O escolhido
13 Olívia Illéa
Notas iniciais
– Como você está? — pergunto para Charlotte que está deitada em um dos leitos da enfermaria. Ela sorri, como se dissesse que está tudo bem.
Quando as explosões começaram, foi um verdadeiro caos, as pessoas corriam desesperadas para todos os lados, tentado salvar suas vidas. Naquele momento eu só consegui pensar em uma coisa, se Violet e Amberly estavam vivas. Por isso que no momento em que eu vi a carruagem tombando, abri a porta do carro e pulei por cima da Pietro desesperada tentando chegar até elas. Os soldados nos outros carros fizeram o mesmo.
Vi Aspen Leger, correr seguido de seus subordinados em direção a carruagem, ele se abaixou e ajudou rei Maxon a sair, outro soldado se abaixou e tirou a rainha América, que estavacdesacordada e tinha um corte feio na testa.
Rei Maxon, voltou desesperado para tentar ajudar as filhas, mas dois soldados o tiraram de lá quase carregado em meio à confusão. Consegui chegar até a carruagem e vi Louis carregar Amberly para fora, começei a puxar Violet que gemia de dor.
Eu tentei tirá-la de lá, eu fiz tudo que eu aprendi a fazer em casos como esse, afastei ela da confusão, me misturei na multidão, mas de nada adiantou. Em um minuto ela segurava minha mão e no outro estava sendo levada para longe. Tentei chegar até ela, mas a multidão nos afastou mais e mais...
– Liv? — Charlotte me olha preocupada. — A culpa não foi sua...
Ela tenta me consolar, e começo a rir do seu gesto. Era ela quem tinha levado um tiro no braço, eu que deveria confortá-la e não ao contrário. Posso ver pelo seu olhar que a minha risada a deixou mais preocupada.
– Eu vou ficar bem. — minto para mudar de assunto. — E o seu braço?
– Ele vai ficar bom, o médico disse que foi só de raspão. E os outros?
– Amberly ainda está dormindo, tia América, está no escritório, com tio Maxon, rainha Nicoletta é rei Ferdinando.
– Alguém mor...? — ela começa mas percebo que teme terminar a pergunta.
– Uma grande quantidade de civis, alguns soldados italianos e dois soldados de Illéa.
Charlotte fica extremamente pálida, e segura meu braço com força.
– Quem..?
– Eu... — quando vou responder, alguém entra na enfermaria.
É Louis. Sinto a mão de Charlotte soltar meu braço e ela da um longo suspiro aliviada.
– Senhorita Olívia, o rei Maxon e a rainha América pediram que eu levasse a senhorita ao encontro deles. — ele tem alguns arranhões no rosto, mas fora isso parece bem.
Eu confirmo com a cabeça um pouco nervosa. Ele encara Charlotte e percebo que está com um semblante que mistura preocupação e alívio.
Quando começo a me encaminhar para a porta, ele me segue relutante.
– Não precisa me acompanhar. — digo sorrindo para ele. — Se não se importa, poderia fazer companhia a Charlotte?
Vejo um brilho em seu olhar que ele disfarça rapidamente.
– Claro senhorita.
– Olívia — digo para ele — não precisa me chamar de senhorita.
Ele confirma com a cabeça, e quando estou saindo, vejo pelo canto do olho ele sentar na beira da cama de Charlie.
– Como você está? — ouço ele perguntar a medidas que vou me afastando do quarto.
O castelo está uma confusão de enfermeiros correndo de um lado para o outro, ajudando soldados feridos. O ataque de hoje foi brilhantemente executado, eles causaram uma distração grande o bastante para impedir que medidas fossem tomadas logo, e ainda por cima conseguiram capturar um dos membros da família real.
Os sulistas estavam cada vez mais ousados desde que a retirada das castas começou, mas nunca imaginei que eles teriam capacidade de algo assim.
Vou caminhando pelo corredor cheio de pessoas indo apressadas de um lado para o outro, até que me deparo com a suposta porta do escritório do rei Ferdinando. Bato e ela é aberta alguns segundos depois.
Dou uma olhada nos presentes. Eram bem poucos, esperava que houvesse mais pessoas para procurar Violet. Estávamos apenas, os reis e rainhas, Antônio, comandante Leger, o camandante da guarda italiana e Píetro, encostado em um canto. Ele tinha um corte na bochecha.
– Que bom que veio Olívia. — me cumprimenta tio Maxon, sem muito entusiasmo.
Claro que ele estava deprimido, sua filha estava desaparecida, provavelmente era refém de rebeldes, rebeldes cruéis, que não poupariam Violet se não obtiverem o que querem, que no caso é tomar o poder para eles.
Tio Maxon estava com certeza deprimido, mas não estava pior que a tia América. Ela esta sentada em uma poltrona próxima ao marido que está em pé. Extremamente pálida, com os olhos inchados de tanto chorar, e tinha um corte sério na lateral da sua testa, estava com os olhos inertes, perdida em sua própria depressão.
Ao vê-la naquele estado, sinto um nó na garganta, quando impesso a mim mesma de começar a chorar também. Como eu pude falhar daquela maneira? Minha melhor amiga estava perdida e a culpa era minha. O nó em minha garganta parece ficar mais apertado.
Eu apenas balanço a cabeça para ele, com medo de abrir e a boca e começar a chorar.
– Agora que estão todos aqui, podemos começar. — diz a rainha Nicolleta.
Enquanto tio Maxon, fica atrás da poltrona da esposa e repousa a mão em seus ombros. Que tremem levemente enquanto ela chora em silêncio.
– O ataque de hoje, não foi um ataque qualquer. Foi obviamente premeditado, e creio que a meses. — ela faz uma pausa para ver se todos estão prestando atenção. — Mais de uma testemunha, viu um estranho rapaz pelo aniversário de Annabelle, que afirmava ser um representante de Illéa. Esse mesmo rapaz, conversou com meu filho e deu-lhe a ideia de fazer uma parada quando vocês chegassem.
Vejo pelo canto do olhos, Antônio abaixar a cabeça, obviamente envergonhado pela sua decisão. Eu não o culpo, acho que ninguém nesta sala o culpa, era uma ideia interessante, que infelizmente foi usada para um ataque.
– Durante este infeliz ataque, muitos de meus súditos morreram, assim como meus soldados, e Violet provavelmente foi capturada. — vejo mais lágrimas escorrerem pelas bochechas da rainha América. — Vamos fazer o máximo, para pôr ordem nesse caos, e começar as buscas por Violet, enquanto esperamos ser contatados pelo possível resgate.
Rei Maxon olha em meus olhos e pergunta.
– O que aconteceu?
Eu engulo em seco e respiro fundo tentando me recompor.
– Eu a tirei da carruagem, e a afastei da confusão, nos misturamos na multidão, eu tentava localizar um lugar seguro ou algum soldado que nos ajudasse, quando alguém a carregou para longe de mim... — sinto as lágrimas em meus olhos, mas respiro fundo impedindo que elas caiam. — Eu tentei chegar até ela, mas ela correu para longe, seguida por alguns homens, e eu os perdi em meio a multidão.
Ele não esboça nenhuma reação quando me olha. Será que ele me odeia? Me culpa por ela ter sido capturada?
Não consigo ficar naquele lugar nem por mais um segundo.
– Se me derem lincença... — digo e começo a me dirigir para a porta sem esperar pela permissão.
Assim que a porta fecha atrás de mim, corro pelos corredores. As pessoas passam por mim e me olham com pena, como se quisessem me consolar. Eu não preciso que me consolem, eu não preciso que me olhem com pena. Vejo uma pequena porta mais à frente e entro. É um armário, com alguns tecidos e toalhas.
Recosto- me a parede e vou deslizando até o chão. Sentido as lágrimas molharem minhas bochechas. Agora que não há ninguém por perto para sentir pena de mim, eu deixo que elas escorram pelo meu rosto. Eu começo a soluçar, abraço meus joelhos com força e fico assim por um tempo, até que sinto uma mão em meus ombros.
Eu tomo um susto, pois enquanto chorava com a cabeça entre os joelhos, não percebi que a porta tinha sido aberta. Parado em frente a mim está Píetro.
– A culpa não foi sua Liv...
A pena que vejo em seus olhos cessam minhas lagrimas e sinto um ódio que vem do fundo do estômago. Eu o empurro com força e começo a gritar com ele.
– O que você sabe sobre isso?! Você não estava lá! — digo e começo empurrá-lo para trás — Ela gritou, pediu minha ajuda e eu não consegui ajudá-la. Voce não sabe nada é apenas um garoto mimado que acha que o mundo gira ao seu redor! Eu não preciso da sua ajuda, muito menos que me conforte.
Ele me encara espantado pela minha reação, eu viro e começo a me afastar dele ainda furiosa.
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