O fantasma da Indecisão
1 Indecisão
Terça-Feira. Chuva, vento e frio. Giuliana estava sentada na carteira, com dúvidas no seu dever de Matemática. Isadora, sua melhor amiga, tinha as mesmas dúvidas, até porque, a professora Lúcia não explicava e não pensava em quase nada. Focava em seus problemas de relacionamento, afinal, Cláudio havia a deixado há aproximadamente três semanas.
Giuliana era uma menina de cabelos encaracolados e olhos castanhos, era uma menina de poucos amigos, mas dava valor aos poucos que tinha. Estava na oitava série, como sua melhor amiga. Não gostava nem um pouco de matemática, gostava mesmo era de Artes, não só da matéria, mas também da professora, Laura.
Isadora tinha cabelos morenos e em destaque de seu rosto fino, tinha olhos azuis. Estudava na mesma classe de Giuliana, já que se conheciam a muitos anos.
–Isadora, você precisa vir aqui, eu vou ter um ADP! (ataque de pelanca).
–Ah, você e seus ataques! você é muito escandalosa, é só você colocar um vestido básico. Vocês vão ao cinema, não à Paris! — exclamou Isadora.
–Sim, eu sei, mas você tem que me ajudar! Você sabe que não sou boa com essas coisas de moda...
–Espere, estou chegando para resolver seu ''ADP''.
Sábado chegou. Giuliana estava feliz, pois sairia com Rodrigo, o rapaz maior de idade, de olhos claros e cabelos loiros, que havia conhecido em um restaurante há um mês.
Naquele dia, Giu e Isa passaram a tarde tentando achar uma roupa que se encaixasse com a situação. Optaram por um vestido básico, mas extremamente adequado, era bege com bordados de diferentes formas.
Eram 8 horas, Giuliana estava aguardando Rodrigo, em frente a uma loja de balas, no shopping principal. Estava concentrada em uma blusa que via na vitrine princial, quando de repente, Rodrigo apareceu em sua frente com um sorriso no rosto, mais feliz do que nunca.
–Estou muito feliz de você ter vindo, Giuzinha!
–Oi Rodrigo.... T-tudo bem? – Giuliana questiona com nervosismo.
–Não poderia estar melhor!
Entre essas e outras, ja estavam atrasados para a grande estreia do ano: ''O amor não se joga fora''. Chegaram ao cinema e o filme já estava nos primeiros dos longos e entediantes minutos, principalmente para Giuliana, que não gostava muito dessas ''caganeiras''. Havia apenas duas cadeiras — no pior lugar possível — no canto da primeira fileira.
–Sempre no pior lugar possível... – Comentou Rodrigo.
–Não tem uma vez... – Concluiu Giuliana.
Giu, com um ar de felicidade e ao mesmo tempo preocupada, sentou-se ali mesmo e Rodrigo a acompanhou sentando na cadeira da ponta.
–E então... você... vem sempre aqui? – Perguntou Rodrigo.
–Depende... às vezes sim, às vezes não...
Rodrigo começou a olha-la com um olhar estranho. E Giu comentou:
–Você não acha que está cedo demais?
Um silêncio se fez.
–Cedo para quê? – Concluiu o garoto, se fazendo de despercebido.
–Esquece... – Concluiu Giu, se arrependendo da pergunta.
Giuliana também percebeu que Rodrigo também não estava gostando muito do filme, apenas pelo seu rosto, então resolveu perguntar:
–Esse perfume é muito bom...
–Concordo, mas não vêm de mim. –Respondeu desanimado.
Giuliana olhou para o outro lado e viu que o cheiro vinha de um outro homem, sentado no meio da fileira, olhou o rapaz. Era malhado, estava desacompanhado. Tinha cabelos castanhos e olhos claros. Era bem vestido.
O filme continuava um tanto chato, mas Rodrigo parecia estar com interesse em assistir agora. Giuliana tentou se concentrar no filme, mas o perfume penetrava suas narinas. Com isso, deixou escapar:
–Mas que filme chato!
Rodrigo virou-se.
–Disse alguma coisa?
–Não... – Respondeu com voz fina.
O filme estava nos minutos finais, Giuliana fingiu ter prestado atenção em cada minuto, quando estava colocando o celular no bolso. As luzes se acenderam.
–Preciso ver esse filme de novo... Você gostou? – Sibilou Rodrigo.
–Ah!... Gostei... – Respondeu Giuliana, perguntando a si mesma sobre o quê se passara no filme.
O celular de Giuliana tocou.
–Alô? Mãe... sim, acabou agora! Você já esta vindo? Tudo bem... Sim mãe, não, é, sim, vou tomar cuidado, você também! Tchau! – Giuliana desligou o telefone.
–Hmm... acho que já vou indo... minha mãe está pra chegar... quer uma carona?
–Não obrigado... vou ficar mais um pouco... acho que vou encontrar uns amigos...
–Tudo bem... Até mais... –Respondeu Giuliana, desanimada.
Giuliana estava caminhando em direção à saida da grande sala de veludo vermelho, quando viu o ‘Homem Misterioso’ saindo primeiro.
Giuliana atravessou a porta e não viu o homem, então, foi direto para a saída. Onde sua mãe, Ângela, já a aguardava.
O fim de semana acabou, como se nem tivesse começado, pois Giuliana não conseguiu grandes conquistas, apenas um grande arrependimento.
Chegando ao colégio, Giuliana contou toda a história do fim de semana para Isadora, mas ela não estava de muito bom humor devido a Matemática, que não estava fácil pra ninguém.
–Como você é burra, Giuliana! Você tem um encontro com um garoto e fica reparando no perfume de outro?
–Eu sei... nem eu me entendo, não foi de propósito...
–Vamos esquecer esse assunto? Vamos pensar em coisas felizes! Férias, por exemplo....
–Mal consigo acreditar, faltam poucos dias... é disso que eu preciso...
–Eu também... Mas por enquanto, temos que ficar concentradas na Matemática, infelizmente... Agora vamos, a não ser que queira se atrasar para a aula de Matemática, ninguém merece! — Exclamou Isa.
Isadora e Giuliana passaram pelo corredor de paredes azuis com várias fileiras de armários, onde o sol da manhã iluminava e refletia nas paredes. Chegando à sala de aula, não havia professor nenhum lá. Apenas havia muitos alunos barulhentos em suas carteiras. Giu e Isa sentaram-se em suas carteiras de sempre, no meio da sala, nas últimas carteiras.
–Ela deve ter se atrasado... Literalmente ela não conseguiu levantar! – Brincou Isadora.
Giuliana riu.
Passaram-se mais alguns minutos e nada da professora Lúcia entrar na sala de aula. A conversa dos alunos parecia aumentar cada vez mais com as outras aulas que se iniciavam. Um silêncio se fez e Giuliana virou-se para frente quando viu que o diretor Sr. Wilson, do Colégio '' Dona Maria'', entrou na sala de aula com um olhar de desespero, explicou aos alunos da oitava série que a professora Lúcia tinha se despedido de seu emprego, sendo que foram 25 anos de experiência e esforço. O Sr. Wilson disse que ela estava tendo crises de relacionamento novamente, então resolveu dar um tempo. Assim, Wilson contratou um substituto para a aquele dia e talvez alguns outros.
Giu começou a suar e tremer, quando viu que o professor substituto, era o homem desconhecido do cinema.
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