O diário de uma garota qualquer

14 Uma velha nos faz um favor


Quando eu acordei, vi a minha roupa toda encharcada, um extraterrestre de mais de 2 metros de altura com a cabeça cortada, um mendigo correndo feito louco e um garoto pálido e uma garota loura conversando desesperados.

Quando me lembrei do que aconteceu. A sala enchendo de água, a corrida no corredor, a destruição da porta, o E.T., o mendigo que descascava uma laranja muito feliz...

Me levantei, e Alfre deu graças a Deus e comentou que achava que eu estava morta.

– Como você aguentou tudo aquilo? — Perguntou Alfredo — Tipo, você estava pendurada de ponta cabeça, se soltou, quase se afogou, salvou a gente, destruiu duas portas, correu muito e ainda matou um ser de outro planeta! Você é muito resistente!

– Eu não sou resistente. Só sobrevivi... Por pura sorte. — Resmunguei coçando a cabeça.

– Quer dizer que sobreviveu naquele buraco por pura sorte também? E foi jogada por um coelho assassino gigante e sobreviveu por pura sorte? — Argumentou a loira — Você é muito... Diferente! Nenhuma pessoa qualquer sobrevive nessas coisas!

– Mas eu sou uma garota qualquer. Somente uma garota qualquer. — Disse com a intenção de acabar com a conversa.

– Que nada! Você é muito fantástica! — Exclamou sorrindo Alfreda — Eu que queria ser como você, toda fantástica...

Fiquei com um pouco de pena dela, e resolvi consolá-la.

– Todos nós temos um lado fantástico. Ninguém é perfeito por completo. Aliás, ninguém é perfeito. Temos que aceitar todos como são.

O assunto então morreu. Então eu começar um outro.

– Estamos chegando no Acre? — Perguntei.

– Temos uma péssima notícia, Marina. — Alfredo falou hesitando um pouco.

– O que foi? — Perguntei nervosa.

– Quando a gente foi pra aquele negócio de plano dos vilões que o E.T. nos atacou — Ele começou — Ele nos levou numa mágica pra cá. E descobri que não estamos mais perto do Acre.

Engoli em seco.

– E... Onde estamos?

O garoto pálido levantou abaixou a cabeça. Logo, levantou bem devagar, e respondeu bem baixinho:

– Estamos em Santa Catarina.

– COMO? — Perguntei gritando — Como viemos parar aqui?

– Eu acabei de explicar! Ele fez alguma mágica, acho que teletransporte! — Respondeu Alfredo nervoso.

– Mas como chegaremos no Acre a tempo? — Indagou Alfreda — O ataque será amanhã! Temos que agir contra o tempo!

Ela tinha razão. Tínhamos que arranjar um jeito.

Sentei-me no chão. A única alternativa era desistir.

Mas, uma voz de surpresa apareceu.

– Olá meus queridos, tudo bom? Parecem exaustos e encharcados. Devem estar famintos também.

Assenti com a cabeça. Quando olhei pra trás, vi uma mulher com uns 79 ou 80 anos, alta, magrinha, com rugas em volta do rosto todo, cabelo branco, óculos escuros e um macacão de encanador vermelho. Não sei porque, mas quando vi aquele macacão, me lembrei do Super Mario, o encanador bigodudo. Quase disse isso, mas com toda a certeza, eu seria esganada.

– Quem é você? — Perguntei.

– Meu nome é Fátima, meu queridos — Ela respondeu — Ouvi a conversa de vocês. Eu posso ajudar. Mas antes, vocês precisam de tomar um banho, trocar de roupa e comer.

Concordamos, e fizemos isso na casa de Fátima. Depois, enquanto nos sentamos na mesa pra comer arroz, feijão e carne(finalmente comida de verdade! Eu só comia rosquinhas nessa viagem!), enquanto ela explicava como poderia nos ajudar.

– Eu sou uma poderosa, assim como vocês são — Explicou ela, inicialmente — Eu trabalho como vendedora de produtos enfeitiçados, que eu mesmo enfeitiço com poderes novos que eu descobri. Então, hoje mesmo, eu fiz uma moto que cabem 3 pessoas. Ela não é uma moto qualquer. Ela é enfeitiçada, que quando liga que começa a dirigir, ela corre numa velocidade tão grande que se você quer ir, por exemplo, do Rio a Salvador, só vai levar uns 5 minutos. Confiável totalmente o produto.

Escutávamos ela com bastante atenção. Queríamos ver em que ponto ela chegava.

– Então, cheguei a conclusão que eu poderia dar a vocês essa moto. — Fátima concluiu.

Começamos a comemorar, porém ela interrompeu.

– Mas, a moto, para ter 3 lugares, deve-se pagar um adicional de 100 reais, pois é difícil arranjar aquele carrinho ao lado.

Ficamos em silêncio. Pegamos nossas carteiras e juntamos nosso dinheiro todo. Mas não deu nada mais que 23 reais.

– Fátima, só temos 23 reais... — Eu disse — Não tem como eu pagar pra você depois?

– Não, não mesmo. — Ela respondeu — Um de vocês deve ficar. Mas eu devolverei assim que vocês chegarem, não se preocupem. Podem confiar 100% em mim. Eu juro.

Trocamos olhares. Então, Alfreda disse:

– Eu fico.

– Alfre, não... — Eu disse puxando ela.

– Marina, já faltam 7 minutos para meia-noite, e o ataque começa a essa hora. — Alfre disse — Temos que tomar uma decisão logo, caso contrário nós nos ferramos.

Pensei um pouco, e assenti.

– Então vamos — Falei — Mas um problema: não sabemos dirigir motos.

– Não se preocupe, é só você subir na moto, falar o lugar onde quer ir bem alto que ela dirigi automaticamente.

Nos despedimos, agradecemos e subimos na moto.

Comecei a ter péssimos pressentimentos. E se nós morrermos?

Eu não podia pensar nisso, mas uma coisa não, não mesmo saía da minha cabecinha:

Em 5 minutos chegaríamos, em 5 minutos seria o ataque.