O diário de uma garota qualquer
8 Alugando bicicletas
Notas iniciais
– Sério mesmo? — Perguntou Alfredo, com uma cara de tédio — A gente tá no Nordeste, como iremos ao Norte sem transportes?
Eu dei de ombros.
– Perguntei a mesma coisa ao Bob — Falei — Ele disse que teremos que se virar.
Alfreda, que estava na minha frente, se virou.
– Ué Alfre, por que você se... — Quando eu entendi a lógica dela e dei um tapa na minha testa naquela hora — Não foi isso o que ele quis dizer Alfre.
– Mas ele disse para nós se virar — A menina falou com carinha de sapeca — Se virar, sacou?
– Meu Deus, que amiga burra eu tenho! — Eu exclamei.
A loira deu um tapinha de leve no meu braço.
–Ei, chega de brigar. — Falou o pálido.
– QUEM DISSE QUE ESTÁVAMOS BRIGANDO? — Eu e Alfre gritamos ao mesmo tempo na cara dele.
– Ai, peguem um pau e metam na minha cabeça! — Brincou o pálido com um sorriso.
Rimos um pouquinho, mas logo paramos.
– É melhor a gente ir logo, estamos perdendo tempo. — Resmunguei sem vontade de ir, pois eu só tinha 0,1% de chances de sobreviver.
– Você sabe que teremos que escalar aquela montanha que tem no bosque para ir pra cidade, né? — Alfredo perguntou, apontando para a montanha pela janela.
– Sério? — Indaguei de volta.
– Sério mesmo. — Ele confirmou.
Era só o que me faltava. Eu teria que escalar com duas pessoas uma montanha que tinha no mínimo uns 700 metros, e naquela época eu não conseguia nem subir uma escada com 50 degraus sem morrer — eu era tipo, MUITO sedentária — ou levar um tombo quando chegasse no topo.
– Vamos logo com isso — Murmurei — Temos que ir ao Acre enquanto der tempo.
Saímos do internato e começamos a caminhar no bosque. Não achava o bosque tão perigoso quanto falavam.
Quando estávamos a cerca de 50 metros da montanha, ouvimos um rugido distante, mas não era nada parecido com um rugido de leão. Aquele som parecia o som de leão, cabra, vaca, cavalo e gorila ao mesmo tempo.
– O que é isso? — Perguntou Alfre — Não parece nenhum dos animais que eu conheço...
– Isso pode ser um dos animais exóticos desse bosque — Alfredo argumentou — São animais que ninguém nunca viu na vida. Por isso não é permitido sair do internato. Temos que sair agora desse bosque.
Começamos a correr desesperadamente no bosque. O "rugido" começou a se aproximar.
A cada metro que corríamos, o rugido mais se aproximava, não o contrário.
Chegamos na montanha, e, quando começamos a escalar, o barulho chegou até nós. Quando o monstro se mostrou.
Fiquei decepcionada e com raiva na hora ao mesmo tempo. Era apenas uma espécie de coelhinho com a cara mais fofinha do mundo, a única coisa diferente é que seu pelo era turquesa, ao invés de ser de cores de coelhos normais.
– Estávamos fugindo disso? — Perguntei.
– Isso parece ser inofensivo! — Gritou Alfre — E até fofo!
Alfreda começou a acariciar o "coelho", e percebi que ela fez burrice.
Quando ela colocou a mão no pelo do animal, ele fez uma cara de assassino e se transformou em um coelho gigante com músculos gigantes e começou a "rugir". Ele crescia mais a cada segundo, chegando a ficar uns 500 metros maiores que a gente.
– E agora? — Alfredo apenas perguntou.
– Vamos correr! — Gritei, fazendo todos começarem a escalar.
O gigante então pegou a gente pela gola da camisa, lançando a gente para o mais longe possível. Ele provavelmente estava com muita raiva da gente.
Voamos longe, sem trocar nenhuma palavra. Caímos praticamente, em cima de um carro super-chique, e o mais incrível que só tivemos algumas feridas, não quebramos nenhum osso.
– Ai... — Sussurrei.
Olhei em volta, e reconheci de imediato o lugar. Era a frente do meu colégio antigo.
– Onde estamos? -Perguntou a Alfre.
– Em cima da montanha. — Respondi. — Na cidade onde eu moro, ou morava...
– Chega de recordações, Marina — Alfredo falou sério. — Temos que ir logo, e a pé ainda por cima.
Quando eu lembrei de um lugar da minha cidade onde tinha aluguel de bicicletas.
– A pé não. — Falei sorridente — Podemos alugar bicicletas lá em frente.
Eles concordaram com a ideia, e fomos alugar as bicicletas.
Chegando no lugar onde fazia aquilo, vimos 3 bicicletas exatas. Eu paguei o aluguel das 3, e subimos nelas.
Começamos a pedalar rapidamente. Viajamos por horas e horas pedalando. Tanto tempo que a gente decidiu parar em uma lanchonete, em plenas 11 horas da noite. A sorte era que a lanchonete fechava meia-noite.
Entramos no lugar, cujo se chamava "Delícia de Pernambuco". Deduzi que estávamos em Pernambuco. Realmente, pedalamos muito.
Pedimos nossos sanduíches, comemos e procuramos um lugar pra descansar. Eu estava tão cansada que quando a gente encontrou um lugar pra dormir — uma farmácia, por sinal — eu desabei no sono.
Quando eu acordei, vi o Alfredo com um saco na mão.
– O que é isso? — Perguntei.
– Café da manhã para todo mundo. — Ele respondeu. — Comprei uns cachorros-quentes.
Tomamos o café da manhã, e fomos pedalar novamente. Mas dessa vez não foi tão tranquilo quanto a primeira viagem de bicicleta.
Nós todos estávamos pedalando, até que a gente começou a descer uma ladeira. A ladeira descia a 90º, por isso eu não estava segura. Daí, o Alfredo perdeu o equilíbrio.
Ele despencou de ladeira a baixo, com a bicicleta.
– Marina! — Gritou Alfre — Temos que salvá-lo!
Concordei, e pedalamos em direção dele. Contudo, uma pedra grande tinha no meu caminho. Minha bicicleta bateu na pedra, fazendo eu perder o equilíbrio e cair.
Comecei a rolar ladeira abaixo juntamente com o Alfredo. Ele recuperou o equilíbrio e começou a se segurar na estrada. Já eu caí num buraco.
Achei que aquilo foi... O fim da minha vida.
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