber, o moreno esticou a mão para o rosto do rapaz, que se esquivou, ligeiramente assustado.
— Algum problema? — Kise questionou, voltando a posição normal. Aomine segurou firme em seu braço.
— Existe algo que você queira dizer? — pego de surpresa, o loiro apenas abriu a boca e a fechou novamente. O que faria naquele momento? O que deveria ser feito? Seu coração pedia algo, mas seu cérebro, a única coisa racional que existia, o continha com correntes de aço. Ele inspirou fundo.
— Nada.
— Demorou a responder. — replicou, avançando um passo para perto do loiro. — O que está acontecendo, Kise? — as dúvidas mais cruas de Kise afloravam em seus pensamentos e ele estava completamente a mercê do olhar questionador e realmente próximo de Aomine. Sua boca estava seca e seu coração voltara a palpitar intenso em seu peito.
— Quer mesmo saber?
— Não estaria perguntando se não quisesse, idiota. — resmungou o moreno, apertando um pouco mais o braço do outro.
— Eu me apaixonei por um cara. — declarou abertamente. — Satisfeito? — o olhar chocado de Aomine fez o coração do loiro doer um pouco. Foi solto e pôde esconder suas mãos dentro dos bolsos do casaco.
— Como? — Aomine franziu a testa, desconcertado.
— Me apaixonando. — resmungou. — E se ele soubesse... Ah! No início, a única questão era como lidar com o fato do meu interesse por um homem, já que sempre tive uma tendência para mulheres. Como aceitar esse fardo, me questionava toda vez que o via. Mas, ao mesmo tempo, era tão fácil de aceitar isso quando sua presença estava perto e me contagiava. Depois de um tempo, eu deixei me levar. Não resultaria em nada mesmo.
— Já pensou em se declarar para ele? — perguntou Aomine, meio sem saber o que perguntar.
— Já. — Kise deu os ombros. — Ele é um idiota e provavelmente me espancaria. Ou pior: nunca mais olharia na minha cara. E eu morreria por causa disso.
— E quem é esse... Cara? — os olhos belos de Kise se levantaram e encontraram os olhos azuis profundamente escuros e então Aomine compreendeu. Compreendeu o sentido de toda aquela conversa e o rumo que tinha tomado. Em vez de reagir, porém, sustentou o olhar do modelo.
— Desculpe. — murmurou ele, quebrando o contato. Seu coração já havia sido massacrado o suficiente, agora só faltava seu próprio corpo. Por isso, ficou ali esperando o primeiro soco ou chute ou então as palavras de repúdio, sempre com a cabeça baixa. Porém, a primeira coisa que sentiu foi os braços de Aomine envolvendo-o num abraço e, em seguida, seus corpos pressionados fortes. Kise estava de olhos arregalados, mas fechou o abraço na cintura de Aomine. — O que está fazendo?
— Te abraçando, idiota. — então Kise riu e se permitiu deitar a cabeça no ombro dele. — Não sei bem como agir mas eu vou tentar. — Kise não foi capaz de conter algumas lágrimas que escorreram por seu rosto.
— Por que? — murmurou.
— Porque, desde o início, você foi diferente. — Kise achou a explicação suficiente e se afastou ligeiramente quando uma das mãos de Aomine o soltou. Porém, o moreno só o fez para enlaçar o cachecol também no pescoço de Kise. Ele se inclinou e encostou a testa na do modelo e fez o que o rapaz mais gostava: abriu aquele sorriso de dentes perfeitamente brancos que o prendera na primeira vez que o vira.

E então, flocos de neve começaram a cair do céu, uma a uma, se apoiando sobre os ombros dos dois rapazes que abraçavam, como se incentivassem ambos a não desistirem diante das dificuldades que viriam pela frente.

Notas finais
Gostaram? Eu sei, o nome é patético, mas é só porque eu não sabia que nome dar a essa fic. De qualquer maneira, talvez eu faça mais coisinhas no estilo.
Então, Kiss kiss!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!