O filho do Presidente
20 Ataque
Notas iniciais
Com três semanas dentro da Kitsune, Stiles já se sentia super familiarizado com tudo. Ele sabia onde estava a maior parte dos livros e os que não sabia ele já tinha ideia de onde procurar. Ele conhecia os clientes mais comuns da loja, já sabia o gosto de alguns deles e dois ou três já sabiam o nome dele.
Ele já se comunicava com as pessoas com propriedade e incrivelmente ninguém havia notado muito nele ali trabalhando — provavelmente porque ele não aparecia tanto nos jornais e revistas, pelo menos não assim nitidamente como o pai dele, afinal as únicas fotos de Stiles eram aquelas das noites em que ele fugiu de casa, e a imprensa ainda não tinha dado as caras na rua — alguma coisa que tinha a ver com Erica, provavelmente.
Sem falar que ele e Scott conseguiram criar mais piadas internas — mas que como elas não conseguem fazer ninguém rir além deles, elas realmente não tem motivo pra entrar na história.
Mas vamos dizer que elas são parecidas com a que eles têm do Senhor Deaton.
E Stiles se apaixonou pelo cheiro de baunilha também, como o próprio Senhor Deaton.
Ele gostava de tudo ali.
“Sabe, Scott, eu já conversei com meu pai sobre ele vir aqui me visitar. No trabalho. Ele até falou que talvez entrasse aqui hoje, sendo que a comitiva dele vai ter uma passagem aqui na frente, no fim da tarde, mas ele falou que não tinha tempo e...” Stiles disse para o amigo que estava conferindo coisas no caixa, mas assim que Scott parou por um instante e olhou chocado para Stiles, ele parou de falar.
“O Presidente vai vir aqui?” Ele cochichou, olhos arregalados.
“Sim?” Stiles respondeu, meio incerto.
O outro garoto ficou em silêncio por uns segundos, antes de fechar a boca para abrir e falar de novo.
“Okay.” Scott falou, sacudindo a cabeça e respirando fundo, depois de notar o olhar do amigo. “Okay, eu sei. Okay.” Ele respirou fundo de novo. “Sem pirar com nada relacionado ao Presidente, certo?” Scott perguntou.
Stiles assentiu, já se sentindo melhor. Scott sorriu de volta.
Naquele sorriso, Stiles sabia que tinha acertado com as amizades dele — Scott e Kira demoraram um pouco pra entender que Stiles, sendo quem era, queria um trabalho ali na pequena livraria deles. Assim que eles compreenderam um pouco da vida dele, no entanto, os dois foram super receptivos e acolhedores com o garoto. E logo se transformaram em bons amigos com ele, e com Erica também, que ultimamente até ajudava alguns dos clientes a trocar ideias sobre livros (sim, pois ela largou o telefone e começou a ler, quem diria, certo?).
Enfim, a vida de Stiles parecia se encaminhar para o lado bom das coisas, né?
E foi aí que as coisas tomaram um curso ainda mais inesperado.
A porta da livraria se abriu.
Stiles arregalou os olhos para o homem entrando, que ele foi com calma, atender.
“Boa tarde, senhor, bem-vindo a Kitsune.” Ele falou, sem perceber muito no que dizia.
“Oi?” Disse o homem, com calma, mas meio incerto do que falar.
“Oi, Derek.” Stiles falou, sorrindo.
“Oi.” O homem respondeu outra vez, sorrindo também.
Stiles respirou fundo.
“Você tem alguma coisa em mente?” Ele perguntou. “Algum exemplar favorito que você queira ver, algum livro especial?” Stiles perguntou, tentando ser atencioso mas ao mesmo tempo não gostando do jeito que a voz dele meio que se perdia ao falar com Derek.
“Eu, hum…” O homem começou. “Eu não sei. Na verdade eu até sei, mas eu meio que… me perdi.” Ele falou calmamente, sorrindo estranhamente no final da frase.
“Você…” Stiles se tocou sobre o que Derek estava falando — o motivo de ele ter se perdido — e sorriu também. “Okay.” Ele disse, assentindo calmamente com a cabeça.
“É, eu, hum, não sabia que você tava trabalhando aqui? Nem sabia que tinham te deixado sair de casa, pois eu lembro como eram as coisas…” Derek pediu.
“Pois então, depois que eu me assentei com Erica, eu acabei enchendo o saco do meu pai até ele me deixar sair de casa. E então eu procurei um lugar mais fora do olhar público pra trabalhar. Tem sido bom.” Stiles finalizou a frase com uma cara relaxada.
“Isso é bom. Muito bom.” Derek assentiu para si mesmo.
“E... e você? Como que vai?” Stiles perguntou. “Eu acabei não conseguindo mais passar por lá, eu trabalho todo dia até o fim da tarde também, então…”
“Ah, sim.” Derek concordou. “A gente não ia conseguir se ver, entendi.” Ele só percebeu o que falou quando já havia saído da boca. “Não que o motivo de você ir pro café seja me ver…” Ele começou a falar, mas Stiles o interrompeu.
“Mas o motivo era esse sim.” Stiles falou, vermelho aparecendo nas bochechas dele.
Derek sorriu.
“É, a gente não se falou mais, eu não tinha um número de telefone e tudo mais.” Stiles disse,
“Então, se você quiser… hum… a gente pode resolver isso do telefone.” Derek falou, indeciso.
“Eu iria ador…” Stiles começou a falar, mas parou no meio da frase, quando o som da sirene da polícia soou na rua. Os dois viraram a cabeça para ver o que estava acontecendo, junto com todos os da loja.
Stiles bufou, desanimado.
Derek foi quem falou antes.
“Carreata presidencial?” Ele perguntou, sussurrando.
“É.” Stiles disse, cara fechada. “Eles não conseguem fazer isso sem chamar atenção.” Ele falou, balançando a cabeça. O carro presidencial passava bem em frente à loja.
“Que nada, eles…” A frase de Derek ficou incompleta quando se ouviram disparos de tiro na rua.
E a confusão começou.
Um número incontável de balas atiradas foi ouvido, algumas delas chegando aos vidros da livraria, e provavelmente em outros prédios da rua. As pessoas se jogaram ao chão e gritaram assustadas ao mesmo tempo em que os estilhaços quicavam no solo.
Derek protegeu Stiles da rua com seu corpo, abraçando ele.
Erica apareceu correndo de trás da loja, mas mal parou alguns segundos perto de Stiles antes de correr para a rua.
Ela gritou.
“O presidente foi atingido!”
Derek largou Stiles na loja, ao mesmo tempo em que Scott o segurou, e correu para a rua.
Stiles não conseguia pensar me nada.
“Pai…” Ele sussurrou.
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