O destino dos Deuses - A história de kishan
1 O início
Notas iniciais
A versão em inglês já está rolando por aí.
Essa histório que vou começar a postar agora, eu escrevi há algum tempo. É como eu gostaria que as coisas acontecessem, e não uma versão de O sonho do Tigre.
Espero que vocês gostem de ler, como eu gostei de escrever.
Depois que vórtice do tempo se fechou levando Kelsey de volta para casa, ela, que era o meu lar, eu me senti perdido. Imediatamente me arrependi do meu sacrifício. Eu não deveria ter ficado.
Eu ficava me lembrando das palavras de Ren: "Eu não poderia me importar menos com a proteção da história, Durga ou sobre sua necessidade de ter um tigre, Tudo o que me importa é ficar com Kelsey." Eu sabia que meu irmão falava sério e por isso decidi ficar. Apesar de amar Kelsey profundamente, eu me importava com a manutenção da história. Eu me importava com o futuro. Eu senti que esse era meu dever, então eu fiquei.
Anamika ficou arrasada por ter perdido seu irmão. Phet ficou com ela por um longo período. Eu fiquei sozinho por vários dias e, sozinho, cuidei das pessoas que ainda estavam no acampamento, organizei as caravanas, ajudei a todos com o que me era possível. Desta forma, me sentia menos mal.
Quando eu ia descansar e ficava sozinho na tenda, lembrava-me de Kelsey e da minha família e me permitia chorar, sentindo a falta deles. Estranhamente, comecei a me lembrar de Yesubai.
Eu não pensava nela havia muito tempo, mas, talvez por causa da solidão que estava sentindo, comecei a me lembrar de como eu a amei. Durante muito tempo, eu pensei que o que senti por ela tinha sido apenas atração, porque ela era linda. Mas eu comecei a me lembrar dos meus sentimento. Eles não eram diferentes daquilo que eu sentia por Kelsey.
Yesubai era uma mulher linda, mas ela não me atraiu apenas por sua beleza. Eu senti algo nela. Apesar de sua fragilidade e de sua timidez, eu sentia que ela tinha uma força. Naquela época, minha mãe percebeu que Yesubai era vulnerável. Mamãe se preocupava com a segurança dela e queria que Yesubai se casasse com Ren para protegê-la dos abusos de seu pai. Mas quando percebeu que nós dois nos gostávamos, mamãe me apoiou. Ela me falava sobre suas preocupações, o que me fazia querer ajudar. Eu sentia que, se Yesubai se libertasse de seu pai, ela poderia liberar sua força, seu ímpeto. Eu sentia quando estávamos juntos, que Yesubai era muito mais do que aparentava, que ela poderia ser muito mais.
Depois de alguns dias, Anamika finalmente voltou para o meio de nós. Ela estava como Durga e vinha acompanhada por Phet. Eu percebi, assim que a vi, que ela estava diferente. Aquele poder que ela emanara na batalha contra Lokesh, aquela força intempestiva, havia mudado. A deusa ainda parecia poderosa, mas sua força agora, era como a de uma mãe protegendo os filhos. Todas as pessoas no acampamento, viraram-se para a deusa e se curvaram diante dela. Todos ficamos em silêncio para ouvir o que ela tinha a dizer.
— Meus filhos,— falou com a voz firme, porém suave— é chegada a hora de partirmos. Uma guerra foi travada e uma vitória conquistada. Cada um de vocês deve voltar para a casa e contar nossa história, para que o mundo não se esqueça. Cada um de vocês teve um papel importante nessa luta. —Ela olhou ao redor, como se estivesse olhando no rosto de cada homem e mulher ali presente — Cada nação levará consigo um presente e deverá cuidar para que ele seja usado com sabedoria.
A deusa virou-se para o xamã, que estava logo atrás dela. Phet ergueu a mão e lhe entregou o amuleto de Damon, completo. Durga o segurou e voltou-se para a multidão.
— Preparem-se para a viagem de volta para a casa. Foram providenciados alimentos e suprimentos o suficiente para que vocês viajem tranquilos. Mas antes de partirem, os generais de cada nação devem se reunir comigo.
Assim, os quatro líderes de cada nação aliada reuniram-se com Anamika. Eu também me dirigi à tenda onde a reunião aconteceria, representando a Índia. Durga-Anamika estava sentada no chão sobre grandes almofadas coloridas. A mesa ao redor da qual nos reuníamos para discutir estratégias de batalha, não estava mais ali. Várias almofadas semelhantes às de Durga estavam espalhadas pelo chão, sobre um grande tapete. A deusa fez um gesto e todos nos sentamos no chão, ao seu redor. Phet estava sentado a seu lado, eu me sentei do outro lado. Ela mostrou o amuleto de Damon completo aos homens ali reunidos e lhes explicou:
— Este amuleto, contém o poder da Deusa. Ele é capaz de controlar os elementos da natureza. Cada líder de uma nação levará uma parte deste amuleto consigo e o usará para ajudar seu povo. O amuleto deve ser protegido, pois não pode cair em mãos erradas. Vocês não devem revelar o poder deste amuleto a ninguém. A parte que cada um receberá, deverá ficar em sua família e será passado aos seus descendentes, que também deveram protegê-lo. Vocês devem contar a seus filhos e netos, que, uma vez, cinco nações uniram-se contra um inimigo poderoso e o venceram e que este amuleto foi dado ao líder de cada uma destas nações, para simbolizar esta vitória e lembrar sempre da amizade entre essas nações.
Todos os presentes acenaram com a cabeça em concordância. Então Durga entregou uma parte de cada amuleto para cada líder. Eu vi quando o líder chinês recebeu o amuleto do fogo, aquele que eu herdaria de minha mãe e usaria por tantos anos, antes de entrega-lo à Kelsey. A mim, Anamika entregou o amuleto que pertenceria a Ren, o qual ele receberia de nosso pai e que Kadam passaria a usar depois da maldição do tigre.
Senti-me melancólico ao lembrar de minha família e de que eu estava sozinho agora. Anamika me olhou e percebeu a minha tristeza. Ela esticou um dos braços, segurou minha mão e a apertou de leve. Então dispensou os líderes, desejando-lhes boa viagem. Phet os acompanhou para orientá-los sobre o uso das partes que cada um recebera, antes de eles partirem. Eu fiquei sozinho com Anamika, que permaneceu como Durga enquanto conversávamos.
— Meu tigre de ébano — Olhei para ela surpreso por ela ter me chamado assim — você é tão lindo! Seu irmão é raro, mas você é único, tigre negro. Por isso você é especial. Por isso seu destino é maior do que o dos outros.
Ela me olhou sorrindo benevolente. Eu fiquei paralisado. Ela não era mais a guerreira que eu conheci meses atrás. Ela era a Deusa Durga, de fato. Anamika continuou:
— Eu sei que você queria que as coisas fossem diferente. Você queria ter Kelsey. Mas ela pertence a outro — Ela baixou os olhos por um momento, então voltou a me olhar e sorriu brevemente —Sabe, nesses dias em que eu fiquei sozinha com Phet, ele me ensinou muito. Ele me mostrou quem eu sou. E ao saber quem eu sou, eu descobri quem você é. Quem é cada um de vocês. Você também vai aprender meu amado. Seja paciente. Você encontrará a felicidade.
Então ela levantou-se e saiu, deixando-me boquiaberto.
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