Ainda sentindo os zumbidos nos ouvidos, Killian tenta levantar-se. Cambaleia e cai novamente, apoiando as mãos no chão cheio de folhas. Olha para os lados e desespera-se ao ver uma égua negra tentando livrar-se de alguns trapos que haviam sido as roupas de Marlene humana. Ele corre até ela e a ajuda, vendo-a colocar-se garbosamente em pé.

- Misericórdia! Doeu mais do que da outra vez!

- Você está bem? – o pirata acaricia as crinas dela.

- Voltei a ser um belo animal, mas estou bem. Onde está Andreas e o pai postiço?

Killian olha em volta e não encontra Andreas, porém depara-se com Gold ainda deitado e gemendo. Corre até o advogado e ao ajoelhar-se para ajudá-lo a movimentar-se, percebe que o homem está com uma pequena estaca cravada no abdômen.

- Merda! Marlene, encontre Andreas! – Killian apoia a cintura de Gold e consegue acomodá-lo junto a uma árvore.

- Isso dói muito... ajude-me a tirar isso...

O pirata olha o advogado com estranheza e fica em silêncio por vários segundos.

- O que está esperando para arrancar isso de mim?

- Ora, crocodilo! O poderoso é você! Faça um gesto daqueles que costuma fazer como se fosse uma borboleta e tire a estaca, sozinho!

Gold tenta sorrir e geme de dor.

- O esforço para...criar a cortina invisível...no navio do gorila careca, minou o resto de poderes...que eu tinha...

Fechando os olhos e pendendo a cabeça, Killian tenta evocar alguma informação em sua mente que pudesse ajudar naquele momento.

- Preciso encontrar água e pedir para Andreas conseguir alguma erva que alivie a sua dor. Tirar a estaca sem preparo pode causar problemas sérios. Não me importo em causar problemas sérios a você, mas Andreas iria arrancar meus pulmões com as unhas.

Gold tenta sorrir de novo. Permite que Killian o ajude a tirar o paletó e usar a peça como apoio para a cabeça.

- Killian, depressa! Encontrei Andreas! Venha rápido!

O pirata toca o ombro do advogado e corre na direção da origem da voz de Marlene. A encontra em pé próxima a um barranco, olhando para baixo.

- Ele está lá embaixo. Está desacordado e vamos torcer para não estar ferido!

- Você fica com o crocodilo e eu vou descer para acordá-lo e verificar as condições dele. – Killian esboça movimento, mas é impedido pelo corpanzil de Marlene.

- Esconda-se. – ela sussurra e dá um passo para trás. Aguça a audição.

- O que foi?

- Homens estão aproximando-se dele e são vários...falam eufóricos e conhecem Andreas. – ela continua olhando o movimento lá embaixo. – Eles estão recolhendo Andreas.

Outra vez Killian tenta reagir e é empurrado para o chão.

- Não seja estúpido! Não poderemos lutar contra tantos homens! E eles conhecem Andreas! Ficaram contentes!

- Eles estão levando meu filho! Quer que eu haja como?

- Eu seguirei o rastro de cheiro pela noite e os encontraremos. Usaremos o fator surpresa.

Killian ergue as sobrancelhas e enxuga o suor da testa. Fica pensativo e preocupado, organizando seus pensamentos na tentativa de elencar as prioridades.

- O que há, Capitão?

- O crocodilo está sem poderes e com uma estaca fincada na barriga. Precisamos encontrar um abrigo.

Algum tempo depois, Killian reaparece trazendo um coco que havia conseguido. Usa o gancho para furar e auxilia Gold a beber e hidratar-se.

- Eu vi um rio aqui perto e vou carregar você até as proximidades. Vou lavar sua ferida e retirar a estaca. Vou ter de usar fogo para cauterizar a ferida.

Gold nega com a cabeça.

- Eu quero saber...onde estamos...

- No reino de Pedras Desenhadas. – ele aponta uma montanha triangular ao longe. – Reconheceria a Mãe de Todas mesmo com os olhos fechados.

Ofegante, o advogado consegue controlar a respiração.

- Andreas nasceu aqui. Ele seguiu caminhando até a Floresta Encantada e isso significa que não estamos longe de meu castelo. Por que meu filho está demorando?

- Ele caiu por um barranco e foi colhido por aldeões. – Marlene responde antes que Killian fizesse algum trocadilho para atacar o inimigo.

- E você...não fez nada, pirata sujo?

Killian rosna e faz pressão contra a estaca, provocando mais dor no corpo de Gold.

- Porque ele estava a vários metros lá embaixo e foi colhido por vários homens armados. Depois que eu arrancar esta estaca de sua barriga e provocar bastante dor, vou atrás do meu filho.

- Por favor, chame Marlene...

Killian choca-se ao ouvir o inimigo pedir um favor e demonstrando gentileza. Antes que pudesse pedir a vinda da amiga, ela se aproxima garbosa.

- Por favor, Killian...segure a crina de Marlene e deixe-me segurar seu braço...

- Por quê?

- Uma vez em sua maldita vida, faça o que lhe pedem sem questionar! – Gold começa a tossir pelo esforço.

O pirata e a égua entreolham-se e atendem ao pedido do advogado. Antes que possam entender o que está havendo, percebem-se nos escombros do castelo de Gold.

- Uau! – Killian desequilibra-se e cai sentado, sendo acompanhado pelo advogado que desmaia.