O destino dos Deuses - A história de kishan
13 Mahadeva
Naquela noite, eu a vi Yesubai sair de sua tenda e a segui. Ela tinha se afastado do acampamento e estava no local onde, mais cedo, havia ajudado as pessoas nas plantações. Eu a vi levantar as mãos em direção aos campos, que estavam cobertos de vegetação verde e grandes árvores se ergueram, repletas de frutos, capazes de alimentar a muitas pessoas.
Fiquei boquiaberto diante do poder que ela demonstrara. Aquilo que Anamika e todos nós fomos um dia capazes de fazer, graças ao fruto dourado, Yesubai fazia sem ele. O poder vinha dela.
Yesubai virou o rosto e caminhou em minha direção. Imediatamente eu me coloquei de joelhos, prostrando-me diante da Deusa.
—Levante-se meu querido. Não se prostre diante de mim.
Eu ergui meus olhos para ver seu rosto sério, que me olhava com firmeza, e lhe respondi com a mesma firmeza.
—Sim eu me prostro. Porque sou seu devoto. — Agarrei sua mão e beijei —Sou um servo humilde diante do seu grande poder e de sua grande beleza.
Yesubai riu tímida e eu não pude evitar de sorrir satisfeito, diante de sua face corada.
—Meu poder é apenas uma centelha diante do seu, meu senhor. Você vai descobrir o que é capaz de fazer. Amanhã nós viajaremos com Nandi. Precisamos deixar as pessoas aqui, mas não podemos abandoná-las. Sem a Deusa aqui para prover-lhes os alimentos, eles precisaram aprender a plantar e a colher. Ou voltar para casa. E eu sei que eles não voltaram. São fiéis a Durga.
Eu me levantei.
—Você é Durga, Dayita.
—Eu sou Yesubai. Durga sempre será Anamika. Não quero que essas pessoas saibam que há outra Deusa — Ela segurou as minhas mãos e me olhou nos olhos — deixe-os adorarem Anamika. Eu não desejo ser Durga. Não sou uma guerreira, nunca fui. Quero ajudar às pessoas com o meu poder. A guerra, deixo para você, meu lindo Deus.
Eu estava tão absorto pela mulher diante de mim, que não pude dizer mais nada. Yesubai sorriu e afastou-se.
—Vamos voltar às nossas tendas Kishan. Temos que levantar muito cedo amanhã. Enfrentaremos uma longa viagem nos próximos dias e precisamos estar descansados.
Ela me olhou nos olhos por longos segundos, como se considerasse algo. Eu considerava beijá-la. Este era meu maior desejo. Ela sorriu de leve e saiu em direção ao acampamento.
Nas primeiras horas da manhã seguinte, Nandi, Yesubai e eu, partimos em direção a Ngari. Yesubai pegou a bolsa com as armas e a pendurou em seu cavalo. Ela usava Fanindra como bracelete e um lenço dourado cobria-lhe os cabelos. Seu lindo rosto, no entanto, estava descoberto. Eu ainda estava apreensivo, mas a confiança de Yesubai me fortaleceu e acalmou. Comecei a falar com Nandi.
— Nandi, fale-me um pouco sobre este inimigo. Quem é ele e como ele chegou ao poder?
— Seu nome é Muyalakan. Seu pai, Avidyá, governava nosso povo. Eles sempre foram devotos do Deus Brama, Muyalakan em especial. Desde muito jovem, ele dedicou sua vida a servir ao Deus, prestando-lhe culto e sacrifícios. Dizem que o Deus ficou muito satisfeito com a devoção de Muyalakan e por isso lhe concedia favores especiais. Espalhou-se o boato que Brama tinha concedido a Muyalakan, a graça de tornar-se um Deus.
Eu ouvia atentamente o relato de Nandi.
— Quando Avidyá morreu e Muyalakan subiu ao trono, ele exigiu ser adorado como um Deus. Ele convocou seu exército, espalhou estátuas de si pela cidade e passou a exigir que as pessoas se sacrificassem em seu nome, instruiu a toda a população que o servisse, como forma de expurgar seus pecados e alcançar a santidade. Muyalakan ficou cada vez mais ganancioso, buscando riquezas e bajulação. Ele se julga acima de todos os outros e por isso, digno de ser servido. Muyalakan tornou-se um homem perverso.
Yesubai perguntou à Nandi:
—As pessoas ainda o servem por vontade própria?
—Sim senhora. Eles acreditam na santidade de Muyalakan e acham que sua perversidade é justificada. Muyalakan tem alguns seguidores fiéis, monges chamados de Saddhus. Estes homens são muito disciplinados e dedicam sua vida buscando o crescimento espiritual. Eles são praticantes da yoga e muitas pessoas acreditam que eles tem poderes mágicos. A população tem medo desses poderes. Mas eles creem que o rei é um Deus. Enquanto os Saddhus estiverem ao lado de Muyalakan, ele continuara no poder. Por isso eu fui lhes procurar, meu senhor. Vocês são chamados de Deuses.Talvez possam fazer algo pelo meu povo. Apenas um Deus pode vencer Muyalakan e libertar o povo.
Eu percebi que Nandi não parecia muito crédulo.
—Você não acredita nos Deuses Nandi?
—Perdoe-me meu senhor. Sempre fui um cético. Eu era o general do exército de Ngari e minha função era defender nossas terras contra os inimigos. Eu sempre me preocupei mais com as coisas práticas do que com a espiritualidade. Quando percebi que o inimigo do povo eram nossos próprios líderes, e que eles se diziam servos de um Deus, decidi abandonar o exército e seu Deus.
Eu me identifiquei com Nandi imediatamente. Eu também tinha sido um homem de práticas e pouca espiritualidade.
—Então porque você veio nos procurar, se não crê nos Deuses? Você não acha que somos Deuses?
—Eu não sei o que vocês são. E não me importo. Eu soube que vocês lutam contra déspotas e já ajudaram vários povos a se libertarem. Sei que são fortes e corajosos. E se as pessoas creem que vocês são Deuses, talvez vocês possam convencê-las a se libertar de seu Deus tirano.
Depois de alguns dias de viagem, chegamos à cidade de Nandi. Eu me encantei imediatamente pelo lugar, especialmente por uma montanha de pico nevado.
—Que lugar lindo! — apontei para a montanha— Aquele é o Monte Kailash?
—Sim. Esse é considerado um lugar sagrado para o nosso povo. Desde que Muyalakan assumiu o trono de Ngari, ele é o único que pode subir ao monte. O lugar é vigiado por homens de seu exército, orientados a matar qualquer pessoa que tente chegar nele.
À medida que entrávamos na cidade, percebíamos um cenário desolador. Pessoas muito magras e doentes jogadas pela rua, pedindo comida. Outras extremamente cansadas e enfraquecidas, sendo obrigadas por soldados a continuar trabalhando, outros sendo atacados por soldados. Estátuas gigantes de um homem com aparência demoníaca estavam espalhadas por toda a cidade.
Nandi virou o rosto com raiva e desgosto. Yesubai ficou com os olhos marejados e eu, senti muita raiva. um ódio que eu não me lembrava de ter sentido antes.
— Este é o rei? — Perguntei, apontando para uma estátua.
— Sim. Esse é Muyalakan.
Nandi nos ofereceu pouso em sua casa, até que pensássemos em uma forma de libertar o povo, mas eu recusei sua oferta.
—Leve-me até Muyalakan. Eu quero resolver isso agora!
—Mas meu senhor, você e sua companheira não preferem descansar um pouco? Não sei se conseguiremos falar com o rei hoje.
Eu virei o rosto para olhar nos olhos de Nandi, tentando controlar a minha raiva.
—Eu vou falar com este homem agora Nandi. Eu não tolerarei que estas pessoas continuem a ser exploradas desta maneira por nem mais um dia.
Nandi baixou a cabeça em reverência:
—Como o senhor desejar.
Assim, nós três no dirigimos ao palácio de Muyalakan. Nandi sussurrou algo a um dos guardas que tomavam conta dos portões. Após ouvi-lo, o guarda saiu, voltando algum tempo depois, acompanhado de outro homem.
—General Prahlada. Essas pessoas que me acompanham são Kishan e Yesubai. Eles vieram de muito longe e têm urgência em falar com o rei.
O general olhos para Nandi com desprezo, e então falou.
—Nem você Nandi, nem os seus amigos poderão estar na presença do rei. Você é um traidor indigno que abandonou o comando do nosso exército e tentou virar o povo contra nosso rei. Decerto, seus amigos são pecadores e impuros. O rei não tolera esse tipo de gente perto de si.
Minha ira aumentou e direcionou-se àquele homem. Eu desci do meu cavalo e caminhei a passos largos em direção a Prahlada, pronto para atacá-lo. Mas Yesubai tocou meu braço antes que eu erguesse minhas mãos. Então eu me virei para olhar para ela e me acalmei. Ela dirigiu-se a Prahlada.
—Perdoe-nos senhor, nós não estamos aqui para aborrecê-los. Viemos de muito longe porque ouvimos falar desse homem santo, abençoado por Brama e queríamos conhecê-lo. Nós trouxemos presentes preciosos para o rei e gostaríamos de tornarmos seus seguidores.
Prahlada olhou para mim e para Nandi desconfiado, mas quando voltou seus olhos para a face de Yesubai, seu semblante mudou. O homem pareceu confiar nela. Ele chamou um soldado e lhe falou algo, em seguida pediu para que esperássemos. Quando o homem voltou, Prahlada nos informou que o rei queria ver os presentes, antes de nos conceder a permissão para entrarmos.
Yesubai pegou a sacola em seu cavalo e enfiou a mão lá dentro. Então tirou tecidos finíssimos lá de dentro e entregou a Prahlada, que ficou encantado pela beleza das peças. Yesubai também lhe entregou uma das armas douradas de Durga, o tridente.
—Este é para você, general. Esta arma foi forjada pelos Deuses — Yesubai lhe explicou — Ela tem o poder de destruir o mal e deverá ser usada para punir falsos deuses.
Prahlada pegou os presentes e os entregou ao soldado, que saiu em direção à entrada do palácio. Após alguns minutos, fomos autorizados a entrar.
Ao entrarmos no palácio, nos deparamos com um salão grande e luxuoso. Homens magros e usando roupas simples estavam sentados no chão, meditando. Nandi me disse que aqueles eram os Saddhus, mas que Muyalakan não estava na sala. Um daqueles homens simples levantou-se e dirigiu-se a nós.
—Se desejam servir a nosso santo rei, vocês devem renunciar a tudo o que possuem e como nós, servirem ao rei e ao bondoso Deus Brama.
—Diga-me, meu bom homem, como vocês podem dizer que abandonaram tudo, se vivem aqui nesse palácio luxuoso? — Perguntei ao homem.— Vocês não deveriam abdicar das coisas terrenas e em busca de crescimento espiritual?
—Nós servimos Muyalakan, e o Deus deseja que estejamos perto de si, para servi-lo e buscar a mesma santidade que ele alcançou.
—Mas se vocês dizem ser necessário abandonar todos os bens materiais para alcançar a graça dos deuses, como podem acreditar que Muyalakan é santo, se ele vive no luxo? Como alguém que não abdicou dos prazeres mundanos, mas que, ao contrário, explora os mais humildes em nome de aumentar suas riquezas, pode estar mais perto de Deus?
O homem visivelmente irritado me respondeu:
—Muyalakan é o servo mais querido de Brama. O serviço que todos prestamos a ele, é uma forma de expiação. Todas as pessoas desta cidade estão abrindo mão de seus luxos para expurgar seus pecados e, quem sabe um dia, alcançar a santidade do rei.
—O seu rei não é santo. Ele é um déspota indigno e irá sentir a minha ira. Diga-me onde ele está. — Bradei irritado.
O outros homens levantaram-se e juntaram-se ao primeiro. O homem fez sinal para os guardas do palácio e em um segundo, Nandi, Yesubai e eu estávamos cercados. Uma pira foi trazida até o grupo de monges e eles a acenderam. Os soldados nos seguraram e tentaram nos levar até a piras, enquanto os monges entoavam mantras.
Neste momento, eu me transformei no tigre negro e ataquei os soldados que me seguravam. Então rosnei para os outros, que afastaram-se assustados e correram para fora do palácio. Os saddhus me olharam assustados, dizendo que eu era um demônio.
—Ele não é um demônio. Ele é um Deus, como Brama — Disse Nandi.
—Ele é Shiva, o senhor da destruição! Vocês precisam se arrepender de seus pecados ou vão sentir sua ira! — Gritou Yesubai.
Eu voltei a ser homem no momento em que outros soldados entraram no salão, inclusive Prahlada, segurando o tridente.
—Seus traidores mentiroso! — gritou o general— Eu vou matá-los! — E virou-se para Yesubai— Você não disse que esta arma destruiria os falsos Deuses? Então com ela vocês serão destruídos!
Prahlada apontou o tridente para mim. Eu arranquei a arma dele e apontei-a para seu pescoço. Os soldados se afastaram. Eu não mataria ninguém se eu pudesse evitar.
Notei que Prahlada me olhava assustado, como se visse algo sobrenatural. Senti meu corpo esquentar e minha testa arder. Olhei para o lado e vi as mão de Yesubai brilharem com fogo. Então notei que minhas mãos também estavam brilhando. Meu corpo estava envolto pelo fogo. Nandi me olhava boquiaberto, enquanto minha camiseta preta se queimava, sem, no entanto, machucar a minha pele. Ele se ajoelhou diante de mim e baixou a cabeça.
—Mahadeva!
Os soldados um a um se ajoelharam diante de mim repetindo o gesto e a fala de Nandi. o último a se curvar foi Prahlada.
Yesubai tocou meu braço e eu senti o calor diminuir, até se esgotar. Minha garganta ainda ardia. Então os soldados e Nandi se ergueram diante de mim. Os Saddhus vociferavam:
—Eles não é um deus! É um demônio! vocês devem matá-lo agora!
—Não sejam tolos! vocês não veem que este é o Mahadeva!— Falou Nandi— Aquele que veio destruir o mal e restaurar as boas coisas! — Olhem para a sua garganta!
Os monges ignoraram Nandi e recomeçaram a cantar os mantras. Cobras começaram a deslizar pela sala, saídas de grandes cestos, localizados próximos aos monges. Elas pareciam hipnotizadas pelas canções, de forma que vinham na minha direção, prontas para me atacar. Então, eu vi Yesubai se abaixar.
Fanindra tinha ganhado vida e deslizou do braço de Yesubai para o chão. A cobra dourada deslizou entre as outra, fazendo com que elas se acalmassem. Fanindra olhava nos olhos de cada uma daquelas cobras, que agora pareciam hipnotizadas por elas As cobras foram ficando imóveis, rígidas e transformaram-se em joias, assim com Fanindra.
Desta vez, os Saddhus olharam para as cobras assustados e então olharam para mim, impressionados. Yesubai abaixou-se para recolher Fanindra e colocá-la em seu braço. Ela também pegou um daquelas cobras transformadas em ouro e a colocou em meu pescoço, com reverência, afastando-se em seguida. Agora eu tinha o peito nu, adornado por um colar em forma de cobra.
Neste momento, um homem muito alto, de aparência terrível, entrou no salão. Ele era muitos centímetros mais alto do que eu. Seus braços eram muito largos, assim como o seu peito. Ele ostentava um longo bigode, seus cabelos compridos estavam soltos e iam até o meio de suas costas. O homem usava um sarongue comprido e colorido e argolas douradas nas orelhas. O meio de sua testa estava pintado em vermelho e eu o reconheci das estátuas da cidade. Ele era Muyalakan.
O rei olhou com raiva para os soldados que estavam atrás de mim e então para os monges atrás de si. Então voltou os olhos para mim.
— Quem é este homem? E por que ele ainda está vivo?
Um dos monges falou:
— Ele é poderoso meu senhor. Não conseguimos atacá-lo. Ele se transforma em fera e é capaz de controlar as víboras e transformá-las em joias.
Prahlada adiantou-se, curvando-se diante do rei:
— Meu senhor, perdoe-me. Talvez o senhor devesse ouvir o que o visitante tem a dizer. Ele não é um homem qualquer. Veja a sua garganta. Ele é o Neel-Kantha. Este é o Mahadeva do qual nos fala a profecia.
Todos os presentes ajoelharam-se, exceto Muyalakan, que ergueu seus braços em fúria e caminhou em minha direção gritando.
— Não, eu sou o Mahadeva!
O rei era muito forte, mas eu não o temeria. Ergui o tridente em direção a ele. Muyalakan era habilidoso e lutava bem. Nós lutamos, movimentando-nos por toda a sala. Ninguém interferiu, deixando-nos praticar sozinhos aquela dança mortal.
Quando percebeu que não era páreo para mim, Muyalakan jogou-se aos meus pés de joelhos e clamou por misericórdia.
— Oh meu senhor, Tu és o verdadeiro Deus. Por favor me perdoe e eu serei o seu servo mais humilde.
Ele baixou a cabeça em direção ao chão e juntou as mãos diante de si.
— Por favor Mahadeva, peça-me o que quiser e eu farei.
Eu me aproximei do homem que se humilhava.
— A única coisa que eu desejo, é que você liberte seu povo e devolva-lhes tudo o que você lhes tomou.
Muyalakan me olhou rapidamente e eu pude ver o ódio em seus olhos. Então ele voltou a olhar para o chão e falou.
— Como quiser meu senhor.
Então, em um movimento rápido, Muyalakan ergueu-se e movimentou as mãos em minha direção. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ele cravou uma faca em minha barriga e riu, enquanto eu ofegava de dor.
— Você achou que podia me vencer? Eu sou o bem-aventurado de Brama. Eu sou o Mahadeva. Você não é nada.
Olhei para Nandi e Prahlada e eles pareciam confusos. Yesubai estava calma e acenou com a cabeça. Eu retirei a faca da minha barriga e a ferida começou a fechar imediatamente. Ouvi os murmúrios dos presentes e senti minha testa arder novamente.
Cheio de ódio, agarrei o tridente e girei com ele, fazendo-o circular. A arma passou pela garganta do rei, rasgando-a quase completamente. O sangue do falso deus jorrou, cobrindo todo o meu corpo.
Eu ofegava, coberto de sangue, quando Yesubai aproximou-se de mim e tocou em meu peito. Eu senti meu corpo trêmulo se acalmar, e o fogo parar de queimar. Então senti um vento suave soprar em minha pele e um frescor como se eu tivesse acabado de sair do banho. Instintivamente, olhei para o meu próprio corpo e eu estava limpo. Todos ajoelharam-se diante de nós.
Voltei a olhar nos olhos de Yesubai e ela sorriu.
— Yesubai. —Eu sussurrei.
Então eu a agarrei pela cintura e a beijei.
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