O destino de uma princesa
19 Caos e medo:a coroação do século
A cerimônia prossegue. Nícolas iniciará seu discurso em instantes. O povo está ansioso pelas primeiras palavras do novo rei.Enquanto isso, as pessoas vão se acomodando e procurando a melhor forma de visualizar a família real.Conversas paralelas,discussões sobre o futuro dessa nação,tudo agita o povo.Clarisse se posiciona bem ao meu lado.
—O príncipe Nícolas será um bom rei,se não deixar que terceiros tomem decisões por ele.
—Concordo com a senhorita.
—Anne,quase não sei nada à seu respeito. A princesa tinha irmãos ou irmãs?
—Não que eu saiba.Eu sou filha única.
—A herdeira do trono do Reino ao Norte! Você seria uma boa rainha.Perdoe-me,sua mãe também faleceu?
—Sim.Boa parte da minha família foi dizimada pelo exército do pai do Nícolas.
—Sinto muito por você.
—Obrigada.
—Não entendo o motivo pelo qual nações se declaram em guerras. Nesses conflitos, não há ganhadores.Todos saem perdendo.Vidas são perdidas pelos motivos mais insignificantes.
—Compreendo seu ponto de vista e concordo também.
Nícolas se levanta.A multidão se cala.
—Povo do Sul e estrangeiros, neste belo dia,sinto-me honrado em substituir meu grande pai,nosso memorável e grande rei!(gritos e aplausos surgem-no meio da multidão)Sinto que farei o melhor que puder para não decepcioná-los,nem desampará-los ou se quer deixar de honrar o nome da minha linhagem .Tenho o compromisso de guiar cada cidadão e sua família,rumo a prosperidade e paz.Que Deus guie meu coração,minha mente e minha espada!
Aplausos calorosos quebram o silêncio que habitava naquele lugar.
O pai de Nícolas fica ao lado do rei e parece ter algumas palavras para declamar.
—Povo do Sul,vamos comemorar!Hoje uma nova era se inicial!
O povo comemora.Entre sorrisos e festa,alguns rostos parecem estar sem fé nesse novo rei.
De repente,um barulho ensurdecedor interrompe a comemoração.
—O que foi isso?(Isabel)
—Eu não sei.(Bartolomeu)
Uma explosão perto da entrada do palácio desperta tumultos e gritarias. Pessoas sem entender o que está acontecendo correm de um lado para o outro.Outras explosões ocorrem.A família real é retirada imediatamente.Grupos de guardas passam pelas pessoas com suas armas preparados para contra atacar.
—São disparos de canhões! Vamos sair daqui imediatamente! (Heitor)
Começamos a correr também.Heitor agarra meu braço.Bartolomeu ajuda Isabel.Clarisse agarra seus filhos que estão apavorados. Ninguém sabe ao certo o que está acontecendo.
São muitas pessoas tentando se proteger ou correr para o mais longe possível. No tumulto, pessoas caem e são pisoteadas. Filhos se perdem das suas mães. Gritos misturados com choros e berros desesperados transformam a bela festa em um verdadeiro caos. É horrível.
A família real já foi retirada as pressas. O relinchar dos cavalos assustados se misturam ao desespero das pessoas. Tiros e explosões não param.O brilho das lâminas das espadas da guarda real indicam que um confronto está prestes a iniciar.
Alguém grita:
—O reino está sendo invadido!O reino está sendo invadido!!
Se tudo estava ruim esse anúncio só fez piorar.
Tropas reais se misturam ao povo.Parece que estão separando as mulheres e crianças para um lado e os homens para o outro.Parece que atearam fogo em algumas carruagens do lado de fora.Explosões e mais explosões.É tanta gente junta que se perder é facílimo.Nosso grupo se tona mais uma vítima do caos e se desfaz na multidão.
Bruscamente, alguém que vinha em sentido contrário ao meu esbarra em mim.Solto a mão do Heitor. Ele vira para trás e questiona:
—Você está bem?
—Poderia estar melhor!
—Tente não se afastar muito de mim.A senhorita não vai querer se perder logo aqui!
—Tudo bem.
Continuamos a atravessar o mar de pessoas.Clarisse grita:
—Soltem minha filha!
Eu não vejo mais a Isabel nem o Bartolomeu.Clarisse ainda continua gritando.
Eu estou atordoada.Heitor procura de onde está vindos os gritos da Clarisse.
—Ela está lá!Vamos!
Tentamos seguir na direção dela.Mas,um grande fluxo contrário de pessoas dificulta nossa ida até lá.No meio da confusão,alguém pisa meu vestido.Sou bruscamente impulsionada para trás.Pessoas passam na minha frente.Não consigo acompanhar o Heitor. Guardas continuam separando as pessoas. Um me para e ordena:
—A senhorita deve ir para aquele lado!
—Não vou a lugar algum.O senhor pode se retirar do meu caminho?
—Siga as demais mulheres!Ande!
—Não...espera..
—Cale-se!
Ele me arrasta pelo braço.Não vejo mais ninguém conhecido.
Me junto ao grupo de mulheres e crianças.O guarda finalmente me solta.Começo a desbravar o grupo das senhoras,na esperança de encontrar talvez a Isabel.
Dois guardas parecem andar no meu rumo.Olho rapidamente na direção deles.Percebo que estão olhando fixamente para mim.Abaixo imediatamente o rosto.
—Essa não!
Os guardas estão vindo.Tento andar entre as mulheres para me misturar. Será que eles me reconheceram?
Infelizmente,foi inútil.Eles conseguem me alcançar.
—Olha quem encontramos!
Estou apavorada.Meu coração acelera e temo pelo pior.
—A senhorita vem conosco.
—Não!
—O rei ficará contente em receber esse presente na sua coroação.
—E que presente!
Eles começam a ridicularizar.
—Anda!Pega ela!
O outro guarda junta as minhas mãos e me amarra.Tento me defender,mas não adianta.Ele acocha a corda.Algumas senhoras ao nosso redor estão sem entender o meu aprisionamento.
—Vamos logo!
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