Notas iniciais
Sejam bem viados a mais uma fanfic ruim escrita na escola, dos mesmos criadores da famosa Neide (que, se você não conhece, deveria ler Los Venenos de La Pasion, aqui na mesma conta). Danyllo eu te amo.

Olhei para o meu caderno, tivemos um contato visual breve. Era limpo e organizado, eu nunca escrevia sequer uma palavra sem pensar cinco vezes, e os únicos desenhos nele eram os que o professor fazia no quadro. Não levava meus desenhos para a escola, obviamente. A ideia de alguém ver as coisas que eu penso é assustadoramente inusitada.

Meus colegas de classe falavam alto, mas eu permanecia no meu canto. Não me interessavam os papos infantis e as piadas de mau gosto deles. Eu estava lá apenas para estudar, apenas para realizar meus objetivos como o aluno numero um. Eles eram apenas insetos para mim, sem significância nenhuma.

Antigamente, eu me deixaria olhar. Passaria meus olhos pelos meninos da sala, sem nem perceber. Observando o jeito que seus dedos escreviam em seus cadernos ou como seus olhos dançavam pelas palavras escritas no quadro. Mas isso foi antes. Hoje em dia eu apenas me contenho e desvio o olhar, não vou deixar que percebam.

Pois é, tem isso também.

Sou tirado de meus devaneios por um som irritante.

"Ô DANYLLO!!!!" É Laryssa me chamando.

"Que foi?" Pergunto, mas quero dizer "me deixa em paz."

"VOCÊ JÁ IMPRIMIU O TRABALHO DE BIOLOGIA?"

não.

"Sim." Eu digo, sorrindo. Falso em todos os aspectos da minha vida.

Ela me lança um olhar desconfiado e eu tenho medo, para uma menina daquele tamanho ela pode ser bem ameaçadora quando quer. Eu já vi ela em sua fúria total (contra um professor de matemática) e desde então não penso duas vezes antes de agradá-la.

Do seu lado, vejo Amanda e Sergio de mãos dadas na mesa, conversando baixo sobre algum assunto qualquer. Será que eles sentem tesão em ficar de mãos dadas? Francamente, existe um lugar chamado Motel. Por que adolescentes são tão grudentos?

Eu estou sentado a uma cadeira de distância do grupinho, mesmo eles sendo a coisa mais próxima que eu tenho de amigos de verdade. Mesmo assim, Amanda me dá língua e pisca pra mim amigavelmente, dou o dedo do meio pra ela.

"A gente realmente precisa marcar pra ver aquele anime, gente." Laryssa diz, enquanto copia a matéria freneticamente. Nunca vi alguém estudar tão desesperada.

Amanda e Sergio concordam ainda de mãos dadas, e eles me convidam para assistir também. Digo que não. Tenho aparentemente muitas coisas para fazer, o que não é verdade. Não sei porque nego o convite, não sei porque faço muitas coisas, na verdade.

Do outro lado da sala, longe do nosso pequeno espaço, os meninos do grupinho do Guilherme gritam. Geralmente sou legal com eles, seleção natural e tudo isso. É o mais sensato, mas isso não quer dizer que gosto deles. Não os suporto. O jeito com que se unem como uma unidade complexa de bullys de ensino médio, o jeito que atacam os outros.

Nojento.

Guilherme está sentado do lado de uma cadeira vazia e me pergunto se está guardando lugar pra alguém -não que eu ligue- Qualquer pessoa que chegue na escola depois da primeira aula não é boa o suficiente para prestar atenção. Mesmo assim, fico esperando alguém passar pela porta. Ninguém passa durante o dia todo.

—------

Minha rotina quando chego em casa é simples e descomplicada, minha gatinha, Mina, me encontra na porta com um simples olhar felino de reprovação. Minha mãe não está em casa -ela nunca está- e eu faço um sanduíche na cozinha antes de dar comida para Mina e subir para o meu quarto.

Passo a maior parte do tempo fora da escola estudando, revendo os conceitos da aula e fazendo exercícios. Ainda preciso ver todos os detalhes faltantes para a reunião do conselho na terça-feira, como um bom representante de turma. Ter que olhar para a cara da representante de turma do outro segundo ano me dá ânsia de vômito, aquela voz forçadamente doce e calma. Mesmo assim, respiro fundo e anoto as ideias que tive para o baile.

Não que eu pretenda ir para o baile, não me entenda mal. Não tenho nenhum interesse em visitar um lugar fechado, com música alta irritante e pessoas que não gosto, bêbadas e fingindo que não estão, se pegando nos cantos como animais no cio. Meus amigos provavelmente vão, e parecem animados. Mas não sei se me enquadraria com eles.

Quando finalmente termino, já é noite. Minha mãe vai chegar em casa a qualquer momento para me cobrar alguma coisa, vai ficar satisfeita o suficiente para não gritar comigo e eu vou voltar para meu quarto e desenhar até dormir.

Desenhando, é a unica hora do dia em que não preciso fingir ou ser falso. É quando posso transformar todos os pensamentos reprimidos que não saem dos meus lábios.

Desenho um menino, rodeado de pessoas. Sorrindo e pertencendo, eles estão assistindo alguma coisa na televisão.

Isso não significa nada.

Notas finais
XOXO tchau gent ate quarta
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.