Notas iniciais
Boa leitura ;)

Capítulo 7

POV Luiza

Só podia ser um sonho, uma alucinação, sei lá, mas não, eu podia sentir o calor que vinha dele enquanto eu ainda estava encostada em seu peito, e nem consigo descrever o que senti quando olhei pra cima e vi o seu rosto. A única coisa que eu consegui fazer foi olhar pra ele e de repente minha visão ficou turva pelas lágrimas que vinham sem permissão e ele sumiu.

Entrei no quarto e vi rostos igualmente espantados e soube que era verdade, não só eu, mas como todos tinham o visto, ele esteve naquele quarto, mas eu precisava saber.

– Ele estava aqui, não era um sonho?

– Ele apareceu aqui do nada, mas como pode isso, eu não entendo o que está acontecendo. – Respondeu Marcio.

– Ele voltou? Como? – Falou meu sogro

– Ele voltou? Pra onde ele foi? – Falou Lúcia fracamente.

– Quem é ele vovó?

– Quem voltou, quem era aquele? Mamãe? Vovô? Tio? Alguém pode dizer pra gente, acho que estamos boiando.

Quando eu iria responder eu fiquei sem palavras, como explicar pra elas que quem ela provavelmente viram ali era o pai delas que até essa manhã elas achavam estar morto e que do nada aparece no quarto da avó. Quando iria falar, vi a Daniela chorando e me olhando e nesse momento eu soube que ela tinha entendido tudo.

– É o papai não é, aquele era o papai, ele é um pouco diferente das fotos que a gente tem em casa, mas é ele não é mamãe?

– Sim, aquele é o seu pai, de alguma forma ele apareceu aqui, mas desapareceu diante dos meus olhos. – Não agüentei e comecei a chorar, elas vieram e me abraçaram.

Nesse momento a porta se abriu e Carla, a esposa do Marcio entrou segurando pela mão uma menina de 10 anos, a Melissa.

– Oi gente. O que houve? – Falou olhando pra Lúcia pra ver se estava tudo bem.

– Carlinha, o...

– O papai apareceu aqui tia, o papai voltou! – Cortou a Daniela com voz de choro.

Ela olhou espantada pra mim e correu pra me abraçar.

– Como assim Luiza, como assim ele voltou? Eu não estou entendendo.

Explicamos o que tinha acontecido pra ela enquanto as meninas tinham ido até a lanchonete comer alguma coisa com a Melissa.

– E foi isso Carlinha, eu estou tão perdida, e se eu estou confusa, imagina as meninas. Eu contei hoje pra elas o que tinha acontecido com ele e quando chego aqui dou de cara com ele. Meu Deus, o que está acontecendo. – Falo recomeçando a chorar sem consegui me controlar.

– Marcio, é melhor a gente levar ela e as meninas daqui, isso não vai fazer bem pra sua mãe. – Falou olhando pra Lúcia que estava com o Pr. a consolando.

Passamos na lanchonete e pegamos as meninas e fomos pra casa em silêncio, Marcio deixou Carlinha e a Melissa lá em casa e voltou pro hospital pra ver como estavam as coisas.

As meninas foram pro quarto muito quietas e eu sabia que isso não era bom.

– Melissa, vai ficar no quarto com suas primas que eu preciso conversar com a sua mãe. – Falei sorrindo pra ela.

– Tudo bem tia, mas não chora mais, eu não gosto de ver a senhora triste. – Falou me dando um beijo. Ela era uma menina muito doce como o pai, mas que as vezes tinha o temperamento da mãe.

– Tudo bem, minha gatinha. Mas a tia não está triste, só um pouco nervosa. Depois a sua mãe vai conversar com você e você vai entender. Melhor, pede pras suas primas te explicarem tudo. – Eu sabia que seria melhor elas falarem pra alguém o que estava acontecendo e mesmo a Melissa tendo 10 anos, era muito esperta e iria entender.

Depois que ela vai pro quarto das meninas eu não consigo segurar mais e choro novamente, eu não sei bem o que sentir ou o que fazer, mas a pergunta maior é: Porque ele foi sumiu outra vez, do nada, como se fosse um fantasma?

– Eu não sei o que pensar, eu não sei o que fazer e nem sei o que falar pras meninas se nem eu mesma entendo o que está acontecendo. – Falo ainda chorando.

– Luiza, eu nem sei o que dizer, isso é tudo tão confuso e surreal. Naquele dia da praia e até flutuou como vocês me contaram e desapareceu do seu colo e agora da mesma forma ele aparece e desaparece minutos depois sem dizer nada.

– O que eu não entendo é como e porque ele sumiu por 13 anos, Carlinha são 13 anos! Agora ele aparece e sem nem dizer nada ele desaparece literalmente. Meu Deus o que está acontecendo?

Uma hora depois, quando eu estava mais calma a Carlinha e a Melissa vão embora e eu vou até o quarto das meninas sem poder adiar mais aquela conversa.

POV Marcio

Eu deixo a Carlinha e a Melissa com as meninas e a Luiza e volto pro hospital pra ajudar meu pai com a minha mãe. O caminho até lá passa como um borrão enquanto eu tento entender o que está acontecendo, como o Lucas aparece depois de anos e some do nada e sem dizer uma palavra. Uma raiva começa a crescer dentro de mim e é assim que eu chego no hospital.

Quando eu entro no quarto o motivo da minha raiva está lá e antes que eu possa falar qualquer coisa ele coloca as mãos no peito da minha mãe e uma luz branca aparece, isso fica por um minuto mais ou menos e ele pega minha mãe no colo, quando eu vou falar alguma coisa eu percebo que eles desapareceram.

– Pai, o que está acontecendo aqui, pra onde o Lucas foi com a minha mãe? O que ele acha que está fazendo?

– Calma Marcio, ele apareceu e disse que iria ajudar a sua mãe a não sentir dor e iria levar ela pra um lugar que ela iria gostar.

– E o senhor deixou? Pai, esse é mesmo o Lucas? Onde ele estava esses anos todos? O que aconteceu com ele? Quem garante que ele ainda é o mesmo?

– Marcio, ele ainda é o seu irmão, é o Lucas, ele está de volta e eu tenho certeza que assim que puder ele vai nos explicar tudo. Mas como está a Luiza e as meninas?

– A Luiza não sabe o que falar pra elas, ela mesma não sabe o que pensar. Acho que nenhum de nós sabe realmente como lidar com isso. Eu estou preocupado com a mãe e o que ele vai fazer. Ela não está bem e não pode se emocionar. Porque o senhor deixou ele aparecer aqui e levar ela? E o que foi aquela luz saindo da mão dele no peito dela, pelo amor de Deus, isso não existe. – Falei começando a sentir um pouco de desespero. Não sei porque o meu pai está tão calmo.

– Marcio, fique calmo, seu irmão vai voltar com a sua mãe bem, eu sinto isso.

Eu me calei porque a única coisa que eu poderia fazer agora era esperar e brigar com meu pai não ajudaria em nada, mas quando o Lucas voltasse ele iria me ouvir e iria ter que explicar tudo muito bem.