O filho do Presidente
13 Sorvete surpresa - parte 2
Notas iniciais
O que aconteceu com Derek nas últimas duas semanas, contado pelo próprio homem em várias cenas.
Eu saí correndo da Casa Branca.
Bom, não exatamente correndo, pois senão alguém iria achar que eu roubei alguma coisa e estava correndo pra fugir, mas caminhei o mais rápido possível pra sair de lá o quanto antes e deixar tudo pra trás.
Eu não conseguia acreditar como eu estraguei todas as minhas chances na vida com apenas algumas semanas depois que eu cheguei a Washington.
Eu saí da Califórnia para tentar um emprego melhor. Eu trabalhei anos com senadores e tudo mais, fazendo segurança de homens importantes e salvando a vida deles, mas eu nunca me senti realmente importante lá. Nunca me senti realizado trabalhando na Costa Oeste. Eu tinha a chance de ir ver o mar todos os dias, de morar em uma cidade movimentada e ensolarada.
Mas eu não estava feliz.
Por isso, assim que eu recebi a convocação para a competição eu atendi sem nem hesitar.
E eu estava certo que iria entrar.
O problema é que eles não tinham essa certeza. Eles não queriam alguém como eu. Disseram que faltava alguma coisa para mim.
Eu ainda não sei o que — talvez nunca vá saber.
A partir dali foi só descida, depois. Eu não consegui aceitar que havia perdido aquela chance e eu não conseguia me perdoar por aquilo, então eu decidi me embebedar, o que acabou causando o meu encontro com o filho do Presidente.
Bom, não exatamente minha vontade de me embebedar, mas uma fagulha de maluquice que colocou nós dois no mesmo lugar naquele momento.
Essa mesma fagulha de maluquice provavelmente fez com que eu quase vomitasse em cima dele.
E depois ainda dormisse na cama dele.
E depois eu ainda tive a chance de encontrar o pai dele e ser praticamente deportado no momento.
Não que eu não fosse cidadão americano, mas o Presidente bem que pode fazer de tudo.
Então agora estou eu aqui, correndo pro meu micro apartamento em Columbia Heights.
***
Eu fiquei três dias trancado lá dentro.
Eu não sabia o que fazer.
Afinal, o que a gente faz quando um super sonho que a gente tinha não se torna realidade e a gente ainda estraga qualquer outra possibilidade de seguir em frente com um sonho alternativo? — o pessoal me deu uma chance de conseguir virar segurança de algum outro parlamentar, mas depois do meu número com o filho do Presidente e depois com o homem em pessoa, eu, com certeza, pulverizei qualquer chance que eu tinha.
E então, Washington não poderia mais me dar nada.
E mesmo assim, eu não queria sair de lá, eu não queria dar chance pra que o destino tirasse minha chance de seguir meus sonhos.
E de ficar na cidade que eu sempre quis, pois eu sempre sonhei em ser um daqueles seguranças super importantes na cidade.
E agora…
Bom, agora eu tinha que achar alguma coisa pra fazer, por isso eu decidi andar pela cidade pra ver se tinha alguma coisa que fosse pra mim.
Passei uma tarde toda correndo pelo centro e vendo se algum lugar estava contratando, mas não tive muita sorte. Eu não iria tentar meus contatos, depois do que aconteceu com o Presidente — não sei se eu teria muita sorte. E na cidade nada estava acontecendo.
Por isso que, quando eu fui entrar no café que eu encontrei Stiles pela primeira vez, eu vi a placa dizendo que eles procuravam alguém para trabalhar.
Eu nem hesitei e me ofereci.
O que era servir sorvetes vestindo um arco-íris e usando um boné rosa?
***
Depois de uma semana servindo sorvetes, eu acabei me acostumando. Não era tão ruim quanto eu pensava e pelo menos era um trabalho — melhor do que não ter nada pra fazer.
Eu teria que tentar ficar na surdina por um tempo, deixar essa história toda passar pra eu depois tentar voltar ao meu trabalho antigo.
E foi naquele momento que Stiles apareceu de novo no café.
E eu quase morri.
Não que teria algum problema em ver ele, mas eu me senti muito envergonhado de tudo que havia acontecido.
Eu era pra ser um homem forte e valente, mas no fim eu corri de lá como um galinho medroso.
“Derek?” Stiles me pediu, surpreso. Eu olhei pra ele e nem sabia o que falar.
Por isso eu usei as linhas que havia ensaiado durante os primeiros dias do trabalho.
“O que você gostaria, senhor?” Eu respondi numa voz desprovida de emoção, tentando não olhar para Stiles. Mesmo atrás dos disfarces fajutos que ele e Erica estavam usando eu conseguia ver eles.
Mas eu continuei fingindo que não tinha visto, eu não precisava me lembrar dos fracassos que havia cometido.
“O que?” Stiles me pediu, confuso.
“Que sabores de sorvete o senhor gostaria de provar?” Eu perguntei de novo, dessa vez encarando Stiles, tentando o fazer entender que eu não queria conversa.
“Eu, er...” Stiles ficou sem ar por um instante. Respirou fundo e depois suspirou, antes de me responder. “Chocolate, por favor.”
Assim que ele falou, eu comecei a me mover. Primeiro eu peguei uma das casquinhas de chocolate, em seguida usei a concha e catei duas bolas do sorvete escuro para empilhar dentro da casca. Em seguida eu coloquei uma calda por cima, e ainda espalhei os granulados, tudo pra não precisar olhar para ele.
Quando eu estendi meu braço para dar o sorvete para ele, ele alcançou a minha mão e colocou os dedos dele em volta dos meus.
Eu tremi enquanto os olhos dele se colaram aos meus.
“O que aconteceu?” Stiles perguntou, sussurrando, sem saber o que falar, propriamente.
Eu suspirei, ainda com o sorvete na mão e a mão de Stiles em volta da minha.
“Troca de planos.” Eu falei calmamente, antes de engolir um nó na garganta e morder o lábio. Eu nem sabia o que falar mais, então só dei o sorvete para Stiles e o indiquei o caixa, sem falar nada mesmo.
Stiles olhou pra mim.
“Foi por causa do que aconteceu entre nós? Com meu pai?” Ele perguntou. Eu queria gritar e dizer que tudo foi uma maluquice do destino, afinal eu também deveria ter um pouco mais de controle sobre mim.
Mas eu não disse nada, só sacudi a cabeça sem responder a pergunta.
Eu suspirei antes de falar de novo.
“São três dólares, senhor.” Minha voz quase não saiu, mas eu consegui falar e depois me virei pra ir para os fundos do café, onde eu não precisaria olhar para Stiles.
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