O desafio

10 Cap idk continuação


Parecia ser algo que eu gostaria de ouvir para sempre... Reprendi esse pensamento, mas comecei a ficar nervosa e não era por conta do alvo mais.

— Tudo bem estar nervosa. O primeiro contato com uma arma é assim mesmo. — Ele então fez algo que eu não esperava, segurou minhas mãos que agora estavam suadas. — Apenas, se sinta segura com ela em mãos.

Queria dizer a ele que era ele quem estava me fazendo ficar nervosa, e então fiz algo de acostume.

— Já entendi, pode soltar agora.

Aquilo soou tão grosseiro, mas não podia transparecer a Sebastian meu nervosismo, na verdade no momento eu nem sabia mais o que estava fazendo. Ele me soltou e se afastou, mas pude sentir seus olhos sobre mim ainda, como todos estavam ali. Respirei fundo e tentei não pensar em nada além do alvo.

Segui todas as dicas que Sebastian havia dado, mesmo com receio de apertar o gatilho, como se soubesse que aquela dor viria ou alguma imagem embaralhada, o fiz. Senti uma leve queimação na parte inferior do joelho novamente, mas tentei fingir que nada havia acontecido, não acertei exatamente o alvo, mas alguns centímetros perto ao menos.

— Muito bem! — Balder elevou o tom de voz, o que nem precisava já que todos estavam em silêncio, mas foi bom ouvir algo. — Dá próxima você acerta em cheio, Lenfay. — Ele piscou para mim. — Então quem é o próximo?

Olhei ao redor e todos estavam em silêncio, até alguém levantar as mãos, era Dylan. Ele saiu de trás da primeira fila de pessoas, ainda cambaleava e não conseguia parar muito bem em pé.

— Dylan... tem certeza? — Sussurei.

Ele apenas afirmou com a cabeça, enquanto caminhava até a frente do alvo.

— E você é? — Balder perguntou.

— Dylan...

— Muito bem, Dylan. Tem certeza que consegue fazer isso nas suas condições? Eu sei que você precisa, mas não tem que ser o segundo... — Balder semi-cerrou os olhos como se aguardasse a resposta correta.

— Eu consigo.

Balder assentiu com a cabeça enquanto dava um leve sorriso, entregou a arma para Dylan e cruzou os braços. Torci para que Dylan fosse bem, já havia passado por tanto desde que chegará, merecia uma folga. Fiquei logo atrás dele, assim como Sebastian ficou por mim, caso ele caísse. Comecei a perceber como realmente estávamos sendo um time.

Prendi minha respiração quando Dylan executou o tiro, segurei ainda mais com a surpresa quando olhei o alvo, Dylan acertou perfeitamente o meio do alvo, as pessoas do nosso grupo gritaram em vitória e foram abraçar Dylan, dando felicitações, por alguma razão Balder não pareceu surpreso, olhei para Sebastian que sorria para Dylan, comecei a perceber que sua implicância com ele havia acabado, me senti aliviada. Quando a multidão diminui, fui falar com ele.

— Quais mais surpresas você guarda ai? — Ri.

— Ou, acredito que eu seja um poço de mistérios ou apenas tenha sido criado com meu pai que adora caçar... — Rimos. — Ah, e obrigada.

— Por?

— Ficar atrás de mim se caso acontecesse algo.

— Como você? — Me surprendi novamente.

Ele simplesmente deu de ombros e sorriu. Enquanto eu ainda continuei com minha velha cara de perdida.

— Já ode fechar a boca agora. Foi só um aleijado acertando o alvo, grande coisa.

Não pude deixar de rir.

— E acredito que você esteja morrendo de inveja por ele ter acertado mesmo nessas condições, certo Sebastian? — Me virei com os braços cruzados e com cara de deboche.

— Puft! Aguarde minha performance senhorita Lenfay. — Ele fez reverencia e passou por mim.

Mesmo assim Sebastian foi o último a atirar. Diferentemente de todos, ele não se concentrou, não demorou minutos para puxar o gatilho, fez isso naturalmente e por coincidência há quem quisesse acreditar acertou exatamente no mesmo lugar que eu.

— Só mais concentração da próxima. — Ele deu um tapinha nas costas de Sebastian. — Acho que por hoje é isso. Espero que na segunda aula todos acertem o alvo com perfeição... Estão dispensados. — Balder finalizou.

Enquanto voltávamos ao vestiário para tirar aquelas roupas, puxei Sebastian pelo braço.

— Por que fez aquilo? — Indaguei.

— Como sempre eu não faço ideia do que você esta falando. — Ele fez sua famosa cara de paisagem.

— Errou o alvo, Sebastian... Eu não preciso de um prêmio de consolação ok? O que aconteceu... Já foi constrangedor demais, então só não

— Já acabou? — Ele me interrompeu. — Ora, ora quem se está se achando o centro dos estados agora, só porque foi eletrocutada? — Ele revirou os olhos.

Mais do que nunca senti vontade de soca-lo, queria bate-lo até nunca mais conseguir mexer os olhos para não poder revira-los como eu fazia.

— Muito bem então, senhor sabe tudo, qual o motivo de ter errado o alvo propositalmente? — Cruzei os braços.

— Não chamar atenção, estratégia, mas ainda sim mostrar o quão capaz eu sou sem ninguém perceber (?)

Enquanto Sebastian falava, comecei a entender, não chamar atenção para que as pessoas não soubessem que ele era um adversário perigoso e assim as pessoas não se uniriam contra ele, estratégia para pensar que ele não é um bom atirador, enquanto na verdade foi o melhor acertando um alvo pensado por ele, mas ainda sim próximo do real alvo para ninguém desconfiar, mas um alvo três vezes menor que o original, mostrando a precisão de seu tiro mesmo sem se concentrar, e assim mostrando pra si

— O quão capaz ele é... — Disse em voz alta enquanto olhava para o chão perplexa.

Até que percebi que Sebastian ainda estava ali, me observando, enquanto um sorriso se formava.

— Você é ridículo. — Debochei

— E você fica ainda mais estranha mexendo as pupilas freneticamente quando pensa.

— Eu não faço isso. — Disse em tom sério. Até ele me encarar e começarmos a rir.

Chegamos ao vestiário e enquanto Sebastian trocava de roupa, mencionou baixinho.

— Mas como você não tivesse feito o mesmo, todo aquele teatro puft. — Ele tirou a camisa.

— O que? — disse baixo. — Não foi teatro.

Ele me encarou para ter certeza de que eu não estava brincando.

— Então toda aquela coisa da dor, é real?

Nem ao menos respondi, apenas balancei a cabeça em negação e sai do vestiário seguindo o resto do grupo. Pude ouvir Sebastian chamar meu nome enquanto pedia para esperar, estava com tanta raiva da pergunta absurda que não queria ouvir mais nada. Até que senti alguém puxar meu braço.

— Calma ai, K.

Me virei tão bruscamente que senti meus cabelos voarem.

— Meu nome é Kristen, não K! — Gritei sem pensar e pude ver as pessoas do grupo parando para olhar, me senti desconfortável, como sempre me senti quando atraia muitos olhares, mas tentei permanecer séria.

— Me desculpa, ta legal? Não disse aquilo para te ofender.

— Me ofender? Acha que aquilo me ofendeu? Só não consigo responder perguntas tão absurdas e idiotas como aquela. Você pensou o que? Que estava fingindo sentir dor para não atirar, para fingir que não sou uma ameaça? Isso é patético! E se pensou que era tudo encenação, por que me ajudou? — Finalmente parei para respirar enquanto o encarava de forma tão bruta que me lembrou Clarisse.

— Porque a principio essa ideia não me veio em mente, só pensei em vo... te ajudar. Satisfeita?

Continuei encarando, mas não de forma carrancuda mais, porém em um súbito voltei a pensar com clareza.

— Nem um pouco, nem um pouco.

Me virei e continuei andando enquanto ouvi ele dizer ótimo com uma voz suave bem no fundo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.