O cão e a aranha da rainha.
6 Dia de descanso
Notas iniciais
Quando Sebastian entrou na biblioteca, Alois estava sentado numa poltrona de couro marrom olhando para um tabuleiro de xadrez com as peças colocadas como se alguém não tivesse terminado uma partida e a vantagem estava para as peças pretas tendo pegado duas torres, um bispo, cinco peões e a rainha. Alois olhava atentamente para o tabuleiro vendo se tinha alguma chance para as brancas. Claude olhava Finnian desatento arrumando a entrada da mansão que ficara danificada. Ele ainda não acreditava que alguém como Finnian conseguira parar sua investida. Do lado de fora já era tarde da noite por volta das 9 horas e da mansão a vista do céu é linda.
– O jovem mestre está estável, agora ele só precisa descansar um pouco. – Sebastian passou o olho pela biblioteca e viu que apesar de que todos o ouviram, nenhum sequer olhou pra ele.
– O que houve com ele? – Perguntou Alois feliz por que finalmente achou uma brecha para que as brancas avancem.
– Uma mistura de ansiedade, descuido, traição e uma emboscada pra terminar. – Disse Sebastian enquanto colocava um chá do bule nas xícaras. – Mas isso só o Jovem mestre tem o direito de explicar.
– E quando ele vai acordar? – Alois perguntou impaciente e pegou uma das xícaras que Sebastian ofereceu na bandeja.
– Isso eu não sei, na verdade não acreditei que ele ia sobreviver a cirurgia as pressa.
Claude rejeitou a xícara e Sebastian colocou a bandeja de volta a mesinha encostada na parede do outro lado que Claude estava, o chá fazia reflexo do rosto dele, sereno, calmo e frio, como estivera o tempo todo durante a cirurgia que ele fez no seu mestre. Ele olhou para a janela e viu o escuro da noite cobrindo todo o jardim da mansão, transformando todo aquele verde em preto e cinza em questão de segundos e tirando toda felicidade e paz que o local tinha, deixando apenas medo de andar por lá.
– Acho que já está na hora de vocês se retirarem, a noite já chegou.
– Sim, eu percebi. – Disse Alois se levantando da poltrona e olhando a mancha sangrenta que ele deixou lá por causa de sua roupa. – Claude, vamos. Quando Ciel acordar me mande noticias. – Ele disse pra Sebastian.
– Farei o que meu mestre mandar, apenas. – Sebastian foi até a porta da biblioteca e abriu para que eles passassem e os seguiu pelo resto do caminho.
Eles entraram em um corredor alto, iluminado por lâmpadas recém acesas pelos outros servos de Ciel que estavam na metade da parede coberta por um tecido vermelho. Não tinham quadros de ninguém da família Phantomhive, o corredor tinha três portas de cada lado e terminava na sala de estar da mansão. Sebastian abriu a porta novamente e deixou que eles passassem, o solo e o ladrilho da entrada estavam arrumados, eles entraram na carruagem e foram sem dizer uma única palavra.
Sebastian ficou olhando a carruagem se afastar e desaparecer, ele virou e chamou pelos três empregados da mansão e eles não demoraram nem um minuto para aparecer, formar uma linha e esperar o que Sebastian tinha a falar. Finnian, a garota que tinha atirado do alto da mansão e um homem alto de cabelo curto e espichado com um cigarro na boca.
– Muito bem, vocês terminaram suas tarefas por hoje, mas quero que vocês saibam de uma coisa, aquelas pessoas vão aparecer aqui novamente e elas de modo algum são amigas do jovem mestre. Quero que mantenham os olhos neles, certo? – Os três assentiram com a cabeça. – Pronto, dispensados.
Eles entraram na mansão e foram para seus quartos enquanto Sebastian subia a longa escada do saguão em frente à sala de estar que ia em direção direta ao quarto onde Ciel estava desacordado. Sebastian sentou numa poltrona e ficou olhando Ciel. Ele estava numa cama de casal bege com os lençóis cobrindo seu corpo até o pescoço e escondendo seu ferimento lateral.
– Meu Lorde, por que tanta imprudência? Você não pode me deixar agora, fizemos um acordo quando nos conhecemos, você me deve mestre. Não pode colocar sua alma em risco assim, ela me pertence. Bem... Agora eu terei que a noite aqui lhe observando.
Sebastian se levantou e passou a mão no rosto de Ciel retirando um pouco do cabelo que cobria seu olho bom o outro olho permanecia escondido com o tapa-olho, o olho que demonstrava a promessa feita entre Ciel e Sebastian.
Sebastian sorriu com um olhar afetivo como um pai olhando seu filho cair no sono e desejando tudo de bom pra ele. Ele virou as costas para Ciel e seguiu em direção a seu quarto para pegar um lençol, ele voltou alguns segundos depois, sentou na poltrona se cobriu e fechou os olhos.
– Boa noite, jovem mestre.
Sebastian acordou cedo, mas o sol tinha sido um pouco mais rápido, a luz alaranjada do começo do dia invadia o quarto pela brecha das duas cortinas que cobriam a janela a uns dois metros do lado da cama de Ciel e acertava diretamente no rosto de Sebastian e no corpo de Ciel. Ele continuava com os olhos fechados, mas seu mordomo ainda deu alguns toques e o chamou pelo nome, mas não houve resposta vinda de Ciel, ele se levantou a foi cuidar da casa, a poeira invadia a casa toda noite e deixava sua marca em todo lugar, Sebastian terminou tudo depois do meio-dia quando de repente ouviu passos vindos do corredor. Ciel estava vindo cambaleando em direção à sala, estava com uma mão no tapa-olho e tentando manter o controle das pernas, ele estava vestido com um pijama que parecia com uma camisola branca e fina que mostrava apenas os seus pés. Ele vacilou um momento e caiu de lado se segurando na parede e Sebastian correu para segurá-lo.
– Jovem mestre cuidado! Você não devia se levantar, o ferimento vai abrir desse modo, meu senhor.
– Ah, ma largue Sebastian! O que houve depois daquilo?!
– Nós fugimos senhor, tivemos que fugir, não havia por que continuar com o senhor naquele estado. – Sebastian o levou até o sofá da sala, o sentou lá e foi procurar o kit de primeiros socorros na dispensa. – Eu não podia arriscar sua vida naquele ponto. – Sua voz estava distante e abafada, mas foi aumentando assim que ele começou a se aproximar. – Eu fiquei com medo que ocorresse algo ao senhor, mas felizmente foi tudo bem e acordou mis cedo do que eu esperava.
– Está dizendo que não tiramos qualquer informação?!- Ciel se enfureceu.
– Infelizmente, não. – Sebastian não parecia triste ao falar isso, ele estava concentrado levantando o pijama de Ciel e trocando as ataduras do ferimento. – Recebemos visitas, o senhor Alois Trancy e seu mordomo estavam aqui ontem para trocar informações, mas não demoraram muito quando perceberam seu estado. Devo chamá-los a virem novamente agora que o senhor está bem?
– Não, quero descansar por enquanto, talvez mais tarde. Aaai!! – Os olhos de Ciel se fecharam de dor, Sebastian apertou um pouco mais forte onde doía e Ciel apertou forte o braço do sofá com a mão direita.
– Como o senhor quiser. – Sebastian sorriu satisfeito com o próprio trabalho no seu mestre, abaixou o pijama e o ergueu nos seus braços como quem carrega um bebê.
– O q... O que você está fazendo!? – Ciel exclamou em tom assustado.
– acima de tudo eu tenho que cuidar do senhor. Além do mais, o senhor tem que se trocar não vai passas o dia assim.
Alguns minutos depois Ciel saiu do quarto nos braços de Sebastian, mas agora estava vestido com uma roupa casual, o que não fazia seu estilo. Estava com uma bermuda cinza, quadriculada com linhas verde musgo que chegavam até seu joelho e uma camisa azul escuro que lhe caía bem. O dia se passou sem nenhuma situação perigosa, Ciel resolveu que hoje ele não iria se intrometer no caso e deu ordem para que Sebastian não informasse a ninguém sobre seu estado, mas o que ainda lhe assustava era a traição de Lau, eles nunca foram bons amigos por que na verdade o temperamento de Ciel o fazia não ter nenhum e ele também achava que não precisava disso, mas apesar disso a situação entre ele e Lau nunca foi hostil apesar da estupidez de Ciel contra ele, então ele não sabia o que havia incitado Lau a cometer algo desse modo a ponto de entregar Ciel de bandeja, talvez ele não estivesse preocupado com o dinheiro que Ciel ia lhe dar e queria apenas vingança pela morte no seu local de negócios, mas esse não era jeito de Lau, ele nunca se importaria com aquela pessoa imunda que Ciel matou. Ciel estava sentado na poltrona em frente ao jogo de xadrez e percebera que algumas peças tinham sido mexidas, nem a poltrona nem as peças de xadrez e muito menos o chão estavam sujos de sangue, pois Sebastian tinha se encarregado de limpar ou trocar tudo que fosse necessário para não consumir mais paciência do seu mestre. Ciel voltou a pensar em Lau e lembrou que ele disse que não podia dar informações dos seu clientes, mas é claro que quando ele soubesse que Ciel estava em missão ele sabia que era com a rainha e ele nunca ficaria na frente dela, a não ser que o que esteja junto a ele seja mais perigoso que a rainha, claro.
Na manhã seguinte Ciel levantou cedo e foi até Sebastian sozinho, o ferimento já não incomodava tanto e ele andava bem melhor, só mancava um pouco no lado do ferimento, ele encontrou Sebastian limpando todos os talheres.
– Sebastian. – ele falou baixo.
– Jovem mestre, você já acordou?
– Chame Alois, nós vamos nos ver agora.
– Como o senhor quiser. – Sebastian sorriu e saiu do cômodo.
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