O desafio

3 Capitulo 9 - Não pense, só pule.


Chegamos ate a rua do Travellen e estava completamente parada, eram tantos carros que parecia que o estado todo estava lá. Aquela rua sempre me dava calafrios, mesmo sendo uma rua normal, a única diferença é que eu nunca havia visto ela tão cheia dessa forma. O mais estranho é que todos eles estavam indo exatamente para o Travellen, porque nessa época o estado fechava aquelas ruas e calçadas exclusivamente para os testes de conlitimação, achava isso ate olhar para o lado e ver uma mãe com uma criança com aparentemente uns oito anos indo em direção ao Travellen, ela não estava com nenhum adolescente de 15 anos, achei que talvez ela estivesse indo atrás de outro filho com 15 anos ou algo do tipo, mas não, ela continuou andando e mal olhava para o lado, então percebi que ela não estava procurando por ninguém, mas o que ela e aquela criança iriam fazer em Travellen? Abri o vidro para ver melhor e a mulher continuou seguindo em frente sem olhar para nenhuma direção.

– Quantas pessoas. — Disse minha mãe espantada.

– Por que tem crianças aqui? — Perguntou Blair antes que eu pudesse fazer a mesma pergunta. Nos três começamos a olhar em volta e vimos crianças, adolescentes e mais crianças.

– O que esta acontecendo? — Perguntei nervosa enquanto via Blair olhar espantada para minha mãe e ela a mesma coisa.

– Não (?) — Disse Blair ainda olhando para ela.

– Não o que? — Perguntei.

– Não pode ser! — Disse Blair histérica. — Eles não... eles não teriam coragem de fazer isso. São só crianças!

Vi minha mãe olhar para frente lentamente e logo depois socar o volante. Nunca havia a visto assim, queria perguntar novamente o que estava acontecendo, mas parece que as pessoas não se importavam em me responder e ela já estava nervosa, assim como eu e Blair, então me mantive em silencio.

– Os testes não vão ser apenas com pessoas de 15 anos Kristen, vão ser com crianças também. — Finalmente Blair respondeu.

– O que? Não, não! Eles não podem fazer isso!

– Já fizeram sua idiota.

– Blair! — Minha mãe gritou. — Não é hora para isso.

– Como nós não ficamos sabendo disso? — Perguntei.

– O estado não é mais o mesmo Kris...

Eu não podia acreditar que eles eram tão cruéis a ponto de colocarem crianças em algo tão perigoso. "Eles querem acabar com metade da população" havia dito meu pai e ele estava realmente certo, mas nunca pensei que seria dessa forma.

– Você ainda pode escolher Kristen... Nós ainda podemos ir embora. — Disse minha mãe me olhando pelo retrovisor.

Eu sabia que estava indo para o abate, assim como aquelas crianças, assim como todas aquelas pessoas, mas eu também sabia que eu não poderia simplesmente fugir, se eu fizesse isso, ainda teria medo. Todas aquelas pessoas estavam tendo coragem, por que eu não teria?

– Não! — Disse.

– Mesmo sabendo que tudo isso é uma grande armação do estado para... Ah. Você ainda quer fazer isso? Arriscar tudo por nada? — Disse minha mãe incrédula.

Ela nunca entenderia meus motivos, nem eu mesma entendia, mas sabia que meu lugar era com aquelas pessoas.

Finalmente chegamos ate a porta do Travellen, era uma porta enorme e de ferro banhado a ouro, Travellen era um dos maiores lugares do estado, você poderia ficar perdido lá por dias, além dos lugares expostos ele era cheio de esconderijos e passagens quase secretas, eu nunca havia entrado lá é claro, mas ainda tive tempo de estudar um pouco o livro de Blair que em parte me ajudou mais do que eu esperava. Consegui reconhecer o saguão do livro de Blair, eram idênticos, pelo menos os lugares de lá não mudaram e nem poderiam, pensei.

– Nós só podemos ir ate aqui. — Disse minha mãe em tom de tristeza. É claro que eu estava triste, mas estava tão encantada com o lugar que nem tive muito tempo de lembrar desse sentimento.

– Então é isso. — disse e sorri.

– Acho que é. — Disse mamãe.

Fui ate ela e abracei-a.

– Eu te amo. — Ela disse tentando segurar o choro.

– Eu também te amo.

Olhei para Blair e ela não teve nenhuma reação.

– Também vou sentir sua falta. — Disse rindo.

– Se cuide idiota e se algo acontecer com você eu te mato.

– Nossa, obrigada Blair. — Sorri e ela rindo foi ate mim e fez a coisa mais inesperada... Ela me abraçou, durou menos de 3 segundos, mas ainda assim foi um abraço.

Sorri enquanto vi as duas se virando e indo embora, me senti aliviada por ainda acreditar que despedidas não eram tão ruins assim. E agora estava parada no meio do saguão com apenas minha mala do lado; e mais umas quatrocentas pessoas, mas ainda assim me imaginei sozinha observando todo aquele lugar. Parei com os pensamentos que pareciam não desligar, segurei minha mala, mas não sabia para onde ir; me lembrei do que tio Bobby havia dito sobre instruções. Então fui ate um canto e me sentei no chão esperando pelas tais instruções, via mais e mais pessoas chegarem sem parar, a maioria já estava conversando como se fosse o primeiro dia de aula, talvez estivessem conhecendo o oponente ou só estivessem conversando mesmo, pensei.

Sentada ali, percebi que já havia se passado horas. Aquele lugar estava tão lotado que estava difícil ate mesmo de respirar. Ate que um alarme estrondoso ressoou, fazendo todos pararem de conversar e ficarem olhando para os lados. Me levantei me apoiando na parede e olhando para a cara de todos espantados, depois de alguns longos segundos o alarme parou e silencio tomou conta do saguão todo. Um som agudo atingiu meus ouvidos, ate que uma voz finalmente ressoou pelo saguão.

– Olá conlitimistas, sejam bem vindos ao Travellen e aos testes de conlitimação. — Disse uma voz feminina pelo alto falante, eu sabia que conhecia aquela voz.

– Jessica. — Disse baixinho.

– Espero que todos estejam preparados para testar seus limites, sua coragem, sua força e principalmente a vocês mesmos. Boa sorte a todos. As instruções serão passadas a partir de agora.

Uma outra voz ainda feminina começou a recitar as instruções.

– Conlitimistas menores de 12 anos, favor se dirigirem aos elevadore 8, 3, 10 e 6.

Uma fila na frente dos elevadores começou a se formar instantaneamente , parecia que havia mais crianças que adolescentes lá. Entravam 6 crianças a cada ida do elevador, parecia que aquilo iria demorar mais algumas horas, mas foi mais rápido do que eu pensava, finalmente o ultimo grupo entrou nos elevador e a voz voltou a ecoar.

– Conlitimistas maiores de 12 anos se dirijam para os elevadores 7, 12, 4 e 2.

Haviam tantos elevadores, que mal parecia que aquele lugar era real e se eles não nos colocaram nos mesmo elevadores, por que nos fizeram esperar?

As filas se formaram tão rápido que quase fiquei por ultimo, entrei na fila do penúltimo elevador ( O de numero 4) e tudo parecia tão rápido, menos o barulho, era como se meu ouvido tivesse sido tampado por agua. Eu já era a primeira da fila, quando ouvi alguém dizendo no elevador ao lado (numero 2).

– Falta um aqui! — Gritou para a fila ao lado, para a fila que eu estava, olhei para trás e ninguém teve nenhuma reação, peguei minha mala e fui ate o elevador ao lado. Quando fui entrar nele, minha mala se prendeu na entrada e eu puxava-a mas ela não se desprendia, então de repente vi uma mão segurando-a e arrastando para fora e depois para dentro novamente e assim ela se desprendeu, a porta do elevador se fechou rapidamente.

– Obrigada. — Disse enquanto me virava.

– Dá próxima, traga só uma bolsa mesmo. — Disse um garoto encostado na parede, com os braços cruzados. Ele aparentava ser mais velho, mas só aparentava mesmo. Era alto e com um físico, digamos, bem em forma ( não que eu tenha reparado muito nisso), tinha os cabelos escuros e curto e os olhos tão escuros quanto, o que mais me admirou foi a boca tão vermelha, como se tivesse passado batom (?)

– E você é? — Disse arrependida de ter dito obrigada.

– Alguém, eu espero. — Ele disse fazendo sinal com os ombros.

– Sua mãe foi realmente criativa ao lhe dar esse nome. — Disse encarando-o e ele logo em seguida sorriu de lado e balançou a cabeça em concordância.

Me virei para frente novamente e fiquei olhando o elevador subir lentamente, ele era completamente composto de vidro o que dava para ver toda a estrutura do lado de fora e por incrível que parecesse não era algo desagradável de se ver.

– Mas por que estamos indo tão devagar? — disse para mim mesma.

– Somos os últimos, talvez uma surpresa nos aguarde. — disse ele.

– Eu estava falando comigo mesma Alguém, eu espero. — disse ainda olhando para a porta do elevador.

– Olha só galera, a maníaca do elevador.

– Qual seu problema em? — perguntei irritada.

– Cuidado que ela esta brava, ela pode acabar jogando a mala com o guarda-roupa dela dentro na gente.

– Vocês dois, já chega. — Finalmente disse uma garota no fundo do elevador, eu nem havia a visto.

– Que ótimo, outra maníaca no elevador. — disse ele.

– O que você disse ? — Disse a garota saindo de trás de um garoto alto, ruivo e que usava um óculos enorme.

Quando olhei para ela percebi que era a garota da loja onde comprei meu colar a uns dias atrás.

– Você? — Disse assustada.

– Não pode ser, Kristen? — Ela veio em minha direção e me abraçou.

– Ótimo, as maníacas do elevador se conhecem. — Disse o garoto se desencostando da parede e olhando para o lado. Olhei para ele e revirei os olhos, mas não disse nada;

– Não sabia que você ainda não havia feito os testes. — disse.

– Digo o mesmo. — Antes que ela pudesse terminar de falar o elevador parou bruscamente e as luzes se apagaram, só ficando uma luzinha do teto acesa.

– O que houve? — Perguntou uma das garotas que estavam lá, ela tinha o cabelo loiro escuro e bem curto, estava usando uma roupa de treino de boxe.

– Essa não. — Disse um garoto do lado do Alguem, eu espero.

– Isso não pode estar acontecendo, eu não consigo ficar muito tempo em lugares apertados. — Disse a garota com roupa de treino.

– Ainda bem que você não esta em um lugar apertado. — disse ele.

– Nem mesmo assim você para? — perguntei sem quere saber a resposta.

Ele olhou para mim e sorriu ironicamente e logo em seguida ficou tão serio que nem parecia a mesma pessoa.

– Vou tirar a gente daqui. — Ele disse sem nenhum sarcasmo. Abriu sua bolsa e deu uma bombinha crotacia de ar para a garota. Logo depois deixou a bolsa de lado e começou a tentar a abrir a porta.

– Agora vai ficar ai parada? — disse olhando diretamente para mim.

Sem dizer uma palavra fui ate lá e comecei a forçar a porta juntamente com ele, logo em seguida estavam todos ajudando a abrila-la ate que finalmente ela se abriu.

– Ótimo, agora ela esta aberta e de frente para uma parede.

– Hey! — Ele gritou. — Não diga "ótimo".

– Eu tenho certeza de que uso isso a mais tempo.

– Serio que vocês vão discutir por causa da droga de uma palavra? — Disse o garoto ruivo, ficamos espantados por ele ter dito isto.

– Tudo bem, eu vou subir em cima do elevador e ver se encontro alguma falha.

– E é claro que o super mecânico vai arrumar a falha. — disse Jay.

– Esse espaço é muito pequeno para alguém como você passar. — eu disse.

– Vou ter que assassina-las. — Ele disse.

– Mas é verdade, você nunca passaria por esse pequeno espaço. — Disse a garota com a bombinha.

– Ele não... Eu sim. — E pensei mais uma vez em voz alta.

– Nem pensar.

– E por que não?

– Você não vai conseguir.

– E você não me conhece. — Disse confiante e dando minha mala para ele segurar.

Fui ate a porta aberta do elevador, Jay me ajudou a segurar no teto e consegui escala-lo. Foi tão fácil subir aquilo, fique surpresa.

– Esta vendo algum cabo cortado? — Gritou ele.

– Ahn... Não.

– Ótimo.

– E o que mais?

– Como vou saber? — Gritou ele.

– O que??

– Brincadeira, esta vendo alguma luz vermelha?

– Sim!

– Quantas?

– 4.

– Já pode descer. — gritou ele.

– Só isso? — disse baixinho.

Subir foi fácil, descer é que era o difícil. Desci como uma criança descia um muro, senti uma mão segurar minha cintura e tive segurança de me soltar, por um momento pensei que fosse cair a vários metros, mas o garoto irônico e o ruivo que ate agora não sabia o nome de nenhum, me seguraram.

– Ah, obrigada. — Disse enquanto o garoto irônico ainda me segurava.

– Não me agradeça. — Ele disse me olhando e sorriu e dessa vez um sorriso verdadeiro e... inteiro. Ate que ele me soltou. — É, quer dizer, já é a segunda vez que você me diz isso em menos de 1 hora, mal chegou e já esta com uma divida dessas?

– O que? — disse incrédula.

– Você não nos disse ainda por que o elevador parou. — disse Jay.

– Foi só uma falta de energia.

– Você me fez subir la e quase cair dessa altura para dizer o mais obvio? — disse quase indo para cima dele.

– Hmmmm, é.

– Ah você...

– Se vamos ficar presos aqui é melhor todos se comportarem adequadamente. — Disse o garoto ruivo me cortando.

– Posso saber seus nomes pelo menos? — Perguntou Jay.

– Vamos la galera, quero todos se apresentando para a classe. — Disse Alguem, eu espero deslizando na parede e sentando-se no chão.

– Eu sou Jay.

– Dylan — disse o garoto ruivo, ele me parecia tão familiar que... O pensamento fugiu, odiava quando isso acontecia.

– Kayla. — disse a garota com a bombinha.

– Octavio. — Disse o outro garoto.

– Kristen.

Todos olharam para baixo em direção ao garoto e ele ainda olhando para a frente disse:

– Kristen? — Dobrou as sombrancelhas.

– Ótimo, vai debochar ate do meu nome?

– Vou "debochar" desse seu vocabulário. — disse e olhou para mim.

Ele não cansava de ser tão irritante assim?

– Se você não mata-lo, eu vou. — Disse Jay olhando seriamente para mim.

Antes que eu pudesse responder, o alto falante do elevador ressoou e a voz que estava dando as instruções surgiu.

– Sinto muito pelo ocorrido, o elevador vai voltar a funcionar normalmente em alguns segundos. Aguardem.

Fui ate a porta tentar fecha-la, não que fosse fazer alguma diferença estar fechada ou aberta, eu acho, mas eu tinha um tipo de problema com algumas coisas.

– Acha que vai conseguir fechar sozinha? Puft. — Disse Octavio.

Olhei para ele quase o fuzilando-o, em seguida olhei para a única pessoa naquele elevador que eu não fazia ideia do nome e ele ainda com a cabeça para baixo, balançou como se discordasse. Coloquei tanta força na porta que acabou fazendo ela fechar rapidamente, olhei para Octavio e ele parecia espantado, mas ele não era o único, eu também estava, senti algo completamente diferente no meu corpo, como se algo em minhas veias queimassem.

– Como ? — Octavio pensou alto.

Finalmente todas as luzes do elevador se acenderam e ele começou a subir lentamente. O garoto que eu não sabia o nome se levantou e alguns segundos depois a porta do elevador se abriu, Kayla saiu correndo para fora e Jay foi ajuda-la, em seguida Dylan e Octavio saíram, ficando apenas eu e Alguém, eu espero. Enquanto segurava minha mala ele disse:

– Iria oferecer ajuda, mas acho que você não precisa. — Disse ele passando por mim e um sorriso em meu rosto apareceu sem querer.

– É, eu não quero dizer obrigada pela terceira vez seguida, essa palavra não faz muito meu tipo, Alguém, eu espero. — Intensifiquei o novo apelido dele.

– E o que faz seu tipo, Kristen? — Ele parou na frente da porta do elevador. Não respondi, apenas sorri e passei por ele, enquanto andava ouvi ele dizer ao fundo. — Alias, é Sebastian, não sou apto a apelidos e não abro exceções.

– Ótimo. — Ri e continuei andando. O nome dele era realmente bonito para não ter o dito antes.

Nós seis continuamos andando naquele enorme corredor, todos distantes um do outro, mas todos com o mesmo olhar de espanto e ao mesmo tempo de encanto por aquele lugar, não parecia um lugar incomum, mas ainda sim, diferente. Novamente o auto falante soou.

– Eles tem isso por toda a parte? — Perguntei baixinho para mim mesma e olhando para cima.

– Grupo numero dois, vocês foram os últimos.- Ela deu uma enorme pausa, fazendo com que nós também parássemos fisicamente. — Continuem andando ate o fim do corredor depois virem a direita e entrem na porta azul.

Agora estávamos todos nós parados e novamente, juntos.

– E lá vamos nós! — Disse Dylan parado ao meu lado, olhando-o por esse angulo, ele não me parecia estranho, tentei lembrar de onde eu o conhecia, mas nada veio em mente.- Por que esta me olhando assim? — Ele perguntou e eu não tive tempo nem mesmo de disfarçar, uma das coisas que eu mais odiava em mim mesma era minha expressão facial, eu ate poderia segurar e disfarçar palavras, mas minhas expressões sempre me denunciavam. Antes que eu pudesse pensar em uma resposta, percebi todos me olhando, fiquei extremamente constrangida e sem reação alguma, ate Sebastian falar:

– Claramente ela gostou de você. — Disse em tom serio e se virou voltando a andar.

O que? Pensei.

– O que? Não! Eu só estava... — Não sabia o que dizer.

– Só estava? — Perguntou Jay.

– Ta legal! — gritei. — É que você me parece familiar.

Percebi que Sebastian parou de andar e todos ficaram me olhando ate Dylan se pronunciar.

– Isso pode parecer estranho, mas eu ia dizer o mesmo. — Ele cerrou os olhos enquanto me olhava. — Mas isso é quase improvável.

– Por que?

– Eu sou de outro estado.

– O que? — Perguntou Kayla. — Você não pode ser.

– Eu tenho um amigo que trocou de estado.

– Não, não trocou. — Finalmente disse Sebastian.

– O que quer dizer com isso?

– Ninguém pode trocar de estado. — disse ele e Octavio concordou.

– Ok, mas ele trocou e então como ele esta aqui? — Disse apontando para Dylan.

– Esse ano tudo mudou, se você não percebeu tem crianças aqui e eles trocaram alguns de estado, eu fui um deles, mas isso não quer dizer que eu troquei de estado completamente, ate porque isso é impossível.

– Então meu amigo desapareceu misteriosamente? — Fiz uma cara de interrogação.

– Acho melhor os pombinhos andarem mais e conversarem menos. — Disse Sebastian que já estava quase no fim do corredor.

– Pombinhos? Depois o meu vocabulário que é ruim? — Jay e eu rimos.

Finalmente todos nós viramos a direita e pude ouvir Octavio dizer:

– Vocês não vão acreditar nisso!

Quando chegamos, não encontramos com uma porta azul e sim com mais de 20 portas azuis. Todos ficamos impressionados com aquele corredor com portas que não acabavam mais.

– Como isso pode ser real? — Perguntou Kayla.

– Bem vinda a tecnologia eólica, minha cara. — Disse Octavio.

Olhamos para ele e rimos simultaneamente ate ouvir o auto falante.

– Grupo numero dois, vocês finalmente chegaram. — Estávamos quase comemorando quando ela continuou. — Agora vem a primeira parte dos testes, vocês vão ter que escolher a porta correta, todos os seis. Se escolherem a porta errada, tudo acaba aqui.

– O que ela quer dizer com isso? — Perguntou Octavio assustado, ele parecia ter doze ou treze anos, era mais baixo que eu, tinha os olhos claros e o cabelo escuro todo arrepiado, me lembrava um personagem de 2000, que morava em uma ilha onde só haviam crianças que nunca cresciam.

– Se nós errarmos a porta, os testes acabam para a gente e isso significa que... — Jay parou de falar, pensei que todos ali não soubessem o que estava acontecendo, mas no fim, os mais velhos ali ( Mais velhos quero dizer 15 anos) sabiam o que estava acontecendo e o que aconteceria e ainda assim estavam lá, assim como eu eles também estavam lutando por algo ou por alguém.

– E agora? Como vamos saber a porta certa? — Perguntou Kayla com um olhar de desespero.

– Eles não colocariam um teste de sorte já no primeiro, deve haver alguma logica. — Disse Sebastian examinando cuidadosamente as portas.

Olhei para Dylan e ele estava imóvel, com os braços atados e parecia estar com pensamento longe de tudo que envolvesse aquelas portas. Jay estava ao meu lado me olhando como se esperasse eu dizer algo, mas naquele momento eu não fazia ideia no que dizer, muito menos no que fazer. Se um de nós escolhêssemos a porta errada, todos se dariam mal. Ao mesmo tempo que eu queria escolher a porta, eu tinha medo, porque no fim a culpa seria minha, mas eu sabia que não poderia pensar dessa forma se quisesse continuar lá, eu não podia e nem queria ter medo.

– Sebastian esta certo. — Finalmente disse.

– Eu sei! — Disse ele analisando a penúltima porta e fazendo um sinal com as mãos. E por fim ele analisou a ultima porta, enquanto ele voltava Kayla perguntou:

– Então? Alguma coisa?

– Hmmm, não.

– Ótimo. — Disse.

– Já disse para não dizer essa palavra. — Ele olhou indiferente para mim e eu revirei os olhos.

– Kristen? — Chamou Kaya, dessa vez ela estava com um olhar que pedia ajuda, mas ela estava me pedindo ajuda?

Kaya era bem mais alta que eu, tinha os cabelo liso e completamente loiro, ela parecia uma típica líder de torcida. Olhei para ela respirando rapidamente, queria lhe dizer algo, dizer que tudo ficaria bem, mas não queria mentir. Lembrei do que minha mãe sempre dizia: Não é porque você quer que algo seja verdade, que realmente vai ser.

– Eu vou verificar de novo, é para ter algo diferente na porta certa. — Disse Sebastian, fiquei aliviada em não ter que dizer algo.

– Eu te ajudo. — Jay foi atrás dele.

Do meu lado esquerdo estava Kayla, parecia estar pensando em algo para tentar ajudar e do outro estava Dylan, ainda imóvel, senti pena dele, queria poder fazer algo para ele ficar bem, por algum motivo eu me importava com ele. Logo me dei conta de que Octavio não estava por perto, olhei para trás e ele estava perto da porta que dava para o corredor, ele estava com uma cara preocupada, mas não parecia ser sobre as portas.

– Hey Octavio. — Fui ate ele. — Por que não esta lá com a gente tentando pensa em algo?

– Porque eu não consigo pensar em nada nessas circunstâncias.

– Ahh, tudo bem então. — Me virei para voltar á ajuda-los, mas antes que eu pudesse dar um passo, ele me chamou.

– Kristen?!

– Ahn, sim?

– Ah, nada... — Ele respirou fundo.

– Por que eu estou sentindo que você tem algo para me dizer?

– É que... — Ele começou a mexer a perna freneticamente.

– Vamos lá Octavio, não precisa ter medo, pode me contar. — Sorri calmamente, queria demonstrar confiança.

– Tudo bem. Eu fui o primeiro a entrar aqui, certo? — Concordei com a cabeça. — E quando eu entrei, vi a luz da quarta porta piscar rapidamente, achei que tivesse sido apenas algo da minha cabeça, talvez ate possa ser, mas agora acho que... — Ele parou de falar.

– É essa a dica! — Disse um pouco alto demais e sorri.

Segurei-o pelo braço e fui correndo ate os outros, gritei para Sebastian e Jay que discutiam no fim do corredor, eles pararam rapidamente de discutir e vieram correndo, Dylan me olhou pela primeira vez desde que chegamos lá e Kayla me olhou quase aliviada. Octavio estava quase escondido atrás de mim, ele ainda estava com medo de que fosse a dica errada, mas no fim isso era tudo o que tínhamos.

– O que aconteceu? — Jay e Kayla perguntaram ao mesmo tempo.

– Nós sabemos qual a porta certa. — Ia dizer "talvez nós sabemos", mas novamente quis demonstrar confiança. Puxei Octavio para o meu lado e olhei-o sorrindo, ele estava serio, focado no chão.

– Ótimo e como você sabe disso? — Sebastian fez uma expressão de desprezo, talvez fosse porque ele havia passado o tempo todo examinando as portas e não encontrou nada, mas é claro que eu retribui a expressão.

Contei á eles tudo o que Octavio havia me dito e de como isso fazia sentido e repeti o que Sebastian havia dito sobre não ser um teste de sorte. Todos ficaram um tempo em silencio.

– Vai escolher uma porta porque um garotinho te disse? — Disse Dylan alterado, nem parecia o mesmo garoto calmo do elevador.

– E tem alguma importância ele ser um "garotinho"? Ele foi o primeiro a entrar aqui, poderia ter sido qualquer um de nós a ter visto!

– Pode ter sido algo da cabeça dele ou pode ter sido só um defeito na hora errada, pode ser qualquer coisa! — Ele ainda estava alterado, eu compreendo que assim como todos ele também esta nervoso, mas isso não explica a forma que ele esta agindo, pensei.

– Kristen. — Jay disse suavemente enquanto colocava a mão em meu ombro. — Odeio ter que dizer isso, mas ele esta certo. Se nós errarmos a porta...

– Vocês tem 30 segundos para escolherem a porta. — O alto falante soou cortando Jay.

– Não temos tempo! — Disse Kayla desesperada. — Qual porta vocês acham que é?

– Pode ser a segunda, assim como nosso elevador. — Disse Dylan.

– Octavio, você viu a luz piscar da quarta porta á esquerda? — Perguntei e ele concordou. — Tem certeza?. — Ele não respondeu. — Tem certeza?! — Gritei.

– Sim. — disse rapidamente e assustado, não queria assusta-lo, mas foi preciso.

Olhei firmemente para a porta, não conseguia ouvir nada nitidamente, apenas vozes misturadas ao fundo e as batidas alteradas do meu coração. Em seguida olhei para Jay, consegui ler seus lábios que diziam "Kristen, não!" e enquanto o alto falante começava sua contagem regressiva, consegui voltar a ouvir normalmente.

– Não vamos nós arriscar com algo que não tem probabilidade de ser. — Disse Dylan.

– E se for a porta errada?! A culpa vai ser toda dele. — Kaya olhou para Octavio que estava prestes a ter um colapso.

– 6, 5... — A contagem estava quase acabando, olhei para Sebastian que pareceu ter feito um "sim" com a cabeça, ele era o único lá que estava apoiando a mim e Octavio.

– Não vai ser culpa dele... Vai ser minha. — Dito isto, corri ate a quarta porta á esquerda, olhei para a luz acima dela, enquanto ouvia gritos de "Não faça isso" atrás de mim, apertei fortemente o botão de abrir e a porta se destrancou fazendo a contagem parar e todos lá ficarem em um silencio absoluto. Abri a porta e me deparei com... Nada (?) havia apenas um tipo de vidro branco lá.

– O que tem ai? — gritou Jay, enquanto me afastava lentamente da porta

– Nada.

– O que? — Kayla estava indignada

– Sabia. — Retrucou Dylan.

– Ótimo — Disse Sebastian.

Olhei para Octavio que estava imóvel, olhando para o chão com cara de decepção, ombros completamente abaixados, enquanto os outros chutavam a parede ou socava-a tentando descontar um pouco da sua raiva.

– E o que acontece agora? — Jay perguntou.

Antes que alguém dissesse algo, Octavio levantou o olhar e gritou:

– Olhem! — apontou para a luz acima da porta que começou a piscar e logo depois ficou verde. Todos correram ate lá.

– Conseguimos? — Kayla fez uma cara de quem não estava entendo nada.

– Eu sabia. — Disse Octavio dando pulinhos de felicidade.

– Mas porque só tem um vidro branco atrás da porta? — Sebastian estava indignado.

Cheguei mais perto do vidro e coloquei a mão sobre ele, pensei estar vendo algo do outro lado, voltei para trás ate chegar ao outro lado do corredor, ninguém disse nada. Respirei fundo e me concentrei fixamente no vidro.

– O que ela esta fazendo? — Sebastian só conseguiu estar indignado nas ultimas horas.

Peguei impulso e corri ate o vidro do outro lado do corredor, coloquei as mãos em frente a cara, não sabia exatamente o que estava fazendo. Senti alguns estilhaços entrarem no meu braço e o som agudo de vidro quebrando fez meus ouvidos arderem, em seguida senti um vento bater em meus cabelos e percebi que eu estava caindo, tudo estava acontecendo tão rápido que não tive tempo nem de pensar no que estava acontecendo, de repente o barulho do vento parou e quando me dei conta só consegui sentir meu ouvido tampando rapidamente, comecei a me afogar, podia sentir agua entrando pela boca sem parar, prendi a respiração e abri os olhos, olhei para o lado e podia ver estilhaços de vidro caindo, continuei em baixo da agua ate que eles parassem de cair, quando não senti e nem vi mais estilhaços afundarem. Subi ate a superfície, mal conseguia respirar, estava ofegante e o som foi voltando aos pouco. Quando finalmente consegui abrir meus olhos, olhei em volta e percebi que estava em um tipo de piscina, e era realmente grande, ao olhar para cima pude ver uma fonte em forma de uma borboleta monarca, eu odiava borboletas, mas aquela era incrível e outra em forma de águia.

Fiquei impressionada com a altura que eu havia pulado, quando olhei para trás pude ver outro saguão parecido com o primeiro e assim como ele, estava completamente cheio de pessoas. Quase todas as pessoas que estavam no primeiro saguão estavam ali agora, mas uma boa parte já não estava mais. Não passaram no primeiro teste, pensei. Todos estavam em silencio, ate eu levantar o braço e sorrir, todos começaram a gritar e aplaudir, nadei ate a borda onde um garoto asiático me ajudou a subir, hoje em dia nós não definíamos mais pessoas por seu lugar de nascimento antigo ou nada do tipo, é por isso que nas poucas partes do mundo que ainda existe civilização é definido apenas como estado norte/oeste/sul e sudeste, não importava de qual dos lados você é, todos falam a mesma língua. Na civilização antiga era tudo completamente diferente, todo lugar tinha um nome especifico e na maioria das vezes pessoas também tinham um tipo de definição, é difícil existir pessoas que definam outras dessa maneira hoje em dia, mas eu sou uma das que ainda fazem isso, não acho que seja algo ruim, pelo contrario isso mostra seu lugar de origem mesmo que ele não exista mais.

Uma garota com os cabelos abaixo dos ombros e bem escuros me entregou uma toalha. Ela parecia uma atriz da civilização antiga, era realmente linda.

– Obrigada. — Sorri para eles.

– Seu salto foi incrível. — Ela deu um sorrisinho. — Alias, eu sou Elizabeth e esse é Trevor.

– Kristen.

– Você precisa chamar seus amigos. — Trevor disse e saiu andando atrás de Elizabeth.

Antes que eu pudesse gritar para eles, havia varias pessoas ali já fazendo isso por mim, pude ver Sebastian olhando para baixo para ter certeza que deveria pular.

– Pule! — Gritei por impulso. — Espera, eles não vão se machucar com os cacos de vidro? — Perguntei para qualquer um que respondesse.

– Não, são cacos especiais que derretem com a agua em uma temperatura amena. — Disse alguém ao meu lado, quando olhei para ver quem era, pude ver Robert, por um momento achei que estivesse delirando, ate ele continuar. — Ideia incrível, não acha?

– Robert?

– Eu (?)

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, todos gritaram, olhei para cima e vi Sebastian pular e em seguida Jay, Dylan, Octavio e por fim Kayla, as pessoas gritavam e aplaudiam sem parar, resolvi gritar junto, estava me sentido incrível. Quando voltei a falar com Robert, ele já não estava mais la, fiquei procurando em volta, mas não o vi mais.

Fui ate uma mesa dourada onde haviam varias toalhas, peguei uma e fui ate a borda da piscina, Sebastian veio nadando na minha direção.

– Podia ter avisado que ia fazer isso. — Disse ele seriamente.

– Oh, por que? Já estava chorando por mim? — Comecei a rir.

– Não, mas você me deve dois favores ou já esqueceu?

Ri e joguei a toalha na cara dele, logo atrás dele vinha Dylan que pegou a toalha de um dos garotos que estavam ajudando. Enquanto ele saia da piscina, me virei e sai andando.

– Kristen, espera! — Gritou enquanto secava o cabelo.

– O que foi ? — Não queria ser rude, mas depois do modo como ele agiu, era difícil não ser.

– Olha, eu sinto muito. Não queria ter agido daquela forma, eu só...

– Você não me deve explicações. — Cruzei os braços.

– Não, mas eu quero dever. — Eu estava olhando para baixo quando ele disse isso, mas logo levantei o olhar para ele que sorriu e eu não pude deixar de retribuir o sorriso, eu ainda não conseguia definir o que eu sentia por ele, ao mesmo tempo que parecia que eu o conhecia e gostava dele, algo dizia o contrario.

Antes que eu pudesse responder ouvi risinhos de garotas, mas não era apenas um e sim vários, me virei em direção ao som e me deparei com Sebastian sem camisa se secando na frente de todas elas, ele não parecia se importar com olhares atentos a ele, mas ainda sim era um idiota.

– Puft, que idiota! — Disse ainda com os braços cruzados.

– Tenho que concordar. — Dylan riu.

Sebastian olhou em minha direção e percebeu que eu estava o encarando, jogou a toalha no ombro e venho em nossa direção, enquanto as garotas ainda conversavam e tentavam chamar sua atenção.

– Por que fica me olhando assim? — Ele levantou a sobrancelha.

– Por que todo mundo fica me perguntando isso? — Arregalei os olhos, enquanto isso aquelas mesmas garotas não paravam de olhar para lá. — Alias, acho melhor você voltar a se exibir para elas. — Apontei com o olhar e ele se virou para ver.

– Por que ? Esta com ciúmes? — Cruzou os braços.

– Ah não, perdeu a oportunidade de ter ficado quieto. — Revirei os olhos e sai andando ao encontro de Jay.

– Qual o seu problema de ter feito aquilo? — Ela disse rapidamente sem ao menos dizer "Ola, é bom te ver sã e salva".

– Não sei.

– Não sabe? E se tivesse algo de ruim aqui em baixo? Estacas, apenas um chão duro ou ate mesmo algum animal modificado para te comer viva? — Ela gritou.

– É, mas não havia nada disso. — Disse calmamente.

– Mas... — Um sino tomou conta do lugar antes que ela pudesse dizer algo.

– Conlitimistas, escutem! — Novamente o barulho inquietante que estava no salão acabou em menos de segundos. — Juntem-se aos grupos do elevador.

Os grupos já estavam se formando novamente e no nosso grupo só faltava Octavio.

– Onde ele esta? — Perguntou Jay.

– A ultima vez que o vi ele estava indo em direção á porta da direita. — Kayla retrucou.

– Vocês tem apenas 5 minutos para se juntarem. — O alto falante soou.

– Vou atrás dele! — disse e sai correndo, empurrando qualquer um que estivesse na minha frente.

– Onde você vai? — Ouvi alguém gritar atrás de mim, não consegui reconhecer a voz e muito menos olhei para trás.

Corri ate virar a direita, entrei em um corredor, imaginei ficando perdida naquele lugar e meu grupo perdendo por minha causa, comecei a correr o mais depressa possível, não havia nada nem ninguém naquele corredor.

– Octavio? — Gritei repetidas vezes, mas ninguém respondia, me deparei com uma porta enorme de ferro, parecia a porta de uma cozinha, antes que eu pudesse entrar, senti alguém me puxar para trás, me virei rapidamente já erguendo a mão para soca-lo.

– Calma ai, sou eu, Elizabeth! — Ela me olhou assustada. — O que esta fazendo aqui? Se não estiver junto do seu grupo em menos de três minutos, todos vocês serão desclassificados. — Ela mal conseguia respirar.

– Estou procurando Octavio, ele deve ter se perdido.

– Acha que ele esta ai dentro?

– Não sei, mas não temos muito tempo. — Empurrei a porta estrondosamente.

– Octavio? — Gritei. Não havia ninguém na cozinha, nenhum cozinheiro ou algo do tipo, mas em cima dos balcões estavam alguns pratos, como se fossem amostras, eram delicados e cuidadosamente decorados, e ao lado de um dos balcões estava Octavio, comendo um enorme bolo de amora preta.

– Lá esta ele.- Elizabeth apontou e corremos ate ele.

– O que esta fazendo aqui? — Gritei. — Estávamos preocupados com você.

– Eu estava com fome e encontrei essa cozinha, olhe quantos pratos incríveis tem aqui. — Seus olhos brilharam, sua boca estava completamente suja de amoras pretas.

– Rápido, temos que ir. — Disse. — E não vai ser nada bom alguém nos pegar aqui.

– Tudo bem. — Ele se levantou e veio em nossa direção, abri a porta e ele passou. Elizabeth ia sair quando voltou correndo e pegou um dos bolinhos que parecia um fúgos, fúgos era chamado de vulcão na primeira ordem, olhei para ela rindo enquanto ela mordia o bolinho e balançava os ombros.

Corremos pelo corredor e viramos a esquerda, por onde nos havíamos entrado, pelo menos foi o que achavamos, quando viramos a esquerda entrando em uma porta parecida com a do saguão de onde viemos nos deparamos com uma sala completamente branca, piso, paredes, quadros e nela havia mesas e mais mesas com suportes para frascos e agulhas. Todos os fracos haviam um tipo de liquido colorido dentro, era a única coisa que se destacava no meio daquele cenário inteiramente branco e sem vida.

– Olha só isso.- Disse Octavio indo em direção há um frasco vermelho que borbulhava.

– Não toquem em nada. — Elizabeth gritou.

– O que é tudo isso? — Perguntei hipnotizada pelos frascos. Todos eles tinham nomes em etiquetas, mas a escrita estava em latim e eu não consegui entender.

– Latim? — Elizabeth pensou alto, passando as mãos sobre as etiquetas.

– Provavelmente.

– Não, não é. — Octavio disse parado atrás de nos.

– Como sabe? — Me virei para ele deixando de me levar pela beleza dos frascos.

– Eu sempre estudei latim, principalmente as palavras mais difíceis, mas essas palavras... Eu nunca as vi antes.

– Pessoal? Há quanto tempo estamos aqui? — Arregalei os olhos.

Antes que pudéssemos sair correndo a porta se abriu atrás de nós.

– O que estão fazendo aqui? — Robert entrou e fechou a porta.

– Nós só estávamos. — Octavio deu uma pausa, parecia não saber o que dizer. — Conhecendo o lugar.

Enquanto Octavio tentava explicar, Robert me encarava, ele mal olhava para os lados.

– Ficamos perdidos, só isso. — Disse Elizabeth saindo de trás de uma das mesas. Foi ai que ele finalmente desviou o olhar para ela e algo estranho aconteceu, ele não estava mais com aquela mesma expressão calma e neutra de sempre, parecia ter ficado espantado logo depois que viu Elizabeth, mas logo ele se recompôs. Não entendi o motivo, mas não disse nada.

– Vocês precisam voltar, vocês tem menos de trinta segundos!

– Não sabemos como voltar. — Finalmente disse algo.

– Me sigam. — Ele abriu a porta e começou a andar rápido, fui me aproximando dele, ate que fiquei quase ao lado dele.

– Por que esta nós ajudando?

Agora ele parecia completamente desinteressado, nem ao menos olhou para o lado, muito menos para mim. E minha pergunta sumiu no ar sem obter resposta. Ele chegou ate uma porta e abriu-a.

– Vão! — Disse baixo. Elizabeth e Octavio passaram correndo, antes que eu atravessasse a porta, olhei firmemente para ele.

–Por que nós ajudou? — Dessa vez não perguntei em tom normal, eu podia sentir minha expressão firme, queria agradece-lo pela ajuda, mas queria bate-lo por não ter me respondido e estar agindo daquela maneira.

– Você tem dez segundos.

– Ótimo. — Passei pela porta.

– Espera!

Me virei esperando ele se pronunciar.

– Ajudei vocês porque era o certo a se fazer.

Não respondi, apenas fiz sinal com a cabeça em aprovação, me virei novamente e corri em direção do meu grupo que gritava:

– Rápido Kristen, rápido!

Cheguei ate lá e estávamos todos reunidos, ao lado estava o grupo de Elizabeth que sorria para mim. Uma voz diferente, completamente computorizada disse.

– 1, 2, 3.

Um alarme estrondoso e horrível começou a tocar, tocou por longos 2 minutos.

– Olá conlitimistas, primeiro vocês dividiram um elevador com outras cinco pessoas e agora dividirão um quarto com as mesmas.

Todos começaram a se entreolhar. Alguns gostaram da ideia, outros nem tanto.

– Não acredito nisso. — Kaya resmungou, ela não parecia ser muito social, mas também não parecia ser uma má pessoa.

– Qual o problema Yaya? — Sebastian perguntou e começou a rir.

– Ainda pergunta? Puft!

– Ok, antes que a noite termine eu mato essa garoto. — Jay disse irritada.

– Parem! — Dylan elevou o tom de voz. — Vamos passar a maior parte do tempo juntos, precisamos confiar um no outro se quisermos fazer isso dar certo.

– Ele esta certo. — Octavio saiu de trás de Sebastian com a boca ainda suja de amora preta.

– Conlitimistas! — O alto falante cortou as vozes no salão mais uma vez. — Peço novamente que formem uma fila em frente aos elevadores junto com seu devido grupo.

– Elevador? Que elevador? — Perguntei olhando em volta.

Todos pareciam completamente perdidos, pensamos que talvez tivessem colocado a gravação errada, ate um barulho começar a ficar cada vez mais alto, todos começaram a olhar perdidamente por todo o salão, mas não conseguiam ver de onde vinha o som, ate o barulho ficar mais alto e conseguirmos definir que o som era de agua (?). Todos quase ao mesmo tempo se viraram e viram que da "piscina" estava emergindo alguma coisa, algo grandioso.

A agua começou a se levantar cada vez mais e de repente haviam vários elevadores a nossa frente.

– Acho que isso responde sua pergunta K. — Não havia percebido, mas Sebastian estava ao meu lado com os braços cruzados e um pequeno sorriso de lado. Mais estranho que os elevadores emergindo da agua foi ele me chamando de "K".

– Oh, ótimo! — Kayla sussurrou.

– Ei! Não diga...

– Sebastian! — O fitei, Kayla teria que mais uma vez vencer sua fobia de lugares pequenos.

Entramos na fila do terceiro elevador, estávamos quase perto de entrar quando Elizabeth que estava na fila ao lado me chamou.

– Hey Kristen! Boa sorte. — E sorriu.

– Boa sorte para vocês também.

Sorrimos mais uma vez e finalmente entramos no elevador, não sabia onde ele nos levaria dessa vez, mas eu não estava preocupada nem mesmo com medo, estava segura e confiante pela primeira vez em muito tempo.