O filho do Presidente
27 Ra - ta - tui
Notas iniciais
Mais um dia qualquer, de um mês qualquer, de um ano qualquer.
Como se importasse muito, né?
Querido diário...
Os dias que eu venho contando em suas páginas são dias muito diferentes dos que eu já passei. Dias diferentes do meu passado solitário e da minha vida até o momento em que tudo mudou. Dias que eram uma parte escura da minha história, coisas que eu não conseguia fazer virarem boas, virarem felizes.
Felizes como os dias de agora.
A minha mente se assentou, lentamente, no caminho que ela sempre se ocupa, de processar os remédios e minhas ideias em uma coisa só, e com o tempo, fazer essas coisas todas funcionarem juntas.
Eu me sinto bem. Poderia até dizer que me sinto feliz.
Meu pai veio pra casa, hoje. Ele está caminhando com dificuldade, mas começou a fisioterapia e todo o tratamento que vai o fazer voltar ao normal e colocar a vida dele nos trilhos.
E a minha também, junto.
Eu não pude retomar meu emprego na Kitsune — tanto porque eles estão em reformas com toda a explosão, e eu mandei dinheiro para ajudar eles, mas eu não pude mais retornar pra lá — desde o atentado a segurança tem sido redobrada ao redor da Casa Branca e de mim.
Não sei nem como eu estou aqui no meu quarto sozinho por alguns instantes.
Minha vida voltou a ser o que era, basicamente — mas dessa vez eu não vejo ela como uma coisa ruim. Eu tenho tempo pra passar com meu pai, e a gente tem retomado a nossa relação, aos poucos.
E eu tenho tempo pra ler e escrever — uma coisa que eu comecei a fazer. E pela internet eu arranjei duas ilustradoras que procuravam alguém que pudesse escrever as histórias para o trabalho delas, então eu comecei a escrever histórias em quadrinhos. Claro que o meu trabalho é mais do que simples, comparado com o delas que desenham e montam o grosso da história enquanto eu finalizo as falas apenas, mas é uma coisa que me alegra, sabe? E é tão inesperado que eu não fazia ideia que eu ia gostar tanto dessa ideia.
Sem falar que elas são super queridas — um casal, Allison e Lydia. As duas são super fofas e desenham muito bem. E são super gatas — pelo menos é o que Erica vive dizendo pelos cantos da casa, enquanto ela reclama o quanto está solteira, depois que ela viu as duas juntas e sorrindo pela chamada do Skype em que nós combinávamos os detalhes.
Na minha cabeça eu percebi uma pequena quedinha da Erica por uma das duas.
Ou pelas duas.
Não sei.
Eu rio um pouco toda vez que ela começa a reclamar da solteirice dela.
Coisa que eu não posso fazer.
Já que eu não estou solteiro.
=D
(Eu juro que não queria colocar nada como um emoticon aqui no meu diário, mas eu simplesmente não consegui não fazer isso. Na hora que eu escrevi que não estou mais solteiro eu só sorri, abertamente, exatamente como aquela caretinha. E só tinha ela pra explicar isso).
Eu beijei o Derek pela primeira vez, na porta do consultório da Dra. Morell, no hospital.
Ele me beijou pela segunda vez, hoje, quando eu fui buscar meu pai lá e ele estava na porta do hospital, me esperando, sentado no meio-fio. Eu escapei da segurança — ou melhor, os deixei me esperando, enquanto eu corria até ele e joguei meus braços em volta do pescoço dele.
Eu o segurei bem forte enquanto eu matava a saudade do cheiro que ele tinha.
Derek me beijou na orelha e eu sorri, logo antes dele se colar na minha boca e tirar todo o ar do meu pulmão.
Ele disse que queria me ver mais, pois ele já estava cansado de me dar tanto tempo pra arrumar a minha vida.
Eu disse sim.
***
Stiles olhava para o teto enquanto estava deitado na cama. Ele já havia completado as falas das páginas que as meninas mandaram pra ele e tinha conversado sobre algumas ideias com elas, combinando também algum dia em que todos eles poderiam se ver — o que alegrou Erica.
Mas depois daquilo ele já não tinha muito que fazer, a não ser esperar.
Ele conseguiu uma autorização pra trazer o Derek para a Casa Branca e eles haviam de combinado de fazer um pequeno jantar no quarto do Stiles — ele prometeu que iria cozinhar alguma coisa pra esse primeiro jantar deles, tanto porque ele estava sem fazer nada e ele também sempre ouviu os conselhos da mãe que dizia que o jeito pra capturar alguém é pela barriga.
E era o que ele ia fazer — pelo menos até ele poder deixar os dois pelados e se agarrar ao abdômen definido do homem.
Por isso ele passou alguns dias com a cabeça nos livros de culinária pra aprender a fazer alguma coisa. E a coisa que ele decidiu fazer era um Confit Byaldi– uma variação da receita francesa Ratatouille– sim, era por causa do filme, que ele assistiu pelo menos umas cinco vezes com Erica, que até tentou mentir dizendo que não gostava, antes dele correr para testar a receita seguindo quatro livros que ele comprou na internet.
A primeira vez ficou horrível.
Depois de mais cinco tentativas ficou uma delicia.
Ele já tinha deixado tudo pronto na geladeira — pois segundo as indicações do Chef, a receita ficava melhor se descansasse por uma noite no refrigerador e ele também já tinha escolhido o vinho para acompanhar a refeição, um Chardonnay Burgundy, e deixado tudo pronto na antessala do quarto dele, que iria servir de sala de jantar privativa.
E ele também já havia escolhido a roupa perfeita pra tudo e ela estava apenas esperando a hora certa pra ele ir se vestir, já que Derek disse que iria chegar às sete horas por ali — e como eram apenas cinco da tarde, ele ainda tinha tempo.
A cabeça de Stiles estava pendurada no lado da cama, quando alguém entrou no quarto dele.
Surpresa!
“Derek?” Stiles, surpreendido, se desvirou rapidamente, perdendo o equilíbrio e caindo de bunda no chão, se enrolando nas cobertas. Ele levantou a cabeça para ver Derek à porta, vestido com uma camisa azul claro, colocada para dentro de uma calça jeans azul escuro, junto com um sapato marrom. O cabelo e a barba estavam perfeitamente arrumados
“Eu cheguei na hora errada?” Perguntou o homem, paralisado.
Stiles suspirou. “Eu, huh… Eu achei que você viria só as sete? Mas parece que pelo jeito você falou…” Stiles parou de falar, deixando o outro homem completar.
“Dezessete?” Derek sorriu.
Stiles abaixou a cabeça, balançando ela e sorriu.
“Eu não consegui me arrumar ainda, Derek…” Ele falou, mordendo o lábio ao se olhar. Stiles vestia uma calça de moletom bem velha e uma camiseta com a bandeira americana, que tinha o dobro do tamanho dele.
“Se você quiser eu posso trocar de roupa? Se você me der uma calça de moletom também…” Derek disse. Stiles sorriu.
“Se você não se importa eu posso ficar assim, mesmo.”
Derek suspirou antes de falar.
“Não.” Ele balançou a cabeça e Stiles parou de sorrir, olhando para ele um pouco alarmado, antes do homem sorrir e completar. “Eu não me importo em nada.”
Stiles jogou um travesseiro na cabeça dele, desarrumando um pouco o cabelo do homem.
Mas depois tudo foi perfeito.
O jantar foi maravilhoso, a comida muito bem feita e o vinho bem escolhido, todo o lugar iluminado à luz de velas e romântico e ainda antes do Derek ir embora eles ainda ficaram um tempo se beijando, com gosto de alho e vinho, mas ninguém se importava.
A não ser Erica que apareceu pra separar eles — já que ela provavelmente estava com ciúmes porque não tinha ninguém
Mas Stiles não se importava, ele estava feliz.
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