O destino de uma princesa
13 A fuga
Notas iniciais
Não sei dizer o que se passa em meu coração.Talvez seja a mistura de todos os sentimentos ou talvez só seja adrenalina mesmo.Não sei que rumo minha vida vai tomar depois que eu sair daqui.Mas,o que importa agora é sair desse lugar.
Escuto a porta ser destrancada.Será ele?
Fico surpresa com minha visita.É uma mulher usando um manto azul marinho com capuz.Será que é a..meu Deus! É a rainha!
—Olá Julianne..
A rainha tira o capuz,permitindo que sua beleza transpareça.
—Vossa Majestade! (faço um reverência ) O que deve a honra de sua visita nesse lugar tão deplorável ?
—Minha menina!Filha de minha amada amiga Eleonor, tenho você como se fosse um sobrinha de sangue!Vim para me despedir de você!Teresa me contou tudo!
-Fico muito feliz por ter vindo e agradeço pelo carinho que demostra ter por mim e pela memória da minha mãe!
— Ohh Anne!Por que você se condenou assim?
—Majestade,eu tentei me conter!Tentei evitar mais problemas , mas o que aconteceu naquele banquete foi demais para mim!
—Anne você é muito jovem ainda e não possui limites!Só tem 18 anos!Você se comporta como um rebelde que desafia a autoridade do rei e acha mesmo que iria permanecer sem punição? Por Deus! Você deveria ter aceito minha proposta de ser uma dama de companhia e ter ficado calada,assim poderia ter vivido mais!
—Majestade,com todo meu respeito,sou jovem sim mas, não sou desprovida de inteligência! Uma hora ou outra o rei e seus aliados me matariam! Não me arrependo de nada do que disse! Pelo contrário, sinto orgulho do que fiz! Antes era só mais uma princesa regada de caprichos e bajulações!Mas,hoje sinto que posso ser mais do isso!
—Basta!Se fosse em outros tempos, faria de tudo para que Juliane lhe mandasse para um convento!Lá você poderia aprender a se comportar !
—Se fosse em outros tempos eu não estaria aqui tendo essa conversa com a senhora!Estaria em casa!Bem longe daqui!
—Anne,as vezes o destino pode ser cruel! Você é uma moça bonita,de pele clara e cabelos belíssimos!Deveria estar casada e preocupada com os afazeres domésticos e não sendo uma moça tão insolente!
— Talvez essa vida não fosse para mim! Talvez tudo isso seja mesmo uma obra do destino!Se é que isso de fato existe!Mas ,se Deus me salvou até agora não permitirei que seja em vão!
—Você está louca! Rezarei por sua vida Anne.
—Adeus rainha!Que sua vida seja longa! E não deixe que Nicolas se corrompa como o rei.Ele é um rapaz nobre,de bom caráter e gentil.Será um grandioso rei e certamente um líder melhor que seu marido.
— Adeus Anne.
—Adeus majestade.
Ela vai embora e mais uma vez estou só com meus pensamentos nesse lugar.
Algumas horas depois,Heitor surge de trás da porta.
—Vamos!Depressa!
Saio finalmente daquela masmorra horrível.Eu e Heitor andamos rápido,mas com cuidado de não sermos vistos por ninguém.Ele vai na minha frente com uma tocha.Passamos por um caminho diferente do qual eu passei quando fui presa.Descemos alguns lances de escada.O palácio está silencioso.De repente Heitor para bruscamente e pede que eu não me mova.
Guardas que fazem o ronda noturna estão apostos no próximo corredor.Nesse palácio o que não falta são homens bem armados.
Heitor sussurra:
—Vamos ter que ir por outro caminho!
—Por onde?
—Pela cozinha!
Faço sim com a cabeça.
Seguimos freneticamente entrando e saindo por corredores.Sempre preocupados no que pode ter no próximo cômodo.Seguimos rumo à cozinha,pois nessa hora da noite deve estar vazia.Se conseguimos chegar lá, saíremos pelos fundos o mais discretamente possível.
Prosseguimos a caminhando apressadamente. Finalmente chegamos na cozinha. Estávamos certos .Tudo está tranquilo e silencioso.Mas,ainda temos problemas pela frente.
—Precisamos das chaves para destrancar a porta!
—Não temos tempo para isso,Anne, precisamos arrombar essa porta!
—Mas assim vamos fazer muito barulho!
—Você tem alguma outra ideia?
—Já sei Heitor!A Milady Leopoldina sempre guardava as chaves.Geralmente ela colocava escondida numa gaveta na dispensa e a Teresa deve ter continuado a guardar lá!Eu vou pegar e você fica vigiando.
—Tudo bem!Mas seja rápida!
Corro para a dispensa,que é uma sala em anexo à cozinha.Procuro a tal da gaveta certa entre os armários.Potes de geleia estão sobre uma mesa enorme de madeira,pego um pote para comer na viagem.Encontro a gaveta ,pego o molho de chaves e um pote geléia,mas algo acaba chamando minha atenção:
—Ai Meu Deus!! Um rato enorme!!!!
Sem querer acabo deixando cair da minha mão o pote de geleia. O som dos estilhaços de vidro somados aos meus berros são suficientes para fazer Heitor entrar correndo na dispensa.
—O que aconteceu??
—Um rato!Um rato!
Tenho tanto medo desse bicho nojento que até me esqueci de que estava fugindo. Meu desastroso encontro com esse bicho pode ter colocado em risco o nosso plano.
—Eu não acredito nisso!
—Sinto muito!O que posso fazer se esse animal horrendo apareceu?
—É só um rato,princesa!
—Eu sei!Foi esse bicho nojento que me fez derrubar o pote de geleia!
—Por Deus!Vamos sair logo daqui! Imagina se você não estivesse preocupada em não fazer barulho...
Ele solta um risadinha.Heitor sempre insolente.
Voltamos para cozinha e começamos a tentar encontrar a chave certa,pois são muitas e não sabemos qual destranca a porta.Espero que ninguém tenha ouvido nada.
Barulhos de passos fortes vindo para a cozinha só aumenta o nosso nervosismo.
—Rápido Anne!
—Estou tentando.
Que ódio!Quem coloca 30 chaves num chaveiro só?!
Essa não! O que temíamos aconteceu...
—Olha eles lá!
Os guardas nos viram e estão correndo até nós.
—Eles estão vindo!Rápido Anne !
Heitor fecha a porta da cozinha.Ele começa a colocar coisas que impeçam a passagem ou ao menos nos ajude a ganhar alguns minutos.
Os guardas começam empurrar a porta com muita força.Deve ser muitos guardas.A madeira da porta da cozinha está começando a rachar,ou seja, não vai aguentar por muito tempo.
Até que enfim! Comemoro:
—Consegui destrancar!
—Finalmente!
Abrimos a maldita porta e prosseguimos pelos fundos do palácio.Ainda está de madrugada.Corremos disparados pelo jardim. Os guardas estão atrás de nós!
—Vamos!
Corremos desbravando as sombras da noite.A escuridão e o frio se tornam insignificantes no meio da correria.Pareçe uma caçada e nós somos as presas. Não podemos parar!
Heitor pega seu cavalo e montamos rapidamente! Viro para trás e vejo vários guardas com suas tochas e cavalos.Eu e Heitor estamos exaustos e ofegantes.Ele diz o plano rapidamente:
— Escuta! Só há uma forma de sairmos daqui!Passar pelos portões de entrada do castelo,depois passarmos pela ponte e entramos pela floresta rumo a vila!
—Como vamos passar pelos portões?
—Relaxe alteza! Agora não é hora de entrar em pânico!
—Se você diz.
Montamos no cavalo.E seguimos em direção aos portões que tracam o palácio.Ainda há muitos guardas atrás de nós.Essa caçada parece não ter fim.
O coque do meu cabelo começa a desfazer devido a velocidade em que estamos.
Chegamos nos portões.Heitor assobia para um dos guardas que está na torre.Ele acena de volta.É um sinal.Os portões se abrem e prosseguimos com a fuga.
Passamos pela ponte cortando o vento.Lembro de quando cheguei aqui com Lorena.Muitas coisas aconteceram.Meu coração está saindo pela boca!Mas,sem dúvidas toda essa reviravolta em tão pouco tempo me fez sentir mais viva do que nunca.
Fale com o autor