O destino de uma princesa
16 Esperança
Minha companhia assustadora é apenas um cervo.Acho que preciso me acalmar mais.Essas mudanças repentinas na minha vida estão me deixando insana.Pego o balde com água e quando já estava de partida ouço barulho de tiros.
—Ai meu Deus!
Bandos de pássaros assustados pelo barulho confirmam minhas suspeitas.O barulho de tiros veio da direção de onde fica a casa da Isabel.
—Só podem ser os guardas do sul.
O que eu faço agora? Corro pra lá ou fico aqui mesmo? Acho que seria mais inteligente permanecer aqui.Mas,se eu for posso tentar evitar mais tragédias..ou talvez eu só vá piorar tudo!
— Deus!! Me ajude e não permita que mais pessoas faleçam por minha causa!
Resolvo esperar.Sento no chão encostada no poço.
Alguns minutos se passam e o barulho de tiros cessou.Mas,isso não significa que está tudo seguro.
De repente o barulho de cavalos se aproximando me deixam mais aflita.Eles adentraram a floresta.
—Essa não!Eles estão vindo pra cá!
Me levanto rapidamente,largo o balde e corro para dentro da floresta.Me escondo atrás de alguns arbustos. Meu esconderijo não é o dos melhores,mas espero que sirva.Meu coração vai sair pela boca. Eu tenho que me controlar.
Consigo visualizar o guarda do sul encapuzado montado em seu cavalo negro ao lado do poço.Ele olha em volta e grita para o companheiro que chega segundos depois:
—Nada por aqui!Continuem! Rápido!
Eles saem galopando velozmente.
—Essa foi por muito pouco!
Na correria ainda arranhei meu braço. Está ardendo muito .Mas,isso não importa agora.Eu preciso saber como estão todos.
Ainda preciso ficar escondida.Eles podem voltar ou não.O jeito é continuar aguardando o momento certo para agir.
Esta experiência está me deixando marcas positivas também.Antes eu odiava esperar por alguma coisa,mas agora estou sendo obrigada a cultivar a virtude da paciência.
Horas se passam.Estou faminta,cansada e muito irritada por tudo.Pelo menos encontrei umas frutas não venenosas para diminuir a fome. Já deve passar da hora do almoço. Até agora não houve nenhum sinal de vida.Espero que aqueles guardas tenham ido embora.
O tempo para mim não passa. Inúmeros pensamentos fervilham na minha cabeça.Eles tentam incansavelmente combater o tédio em que me encontro.Mas,é inútil.
—Já chega!
Me levanto e decido voltar para casa da Isabel.Volto para o poço.E parto em direção a casa.
Minha escolha é perigosa.Pode custar minha vida.Se eles ainda estiverem lá...não terei como fugir.
Mas,viver é assim.Escolher ou escolher.Seja por você e/ou pelo outro.As consequências sendo boas ou ruins existiram sempre.
Prossigo minha caminhada.Em minutos já chego ao meu destino.
—Não!!
O cenário é de destruição e caos.A casa foi incendiada.
Cinzas e fumaça definem como tudo ficou.Não há nada e nem ninguém.
Caminho envolta dos destroços.A casa ainda queima em alguns pontos.
Desmorono ali mesmo. Começo a chora incontrolavelmente . Só consigo pensar no pior que pode ter acontecido com todos.Aquele rei horrível.Odeio ele.Odeio tudo que ele já me fez.Estou tremendo,não de medo,mas de ira.
—Anneee!
Olho para trás e vejo a Bruna correndo em minha direção.
—Ai meu Deus!Você está viva!
Me agacho e dou um abraço apertado nela.
—Princesa Anne!Eu estou com muito medo!Não sei onde mamãe foi!
—Calma,está tudo bem!Onde você estava?
—Quando aqueles homens mascarados chegaram,mamãe mandou eu correr e me esconder na floresta.Eu não sei onde ela está!Nem a vovó eu encontrei!
Vejo como a pequenina Bruna está assustada.Não é para menos.Tento tranquiliza-la:
—Não se preocupe! Vai ficar tudo bem! Eu também não sei onde está todo mundo!Mas,você não está sozinha!Segure a minha mão.
Ela agarra minha mão.Suas bochechas e olhos estão vermelhos pelo choro.Por ela (e por mim)preciso me controlar e manter a calma.
Tenho que ir atrás de ajuda.Deve ter alguém que more perto dessa região.Mesmo que tudo pareça estar difícil,ter esperança é o que nos resta.
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