O diário de uma garota qualquer

18 A última página do diário


Notas iniciais
Olá, esse é o último capítulo. Gostaria de agradecer a todos que chegaram até o fim. Boa leitura.

– Bem, então vou ter que usar o poder de teletransporte para todos vocês. — Ângelo falou.

– Poder de teletransporte? — Perguntou Alfreda — Como não ensinou esse poder para gente?

– Eu ia ensinar, mas fui raptado pelo Sr. P... — Explicou o ruivo — Bem, segurem-se em mim. Próxima parada no Nordeste. Apertem os cintos e deliguem seus aparelhos eletrônicos. — Brincou imitando um típico comissário de bordo de um avião.

Peguei na mão de Ângelo, Alfreda pegou na outra mão e meus pais seguraram nos braços dele. Acho que seria uma longa jornada pela frente.

– Teletransportelidica! — Gritou o branquelo dos olhos verdes fazendo força. Em um piscar de olhos, chegamos em nossa cidade, que era próxima ao internato.

– Ãn, me esperem aqui. Volto já já. — Falei, e meus pais me acompanharam.

Próximo ao prédio de Natália, meus pais me abraçaram.

– Você vai voltar para o internato, não é? — Mamãe me perguntou.

–Sim sim. Mas voltarei no fim das férias. Eu prometo — Falei dando outro abraço neles — Agora, tenho que falar urgentemente com a Natália, com licença.

Entrei no prédio dela, subi no elevador, bati na porta do apartamento dela e comecei a esperar, até que Natália me atende.

– Oi Marina! — Ela falou quando abriu a porta — Nossa, você está horrível! Está toda machucada e suja! E o que são essas gazes no seu braço? Quer um banho? Minha mãe é enfermeira, quer que ela cuide de suas feridas? E sua missão foi concluída com sucesso? E o seu treinador gato? Vai voltar para o internato? Comprou um presente para mim?

Ri da cara dela. Ela falava demais, porém, com paciência, respondi uma pergunta de cada vez.

– Essas gazes foi uma longa história, resumindo, eu caí num buraco. E não, obrigada, não quero um banho. E não precisa gastar o tempo de sua mãe cuidando de minhas feridas. Minha missão foi concluída com sucesso sim. O meu treinador, eu salvei ele e... Ele me beijou. Eu irei voltar para o internato, porém voltarei para cá no fim das férias. E não, não comprei um presente para você.

– Me conte com todos os detalhes o que aconteceu na aventura! — Ela gritou empolgada — Principalmente essa parte do beijo, você me disse uma vez que nunca beijaria ninguém porque era nojento.

Ri um pouco. Essa era a Natália.

Contei a história toda de detalhe por detalhe, até que cheguei na parte do Ângelo e o beijo que Nat tanto queria saber.

– Bem, ele estava numa cela com meus pais, aí eu fui até ele, ele me disse onde estava a chave daquela prisão, aí eu encontrei e abri para ele, aí Ângelo chegou até mim e disse "desculpe, mas preciso fazer isso" e me beijou. Satisfeita? — Perguntei.

– Ele beija bem? — Ela perguntou ainda curiosa.

– Sim Natália. — Respondi sorrindo.

Conversamos um pouco mais, até que eu me levantei do sofá que ela me direcionou.

– Bem, eu tenho que voltar. Uns amigos meus estão me esperando. — Falei.

– Quer dizer, uma amiga e um namorado né? — Ela brincou.

– Eu nem sei se ele é meu namorado... Foi só um beijo. — Falei tristemente.

Dei um abraço em Natália e, antes de sair, falei:

– Até?

– Até.

Caminhei o mais rápido que pude até meus amigos.

– Puxa, finalmente né? — Perguntou Alfreda — Mas então, vamos?

– Vamos. — Falei olhando timidamente para Ângelo.

Alfre, vendo meu olhar para ele, foi um pouco mais na frente que nó dois, e ficamos atrás, andando e olhando um para o outro. Ele pegou a minha mão e chegou um pouco mais perto de mim.

– Você tem algum sentimento por mim? — Perguntou olhando para baixo.

Eu corei imediatamente. Tinha vergonha de responder, então, respirei fundo, reuni toda minha coragem e respondi.

– Tenho. E vão muito além que amizade. — Sussurrei timidamente.

Ele sorriu para mim, e continuou a segurar minha mão, e fomos caminhando até o morro que dava para o internato.

– Puxa, descer isso... Por que não aparece agora um coelho turquesa que não jogue a gente de novo? — Perguntou Alfre.

– Ãn? — Ângelo ficou desnorteado.

– É uma longa história. — Falei.

Descemos o enorme morro e caminhamos uns 500 metros. Até que não fiquei tão cansada quanto da última vez.

Entramos no internato, e surgiu um monte de gente nos aplaudindo, gritando e assoviando. Logo apareceu Bob Marley, com seu típico paletó e gravata na parte de cima, bermuda florida e chinelas na parte de baixo e uma boina nos cabelos desajeitados. Pela primeira vez na vida, estava com a barba e o bigode aparados.

– Parabéns Marina. Isso merece uma festa. Você foi muito corajosa — Ele falou sorrindo — É uma pena que nem todos puderam voltar vivos, mas tudo bem, ele está em um lugar melhor.

Fiquei um pouco triste ao me lembrar de Alfredo.

– Ei, por que essa cara? Vamos comemorar! — Falou Alfreda e Ângelo ao mesmo tempo.

Começamos a dançar, cantar comer, festejar, brincar... Um monte de coisa ao mesmo tempo. Quando Bob Marley subiu no palco e pegou o microfone.

– Bom dia, bom dia — Ele falou — Enfim, já que ocorreram imprevistos com o Sr. P, ele não poderá mais ser o diretor do Internato, então, eu, Bob Marley, serei o novo diretor.

Todos começaram a gritar e a aplaudir. Fiquei feliz por ele ter substituído aquela desgraça que tinha um nome. Ele com certeza se sairia muito melhor que Petrônio Berlespch.

A música continuou rolando e Bob desceu do palco, quando Ângelo subiu com um olhar meio preocupado. A música então mudou para uma romântica.

– Er... Olá? — Ele falou — Então, eu gostaria de passar uma mensagem para uma certa garota que não é qualquer uma para mim, mas se diz uma garota qualquer. Enfim, faz pouco tempo, eu sei. Faz pouco tempo que eu te conheço e tal, mas a cada dia que eu te via, mais ficava encantado por você. O amor me pregou de vez. Como eu disse, eu te conheço a pouco tempo, mas conclui que, no sentimento, o tempo não se passa de mais uma palavra que se encontra em um dicionário qualquer. Então... Marina... Sim, aquela menina que está escondendo a cara na montanha de coxinhas, a menina mais linda daqui. Você quer namorar comigo?

Me afastei da montanha de coxinhas e sorri um pouco encabulada. Sem ligar para ninguém, corri para o palco e me joguei nos braços dele.

– Sim! — Respondo.

Ele me beija, e as meninas falavam "own! Que fofinho!", os meninos falavam "Que sortudo esse aí heim?", mas ambos batiam palmas.

E esse foi o fim da história.

Mas não irei acabar de escrever agora, pois faltam algumas folhas para o diário acabar, e jurei a mim mesma que irei escrever até a última linha.

Bem, como estou com 35 anos agora, e isso tudo aconteceu quando eu tinha 14, vou contar o que aconteceu nesses últimos 21 anos.

Me casei com Ângelo, num pedido super fofo de casamento (bom, nem tanto, ele pediu um sanduíche para nós dois, e dentro do meu, ao invés de vir a comida, veio duas alianças de ouro. Ele se ajoelhou e fez o pedido, e eu... Você sabe né?), e tivemos dois filhos juntos, Ana Clara e Tomas. Ana Clara já está na ICP, enquanto Tomas ainda é muito pequeno para ir para lá. Alfreda se casou com um menino que entrou no ano seguinte depois da nossa aventura, chamado João Carlos, mas ela nunca esqueceu Alfredo, pois colocou o nome do filho que teve com ele de Alfredo. Bob Marley revelou seu nome (que por sinal era estranho. Ele se chama Arlindo Divo da Silva) e deixou de usar terno com bermuda. Ele usa roupas decentes agora. Natália se casou com o paquera que ela tinha desde os 6 anos e, o internato comprou outra tartaruga para substituir a que eu matei sem querer, e deram o mesmo nome da antiga, Millana.

Então é isso meu diário. Esta é a última página que posso escrever em você. Foi bom estar escrevendo em você nessas últimas horas e estando feliz por estar cumprindo uma velha promessa do velho Bob Marley.

Agora, terei que ir. Faltam apenas algumas linhas. Cinco, para ser exata. Foi bom mesmo escrever em você. Você será para sempre o meu diário. O diário de uma garota qualquer. Ângelo continua insistindo que não sou uma garota qualquer, mas eu insisto que sou uma garota qualquer.

Então é isso. Adeus,

Marina.

Notas finais
Espero que tenham gostado :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!