O filho do Presidente
17 Uma coisa nova
Notas iniciais
Os lábios de Derek conseguiram se conectar perfeitamente aos de Stiles, não deixando espaço para nenhum pouco de ar passar por eles. O aroma quente da boca do homem era intenso e fazia com que a cabeça do garoto começasse a girar.
Um giro bastante prazeroso.
Ele tinha sabor de menta na língua, que entrou na boca de Stiles, vertiginosamente, passando por tudo e lambendo o interior, se entrelaçando com a língua dele e fazendo-o ficar maluco. O beijo era sensual, quase como se eles estivessem fazendo sexo com as bocas, as línguas entrando e saindo, pequenas mordidas no canto dos lábios, Stiles chupando a pele ao redor da boca de Derek.
Os corpos deles estavam colados, os movimentos eram erráticos e a respiração ofegante.
A barba de Derek cortava a pele de Stiles, mas massageava ele ao mesmo tempo. O movimento causava arrepios.
Era incrível.
“Stiles.” O homem disse — numa voz que não parecia a dele, mas no momento o garoto nem prestou atenção, só queria mais e mais daquilo tudo.
Stiles ignorou e continuou beijando.
“STILES!” Ele abriu os olhos para ver Erica de frente pra ele, na mesa do café, na cozinha da Casa Branca. Ele sentia os próprios lábios completamente curvados na frente dele.
Como se ele estivesse beijando o ar na frente dele.
A língua dele estava para fora da boca.
Ela sorriu.
“Alguém estava sonhando com alguma coisa bem emocionante, hein?” Ela perguntou, mexendo as sobrancelhas. Stiles suspirou, fechando a boca e colocando a língua de volta pra dentro.
Droga, o beijo tava bom.
“Eu…” Ele fez uma cara difícil de explicar, pra falar sobre o momento ainda mais difícil de explicar que ele tinha passado.
Depois que Derek revelou para Stiles sobre sua preferência sexual, de uma forma bastante natural e que fez os dois sorrirem um para o outro, basicamente nada mais aconteceu. Stiles não conseguiu criar a coragem pra beijar o homem na hora e Derek também não fez nenhuma menção de prosseguir com nada.
Os dois estavam apenas testando as águas do que estava acontecendo.
Mas bem que Stiles queria mais, ele só não tinha certeza se iria conseguir fazer alguma coisa assim, tipo beijar ele.
Não que ele fosse um virgem medroso já nos seus vinte e poucos anos, mas ele precisava de um pouco de álcool para criar a coragem necessária pra beijar alguém — todas as vezes que ele havia fugido da Casa Branca ele havia bebido uma boa quantia de vodca. Pra criar coragem.
Sim, ele não era a pessoa mais valente para se meter em qualquer tipo de relacionamento, mesmo que fossem só alguns beijos em um cara que ele tinha conhecido.
Ele suspirou e olhou para Erica.
“Sim, sim, todos nós temos alguns dias pra se perder nos sonhos. Eu só espero que vocês tenham usado camisinha pro frique-fraque que tava acontecendo aí no sonho…”
“Erica!” Stiles gritou, horrorizado com o que ela tinha falado.
“O que? É bom estar protegido. Ou melhor, já que era um sonho, bem que vocês poderiam estar sem camisinha mesmo, sabe? Aproveitar a vida já que ninguém iria ter problema algum com doenças sexualmente transmissíveis.” Ela falou, sorrindo.
Stiles fez uma cara de desgosto.
“Era uma boa ideia a gente dar uma escapada desse papo durante o café da manhã.” Ele falou, sacudindo a cabeça.
“O que seria bom escapar durante o café da manhã?” Assim que a voz ecoou pela cozinha, Erica se levantou da cadeira que ela estava sentada, rapidamente, para ir se colocar ao lado de Stiles, esperando o homem que iria entrar na cozinha.
Stiles suspirou, já sabendo quem estava vindo.
“Nada, pai. Conversas de adolescentes.”
“Uhum. Só que nenhum dos dois é assim jovem pra se passar por adolescentes.” O Presidente falou assim que entrou na cozinha, se encaminhando para a mesa, sorrindo. “Bom dia.” Ele disse para os dois, se sentando.
Erica apenas assentiu ao passo de que Stiles tomou um pouco de ar antes de falar.
“Adolescência tardia. Basicamente. E bom dia pra você também.” Ele falou, antes de voltar para o prato de comida fria na frente dele.
Não é que o Stiles e o pai tivessem um relacionamento ruim, mas tudo estava um pouco abalado, um pouco diferente. Depois do lance todo com Derek, o Presidente não havia mais perguntado a Stiles sobre o homem, mas também não tinha feito muitos outros motivos para conversar com o filho.
Como se os dois tivessem firmado um acordo tácito de não se falar.
Nada além do habitual. Mas cada vez mais Stiles queria que as coisas fossem diferentes entre eles. Só não sabia como.
Especialmente agora que ele havia achado uma coisa nova para se dedicar na vida, e não tinha a mínima ideia do que o Presidente iria achar da ideia.
“Pai?” Ele pediu, olhando para o homem.
“Sim, Stiles?” O Presidente sorriu para o filho. Stiles tentou sorrir de volta, mas os lábios não queriam ajudar muito.
“A gente não teve tempo de conversar muito sobre a ideia que eu te dei no outro dia, mas agora que eu já tô assentado com a Erica, eu queria saber se tem a possibilidade de a gente seguir com aquilo?” Ele perguntou.
O Presidente suspirou, mas assentiu.
“Eu acho que é uma ideia boa, mesmo que eu ainda não…” O homem parou de falar e só sacudiu a cabeça.
“Eu sei que você acha complicado eu sair de casa e você tem algum medo com isso. Eu sei, pai. Só que…” Stiles suspirou. “Só que eu não sei mais o que fazer, okay? Eu terminei a minha faculdade eu fiz tudo que tinha que fazer e até agora eu não sei pra onde seguir a minha vida. Eu preciso de alguma coisa. Eu não posso ficar trancado aqui dentro pra sempre.”
O Presidente assentiu.
“Eu sei, filho. Eu sei. Só é complicado pra mim, ver que você cresceu, ver que…” O homem sacudiu a cabeça. “Eu não sinto confiança ao te ver saindo de casa, eu sinto medo. Mas eu sei que eu tenho que te deixar ir, okay?”
Stiles só assentiu.
Os dois continuaram comendo por alguns instantes, até que pai dele perguntou.
“E você tem certeza que isso vai dar certo?”
Stiles levantou os ombros.
“Não sei, pai. Mas finalmente eu consegui um emprego, pai. Meu primeiro emprego.” Ele falou sorrindo.
O pai dele sorriu de volta.
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