**Passado**

Havia saído correndo da casa do Inaba sem entender muito bem o que havia ocorrido. Parei de frequentar a escola com medo de acha-lo, e me tranquei em minha casa, aonde sabia que é um lugar seguro, pois como eu vinha a ser antissocial na escola e não falava muito com meus colegas, nenhum deles sabiam onde eu morava.

Quando o meu pai soube que eu não estava mais indo á escola, mesmo sendo muito ocupado me perguntou o "por que" e falei que não suportava mais ficar em uma escola, onde não conseguiria ajuda-lo no trabalho, pois, sabia que há anos isso era tudo o que queria ouvir de mim.

Ele ficou muito feliz, tanto que até se esqueceu de me perguntar do motivo real, me oferecendo um apartamento que ficava perto da fábrica de doces onde ele trabalhava, e um emprego nesta, na mesma hora eu aceitei.

Já que em minha mente tudo já estava decidido, sai de casa pensando que deste modo eu não teria nenhum contado com o miserável que tentou se apoderar de minha inocência e eu não posso permitir isso, não mais uma vez.

Depois de alguns dias, peguei um táxi que me levaria até a cidade, após ter saído do táxi e paguei o motorista, percebi que havia vários prédios ao redor, e como eu estava sozinho, ou seja o taxista deu no pé, indo pegar outros possíveis cliente.

Tentei perguntar para as pessoas aonde ficava o tal prédio do apartamento, mas todas pareciam estar com pressa, com toda a agitação do local que me ignoravam.

Então resolvi por mim mesmo procurar a fábrica de chocolate, porém, acabei ficando mais perdido ainda, além de que acabar chamando a atenção de um grupo de homens que logo formaram um circulo ao meu redor.

Pensei que estava tudo perdido e que iam me assaltar e talvez até me assassinar mas um garoto que parecia ser suicida por ter corrido em minha direção e agarrado a minha mão, levou-me junto com ele.

—Por que você fez isso...? Por que me salvou? um completo desconhecido —Perguntei-lhe este quando finalmente parou de correr.

—Eu só estava passando e já que você estava com problemas, resolvi fazer algo, só isso. —falava em quando limpava o seu casaco.

Sabia que ele estava mentindo, porque consigo reconhecer um gay quando encontro um por experiência própria, Porém, ignorei o fato pois não é por ser um gay que vai me atacar ou que tenho que pensar algo assim e também que não é como se eu fosse ver ele todos os dias.

Mas o perguntei a onde ficava a fábrica como pensei que talvez ele soubesse onde se localizava, por sorte ou por azar ele sabia e me mostrou onde ficava.

Após isso o agradeci e ele me disse que estava atrasado para o trabalho, logo saindo correndo, acho que essa agitação toda é algo especifico da cidade que acabou por me afetar já que eu esqueci de perguntar a onde ficava o apartamento, porém pelo mapa mau desenhado de meu pai apenas mostrando o trabalho e o apartamento sem um monte de prédios e muito menos ruas tive como ter uma noção de onde ficava mais ou menos.

Entrei finalmente em meu novo apartamento depois de ter andado em círculos e notar q na verdade ficava uma rua mais a frente, me arrumei e fui para o trabalho.

Mesmo com medo de achar mais pessoas que me fizessem mal, segui em frente e achei a fábrica por sorte em cima da hora marcada pelo meu pai sem ter me avisado direito de nada e apenas ter desligado o celular na minha cara.

Quando cheguei ao meu destino, para minha surpresa, a pessoa que iria ser meu tutor no trabalho, era a mesma pessoa que havia me salvado mais cedo e ele também se surpreendeu ao saber disso, mas nem tanto quanto eu. Ele até pareceu ficar feliz, porém tentou não demonstrar, em quando estava com medo de ser mais uma vítima de um homossexual. Todavia, com o passar do tempo, até consegui me dar bem com ele que acabou se tornando meu amigo e descobri que seu nome era Shisemi.

Porem em uma certa noite ficamos apenas nós dois depois do trabalho, ele tentou me beijar, e acabei mostrando um lado meu do qual pensava que não precisaria mostrar para alguém.

Este se assustou e fechamos um tipo de acordo, onde ele nunca mais iria tentar fazer algo comigo, a não ser que eu desejasse. O coitado caiu direitinho na armadilha, pois desse dia em diante não tentou fazer nada. Sempre que algo rolava, eu tentava mudar de assunto e acabava falando sobre o Inaba de uma forma ou de outra apenas para distraí-lo de nós dois sozinhos.

Depois de tempos neste ramo me encontro frente a frente com o Inaba, neste ano ele era um dos principiantes candidatos para trabalhar com chocolates. Tentei explicar sem problemas para todos, como as coisas funcionavam, mas algumas vezes ficava o encarando, o que ele percebeu.

Mais tarde quando todos já haviam sido dispensados, o Inaba ficou só comigo naquele lugar espaçoso e fiquei meio desesperado com isso!

—Você não vai para casa? —o Perguntei nervoso.

—Eu queria conversar um pouco com você

—Não entendeu minhas explicações? —Tentei me desviar do que imaginava que este faria.

—Na verdade, estou curioso sobre seu nome já que você não o falou deste que chegou.

Por que esse malditos gays gostam de me pegar de surpresa?!

—Er.. bem... —Tive de pensar rápido em um nome falso, pois quanto mais rápido ele soubesse, mais rapidamente iria embora —Eu me chamo Hisaki Hisai, então se era só isso o que queria, pode ir para casa. —Inaba se levantou, indo em minha direção e fiquei sem ação.

—Acho que te conheço, de algum lugar. —Olhou-me curioso e com atenção para ver as minhas expressões faciais.

—Mas nós nunca nos vimos antes e mesmo se tivéssemos nos conhecido eu lhe reconheceria, não acha? —tentei o questionar

—Não, na verdade, acho que poderíamos esquecer facilmente quem conhecemos depois de muito tempo. —deu-me uma indireta.

—Está ficando tarde e tenho compromisso, então, se não se importa, vou indo. —Falei como último recurso para escapar e sai da fábrica de doces ileso.

Depois que cheguei em casa tive uma visita inesperada. Era o Shisemi.

—Ora, ora, se não é o Rick!

E lá vai ele, com mais uma de suas comprimentações esquisitas e sem graça.

—E você estava esperando outra pessoa? —disse lhe ironicamente —Quem mais poderia ser? Uma namorada gostosona?

—Não, só passei aqui para saber como foi o seu dia no trabalho.

Com certeza ele devia estar com outro propósito em mente. Eu devia ser cauteloso.

—Foi igual a todos os outros dias. Porém, hoje, uma pessoa conhecida apareceu lá.

—Não me diga que é aquela pessoa? —Ele ficou sério.

Acho que devo ter exagerado um pouco quando contei sobre o que aconteceu entre mim e o Inaba para ele...

—Sim, mas não se preocupe, sei lidar com isso e não sou criança para se preocupar.

—Se você diz, então veremos —Falara antes de sair de cena com um estranho sorriso em seu rosto, logo me deixando confuso.

Após a saída do Shisemi, tomei banho e fui dormi, já que quase passava da meia noite, mas por mais que tentasse dormir fiquei pensativo sobre o "veremos" do Shisemi, por quase toda a noite. Será que ele ousaria se entrometer nisso? Antes que eu notasse já havia dormido.

Continua...