O farol e sua sombra!

14 Capítulo Quatorze – Três carrancas se formaram naquela sala!


Diferente de Levi, Ginger não teve tempo de processar. Nem de esconder o desgosto. Sua feição fechou quase que imediatamente ao vê-lo. E daí que ele tinha uma cara bonita? Ela quase foi empalada.

Éden se virou para cumprimentar Ginger e encontra sua expressão de puro desgosto. Entretido, ele segue o olhar dela e encontra o olhar de Levi, seu filho. Levi parece adquirir um leve rubor e rapidamente desvia o olhar. Aquele moleque finalmente tinha aprendido a esconder as coisas? Sem saber se sentia orgulho ou irritação, Éden se volta para Ginger e a cumprimentou. Ela desviou o olhar de Levi e ainda mal humorada, educadamente cumprimenta Éden.

-A senhorita conhece meu filho?

Questionou Éden, rindo com uma aparência que lembrou Ginger a uma raposa. Sem muita vontade de explicar ou falar sobre o assunto, ela apenas concordou com a cabeça.

-Levi, venha cumprimentar sua noi... Pretendente.

Chamou Éden, não insistindo muito no assunto e evitando dar o assunto como certo. Depois ele perguntaria a Levi o porquê sua noiva parecia chateada sobre ele. Ginger por outro lado se recusava a olhar para a direção da lareira junto com o Éden. Ela olhou para sua mãe, para seu pai e para suas irmãs. Olhou para os outros Blackblood na sala, que estavam esperando Éden os apresentá-los. Para os seus pés. Em suma, qualquer lugar era mais confortável do que olhar para o homem da lareira. Ela ainda não sabia a quão chateada estava ou se o queria como noivo.

-Ginger, esse é meu filho Levi.

Apresentou Éden, chamando a atenção de Ginger. Ela já tinha o visto antes, mas dessa vez ele estava apresentável e em sua chateação, Ginger o encarou diretamente. Agora que ela estava em pé era perceptível que ele era apenas um homem um pouco mais alto do que ela. Ginger era uma mulher muito alta, mas isso era típico dos Imortais. O porte era musculoso e todo Levi parecia emanar força, mas sem parecer um brutamontes. Ele tinha uma figura elegante e atraente, muito bem favorecida pelas vestes pretas que usava. O cabelo realmente estava muito curto, quase raspado e Ginger tinha certeza que lembrava dele ter um cabelo longo. Ou eram tripas. Apesar de lhe dar um ar rígido, sua cabeça tinha um formato bonito.

Levi, realmente não parecia nenhum pouco simpático, o que Ginger não considerou surpreendente. Se o chamassem de príncipe sombrio e ele fosse risonho, ela teria muito medo. De perto, a beleza do homem ficava mais evidente. Ginger sentiu-se particularmente atraída pela pinta que ele tinha abaixo de um dos olhos. A cor dos olhos, um rosa suave talvez fosse a coisa preferida de Ginger nele. Ela tinha que admitir que em quesito beleza, ele a agradava. Mas e daí que ele tinha uma cara bonita? Ela quase foi empalada!

Levi a observou o encarar diretamente. Os olhos brilhando como ametistas ou cristais, vagando entre encanto e irritação, admiração e chateação, como se ela não conseguisse decidir sua primeira impressão sobre ele. Ele por outro lado já tinha um preconceito sobre ela. Acordada, ela ainda parecia frágil. Uma afetação parecia permear em seus movimentos, mas Levi teve que admitir que os olhos de Ginger eram vivos, brilhantes. Pelo menos ela tinha estado de espirito para se chatear com ele.

-É bom vê-la bem, senhorita.

Cumprimentou Levi, um pouco distante, a voz taciturna, a cara fechada. Ginger desviou os olhos, sentindo-se um pouco irritada, um pouco confusa. Objetivamente, ela deveria o agradecer pela ajuda salvadora, mas também objetivamente, ele quase a atingiu com uma lança.

Com uma careta, Ginger agradece. Depois surge um silencio ensurdecedor. Ambos não falam mais nada, nem se olham. Os familiares ao redor, por outro lado se encaram confusos.

Éden franziu o seu cenho meio que desacreditado dessa empreitada. Aqueles dois, mal tinham se encontrado e já estavam se estranhando...

-Vocês querem conversar em particular ou algo assim?

Questionou Éden, mal escondendo a hostilidade.

Antes que qualquer um dos integrantes do casal pudesse responder, Isaac pigarreia. Éden franze as sobrancelhas e Isaac sem nem piscar explica:

-Alteza, isso não é adequado.

Se Éden Blackblood fosse apenas um pouquinho menos cara de pau, ele coraria pelo ato falho. Um par de solteiros não ficavam sozinhos em One Hall, exceto em casos de extrema necessidade. Na verdade, casais também evitavam. Geralmente as pessoas andavam em grupos, mistos ou não, por motivos de segurança. Se ocorresse algumas zumbificação espontânea, a terceira pessoa poderia avisar as autoridades. Claro, no caso, Ginger e Levi não corriam esse risco, mas Isaac preferiria que o nome da sua filha não estivesse em boatos de que ela ficou sozinha com um homem. Sobretudo, não era por que Levi era um rapaz que Isaac conhecia desde a juventude que era realmente confiável. Pessoas vis não escrevem em suas testas que são vis. Como pai e avô de mulheres, o próprio Éden entendia esse conceito. Ele não ficou ofendido, sua filha tinha passado maus bocados nas mãos de um homem que parecia inofensivo. Éden apenas retrucou:

-É só mandar a Peony e uma de suas filhas. Ou a duas se sentir confortável.

Ao terminar de falar, Éden olhou para sua filha Peony. Ela levantou e agarrou o braço de uma jovem de cabelos pretos ao seu lado.

As duas se estranharam com os olhos e por fim, a mais jovem cedeu.

-Nós nem falamos se queríamos conversar ou não.

Retrucou Levi, com uma carranca se formando. Ginger o encarou em resposta. Ela realmente não queria conversar com ele, mas ao mesmo tempo sentia que eles precisavam colocar os planos em panos limpos. Afinal, era um casamento. Ginger quase sentiu sua língua coçar de reclamações sobre a lança. Quer dizer, ela não conseguia se reconciliar com aquele susto. Ela quase foi atingida por um lança... E Levi claramente sabe falar. Ele não poderia ter falado? Ao pensar nisso Ginger ficou mau humorada e uma carranca se formou em seu rosto.

Levi não viu a carranca de Ginger, por que seu pai lhe fez uma cara muito feia. Três carrancas se formaram naquela sala e Isaac sentia que outras logo surgiriam. Suspirando, ele olhou para as duas filhas ao seu lado. Soul quase fingiu que não era com ela, mas sua mãe a beliscou antes. Beverly assentiu em resposta e intrometeu-se calmamente na questão:

-Meus lordes, é sobre One Hall afinal.

Os dois homens olharam para Beverly. Ela sorriu para eles em resposta. Esse casamento era importante para Ginger, pois ela queria escapar do alistamento, mas era mais importante para One Hall. A barreira de One Hall estava se deteriorando, mais e mais zumbis surgiam em One Hall, não havia tempo a perder.

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Um grupo de seis pessoas saíram da sala pela porta que dava a um jardim interno. Soul, Beverly, Peony e Akatsuki seguiam o par de mau humorados. Os anciões continuaram na sala, carrancudos. Zachary ria baixinho e sua esposa, Lucy tentava contê-lo desse vexame. O sogro estava sobre muita pressão com todos esses ataques recentes. Se o noivado de Levi não desse certo, Éden teria que arrumar uma mulher. Seria um feito complicado de se fazer: precisava ser uma Imune, ter cerca de trinta anos ou mais, e os antigos moradores do Continente Perdido fizeram o “grande” feito de exterminar todos os Imortais da Terra dos Mortos, ou seja, precisava ser uma mulher de fora. Uma mulher disposta a sair de sua terra natal e morar em um lugar em que mostos não morriam de primeira. Difícil...

-Eu acho que isso não vai dar certo.

Comentou Eleonora, semicerrando os olhos para a porta, de onde o grupo tinha acabado de sair.

-Parece que vai difícil mesmo.

Concordou Éden, com uma careta. Levi sempre teve o temperamento mais melancólico, e depois da morte da mãe se tornou ainda mais quieto. Não bastasse isso, seu temperamento era naturalmente difícil. Não era cruel ou injusto, mas extremamente confiante, beirando a arrogância e ligeiramente dominador. Quando mais novo era óbvio, mas depois de quase morrer para um vampiro e perder seu meio-irmão mais velho, essas características se disfarçaram com seu temperamento calado. Sua pouca diplomacia, excesso de eficiência como Exterminador e a o rosto carrancudo de sono o resultaram em seu apelido de Príncipe Sombrio.

Seu filho caçula, Abraham era mais adequado para o tipo de empreendimento que Levi, mas o que o fazia adequado era o que o meteu na confusão que se encontrava atualmente.

-Como está o Abraham?

Perguntou Eleonora, fazendo com que Isaac engasgasse com o que estava bebendo. Zachary por outro lado, riu alto, como um bom agente do caos que era.

Se Éden tivesse o dom da vergonha, ele coraria, mas como ele não tinha essa incrível habilidade, depois de calar o Zachary com um olhar, Éden respondeu:

-Ele está voltando para One Hall.

-Oooh... Que milagre! Reaprendeu a ler?

Ironizou Eleonora, a diplomacia morrendo fora das muralhas. Ela se enchia de raiva ao lembrar de todas as cartas que Beverly escrevia para o noivo e de todas as vezes que ela murchava com as expectativas frustradas de uma resposta. Por Eleonora e Isaac esse noivado já teria acabado.

-Sim...

Respondeu Éden desviando o olhar... Seu filho era vacilão mesmo, mereceu o susto que recebeu. Como uma mãe ursa mal humorada, Eleonora continuou:

-E o tal do noivado?

-Vai depender deles.

Suspirando, Éden respondeu. Eleonora certamente era uma princesa Scarlet com excelência, mas ele continuou a relevar seu tom condescendente, afinal, ela só estava preocupada com o futuro das filhas. Como o próprio Éden esteve um dia. Diplomático, o príncipe concedeu:

-Peço perdão pela atrapalhação dos meus filhos. Principalmente do Abraham.

Eleonora se aquieta com o pedido de desculpas. Não fazia sentido em insistir por mais do que isso. O noivado, e o posterior casamento, dependia dos filhos e certamente Beverly sentiria magoa se sua mãe interferisse nele sem sua permissão.

Olhando para a porta, os anciões esperaram com expectativa pelos resultados daquela “conversa”.