Mais tarde, encontrei Phet. Ele despedia-se de um grupo que deixava o acampamento rumo às suas terras de origem. Ele me saudou e veio até mim.

— Olá tigre negro. Como você está?

— Estou mal Phet. Não sei se tomei a decisão correta. Às vezes eu sinto que deveria ter insistido mais, lutado mais, ao invés de deixar minha felicidade escapar naquele maldito vórtice. Sinto falta de Kelsey. Sinto falta do meu lar.

— Você pensa que abriu mão do seu destino não é, tigre negro? Você acredita que abriu mão de sua felicidade porque fugiu do seu destino?

— É exatamente assim que eu me sinto.

— Pois tigre negro, você precisa aprender uma coisa: não é possível fugir do seu destino. As coisas não acontecem por acaso. Mesmo que você faça a opção por um caminho diferente, ele sempre te guiará para o mesmo lugar. O caminho pode ser mais longo ou mais curto, mais fácil ou mais difícil. — Ele se levantou e acenou para mim — Venha, é hora de eu te ensinar a usar seu amuleto.

Segui Phet até a floresta. Ele parou na clareira onde nos reunimos uma vez, antes da batalha final contra Lokesh e Phet nos ensinou a usar corretamente cada arma e prêmio de Durga. Ele parou de frente para mim e então estendeu a mão. Eu lhe entreguei o amuleto. Ele olhou para o objeto e então para mim.

— Este pedaço do amuleto foi escolhido para você por um motivo. Os deuses existem além do seu tempo. Eles devem estar presentes onde se fizerem necessários. Eles não devem interferir no destino das pessoas, mas podem conhecê-lo. Por isso são oniscientes. O poder deste astra, é semelhante ao da corda, que permite deslocar-se no espaço e no tempo, mas nesse caso, ele também permite que desloque-se pelo espaço e tenha acesso ao tempo, sem de fato, participar dele.

— Phet, isto é muito confuso. Eu não entendi nada.

O xamã riu, deu um suspiro e então continuou:

— Com este amuleto, você pode se deslocar para qualquer lugar, em qualquer tempo, passado, presente ou futuro. Basta que você toque nele e pense no lugar onde deseja ir. Daí, existem duas possibilidades: você se faz presente naquele lugar, interage com as pessoas e é visto por elas. Nesse caso, você precisa ter muito cuidado, pois poderá alterar os caminhos daqueles com quem interagiu. A outra possibilidade é observar por fora.

— Como eu faço isso Phet?

— Se você desejar apenas observar, você deve pedir ao amuleto que te mostre determinada situação. Neste caso, seu corpo será levado para um lugar além do espaço e você apenas observará aquilo o que deseja, como um espectador. Você poderá ver o que já aconteceu, o que ainda vai acontecer e o que poderia ter acontecido se uma decisão diferente fosse tomada. Eu te disse que existem vários caminhos que levam a um mesmo destino. É como se houvesse várias portas diferente, levando a um mesmo cômodo. Em cada porta, há um corredor. Se você abrir a porta, poderá ver o que acontece naquele corredor, antes de chegar ao cômodo principal.

Phet parou de falar, suspirou olhando para o nada, então voltou a me olhar nos olhos.

— Este conhecimento, o conhecimento além do tempo, é muito para uma pessoa comum suportar. Você não é uma pessoa comum tigre negro, mas você ainda tem muito o que aprender. Você precisa saber quem você é. — Phet fez uma pausa, então continuou— Você acredita que traiu seu destino ao aceitar ficar no passado com Durga, não é verdade?

Suspirei profundamente e virei meu rosto, olhando para o horizonte.

— Sim, eu acredito nisso.

Phet deu uma passo e parou ao meu lado, virando-se para olhar na mesma direção que eu. Então recomeçou a falar.

— Uma vez eu disse à Quel-sí, que ela poderia escolher a você ou ao seu irmão, pois os dois eram bons homens e ambos poderiam fazê-la feliz. E isto era verdade. Ela escolheu você e foi feliz. Este foi o caminho escolhido por Quel-sí para chegar ao seu destino. Mas o destino de Quel-sí era diferente do seu, Kishan. E esta escolha não cabia a ela ou a você. O destino é imutável. Mas nós apenas o conhecemos ao final da caminhada.

— Mas eu não pretendia ficar aqui Phet. Eu tinha certeza de que eu iria voltar com ela. Mesmo quando ela e Ren atravessaram o vórtice, eu quase me joguei nele antes que se fechasse. Só não fiz isso por causa de Anamika. Eu sabia que ela estava triste. Mas eu ainda penso, principalmente agora que eu a vejo tão resignada, que eu poderia de alguma forma, ir até Kelsey. Eu poderia criar um vórtice e voltar para casa.

— O vórtice não poderá ser criado em muitos séculos. Sem o poder do amuleto de fogo, a corda não pode te levar aonde você quer ir. A parte do amuleto que você possui agora, poderia te levar para lá. Você poderia voltar para casa Kishan. Mas isto não mudaria seu destino, apenas modificaria seu caminho. — O xamã virou-se para mim e eu virei o rosto para olhar para ele. — Você gostaria de saber o que aconteceria se você tivesse voltado para casa?

— Sim, eu gostaria — Respondi com firmeza.

— Então eu vou te mostrar — Phet respondeu e agarrou meu braço.

Então, em uma fração de segundos, eu estava em um lugar diferente. Era como se eu estivesse em pé em uma sala escura, diante de uma tela gigante, assistindo a um filme. Varias telas passavam por minha visão periférica. Nelas, cenas da minha vida. Era tudo muito rápido e eu não conseguia distinguir nada. Comecei a ficar apreensivo. Então ouvi a voz de Phet, dizendo para que eu me concentrasse no meu maior desejo.

— Pense no que você gostaria de ter feito. Qual é a escolha que você queria ter feito?

Eu fechei os olhos e sussurrei:

— Kelsey.

Então pensei em mim, de mãos dadas com ela, entrando no vórtice. Ren vinha do outro lado, porque ele deixou claro que não ficaria para trás se Kelsey não ficasse também. Então eu abri os olhos e comecei a ver, como se fosse real.

Nós corremos para o vórtice e Sunil nos seguiu. Nós quatro giramos pelo vórtice, gritando e perdemos a consciência. Então caímos em um buraco e o vórtice se fechou. Nós estávamos deitados no chão da nossa casa.

Aquilo estava de fato acontecendo. Era real, como se eu tivesse voltado no tempo e tomado uma decisão diferente. E as coisas que aconteciam eram consequências da minha nova escolha. Eu via tudo, como se assistisse a um vídeo da nossa vida. Era eu ali, desmaiado no chão da sala.

Nilima entrou no saguão e olhou para os corpos caídos. Ela correu até Kelsey e sacudiu seu corpo. Kelsey acordou assustada e olhou surpresa para o rosto de Nilima, então a abraçou feliz.

Ren acordou em seguida e ergueu o corpo, procurando ao redor. Assim que viu Kelsey, ele chamou por ela. Kelsey arrastou o corpo até ele e sorriu, dizendo que estava bem.

Eu acordei em seguida. Abri os olhos e vi os dois, de mãos dadas, olhando um para o outro aliviados. Eu olhei para eles com ciúme. Ele continuava ali, não importava o que acontecesse conosco. Ergui meu corpo e chamei por ela. Kelsey veio até mim e eu a tomei em meus braços, sussurrando em seu ouvido.

— Bilauta, é tão bom ter você em meus braços.

Um som ao meu lado chamou nossa atenção. Sunil acordara e levantara-se rapidamente, olhando ao redor, admirado. Ren levantou-se e deu-lhes as boas vindas, então lhe apresentou a Nilima. Eu vi os olhos de Sunil brilharem e um sorriso de satisfação passar por seus lábios. Eu sabia o que aquela expressão significava. Nilima olhou para ele com surpresa, mas eu também percebi seus olhos brilharem.

Naquela tarde, nós cinco nos sentamos e conversamos sobre tudo o que acontecera no passado e no presente, naqueles últimos meses. Nilima nos contou que Kadam havia transferido as empresas para seus netos, Dirhen e Kishan, e nós deveríamos assumir nossos novos cargos em exatas duas semanas. Ren parecia animado para começar a trabalhar, mas disse que pretendia terminar suas aulas na faculdade e se formar. Eu não estava tão animado. Disse a Nilima que pretendia passar a minha parte nas empresas para ela e procuraria outra coisa para fazer. Kelsey sonolenta me disse que eu deveria montar uma academia de artes marciais. Eu gostei da ideia e disse que pensaria à respeito.

Durante aquela semana, muitas coisas aconteceram. Nilima e Sunil tornaram-se muito próximos. Eu sempre os via juntos, conversando e rindo. Mesmo quando Nilima estava trabalhando, Sunil ficava perto dela, dizendo que queria aprender, já que Ren e eu sugerimos que ele trabalhasse nas empresas Rajaram.

Ren ocupou-se do trabalho. Ele dizia que tinha muito a aprender, pois as empresas eram muitas e os negócios variados. Nós dois fomos a vários médicos e dentistas. Nilima disse que, como não éramos mais tigres e não tínhamos o poder de cura, tínhamos que cuidar da saúde, como pessoas normais. Eu me senti estranho com esse termo "pessoas normais".

De repente, eu percebi que não tinha mais o tigre. E que eu sentia a falta dele. O tigre tinha sido uma parte importante de mim por muitos séculos. Ele me salvou, me fez ser forte. Tive medo de me tornar um homem fraco.

Enquanto Ren estudava e trabalhava, eu ia para a academia. Passava muitas horas lá, quase o dia todo fazendo exercícios, estudando técnicas de lutas e armas. Então eu me lembrava que provavelmente nada daquilo seria útil outra vez e ficava um pouco melancólico. Kelsey vinha treinar comigo às vezes. Ela dizia que, agora, sem profecias para seguir, ela precisava treinar apenas para manter a forma. Eu sorria e a abraçava e beijava docemente.

Então chegou a véspera do aniversário de Kelsey. Nilima me perguntou se faríamos uma festa. Eu disse que queria ficar sozinho com ela, pois pretendia levar nosso relacionamento adiante, pedindo-a em casamento. Senti a decepção e o medo de Ren. Era nítida a sua tristeza.

Eu queria levar Kelsey para jantar na noite de seu aniversário, então eu pediria a ela que se casasse comigo. Nós já estávamos noivos há 6 meses e eu estava pronto para formar uma família com ela.

Quando todos saíram para seus quartos, eu liguei para o restaurante e fiz as reservas, combinando como eu queria que o jantar de aniversário fosse servido. Eu planejei algo romântico e um pouco extravagante para tornar aquele momento especial. Depois de tudo acertado, subi para o meu quarto, mas ouvi vozes sussurrando na varanda. Eu não tinha mais minha audição de tigre, então fui até lá para ver quem era.

Kelsey e Ren estavam juntos. Ele segurava os ombros dela e estava de costas para mim. Kelsey tinha o rosto molhado de lágrimas e os olhos vermelhos. Ren implorava:

— Por favor Kelsey, diga que é a mim que você quer. Diga que não vai se casar com ele Pryatama. É a mim que você ama. É comigo que você deseja ficar,. Não é?

— Ren, eu te amo. Tudo o que eu queria, era poder ficar com você, ser sua esposa e ter os seus filhos. Mas eu não posso. Kishan arriscou tudo para voltar conosco, e nós ainda nem sabemos qual será o custo de tudo isso. Ele fez isso por mim. E eu sou sua noiva e o amo. Não posso magoá-lo.

Eles se abraçaram e choraram juntos. Eu saí dali sem ser visto. Demorei a dormir e acordei um pouco mais tarde do que de costume. Resolvi que o jantar com Kelsey não seria uma boa ideia, então saí para procurar os outros a fim de combinarmos uma comemoração em casa.

Vi que Kelsey ainda estava dormindo e fui até a cozinha, que estava vazia. Encontrei um bilhete de Nilima dizendo que passaria no escritório para resolver alguns assuntos e então levaria Sunil ao shopping para comprar roupas. Eles voltariam para casa após o jantar. Não havia nenhum bilhete de Ren, mas ele não estava em casa. "Parece que não teremos comemoração hoje", pensei.

Eu saí de casa e fui ao restaurante para cancelar a reserva e me desculpar pessoalmente. Depois saí para escolher um presente para Kelsey e então voltei para casa. Quando cheguei, Kelsey estava sozinha na varanda. Seus olhos vermelhos e inchados acusavam que ela havia chorado.

— Feliz aniversário Kells. Me desculpe por tê-la deixado sozinha. Eu... — resolvi não falar sobre o jantar cancelado— saí para comprar seu presente. — Estendi o pequeno embrulho para ela — Espero que você goste.

Ela pegou o embrulho e sorriu brevemente, então o abriu e pegou o colar de pérolas negras.

— É para você se lembrar do outro. Eu sei que este é bem mais simples que o de Durga — Sorri lembrando-me da deusa — mas eu não consegui achar um parecido em tão pouco tempo.

— É lindo Kishan — ela o entregou a mim e virou-se de costas — Obrigada.

Eu prendi o fecho e me afastei. Kelsey me olhou intrigada, mas não disse nada.

— Ren ainda não voltou? — Perguntei.

— Não — ela respondeu friamente.

—Foi por isso que você chorou bilauta? Porque Ren não ficou com você no seu aniversário?

Ela virou-se de costas para mim, apoiando-se no parapeito.

— Ele não foi o único. — Ela me lançou um olhar acusatório.

— Kells, eu...

— Olha Kishan, — Kelsey me interrompeu— eu entendo. Você foi comprar meu presente. Ren deve ter ido comprar um presente também. É provável que Nilima e Sunil também me tragam presentes. E eu agradeço a todos vocês. Mas eu não quero nada disso.

Nós ficamos em silêncio por alguns segundos.

— E o que você quer Kelsey?

Ela virou-se para mim e me olhou nos olhos.

— Eu quero recomeçar. — Kelsey baixou a cabeça e ficou fitando os próprios pés, antes de continuar. — Eu amo você Kishan. E eu amo Ren. Eu sei que você e eu estamos noivos, mas eu não posso me casar com você. Não quando eu ainda me sinto tão ligada ao seu irmão. Por outro lado, eu não posso ficar com Ren, sabendo que você sacrificou tudo por mim.— Ela deu um suspiro profundo. — Eu não quero ficar com nenhum dos dois.

Kelsey tirou o anel que eu dei a ela e o entregou a mim. Eu olhei para aquela joia em minha mão. Eu estava triste, mas não surpreso, nem magoado. Na realidade, eu me senti aliviado, como se um peso tivesse sido tirado das minhas costas.

— Eu sinto muito Kishan, mas eu vou voltar para Óregon. Vou voltar para a casa da minha família adotiva e quando as aulas começarem, eu vou me mudar para o alojamento da universidade.

— Kells, eu compreendo. Mas você não precisa morar em um alojamento. Nós podemos comprar outra casa para você perto da universidade ou onde você quiser. Agora que Lokesh se foi, tenho certeza de que será seguro para você.

— Não Kishan, eu prefiro assim. Quero voltar a ser uma pessoa normal, como eu era antes do circo e de toda esta história de maldição. Eu te agradeço e te peço que não se preocupe comigo. Eu vou ficar bem.

Na manhã seguinte, Ren e Nilima estavam na cozinha quando eu desci. Kelsey ainda não havia descido e eu não sabia se ela já tinha contado para alguém suas decisões recentes. Achei melhor esperar por ela, antes de mencionar nossa conversa do dia anterior. Nilima sorriu animada ao me ver entrar.

— Então Kishan, como foi o jantar?

— Não houve jantar. — Olhei para Ren — Eu ouvi vocês na varanda e achei melhor cancelar os meus planos.

Ren baixou a cabeça, perturbado, então ergueu os olhos e olhou nos meus.

— Não se preocupe irmão, não vou mais interferir em seu relacionamento. Na semana que vem, Nilima e eu partiremos para o Japão. Eu vou assumir a presidência das empresas Rajaram e ficarei lá por alguns meses. Talvez eu me estabeleça naquele país permanentemente.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Sunil entrou na cozinha cumprimentando a todos alegremente. Nilima começou a se movimentar desajeitadamente, sorrindo o tempo todo.

Então Kelsey chegou. Ela estava triste, quase tanto quanto esteve na época em que Ren estava no cativeiro de Lokesh. Seus olhos estavam inchados e com olheiras.

— Bom dia a todos. — Ela olhou para mim— Você já contou a eles Kishan?

— Não. Eu estava esperando por você.

Todos ficaram em silêncio, olhando para Kelsey. Ela suspirou e começou:

— Bem, Kishan e eu conversamos ontem. Eu disse a ele que estou cansada de tudo e preciso recomeçar a minha vida. Eu pretendo voltar para a casa da minha família, no Óregon e depois vou me mudar para um alojamento na universidade. — Ela olhou para Nilima—É isso que eu quero — e então olhou para Ren — e é assim que vai ser.

Todos ficamos em silêncio por longos segundos, até que Nilima perguntou:

— Kishan vai para os estados Unidos com você?

— Eu não vou. Kelsey quer ficar sozinha. Nós não somos mais noivos.

Eu deixei a sala e fui para o meu quarto.

Kelsey partiu dois dias depois. Ren, Nilima e Sunil, viajaram quatro dias depois de Kelsey. Eu preferi ficar sozinho em casa.

Naquela casa imensa e vazia, eu comecei a me lembrar da minha vida, de como era com Kelsey antes de irmos para o passado, de como foi quando voltamos. Algo tinha mudado nela. E algo tinha mudado em mim também. Nenhum de nós, exceto Nilima e Sunil, estava feliz.

Havia algo faltando na minha vida e eu precisava ir atrás do que quer que fosse. Pensei em ir aos Estados Unidos, mas não era isso o que eu queria. Eu ainda amava Kelsey, mas não da mesma maneira. Eu desejava o bem dela e desejava que ela fosse feliz. Mas eu não queria mais que ela fosse minha esposa. Eu sabia que não era o que ela desejava.

Fiquei me lembrando da nossa relação. Eu sempre soube que ela queria ficar com Ren. Isto era óbvio, mas eu fingia que não via. Eu a coloquei em uma situação difícil. Kelsey se preocupava comigo e achava que tinha obrigação de garantir a minha felicidade. Eu me aproveitei disso e forcei uma situação quando a pedi em casamento. Agora ela tinha ido embora, Ren tinha ido embora, e nenhum de nós encontrou a felicidade.

Eu comecei a lembrar do acampamento de Anamika e me preocupei com ela. Ana ficou sozinha, sem o irmão e sem um tigre. Lembrei-me de como lutamos bem juntos e dos pensamentos que compartilhamos durante a batalha. Ela se sentia sozinha e queria ser amada. Ela precisou de mim e eu a deixei. Senti angústia e arrependimento.

De repente, percebi o que faltava, o que eu precisava encontrar. Eu precisava do tigre e eu precisava de Durga. De alguma forma, eu precisava voltar para ela.

Senti uma emoção forte e meu coração disparou. De repente, um desejo insuportável tomou conta de mim. Eu decidi partir. Coloquei algumas roupas e dinheiro em uma mochila e escrevi uma carta para Kelsey:

Kells,

Durante muito tempo, eu acreditei que o meu destino era ficar com você, que a minha felicidade, consistia em ter você como minha esposa e mãe dos meus filhos. Eu fiz planos, sem levar em conta os seus sentimentos. A verdade é que eu estava iludido.

Você é uma mulher linda de muitas formas e é especial. Amar você foi importante para mim. Você me tornou um homem melhor. O seu amor me modificou e hoje eu entendi o seu papel na minha vida. Você me fez ser o que eu precisava ser.

Eu nunca deveria ter voltado para casa com vocês. Eu sinto falta do tigre. Eu sinto falta da magia e eu sinto falta de Durga.

Eu vou partir para encontrar meu destino e minha verdadeira felicidade. Vou procurar Durga em seus templos, e se ela não vier, vou para a selva, procurar por Phet. Deve existir uma maneira de eu voltar para o passado e tornar-me o tigre de Durga. Este é o meu destino e hoje eu entendo isso.

Por favor, procure Ren. Ele a ama e você a ele. Vocês devem ficar juntos.

Estou te devolvendo nosso anel de noivado. Eu o fiz para você e quero que você fique com ele.

Eu sempre te amarei, Bilauta.

Kishan.

Coloquei o anel no envelope e enviei a carta para o endereço de Kelsey. Então comecei minha viagem. Eu fui a vários templos de Durga espalhados pela Índia, mas a deusa nunca apareceu para mim. Então eu fui à casa de Phet. Estava vazia. Eu fiquei lá por semanas sem que o xamã aparecesse.

Então uma luz explodiu e eu fechei meus olhos, instintivamente. Quando voltei a abri-los, eu estava de pé, na floresta ao lado de Phet. Eu estava novamente no passado.