O fim
1 Love kills, and I am proof of that.
Tweek contorcia-se na enorme cama de casal, com o colchão sujo e com lençóis rasgados, no qual Tweek nem se importava mais. Estava cansado, conforme as noites passavam o seu cansaço aumentava, mas as pálpebras nunca fechavam. Era como se, conforme a lua sumisse do céu, ela levava consigo seu sono. As olheiras profundas demonstravam mais ainda seu cansaço, e por ainda existirem em seu rosto, era notável que Tweek sequer dormia.
Era inevitável olhar ao jovem loiro e não pensar que ele fosse esquizofrênico ou, ao menos, algum doente mental. Mas Tweek não era. Ao menos achava que a depressão que tivera não era motivos para considerarem ele um louco. Desde que fora diagnosticado, o mundo a sua volta desmoronou. Nunca passou por sua cabeça que tivesse tal doença, e nunca pensou que ela o faria ser odiado, pisoteado pelos outros. Já faziam quantos dias que nem sequer saia de seu quarto? Que abriria as cortinas? Dez? Doze? Não sabia mais. Perdeu-se em seu próprio inferno, seu 'refugiu mental', no qual não acharia as portas de saída.
Da janela afora, ouvia-se pedras sendo batidas contra o vidro fosco. Quem o jogava era aquele no qual Tweek não queria ver. Craig Tucker. Não haviam brigado, mês passado andavam de mãos dadas em um parque florido, mas algo mexia nos mais obscuros sentimentos que Tweek tinha pelo moreno. Aquilo no qual uniu a cidade, trouxe paz a ela, e conturbou o loiro durante tempos. O namoro, ou melhor, o falso namoro. A quanto tempo esse relacionamento fajuto existia? E a quanto tempo, Tweek torturava-se nele? A beleza pode enganar a todos, e machucar aquele que a vive.
"— Ele só te machuca" uma voz "— Ele quebra sua alma" duas vozes "— Ele destruiu a pouca sanidade que lhe restou" três vozes. Talvez elas estivessem certas, mas Tweek se recusava a acreditar nelas.
— Tweek! Tweek Tweak! — Gritava o moreno afora, com o som de sua voz grave sendo abafada pelo quarto trancado — Vamos conversar! — Tentava, como nos dias passados. Tweek poderia achar vários e vários defeitos no moreno, mas ele era persistente, combinava com seu jeito 'badboy' no qual Tweek tanto reparava.
"— Ele está te enganando, seu idiota" uma voz "— Ele só está fingindo isso para rir da sua cara com seus amigos idiotas!" duas vozes "— Se liga, ele não se importa com você! Se importa com o que a cidade vai pensar!" três vozes.
— O que eu devo fazer, então? — Quase como um sussurro, Tweek falou.
"— Saia desse mundo!" uma voz "— Fuja da cidade!" duas vozes "— Acabe com sua vida, assim só no inferno ele poderá falar com você!" três vozes.
Elas estavam certas, afinal. Ele não compreendia o que Tweek passava, ou o que ele sentia. Preocupava-se demasiado com o que pensavam, mas não com o que Tweek pensava. Era assustador, era torturante, e nem ao menos Craig perguntara se estava tudo bem. Já devia ter desistido, no fundo, de Tweek.
Ouviu um barulho suspeito afora, suspeitando ser Craig escalando sua casa, para entrar dentro do quarto de Tweek.
"— Tic Tac ele está vindo" uma voz "— Tic Tac ele vai ferrar com você" duas vozes "— Tic tac aquele que não percebeu seus sentimentos vai vir te impedir" três vocês. Silêncio.
— Estou com medo — As lágrimas tomaram conta da face cansada de Tweek, caindo sobre o travesseiro branco — Não está certo isso! — Falou, botando sua mão direita sobre seu rosto.
Batidas no vidro da janela foi ouvida. Tweek não abriu. Ouviu Craig tentando arrombá-la. Mas Tweek nada fez.
"— Tic Tac a bomba vai explodir" uma voz
— Que bomba? — Em meio a soluços, perguntou.
"— Oras, seu bobinho, sua sanidade!" duas vozes "— Sinceramente, ela já explodiu faz tempo! Hahaha" três vozes. "— Adeus...~" falaram em uníssono.
A janela abriu-se, revelando a noite escura na qual Tweek não lembrava-se mais. A lua estava longe e brilhante, deixando as estrelas como destaque. O moreno estava sem o chulo, provavelmente o deixou cair enquanto vinha para cá. Um enorme casaco protegia seu corpo contra o frio, mas isso era de pouca importância para Tweek.
— Tweek? — Craig, incrédulo, chamou por ele.
— M-me deixe em p-paz — Tweek falou em meio a soluços
"— Hahaha, agora vai fazer o que?" uma voz "— Vá ao banheiro e acabe com isso logo" duas vozes "Concordo com ele! Haha" três vozes
Tweek não tinha forças para correr, nem sequer tinha forças para respirar mais. Era tudo questão de se manter ali, naquela cama, e deixar Craig brigar com ele. Ao menos era isso que Tweek esperava. Craig pulou para cima da cama de Tweek, deixando seu corpo por cima dele, o abraçando. Deixou seu corpo cair levemente para o lado, para que assim pudesse por sua narina sobre a nuca do loiro, para poder sentir seu cheiro. Enquanto Tweek derramava-se em lágrimas, Craig selava seus lábios sobre o pescoço pálido de Tweek.
"— É tudo questão de tempo" uma voz "— É tudo questão de tempo" duas vozes "— É tudo questão de tempo" três vozes.
— S-sinto muito Craig, e-eu não deveria t-ter sumido — Tweek tentava falar, mas sua voz falhava por conta do choro.
— Está tudo bem... Shh — Craig falava de forma mansa, tentando acalmar Tweek — Eu vou dormir com você, ok? Vai ficar tudo bem... amanhã eu fico com você se quiser, não é como se eu fosse a escola direto — Falava, parando de beijar o pescoço de Tweek, mantendo sua narina nos cabelos loiros e bagunçados do menor, fechando aos poucos suas pálpebras.
"— Tudo questão de tempo" uníssono.
Mais tarde
Tweek tentava dormir, mas não conseguia. Remexia-se na cama, mas nada. Craig dormia tranquilamente, virado de costas para o loiro.
"— É sua chance" uma voz "— Apenas o faça" duas vozes "— Vamos lá!" três vozes. Silêncio.
Tweek saiu de forma sorrateira de sua cama, deixando Craig sozinho em sua cama. O loiro fora até o banheiro, entrando lá, trancou-se dentro dele. Esse relacionamento estava o matando, ele amava o moreno e tudo era apenas ilusão. Mesmo tentando apreciar o falso, parecia só machuca-lo. Queria que fosse verdade, mas sabia que o moreno não o via dessa forma. Era um teatro, e essa era a hora de fechar as cortinas, encerrar o espetáculo.
"— Primeira gaveta está aquela Gillette" uma voz "— Dói de começo, mas logo passa" duas vozes "— Tudo vai acabar, shhh" três vozes.
Foi a primeira gaveta, remexendo os apetrechos ali, até ver a pequena Gillette de metal no fundo da gaveta, o pegando logo após. Ligou a torneira da banheira, esperando-a encher. Enquanto esperava, tossiu fortemente, de forma que suas pálpebras fechassem com força. Quando a abriu, viu algumas pétalas no chão, sujas com um pouco se sangue. Eram pétalas de uma rosa, e logo sabia que, dentro de seu estômago, havia um roseira com espinhos o furando. Mas logo acabaria, ele sabia.
A banheira estava enchida, e Tweek já estava dentro dela, encarando a Gillette brilhante em sua mão.
"— Vertical" uma voz "— Dor" duas vozes "— Silêncio eterno" três vozes.
Cravou o pequeno metal em seu pulso, o puxando em vertical. Sentia a dor consumir seu corpo, enquanto sua pele ia se abrindo de forma profunda, fazendo uma boa quantidade de sangue escorrer dela. Mas logo tudo parou, e quando parou, foi ao outro pulso, fazendo o mesmo. Era uma sequência sem fim, era a dor, era a pele abrindo-se, era o sangue escorrendo. A banheira estava vermelha, vermelha com o sangue de uma pessoa suja, podre. Tudo começou a ficar embaçado, a luz fraca do banheiro tornou-se forte, deixando os olhos de Tweek sensíveis. A tontura veio e, então, o silêncio. O silêncio no qual desejava.
Craig Tucker | ON
Tinha acabado de arrombar a porta do banheiro, e seus olhos saiam lágrimas. O loiro estava ali, dentro de uma banheira ensanguentada. Mas o que mais intrigou Craig era que, de sua boca, saia uma comprida rosa, na qual estava com o caule sujo de sangue. Era o fim. Era o fim de Tweek Tweak.
Notas finais
Relembrando, se você sofre de depressão ou tem pensamentos suicidas, por favor, busque ajuda e de forma alguma leia essa estória. Muito obrigada.
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